Thatcheria mirabilis

Thatcheria mirabilis
Cinco vistas de T. mirabilis.
Cinco vistas de T. mirabilis.
Vista superior de T. mirabilis (espécime proveniente de Shizuoka, Japão).
Vista superior de T. mirabilis (espécime proveniente de Shizuoka, Japão).
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Hypsogastropoda
Subordem: Neogastropoda
Superfamília: Conoidea
Família: Raphitomidae[1]
Género: Thatcheria
Angas, 1877[1]
Nome binomial
Thatcheria mirabilis
Angas, 1877
Ilustrações de T. mirabilis feitas para a ciência por ocasião de sua descrição original no Proceedings of the Zoological Society of London, em 1877, por G. F. Angas.[1]
Distribuição geográfica
A região do Extremo Oriente, do Japão ao Sudeste Asiático, é o principal habitat da espécie T. mirabilis, chegando até o noroeste da Austrália.
A região do Extremo Oriente, do Japão ao Sudeste Asiático, é o principal habitat da espécie T. mirabilis, chegando até o noroeste da Austrália.

Thatcheria mirabilis (nomeada, em inglês, Japanese wonder shell, Japanese wonder snail, miraculous Thatcher shell ou miraculous Thatcheria;[2][3] em Portugal, denominada maravilha-japonesa;[4] em japonês, チマキボラ)[2] é uma espécie de molusco gastrópode marinho do gênero Thatcheria, pertencente à família Raphitomidae[1] (no século XX classificada entre os Turridae, ou Thatcheriidae).[5] Foi cientificamente nomeada por George French Angas, em 1877, no texto "Descriptions of a new genus of gasteropodous Mollusca from Japan, and of a new species of Bullia from Kurachi" (publicado no Proceedings of the Zoological Society of London; páginas 529–530), junto com seu gênero.[1] É considerada a concha mais requintadamente moldada do mundo.[6]

Descrição da concha

Concha de até 12 centímetros de comprimento, de coloração creme a amarelada[3] e delgada em sua espessura.[7] Suas laterais são retas, o que a torna cônica; contrastando com a parte superior de sua espiral, que forma um forte ângulo (incluindo uma curva reentrância na parte superior de seu lábio externo; alguns comparando sua espiral a uma larga, sinuosa e íngreme estrada ao longo de uma montanha) e torna o formato desta espécie característico.[3][8][9] Canal sifonal e interior da abertura de coloração branca.[7]

Denominação, habitat e distribuição geográfica

G. F. Angas, ao nomear esta nova espécie, disse: "esta concha muito notável, muito diferente de qualquer coisa encontrada até agora, foi recentemente trazida do Japão pelo Sr. Charles Thatcher", que emprestou o seu sobrenome ao gênero Thatcheria. Outros espécimes só foram coletados a partir do início da década de 1930.[6] O seu tipo nomenclatural foi descrito no Proceedings of the Zoological Society of London, em 1877, e seu lábio externo fora danificado e reconstruído usando papel machê. Embora Angas não mencionasse este dano, o reparo é claramente visível na ilustração original.[10] O seu descritor específico, mirabilis, possui o significado latino de algo maravilhoso, surpreendente, extraordinário ou inusual.[11]

No Japão ela é encontrada na costa meridional das ilhas de Honshu e Shikoku, entre a profundidade de 120 a 180 metros[7] (atingindo até 508 metros),[12] mas também em Taiwan,[9][12] nas Filipinas[5][12] e chegando até o noroeste da Austrália.[10][13]

Museu Solomon R. Guggenheim

De acordo com a publicação Man and Shells, o projeto arquitetônico do museu Solomon R. Guggenheim, de Nova Iorque, foi inspirado pela forma do molusco Thatcheria mirabilis, ou do Nautilus, segundo o reconhecimento de seu próprio arquiteto, Frank Lloyd Wright.[14]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 «Thatcheria mirabilis Angas, 1877» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017
  2. 1 2 «Thatcheria mirabilis Angas, 1877 vernaculars» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 22 de outubro de 2025
  3. 1 2 3 «Thatcheria mirabilis» (em inglês). Hardy's Internet Guide to Marine Gastropods. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017. Arquivado do original em 11 de agosto de 2021
  4. ↑ Ferreira, Franclim F. (2002–2004). «Conchas». FEUP. 1 páginas. Consultado em 13 de junho de 2020. Arquivado do original em 7 de outubro de 2020
  5. 1 2 ABBOTT, R. Tucker; DANCE, S. Peter (1982). Compendium of Seashells. A color Guide to More than 4.200 of the World's Marine Shells (em inglês). New York: E. P. Dutton. p. 243. 412 páginas. ISBN 0-525-93269-0
  6. 1 2 «Thatcheria mirabilis Angas, 1877» (em inglês). Jacksonville Shells. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de julho de 2024
  7. 1 2 3 LINDNER, Gert (1983). Moluscos y Caracoles de los Mares del Mundo (em espanhol). Barcelona, Espanha: Omega. p. 210. 256 páginas. ISBN 84-282-0308-3
  8. ↑ Karl B (27 de julho de 2008). «Japanese Wonder Shell» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017
  9. 1 2 COX, James A. (1979). Les Coquillages dans la Nature et dans l'Art (em francês). Paris: Librairie Larousse. p. 48. 256 páginas. ISBN 2-03-517101-6
  10. 1 2 «Thatcheria mirabilis» (em inglês). Atlas of Living Australia. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2018
  11. ↑ SIMPSON, D. P. (2007). Cassell's Latin Dictionary. Latin-English English-Latin (em inglês) 5ª ed. Londres: Bloomsbury Publishing - Google Books. p. 374. 902 páginas. ISBN 0-8264-5378-3. Consultado em 14 de maio de 2017
  12. 1 2 3 «Thatcheria mirabilis Angas, 1877» (em inglês). SeaLifeBase. 1 páginas. Consultado em 14 de maio de 2017
  13. ↑ WILSON, Barry (2013). The Biogeography of the Australian North West Shelf. Environmental Change and Life's Response (em inglês). China: Elsevier - Google Books. p. 263. 640 páginas. ISBN 978-0-12-409516-8. Consultado em 14 de maio de 2017
  14. ↑ CATTANEO-VIETTI, Riccardo; TRAINITO, Egidio; DONNEDU, Mauro (2016). Man and Shells. Molluscs in the History (em inglês). Sharjah: Bentham Science Publishers - Google Books. p. 87. 340 páginas. ISBN 978-1-68108-225-7. Consultado em 14 de maio de 2017

Ligações externas