Spartina maritima

Spartina maritima

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: monocotiledóneas
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Spartina
Espécie: S. maritima
Nome binomial
Spartina maritima
(Curtis) Fernald

Spartina maritima é uma espécie de planta com flor pertencente à família Poaceae.[1] Trata-se de uma gramínea perene nativa das costas europeias e do norte de África, onde coloniza sapais e zonas de maré.[2]

A autoridade científica da espécie é (Curtis) Fernald, tendo sido publicada em Rhodora 18: 180. 1916.[1]

O seu nome comum é morraça.[2]

Descrição

Spartina maritima é uma planta herbácea perene que atinge entre 30 e 70 centímetros de altura.[3] Apresenta rizomas horizontais robustos que permitem a colonização de extensas áreas e a fixação de sedimentos.[4]

As folhas são lineares, com 2 a 5 milímetros de largura, glabras na face superior e ligeiramente escabrosas na página inferior. A lígula é constituída por uma franja de pelos curtos.[3]

A inflorescência é uma panícula espiciforme, estreita e densa, composta por 2 a 6 espigas erectas. As espiguetas são sésseis, dispostas em duas filas ao longo do eixo da espiga. Cada espigueta contém uma única flor fértil.[3]

Distribuição e habitat

Spartina maritima é nativa da costa atlântica da Europa, desde as Ilhas Britânicas até à Península Ibérica, e da costa do norte de África, incluindo Marrocos e Argélia.[5]

A espécie coloniza preferencialmente a zona média e superior dos sapais, áreas que sofrem submersão regular pelas marés. Demonstra elevada tolerância à salinidade e cresce em substratos lodosos ricos em matéria orgânica.[6]

Ecologia

Spartina maritima desempenha um papel importante como espécie pioneira na colonização de zonas entre-marés, contribuindo significativamente para a estabilização de sedimentos e a formação de sapais.[7] O seu extenso sistema radicular promove a retenção de partículas e a acumulação de matéria orgânica, criando condições para o estabelecimento de outras espécies vegetais.

Os sapais dominados por S. maritima constituem habitats de grande importância para a biodiversidade, servindo de zona de alimentação e refúgio para diversas espécies de aves aquáticas, peixes e invertebrados.[8]

Hibridização

Spartina maritima é um dos progenitores da espécie híbrida Spartina × townsendii, resultante do cruzamento com Spartina alterniflora, uma espécie americana introduzida na Europa no século XIX.[9] Este híbrido deu posteriormente origem, por duplicação cromossómica, a Spartina anglica, uma espécie invasora altamente agressiva que compete com S. maritima em diversos estuários europeus.[9]

Portugal

Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental e no Arquipélago dos Açores.[2]

Em termos de naturalidade é nativa das duas regiões atrás indicadas.[2]

Em Portugal Continental, S. maritima encontra-se distribuída ao longo da costa, sendo particularmente abundante nos estuários do Tejo, Sado, Ria de Aveiro, Ria Formosa e Estuário do Mira.[10] Nos Açores, a espécie ocorre de forma mais localizada em zonas costeiras de algumas ilhas.[11]


Bibliografia

Ligações externas

Referências

  1. 1 2 «Spartina maritima». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  2. 1 2 3 4 «Spartina maritima». Flora Digital de Portugal. Jardim Botânico UTAD. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  3. 1 2 3 «Flora iberica». Real Jardín Botánico, CSIC. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  4. ↑ «Biomass and nutrient dynamics in Spartina maritima salt marshes». 2009. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  5. ↑ «Spartina maritima». Euro+Med PlantBase. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  6. ↑ «Genetic diversity and structure of Spartina maritima populations». Heredity. 2004. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  7. ↑ «Biomass and nutrient dynamics in Spartina maritima salt marshes». 2009. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  8. ↑ «Spartina maritima nos sapais de Setúbal». União das Freguesias de Setúbal. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  9. 1 2 «Spartina maritima». Flora Vascular. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  10. ↑ «Spartina maritima». Flora-On. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  11. ↑ «Spartina maritima». Portal da Biodiversidade dos Açores. Consultado em 17 de janeiro de 2026