Simão de Cordes

Simão de Cordes
NascimentoAntuérpia
Morte11 de novembro de 1599
Ilha Mocha
CidadaniaProvíncias Unidas dos Países Baixos
Irmão(ã)(s)Baltasar de Cordes
Ocupaçãoexplorador

Simão de Cordes (n. Antuérpia) foi um corsário luso-neerlandês do século XVI para o século XVII.

Biografia

Nos Países Baixos, onde existia uma grande colónia de Portugueses, muitos deles dedicaram-se à pirataria e ao corso contra os Espanhóis. Entre eles, destacaram-se Simão de Cordes e o seu irmão Baltasar de Cordes, dois Portugueses ou seus descendentes, que foram os primeiros corsários holandeses de 1598 a 1600. Ficaram célebres pelas pilhagens e massacres que fizeram na colónia Espanhola do Chile.

Natural de Antuérpia, Simão de Cordes casou com Maria Condetorft, filha de Gaspar Condetorft e de sua mulher, da qual teve um filho, João (por vezes aparece Simão) Baptista de Cordes, Familiar do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, o qual casou por sua vez com Cecília de Wel, filha de João de Wel (filho doutro João de Wel e de sua mulher) e de sua mulher Brites Bacelar (filha de Adão Bacelar e de sua mulher). O filho destes, também chamado Simão de Cordes, foi fidalgo da Casa Real e Capitão de Cavalos e casou com Catarina Tomásia Brandão Pereira, filha bastarda de António Pereira Brandão, cavaleiro, comendador e bailio de Leça da Ordem de Malta, e de sua amante Maria de Lercaro, Italiana, e neta paterna de Carlos Brandão, Desembargador dos Agravos, e de sua mulher Catarina da Costa (filha de Manuel Antunes da Costa e de sua mulher), com geração extinta na varonia.[1]

A primeira expedição corsária dos Holandeses enviada ao continente Americano foi comandada por Jacques Mahu. Composta de cinco navios e de um patacho, a frota largou de Roterdão a 27 de Junho de 1598, e dirigiu-se ao arquipélago de Cabo Verde. Aqui, duzentos mosqueteiros desembarcaram na ilha de Santiago e tomaram posse dum fortim. Pouco depois, entre os expedicionários vitimados pelo escorbuto, encontrava-se o próprio comandante Jacques Mahu. Simão de Cordis assumiu a chefia da expedição, dirigindo a frota para a ilha de Ano-Bom e, a seguir, para o Rio da Prata, Peru. Em Buenos Aires, Simão de Cordis quis fazer-se passar por mercador Flamengo originário das Províncias leais a Espanha. Incapaz de ganhar a confiança das autoridades, não conseguiu obter a desejada licença de comércio. Prosseguiu viagem rumo ao Estreito de Magalhães, de acordo com o plano estabelecido. Na zona do Estreito, na Baía Grande, os expedicionários fizeram uma escala assaz demorada. Com efeito, mantiveram-se na inóspita região durante cinco longos meses. Abrigando-se do Inverno Austral, tinham em vista aproveitar o tempo da estadia na zona para fundar uma base naval. Porém, acossados pelas populações nativas, perderam mais de cento e vinte homens no decurso da permanência no local. Um saldo bem pesado. Anularam, por conseguinte, o projecto de base que tencionavam estabelecer com o fim de desferir ataques regulares às Colónias Espanholas da área. Já no Oceano Pacífico, um dos navios da frota naufragou. Um segundo navio, a exemplo doutros barcos que, aventurando-se em tais águas, não ousavam vencer o desafio, inverteu o rumo e voltou à Holanda. Um terceiro, ameaçado por uma epidemia que alastrou entre a equipagem, aportou a Valparaíso, Chile, para se entregar aos Espanhóis. Com estas perdas, o plano de instalação de bases de apoio à navegação Holandesa nas costas Americanas do Oceano Pacífico tornou-se dia a dia menos verosímil. Para completar o quadro, no decorrer duma tentativa de desembarque, um grupo de Índios investiu sobre os intrusos, causando-lhes trinta baixas. De novo a frota ficava sem comandante. Entre os mortos, encontrava-se Simão de Cordis. Seguidamente, os dois navios que restavam, sem dificuldades cruzaram o Oceano Pacífico. Um destes navios foi aportar ao Japão, na ilha de Kyushu. Segundo Alfredo Botelho de Sousa nos "Subsídios para a História Militar Marítima da Índia (1585-1669)", 4 volumes, Lisboa, 1930-1956, os seus tripulantes foram bem recebidos pelos Japoneses. Porém, logo que os Portugueses residentes em Nagasaki tomaram conhecimento do sucedido, tentaram convencer o Governador da ilha de que os visitantes eram piratas. E com êxito, visto que os Holandeses foram presos e a mercadoria que transportavam arrestada. Viriam mais tarde a ser libertador por ordem do Imperador do Japão. O outro navio foi detido em Tidore pelos Portugueses e os restantes tripulantes foram levados para Malaca sob prisão. Sem dúvida, o balanço desta primeira viagem dos Holandeses à América, com regresso à Europa através da rota do Oceano Pacífico, saldou-se num desastre completo.[2]

Referências

  1. ↑ Manuel José da Costa Felgueiras Gaio (1989). Nobiliário das Famílias de Portugal. XI 2.ª ed. Braga: Carvalhos de Basto. 238
  2. ↑ Luís R. Guerreiro, "O Grande Livro da Pirataria e do Corso", Círculo de Leitores, Agosto de 1996, pp. 152-153