Richard Evans

Richard Evans
Nascimento1784
Shrewsbury
Morte1871 (86–87 anos)
Southampton
CidadaniaReino da Grã-Bretanha, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Ocupaçãopintor

Richard Evans (1784–1871) foi um pintor de retratos inglês e copista, aluno e posteriormente assistente de Sir Thomas Lawrence.

Primeiros anos

Evans nasceu em Shrewsbury.[1] Quando jovem, foi amigo próximo do artista nascido em Birmingham, David Cox, que lhe emprestava desenhos a tinta de paisagens para que Evans, que enfrentava dificuldades financeiras, pudesse copiá-los e vendê-los. Quando Cox mudou-se para Londres em 1804, Evans e outro amigo aspirante a artista, Charles Barber, o seguiram. Ambos alugaram quartos próximos a Cox, e os três costumavam sair juntos para fazer esboços.[2]

Sir Thomas Lawrence

Cópia de Evans de um autorretrato de Sir Thomas Lawrence

Durante alguns anos, Evans foi aluno e assistente de Sir Thomas Lawrence, para quem pintava roupas e fundos, além de realizar réplicas de suas pinturas.[3] Quando Lawrence faleceu, em 1830, deixou um grande número de obras inacabadas, e Evans completou ou copiou diversos retratos de Jorge IV e finalizou um retrato do Bispo de Durham para os testamenteiros do pintor.[4]

Thomas Campbell, que chegou a considerar escrever uma biografia de Lawrence, afirmou em uma carta que ninguém conhecia tanto sobre Lawrence quanto Evans, devido à sua memória excepcional e ao fato de ter vivido na casa do mestre por seis anos. Evans prometeu ajudar Campbell com o livro quando tivesse tempo, mas, após longa demora, Campbell descobriu que Evans já havia contado suas anedotas a seu amigo Watts, editor do Annual Obituary, para uso em sua publicação. Diante da falta de material inédito, Campbell abandonou seu plano.[5]

França e Haiti

Sua Majestade Henrique Cristóvão, Rei do Haiti, 1816

Em 1814, Evans visitou o Louvre em Paris e foi um dos primeiros ingleses a copiar as obras expostas ali.[3] Ele expôs pela primeira vez na Academia Real Inglesa em 1816, apresentando um retrato do aeronauta James Sadler.[6]

Nesse mesmo ano, viajou para o Haiti, onde tornou-se diretor da nova escola de desenho e pintura criada pelo rei Henrique Cristóvão, no Palácio de Sans-Souci.[7] Evans chegou ao Haiti em 21 de setembro, na companhia de Prince Saunders e outros três homens recrutados na Inglaterra: um agricultor e dois professores.[8] Pintou retratos da família real haitiana, sendo o primeiro retrato do rei enviado como presente a William Wilberforce.[8] Essa pintura e outra do filho do rei, o príncipe real Jaime Vítor Henrique, também da coleção de Wilberforce, encontram-se atualmente no acervo da Universidade de Porto Rico.[9] Em 1818, Evans expôs na Academia Real Inglesa obras catalogadas como Sua Majestade Henrique Cristóvão, Rei do Haiti e Príncipe Jaime Vítor Henrique, Príncipe Real do Haiti.[6]

Itália

Evans passou um período na Itália, copiando obras dos antigos mestres e pintando retratos. Em 1821, encontrava-se em Roma, realizando cópias das decorações arabescas de Rafael na lógia do Vaticano para a galeria de John Nash na Regent Street.[10] (Após a morte de Nash, essas obras foram vendidas ao Museu Vitória e Alberto).[11] No ano seguinte, retornou à cidade, desta vez na companhia de seu amigo William Etty, outro ex-aluno de Thomas Lawrence.[12] Viajando por terra via Paris, chegaram a Roma em 10 de agosto.[13] Após quinze dias, Etty seguiu para Nápoles, deixando Evans em Roma.[14] Ele retornou um mês depois.[15] Em carta, Etty escreveu que "um acordo foi feito que me impediria de permanecer com ele... mas devo-lhe muita gratidão. Ele me acompanhou e mostrou coisas que eu não teria visto de outra forma".[16] Viajaram separadamente por um tempo: Evans permaneceu em Roma, mas também visitou Milão, enquanto Etty passou sete meses em Veneza.[16] Em Roma, Evans tornou-se membro de uma academia criada por artistas britânicos, com apoio de Lawrence,[17] e integrou o comitê gestor da organização, formalmente conhecida como Academia Britânica de Artes em Roma.[18] Evans e Etty reencontraram-se em Florença no verão de 1823,[19] e, após dois meses em Veneza, finalmente partiram para a Inglaterra em outubro.[20]

