Sideritis candicans

Selvageira
Sideritis candicans
Sideritis candicans
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Lamiales
Família: Lamiaceae
Subfamília: Lamioideae
Género: Sideritis
Espécie: S. candicans
Nome binomial
Sideritis candicans
Aiton
Sinónimos
Leucophae candicans (Aiton) Webb & Berthel.

A Sideritis candicans, comummente conhecida como erva-branca[1] ou selvageira[2][3] (não confundir com a Sideritis candicans var. multiflora, que também dá por este nome comum), é uma planta do género Sideritis, da família das Lamiáceas endémica do arquipélago da Madeira que medra principalmente em zonas expostas das maiores altitudes, se bem que também pode surgir em falésias junto ao litoral.

Descrição

Apresenta-se como um arbusto perene, pequeno, de até 1 metro de altura[2], ramoso, densamente coberto por um tomento esbranquiçado a acinzentado. As folhas são ovado-lanceoladas a ovadas, agudas a obtusos no ápice, arredondadas a cordiformes na base, com 2,5–12 × 1,5–7,5 cm de comprimento, levemente crenadas a quase inteiras, pecioladas.[4]

As flores são pequenas, de corola de cor amarelo-creme, glabrescente ou levemente pubescente na parte externa, dispostas em inflorescências ramificadas de até 30 cm de comprimento. O cálice mede 5–6,5 mm, com dentes de 1–1,5 mm; o tubo da corola tem 4–5,5 mm, não exserto; o lábio superior mede 2–2,5 mm e o inferior 2,2–3,5 mm, com o lobo médio levemente entalhado. As núculas são ovoides, com cerca de 1,5 mm.[4]

Esta planta apresenta floração entre março e julho.[2]

Distribuição

A espécie é endémica do arquipélago da Madeira, com distribuição diferenciada por variedade.[5] A var. candicans ocorre exclusivamente na ilha da Madeira, em clareiras da laurissilva e outros lugares expostos, principalmente acima dos 600 metros de altitude, surgindo também em certos pontos da costa norte da ilha. A var. crassifolia distribui-se por sítios secos e pedregosos na Ponta de São Lourenço e nas Ilhas Desertas, nomeadamente na ilha do Bugio. A var. multiflora ocorre nos picos de Porto Santo e em certos pontos do litoral sul da Madeira, como Cabo Girão e Machico.[5]

Usos

Na medicina tradicional da Madeira, a selvageira é utilizada em infusões pela sua aplicação em fitoterapia.[3] Estudos farmacológicos com extratos da parte aérea da variedade eriocephala demonstraram atividades analgésica e anti-inflamatória, com destaque para a fração clorofórmica como a mais ativa nos modelos experimentais de dor química e edema.[6]

Plantio

Esta espécie pode plantar-se tanto por sementeira como por estacaria, configurando, quando madura, um pequeno arbusto alvacento com folhas assaz hirsutas.[3]

Taxonomia

A espécie foi descrita por William Aiton e publicada em Hortus Kewensis 2: 289, em 1789.[7] O sinónimo heterotípico Leucophae candicans (Aiton) Webb & Berthel. foi publicado em Hist. Nat. Iles Canaries 3(2;3): 100 (1845).[7]

Esta espécie conta com as seguintes variedades:[7]

Ver também

Referências

  1. ↑ «erva-branca». Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Infopédia
  2. 1 2 3 «Sideritis candicans - Página de Espécie • Naturdata - Biodiversidade em Portugal». Naturdata - Biodiversidade em Portugal. Consultado em 15 de fevereiro de 2023
  3. 1 2 3 «As plantas aromáticas da Madeira - erva-branca ou selvageira». DICAs - Informações da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Consultado em 15 de fevereiro de 2023
  4. 1 2 Press, J. R.; Short, M. J. (1994). Flora of Madeira. Londres: Natural History Museum. ISBN 0-11-310017-5
  5. 1 2 «Sideritis candicans Aiton». Flora-On Madeira. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  6. ↑ Hernández-Pérez, M.; Sánchez-Mateo, C. C.; Montalbetti-Moreno, Y.; Rabanal, R. M. (2004). «Studies on the analgesic and anti-inflammatory effects of Sideritis candicans Ait. var. eriocephala Webb aerial part». Journal of Ethnopharmacology. 93 (2–3): 279–284. PMID 15234765. doi:10.1016/j.jep.2004.03.044
  7. 1 2 3 «Sideritis candicans Aiton». Plants of the World Online (em inglês). Royal Botanic Gardens, Kew. Consultado em 17 de janeiro de 2026

Bibliografia

  • Press, J. R.; Short, M. J. (1994). Flora of Madeira. Natural History Museum, Londres. ISBN 0-11-310017-5.
  • Jardim, R.; Francisco, D. (2000). Flora Endémica da Madeira. Múchia Publicações, Portugal. ISBN 972-8622-00-7.
  • Árvores e Florestas de Portugal - Açores e Madeira, Edic. Público, Comunicações, SA. Dep. Legal nº 254481/2007.

Ligações externas

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