Rumba congolesa

A rumba congolesa, também conhecida como rumba africana[1] e rock-rumba,[2] é um gênero de música e dança originário do Congo-Brazavile e do Congo-Quinxassa.[3] Com seus ritmos, melodias e letras, a rumba congolesa ganhou reconhecimento global e permanece parte integrante do patrimônio musical africano.[4] Em dezembro de 2021, foi adicionada à lista de patrimônio cultural imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).[4][5][6] Conhecida por seus padrões rítmicos, solos de guitarra e vocais emotivos — principalmente cantados em lingala, embora também em francês, congo, suaíli e luba — o gênero é definido por seus riffs de guitarra cíclicos e em múltiplas camadas, uma seção rítmica ancorada por baixo elétrico e percussão, e o sebene: uma ponte instrumental de alta intensidade que inspira tanto os dançarinos quanto os atalacos (animadores de palco).[7][8][9][10]

Surgindo em meados do século XX nos centros urbanos de Quinxassa e Brazavile durante a era colonial, as raízes do gênero podem ser rastreadas até a música de dança de pares dos povos congos chamada nkumba,[4] que era tradicionalmente praticada no antigo reino de Loango, abrangendo regiões do atual Congo-Brazavile, sul do Gabão e província de Cabinda, em Angola.[11][12][13] Depois de desenvolvimentos no início do século XX, a nkumba passou a ser conhecida como maringa.[14] O estilo ganhou destaque nas décadas de 1920 a 1940, introduzindo o advento da cultura da "dança de bar" em Brazavile e Quinxassa, que incorporou elementos distintivos como um bumbo, uma garrafa usada como triângulo e um acordeão conhecido como likembe.[12][15][16][17] Durante meados das décadas de 1940 e 1950, a influência das bandas cubanas de son transformou a maringa em "rumba congolesa", já que os discos importados do Sexteto Habanero, Trio Matamoros e Los Guaracheros de Oriente eram frequentemente atribuídos erroneamente como "rumba".[3] Posteriormente a própria rumba cubana seria a influência final e definitiva na trasformação da maringa em rumba congolesa.[3] As décadas de 1960 e 1970 viram o surgimento do soukous, um estilo de música de dança urbana que emanou da rumba congolesa, imbuindo-a com ritmos animados, melodias de guitarra intrincadas e agudas e grandes seções de metais e percussão polirrítmica.[18][19] O soukous incorporou gradualmente tendências musicais modernas, abrindo caminho para o dombolo, que surgiu no final da década de 1990 e adotou técnicas de produção contemporâneas, adicionando sintetizadores e tecnologias de som digital para atrair novas gerações.[10]

O estilo ganhou popularidade na África central, oriental, meridional e ocidental, onde é considerado a "origem de todos os movimentos musicais subsequentes da África Ocidental".[10] Além disso, encontrou seguidores na Europa, particularmente na França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido, bem como nos Estados Unidos, como resultado de turnês de músicos brazavile-congoleses e quinxassa-congoleses, que se apresentaram em vários festivais internacionais.[3]

Referências

  1. ↑ Eugene Mutara (29 de maio de 2008). «Rwanda: Memories Through Congolese Music». Quigali: The New Times. Consultado em 29 de julho de 2025. Cópia arquivada em 5 de setembro de 2008
  2. ↑ «Cultural Profile of their country- DR Congo - Music and Dancing». Cultural Diversity Resources. 6 de janeiro de 2022
  3. 1 2 3 4 Gary Stewart (2000). Rumba on the River: A History of the Popular Music of the Two Congos. [S.l.]: Verso. ISBN 9781859847442
  4. 1 2 3 Etienne Kokolo (2021). «Congolese rumba». UNESCO
  5. ↑ Virginia Pietromarchi (15 de dezembro de 2021). «'The soul of the Congolese': Rumba added to UNESCO heritage list». Al Jazeera
  6. ↑ «43 elements inscribed on UNESCO's inscribed on UNESCO's intangible cultural heritage lists». UNESCO. 16 de dezembro de 2021. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2021
  7. ↑ Ellen Koskoff (2008). The Concise Garland Encyclopedia of World Music: Africa; South America, Mexico, Central America, and the Caribbean; The United States and Canada; Europe; Oceania. Oxfordshire: Routledge. p. 87. ISBN 978-0-415-99403-3
  8. ↑ Banning Eyre (2002). Africa: Your Passport to a New World of Music. Van Nuys: Alfred Music Publishing. p. 15. ISBN 978-0-7390-2474-4
  9. ↑ Bob W. White (27 de junho de 2008). Rumba Rules: The Politics of Dance Music in Mobutu's Zaire. Durham: Duke University Press. p. 52–58. ISBN 978-0-8223-4112-3
  10. 1 2 3 Olivier Rivera Micalef (Julho de 2024). Tradition et modernité dans la musique de l'Afrique occidentale (PDF) (em francês). Oviedo, Espanha: Universidade de Oviedo. p. 18
  11. ↑ Emmanuel Okamba (30 de março de 2022). «La "Rumba", un humanisme musical en partage». Lião. HAL (em francês): 5
  12. 1 2 Phyllis Martin (8 de agosto de 2002). Leisure and Society in Colonial Brazzaville. Cambridge: Cambridge University Press. p. 131–152. ISBN 978-0-521-52446-9
  13. ↑ Carole Boyce Davies (29 de julho de 2008). Encyclopedia of the African Diaspora: Origins, Experiences, and Culture. 3. Santa Barbara: Bloomsbury Publishing USA. p. 848–849. ISBN 978-1-85109-705-0
  14. ↑ Ayomide Olaniyan (17 de outubro de 2023). «The dizzying destiny of palm wine music». Pan-African Music
  15. ↑ Hervé Assah (29 de março de 2022). Lumineuse Afrique : Améringo, l'héritage inattendu (em francês). 2. Paris: Éditions L'Harmattan. p. 39. ISBN 978-2-14-023977-9
  16. ↑ Muitubile K. Tshitenge Lubabu (4 de junho de 2013). «Congo: rhythm and blues» (em francês). Paris: Jeuneafrique.com
  17. ↑ Muriel Devey Malu-Malu (20 de setembro de 2020). «Congo-B : Que sont les célèbres bars dancing devenus ?» (em francês). Makanisi.org
  18. ↑ Anthony Appiah; Gates Henry Louis (2010). Encyclopedia of Africa. 1. Oxford: Oxford University Press. p. 407. ISBN 978-0-19-533770-9
  19. ↑ «Musique urbaine et rumba engagées» (PDF) (em francês). Bruxelas: Fédération des Jeunesses musicales Wallonie-Bruxelles. 2018. p. 9