Quatro Brasis

Mapa das regiões propostas por Milton Santos
Mapa das regiões propostas por Milton Santos e Maria Laura Silveira
Mapa das regiões propostas por Milton Santos
Versão alternativa para uso pedagógico

Quatro Brasis é uma proposta teórica e geográfica de regionalização do Brasil feita pelos geógrafos Milton Santos e Maria Laura Silveira em 2001. Nessa regionalização, o principal critério foi o meio técnico-científico-informacional. Assim, ela leva em consideração a difusão da infraestrutura que suporta as redes de informações, mercadorias, capitais e pessoas entre os estados.[1] Usando esses critérios, os geógrafos agruparam os estados em quatro regiões: Região Amazônica, Região Concentrada, Região Nordeste e Região Centro-Oeste.[1][2][3]

As regiões

Região Amazônica

Contendo os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Amapá, a Região Amazônica é a maior das quatro, ocupando 3 576 056,034 quilômetros quadrados.[nota 1] A região tem pouca densidade demográfica, bem como poucos centros urbanos, levando ao predomínio de atividades tradicionais para sustentar a economia da região.[3][1]

As principais atividades econômicas da área são a agropecuária, a aquicultura e o extrativismo mineral e vegetal. A mineração de ferro é de grande importância econômica, principalmente no estado do Pará,[4] onde essa indústria faturou R$31 bilhões no primeiro trimestre de 2021.[5] A Região Amazônica também tem alto potencial hidrelétrico, o rio Amazonas, por exemplo, é o maior do mundo por volume d'água. Mesmo assim, a exploração dos recursos dessa área foi iniciada apenas recentemente, e a região produz menos de 25% da energia hidrelétrica do Brasil.[6]

Região Concentrada

Ocupando 1 501 394,988 quilômetros quadrados[nota 1] — a menor região por área —, a Região Concentrada é o centro tecnológico do país, onde o desenvolvimento da ciência e da tecnologia é o maior e mais contínuo no Brasil. A região consiste dos estados do Sul e do Sudeste, sendo diversas cidades dos estados que a compõem centros importantes do país — a cidade de São Paulo, por exemplo, destaca-se como polo nacional.[3][1]

Segundo Milton Santos, a Região Concentrada é “composta de denso sistema de fluxos, em razão dos elevados índices de urbanização, por atividade comercial intensa e alto padrão de tomada de decisões do território brasileiro, abrigando atividades modernas e globalizadas, como alguns setores financeiros e de serviços”. Essa região tem a maior densidade demográfica e a é mais industrializada do país. Ainda sim, sua economia integra outro setores da indústria, como a metalurgia e a extração de petróleo, e da agropecuária, como o plantio de café, cana-de-açúcar e laranja, além do turismo.[7][8][4]

Região Nordeste

Congruente a delimitação do IBGE, a Região Nordeste apresenta, de modo geral, alta desigualdade entre as sub-regiões, que são a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte, e índices sociais baixos, embora esses estejam apresentando melhoras nas últimas décadas.[3][1] O turismo é muito prevalente no Nordeste, principalmente em cidades litorâneas e praieiras, estimulando a economia local e gerando empregos.

A Zona da Mata é a área mais desenvolvida da região, com indústrias diversas e espaços urbanos similares aos sudestinos. Enquanto isso, o resto da região é menos desenvolvido e mais dependente de atividades do setor primário.[8] A agropecuária é predominante no Sertão e no Agreste, onde os principais produtos agrícolas são a cana-de-açúcar, o cacau, o milho, o algodão, o feijão, a mandioca e a soja, e a pecuária é prevalente no Maranhão, Piauí e Bahia. Mesmo que o Nordeste contenha vários aspectos técnico-científico-informacionais — como o maior parque tecnológico do Brasil —, esses estão, na maior parte, concentrados nas grandes cidades do litoral.[4]

Região Centro-Oeste

Abrangendo o Tocantins, o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul, o Goiás e o Distrito Federal, a Região Centro-Oeste cresceu principalmente a partir da alta migração de fazendeiros da região Concentrada, os quais buscavam novas terras e foram estimulados pelo programa da marcha para o Oeste.[3][1] Apesar da economia do Centro-Oeste ser voltada ao setor primário, a região tem tecnologia e desenvolvimento paralelos à Concentrada, tendo um índice técnico-científico-informacional alto.[4]

A economia do Centro-Oeste é voltada à agropecuária, havendo a produção de vários tipos de grãos, como o milho, o girassol, o feijão e, principalmente, a soja, sendo o Mato Grosso o maior estado produtor de soja no Brasil. A pecuária é focada na avicultura e suinocultura, sendo a presença de gado menor. O extrativismo consiste na extração da madeira e de metais — ouro, ferro e níquel, por exemplo. Mesmo havendo presença do setor secundário, ele é majoritariamente baseado no setor primário, cobrindo áreas como a produção alimentícia, de celulose, de laticínios, e de ração. Contudo, ainda existem outras áreas desse setor, como a automobilística e a farmacêutica.[4]

Ver também

Notas

  1. 1 2 A área das regiões foi obtida por somando ou subtraindo dados de regiões e estados oficiais, para a Amazônica foi subtraída a área do Tocantins da da região Norte, para a região Centro-Oeste foi somada a do Centro-Oeste dado pelo IBGE e a do Tocantins, e para a Concentrada foi somada a área das regiões Sul e Sudeste.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Borges Costa, Wesley; Neris Moreira, Michelle; Goreth e Silva Nery, Maria (2012). REPENSANDO A REGIONALIZAÇÃO BRASILEIRA A PARTIR DA TEORIA DO MEIO TÉCNICO-CIENTÍFICO-INFORMACIONAL. Goiânia: [s.n.]
  2. ↑ «Brasil: Divisão Regional de Milton Santos - Disciplina - Geografia». www.geografia.seed.pr.gov.br. Consultado em 19 de novembro de 2022
  3. 1 2 3 4 5 Santos, Mílton (2001). O Brasil : território e sociedade no início do século XXI. Maria Laura Silveira. Rio de Janeiro: Editora Record. OCLC 47135498
  4. 1 2 3 4 5 Baer, Werner (2003). A economia brasileira 2. ed. rev. atual. ampl ed. São Paulo: Nobel. OCLC 1193394950
  5. ↑ Rodrigues, Léo (22 de abril de 2021). «Produção do setor mineral cresce 15% no primeiro trimestre». Agência Brasil. Consultado em 19 de novembro de 2022
  6. ↑ «Economia da Região Norte e seus principais aspectos». MDS Brasil. Consultado em 19 de novembro de 2022
  7. ↑ «Região Concentrada- Milton Santos». GeoAplicação. 2 de abril de 2020. Consultado em 20 de novembro de 2022
  8. 1 2 Alabi Lucci, Elian; Lazaro Branco, Anselmo; Mendonça, Cláudio (2010). Território E Sociedade No Mundo Globalizado. Geografia Geral E Do Brasil. [S.l.]: Saraiva. ISBN 978-8502102217