Ribeira de Caparide

Ribeira de Caparide
Ribeira de Manique
Leito da ribeira à passagem pela Quinta dos Pesos e baixa de Caparide.
Comprimento12,6 km
NascenteSerra de Sintra (Chão de Meninos)
Altitude da nascente270 m
Caudal médio0,1 m³/s
Caudal mínimo0,01 m³/s
FozOceano Atlântico em São Pedro do Estoril
Altitude da foz14[1] m
Área da bacia21,0 km²
Região hidrográficaRegião Hidrográfica do Tejo (RH5)
Afluentes
principais
Ribeira de Manique
Afluentes
direita
Ribeira de Ranholas
País(es)Portugal Portugal
RegiãoLisboa
DistritoLisboa
Passagem porSintra:

Cascais:

A Ribeira de Caparide é uma ribeira costeira que nasce na Serra de Sintra, a 270 m de altitude, passando por diversas localidades, entre elas Manique e Caparide, em Cascais. Percorre 12,6 km para sul até desaguar nas ravinas de São Pedro do Estoril (Cai Água).[2] Durante parte do seu percurso, serve de limite entre as freguesias de Alcabideche com São Domingos de Rana, no tramo a norte; e entre Cascais e Estoril com São Domingos de Rana e Carcavelos e Parede, no tramo a sul.

Apresenta um regime de escoamento torrencial, com grande irregularidade sazonal e com variações acentuadas no caudal.[3] Este curso de água está sujeito a uma grande pressão antrópica graças à urbanização da sua bacia hidrográfica. É classificado pela Agência Portuguesa do Ambiente como tendo um histórico de má qualidade devido às descargas das águas pluviais de origem urbana e à descarga clandestina de águas residuais domésticas[4], para além de apresentar um perigo de cheias graças sobretudo ao seu estrangulamento em Manique. De acordo com o índice IBMWP (Iberian Biomonitoring Working Party), esta ribeira encontra-se «muito poluída».[5] Possui uma estação de monitorização da qualidade da água na Quinta das Camilas, em funcionamento desde 2001.[6]

A localidade de São Pedro do Estoril deveu o seu anterior nome a esta ribeira, que na sua conclusão se precipita em cascata para o mar[2], e é onde esta é atravessada, por uma ponte do século XVII, designada de interesse municipal.[7]

Fauna

Patos-reais no leito da ribeira, em São Pedro do Estoril.

A Ribeira de Caparide apresenta, apesar da sua alteração antropogénica, uma fauna de grande diversidade, especialmente a nível concelhio. Na ribeira dão-se três espécies exóticas, uma espécie migradora e três espécies nativas, com elevado estatuto de proteção. Por drenar as águas de invernia e cortar por zonas relativamente áridas, constitui um elemento importante na reprodução e sustentação das diversas espécies nela presentes, que passam pelos insetos, anfíbios, rãs, répteis, aves e alguns mamíferos como o ouriço-cacheiro (Erinaceus europeus).[8]

No concelho de Cascais, é o curso de água que apresenta a maior diversidade piscícola, com cinco espécies presentes. São a boga-portuguesa (Iberochondrostom a lusitanicum), o escalo-do-sul (Squalius pyrenaicus), a enguia (Anguilla anguilla), a gambúsia (Gambusia holbrooki), a perca-sol (Lepomis gibbosus) e a carpa (Cyprinus carpio).[9] Destas, a gambúsia é a mais predominante; a boga-portuguesa e o escalo-do-sul as menos. É a ribeira que apresenta a maior quantidade de espécies exóticas, com três espécies representantes de 96% da população, sendo desta maneira a que apresenta menos indivíduos de espécies nativas. Para além disto, a ribeira apresenta os maiores números de lagostins-de-água-doce (Procambarus clarkii) de todo o concelho, uma espécie invasora.[9]

Os macroinvertebrados estão presentes com 26 famílias, sendo as ordens mais numerosas Diptera, Ephemeroptera e Oligochaeta.[9]

No que toca à avifauna, é possível encontrar indivíduos de melros (Turdus merula), rolas (Streptopelia turtur) e patos-reais (Anas platyrhynchos).[8]

Referências

  1. ↑ «Elaboração da Carta de Áreas Inundadas do Concelho de Cascais para o período de retorno de 100 anos.» (PDF). Hidroprojecto, Engenharia e Gestão S.A.
  2. 1 2 «Valores naturais da Pedra do Sal e da Ribeira de Caparide». Câmara Municipal de Cascais
  3. ↑ «Câmara Municipal de Sintra». 18 de dezembro de 2009. Consultado em 28 de setembro de 2017
  4. ↑ Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste (2013). «Perfil de Água Balnear de São Pedro do Estoril» (PDF). Agência Portuguesa do Ambiente
  5. ↑ «Caracterização biofísica das ribeiras do concelho de Cascais» (PDF). Cascais Ambiente. 1.º relatório. 2014
  6. ↑ «Proposta de reestruturação das redes de monitorização de recursos hídricos.» (PDF). INAG/DSRH. Bacias hidrográficas entre o Rio Douro e o Rio Tejo. 140 páginas
  7. ↑ «Ponte Filipina sobre a ribeira de Caparide». www.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 17 de setembro de 2017
  8. 1 2 «Fauna e Flora dos Ribeiros». Câmara Municipal de Cascais.
  9. 1 2 3 «Caracterização biofísica das ribeiras do concelho de Cascais» (PDF). Cascais Ambiente. 2.º relatório. 2015. Consultado em 4 de outubro de 2017

Ver também

Ligações externas

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