Ritmo holístico

Ritmo holístico, no poema, diz respeito à utilização global (holística) do tempo na leitura ou declamação de um poema.

O termo holístico[nota 1] corresponde à utilização do todo e não de partes do todo.[1][2]

Entende-se que um determinado verso não se impõe pelo número de sílabas de que é formado, mas pelo ritmo ou ritmos que, com base nesse número, é possível criar.[3]

O ritmo holístico aproxima o ritmo do poema ao ritmo da música. Ezra Pound afirmava:

"A música apodrece quando se afasta muito da dança.
A poesia se atrofia quando se afasta muito da música."[4]

Nilza Azzi, por sua vez, a esse respeito, disse:

"A leitura segue a seqüência da prosa, mas o ritmo é o de um poema."[5]

Na versificação, na escansão de um poema, consideram-se todas as sílabas poéticas de um verso até a última tônica, descartando-se possíveis sílabas átonas finais.[6][7] Tal forma de declamação, globalmente utilizada, deixa espaços de tempo entre um verso e outro. O ritmo holístico procura preencher esses tempos, utilizando-se de artifícios de construção:

  • Quando um verso termina com sílaba átona, procura-se iniciar o verso seguinte com vogal.[8]
  • Nos finais de versos evitam-se sílabas átonas que findem com m, s, r e l, que não conseguem fazer elisão (sinalefa ou sinérese) com a primeira sílaba do verso seguinte.[9][7]
  • Evita-se o término do verso com palavra proparoxítona.

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. ↑ do grego Holos = tudo, todo

Referências

  1. ↑ «Que es Holistico?» (em espanhol). Consultado em 24 de janeiro de 2025
  2. ↑ «Ritmo e Tempo nas artes sob uma ótica holística». Consultado em 24 de janeiro de 2025
  3. ↑ MELLO, José Geraldo Pires de (2001). Teoria do Ritmo Poético. São Paulo: Editora Rideel
  4. ↑ Álvaro Faleiros. «Tradução e canção: No ritmo do trovador» (PDF). Consultado em 7 de fevereiro de 2026
  5. ↑ Nilza Azzi (21 de fevereiro de 2020). «Mulheres, mulheres: Coroas de outra coroa». Recanto das Letras. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  6. ↑ ARAÚJO, Diógenes Pereira de (2007). Escandir. Movimento: conscientização. Bauru: Ed. do autor
  7. 1 2 AZZI, Nilza (2015). O verso medido. Teoria e prática. São Paulo: Edicon
  8. ↑ CAMELO, Paulo (2004). O ritmo no poema. Recife: Ed. do autor
  9. ↑ Paulo Camelo. «O ritmo, a métrica, o pé». Recanto das Letras. Consultado em 24 de janeiro de 2025