Senhor da Serra
Senhor da Serra é uma povoação pertencente à Freguesia de Semide e Rio Vide do Município de Miranda do Corvo, Portugal.[1][2][3][4]
O lugar é caracterizado pela sua origem religiosa e a sua situação geográfica no alto de uma serra.
Santuário do Senhor da Serra
As origens do Santuário do Senhor da Serra estão intimamente relacionadas com a imagem do Santo Cristo colocada onde hoje se ergue a cruz da serra.[carece de fontes]
Todavia, favorecido por este lugar privilegiado, foi construída pelas freiras de Semide uma capelinha, feita entre 1653 e 1663, a qual serviu ainda para albergar a imagem do Santo Cristo, cada vez mais visitada devido à fama crescente de milagres.
Foi esta afluência de romeiros conjugada com o aumento do número de habitantes que impôs a construção do actual Santuário do Senhor da Serra.
A iniciativa do actual templo pertenceu ao bispo-conde D. Manuel Correia de Bastos Pina, que nomeou a primeira comissão administrativa da capela em 1897. As obras começaram pelas hospedarias (1899-1900). As da igreja iniciaram-se em 1901, estando concluído o corpo da capela e a torre em Agosto de 1904.
A vinte e um de Agosto de 1896, expirou, no Convento de Semide, D. Maria dos Prazeres Pereira Dias, última freira professa, e, com a morte dela, passou a Capela a ser administrada pelos empregados da fazenda do concelho de Miranda do Corvo, até Agosto de 1897. Neste ano, uma portaria do governo, pelo Ministério da Fazenda, autorizava o Prelado de Coimbra, D. Manoel Correia de Bastos Pina, a nomear uma comissão que recebesse as esmolas do Senhor da Serra e as administrasse. Essa comissão, nomeada a 11 de Agosto de 1897 veio a ser substituída por outra (…). Foi esta comissão que teve a honra de levar a efeito a construção da Capela actual. A 29 de Abril de 1899 resolveu a Comissão começar a obra das hospedarias que ficaram concluídas em 1900. – O Divino Senhor da Serra, Capítulo VIII, pág 87, de Senhor Padre Campos Neves.
A capela é uma obra produto das diversas actividades artesanais que se desenvolveram em Coimbra, no fim do século XIX e no princípio do XX, em redor da Escola Livre das Artes do Desenho. O traçado é uma fusão de elementos neo-góticos e românicos, com predomínio destes, inspirados nos monumentos de Coimbra.
Com uma nave, a torre ergue-se a meio da frontaria, rasgando-se na base o portal e rematando ela em pirâmide. A capela-mor, poligonal, é de tipo românico.
Do interior, há uma vista para o altar-mor dourado, executado pelos alunos da antiga Escola Industrial Brotero em Coimbra sob orientação de João Machado e do professor Lapierre.
Os azulejos que revestem as paredes, os quais constituem representações de cenas da vida de Jesus, os altares laterais, provenientes Capela da Misericórdia de Coimbra, a pintura do Tecto, obra do pintor Eliseu de Coimbra e o púlpito de pau preto, que constitui uma obra do século XVII, originário da Sé Velha de Coimbra.
Um dos pratos típicos do Senhor da Serra é a chanfana à Senhor da Serra, cuja receita se pensa ter sido criada no mosteiro de Semide: os pastores pagavam os foros com cabras e, como as freiras não conseguiam manter o rebanho e queriam conservar a carne, assavam-na em vinho, também oferecido pelos rendeiros, e juntavam-lhe o louro e os alhos da quinta.
É com o molho e as sobras da chanfana que se confecciona a típica sopa do casamento, sendo a carne cozinhada em tradicionais caçoilas de barro tapadas com folhas de couve, pois o concelho desenvolveu, nos séculos XVI e XVII, uma próspera indústria de olaria de barro vermelho.
- Ao Senhor da Serra vai
- Gente de toda a nação
- Ninguém lá vai que não chore
- Da raiz ao coração
- Ao Senhor da Serra vai
- Gente de toda a comarca
- Ninguém lá vai que não chore
- Quando o Senhor da Serra se aparta
– Poema de autoria desconhecida.
Referências
- ↑ «Google Maps». Google Maps. Consultado em 7 de maio de 2024
- ↑ Senhor da Serra, no site do Município de Miranda do Corvo
- ↑ «Santuário do Divino Senhor da Serra». Turismo Centro Portugal. Consultado em 7 de maio de 2024
- ↑ «Santuário do Divino Senhor da Serra». Turismo Região de Coimbra. Consultado em 7 de maio de 2024