Pteridium arachnoideum
Samambaia | |||||||||||||||
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![]() Pteridium arachnoideum. | |||||||||||||||
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Detalhe da folha de samambaia. | |||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||
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Pteridium arachnoideum[1][2], conhecida popularmente como samambaia-do-campo, samambaia-de-terra-fria ou simplesmente samambaia, é uma planta Pteridófita que ocorre naturalmente nas América do Sul e Central.[3]
Assim como todas as plantas do gênero Pteridium, presença dela em áreas rurais é considerada um problema relevante na pecuária, além da sua alta toxicidade, a planta compete com espécies forrageiras e é de difícil controle[4].
Toxicidade
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A samambaia é considerada altamente tóxica para animais de produção, especialmente bovinos. Sua toxicidade está associada principalmente ao composto ptaquilosídeo[4]. O sinal clínico mais importante dessa intoxicação é a hemorragia.
O ptaquilosídeo é um composto com ação radiomimética, ou seja, é uma substância que imita os efeitos da radiação no corpo, responsável por efeitos anti-hematopoiéticos e carcinogênicos. É descrito como um glicosídeo norsesquiterpênico, diretamente envolvido nos efeitos tóxicos sistêmicos da planta[5]. Age causando dano direto ao DNA. Em células que se replicam rapidamente, como as da medula óssea, esses danos podem impedir a produção dos leucócitos, eritrócitos e principalmente de plaquetas, o que leva à hemorragia classicamente observada.
A intoxicação por Pteridium em animais é observada nas formas aguda e crônica, dependendo da quantidade e do tempo de ingestão. Na forma aguda, chamada de diátese hemorrágica, é caracterizada por hemorragias generalizadas, febre, anemia, trombocitopenia e palidez de mucosas. Está associada à depressão da medula óssea, resultando em redução da produção de células sanguíneas. É a forma patognomônica da intoxicação por Pteridium, apresentando sangramentos espontâneos, dispneia e edema em regiões como a faringe.[6]
Já na formas crônicas, observam-se a hematúria enzoótica e o desenvolvimento de câncer do trato digestório superior. Essas condições estão relacionadas à ação carcinogênica prolongada do ptaquilosídeo. Essas formas são vistas especialmente em bovinos adultos, que consomem a planta em menos doses mas durante mais tempo, assim tendo tempo de desenvolver os tumores. Os tumores observados tendem a ser carcinomas de células escamosas.[4]
A intoxicação por samambaia é uma das principais causas de morte em bovinos em regiões do sul do Brasil, atrás somente de intoxicação por Senecio.[7]. Fatores como escassez de alimento e introdução de animais em áreas infestadas aumentam o risco de ingestão da planta. Roçadas em campos infestados tendem a ser ineficientes, devido ao alto rebrotamento da planta, e o fato de que os brotos são mais tóxicos e mais palatáveis para os animais[4]. Não há tratamento específico eficaz para os casos de intoxicação, sendo as medidas preventivas, como controle da planta em pastagens, fundamentais para reduzir a ocorrência da doença.
Referências
- ↑ «Pteridium arachnoideum | International Plant Names Index». www.ipni.org. Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ «Pteridium arachnoideum (Kaulf.) Maxon | Plants of the World Online | Kew Science». Plants of the World Online (em inglês). Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ «Pteridium arachnoideum». iNaturalist. Consultado em 11 de abril de 2026
- 1 2 3 4 Boabaid, Fabiana M.; Oliveira, Luiz G.S.; Dalto, André G.C.; Bandarra, Paulo M.; Souza, Felipe S.; Sonne, Luciana; Driemeier, David (agosto de 2018). «Achados clínico-patológicos e métodos de controle da intoxicação por Pteridium (aquilinum) arachnoideum em uma propriedade do Rio Grande do Sul». Pesquisa Veterinária Brasileira. 38 (8): 1584–1596. ISSN 1678-5150. doi:10.1590/1678-5150-pvb-5709
- ↑ Niwa, Haruki; Ojika, Makoto; Wakamatsu, Kazumasa; Yamada, Kiyoyuki; Hirono, Iwao; Matsushita, Kazuhiro (1 de janeiro de 1983). «Ptaquiloside, a novel norsesquiterpene glucoside from bracken, Pteridium aquilinum var. latiusculum». Tetrahedron Letters. 24 (38): 4117–4120. ISSN 0040-4039. doi:10.1016/S0040-4039(00)88276-3
- ↑ Cavasani, João Paulo S.; Sabino, Larissa; Santos, Ícaro Guilherme dos; Gomes, Fabrício A.; Machado, Mairim C. S. S.; Athayde Filho, Francisco P.; Caldeira, Flávio Henrique B.; Furlan, Fernando Henrique (2025). «Bovine enzootic hematuria in the Southern Cone of Rondônia». Pesquisa Veterinária Brasileira (em inglês). 45: e07772. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/1678-5150-PVB-7772
- ↑ Rissi, Daniel R.; Rech, Raquel R.; Pierezan, Felipe; Gabriel, Adriane L.; Trost, Maria E.; Brum, Juliana S.; Kommers, Glaucia D.; Barros, Claudio S. L. (2007). «Intoxicações por plantas e micotoxinas associadas a plantas em bovinos no Rio Grande do Sul: 461 casos». Pesquisa Veterinária Brasileira. 27: 261–268. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/S0100-736X2007000700002
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