Durante sua estadia em Roma, Evans experimentou a técnica de pintura a fresco e, ao deixar a cidade, presenteou seu serviçal com uma dessas obras – representando Ganimedes alimentando a águia. Anos mais tarde, encontrou-a exposta no Museu Vitória e Alberto como se fosse um autêntico afresco antigo proveniente de um túmulo nas redondezas de Roma.[3][21]

Exposições

Evans continuou a expor com frequência na Academia Real Inglesa até 1845, principalmente retratos.[6]

Em maio de 1849, a rejeição de uma de suas obras pela Academia levou a uma altercação, após a qual Evans compareceu ao tribunal acusado de agressão, por ter golpeado com sua bengala o secretário da Academia, John Prescott Knight.[22]

Ele também expôs seis obras de temas diversos na British Institution entre 1831 e 1856.[21]

Últimos anos

Evans continuou a pintar até o final de sua vida, tendo executado um grande quadro intitulado A Morte de Esculápio quando já contava mais de 85 anos. Faleceu em Southampton, onde residia há mais de 25 anos, em novembro de 1871, aos 87 anos de idade.[3]

Ele doou alguns moldes de estatuária antiga, que havia coletado em Roma, na Instituição Hartley, em Southampton.[3]

Acervos

A coleção da National Portrait Gallery inclui seus retratos de Harriet Martineau e George Bradshaw (1841), além de suas cópias dos retratos de Thomas Lawrence de George Canning (c.1825), Thomas Taylor e do autorretrato do próprio Lawrence.[23]

Obras

Referências

  1. ↑ «Richard Evans». Royal Academy. Consultado em 26 de setembro de 2012
  2. ↑ Solly, N. Neal (1873). Memoir of the Life of David Cox. London: Chapman and Hall 1873. p. 13)
  3. 1 2 3 4 5  «Evans, Richard». Dictionary of National Biography. Londres: Smith, Elder & Co. 1885–1900
  4. ↑ «2. Lawrence at work». National Portrait Gallery
  5. ↑ Layard, George Somes, ed. (1906). Sir Thomas Lawrence's Letter-bag. London: George Allen. p. 236 A carta foi endereçada a Elizabeth Crofts.
  6. 1 2 3 Graves, Algernon (1905). Henry Graves, ed. The Royal Academy: A Complete Dictionary of Contributors from its Foundations in 1769 to 1904. 3. London: [s.n.] p. 70
  7. ↑ Christophe (King of Haiti), Thomas Clarkson, Earl Leslie Griggs (1952). Henry Christophe and Thomas Clarkson: A Correspondence. [S.l.]: University of California Press. pp. 64, 98
  8. 1 2 «West Indies». The Scots Magazine and Edinburgh Literary Miscellany. 79. 1817. p. 150)
  9. ↑ «The Alfred Nemurs Haitian History Collection: Hidden Treasure at University of Puerto Rico». Inventio (University of Puerto Rico)
  10. ↑ Joseph Farington (1928). James Greig, ed. The Farington Diary. 8. [S.l.: s.n.] p. 300
  11. ↑ Inventory of the Objects in the Art Division of the Museum at South Kensington: arranged according to the dates of their acquisition. 1. London: Her Majesty's Stationery Office. 1868. p. 28
  12. ↑ Gilchrist 1855, p.102
  13. ↑ Gilchrist 1855, pp.111–2
  14. ↑ Gilchrist 1855, pp.120
  15. ↑ Gilchrist 1855, p.129
  16. 1 2 Gilchrist 1855, p.151
  17. ↑ Layard 1906, p.178
  18. ↑ Munro, Ion S. (11 de dezembro de 1953). «The British Academy of Arts in Rome». Journal of the Royal Society of Arts. 102 (4914). p. 42–56. JSTOR 41368263
  19. ↑ Gilchrist 1855, p.187
  20. ↑ Gilchrist 1855, p.194
  21. 1 2 «Ganymede Feeding the Eagle». Victoria and Albert Museum. Consultado em 10 de fevereiro de 2012
  22. ↑ «Metropolis». Spectator. 12 de maio de 1849. p. 6)
  23. ↑ «Richard Evans (1784–1871), Artist». National) Portrait Gallery. Consultado em 10 fevereiro de 2012

Bibliografia