The Economist

The Economist
The Economist
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Editor Zanny Minton Beddoes
Categoria Política
Economia
Frequência Semanal
Circulação Total: 1 574 803 exemplares (versão impressa); 100 000 (versão digital paga)
Editora The Economist Group
Fundador(a) James Wilson
Fundação setembro de 1843 (182 anos)
País  Reino Unido
Idioma Inglês
ISSN 0013-0613

The Economist é um jornal britânico de notícias e assuntos internacionais de valor da The Economist Newspaper Ltd. e editada em sua sede na cidade de Londres, no Reino Unido.[1][2] Está em publicação contínua desde a sua fundação por James Wilson, em setembro de 1843. Por razões históricas a The Economist refere-se a si mesma como um jornal, mas cada edição é impressa em formato de revista de notícias. Em 2006, a circulação média semanal da revista foi de cerca de 1,5 milhão de exemplares, cerca de metade dos quais foram vendidos nos Estados Unidos.

A publicação pertence ao The Economist Group, metade do qual é de propriedade da empresa britânica Pearson PLC, através do Financial Times. Um grupo de acionistas independentes, incluindo muitos membros da equipe e do ramo britânico da família Rothschild de banqueiros,[3] é dono do resto. O conselho de administração nomeia formalmente o editor da revista, que não pode ser removido sem a sua permissão. Cerca de dois terços dos 75 jornalistas da equipe são baseados em Londres, apesar da The Economist ter uma ênfase e um alcance global.[4]

A The Economist afirma que "não é uma crônica de economia".[5] A postura editorial da publicação apoia o liberalismo clássico e econômico, que é favorável ao livre-comércio, globalização, imigração livre e o liberalismo cultural (como o reconhecimento legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a legalização das drogas).[6] A publicação já se descreveu como um "produto do liberalismo caledoniano de Adam Smith e David Hume".[7]

O público alvo da revista são leitores altamente qualificados e tem uma audiência fiel de muitos executivos influentes e líderes políticos.[8] Alguns dos leitores da publicação consomem tanto a mídia de massa quanto a da elite. O CEO da The Economist descreveu essa mudança global recente, que foi notado pela primeira vez na década de 1990 e se acelerou no início do século XXI, como uma "nova era da inteligência de massa".[9][10]

História

Capa da The Economist em 16 de maio de 1846

A The Economist foi fundada pelo empresário e banqueiro britânico James Wilson em 1843, para apoiar a campanha contra as Corn Laws, um sistema de tarifas sobre a importação de cereais.[11] Um folheto para o "jornal" de 5 de agosto de 1843, listava treze áreas que seus editores pretendiam dar especial enfoque.[12]

  1. Editoriais originais, onde os princípios do livre-comércio serão mais rigidamente aplicados às questões importantes da atualidade.
  2. Artigos relacionados a algum assunto de interesse passageiro, seja ele, prático, comercial, agrícola, ou internacional; por exemplo, tratados estrangeiros.
  3. Um artigo sobre os princípios elementares da economia política, aplicado à experiência prática, cobrindo as leis relacionadas aos preços, salários, rendas, câmbios, receitas e impostos
  4. Relatórios parlamentares, com particular enfoque no comércio, agricultura e livre-mercado.
  5. Relatórios e reportagens sobre movimentos populares defendendo o livre-comércio.
  6. Notícias gerais sobre a Corte Real, a "metrópole", as províncias, a Escócia e a Irlanda.
  7. Temas comerciais como mudanças em regulamentos fiscais, o estado e perspectivas do mercado, importações e exportações, notícias estrangeiras, o estado dos distritos manufatureiros, notas sobre importantes inovações mecânicas, notícias de transportes marítimos de mercadorias, o mercado monetário, e o progresso das ferrovias e das companhias de capital aberto.
  8. Temas agrícolas, incluindo a utilização da geologia e da química; notícias de novos implementos, o estado das safras, mercados, preços, mercados estrangeiros e preços convertidos à moeda inglesa; e de tempos em tempos, a situação da Bélgica, da Suíça, e de outros países com agriculturas sofisticadas.
  9. Temas coloniais e estrangeiros, incluindo comércio, produção, mudanças políticas e fiscais, e outros assuntos, incluindo a investigação sobre os males da restrição e proteção dos mercados, e as vantagens do livre-comércio.
  10. Relatórios legais, restritos majoritariamente a áreas importantes para o comércio, manufatura e agricultura.
  11. Livros, restritos majoritariamente, mas não exclusivamente, ao comércio, manufatura e agricultura, e incluindo todos os tratados em economia política, finanças, ou taxação.
  12. Uma gazeta comercial, com preços e estatísticas da semana.
  13. Cartas dos leitores da revista de notícias.

Wilson descreveu-a como parte de "uma disputa severa entre a inteligência, que impulsiona, e uma indigna, tímida ignorância obstruindo nosso progresso", uma frase que ainda aparece no seu cabeçalho como a missão da publicação.[13]

É há muito tempo respeitada como "um dos mais competentes e sutis periódicos ocidentais de assuntos públicos".[14] A publicação foi uma das principais fontes de informações econômicas e financeiras de Karl Marx na formulação da teoria socialista;[15] ele escreveu: "A Economist de Londres, o órgão europeu da aristocracia das finanças, descreve de maneira marcante, a atitude dessa classe".[16]

Em janeiro de 2012, a The Economist lançou uma nova secção semanal dedicada exclusivamente à China, a primeira secção sobre um país desde a adição de uma dedicada aos EUA em 1942.[17][18]

Lista de editores[19]

  • James Wilson 1843–1857 (Herbert Spencer foi sub-editor de 1848 a 1853)
  • Richard Holt Hutton 1857–1861
  • Walter Bagehot, 1861–1877
  • Daniel Conner Lathbury, 1877–1881 (em conjunto)
  • Inglis Palgrave, 1877–1883 (em conjunto)
  • Edward Johnstone, 1883–1907
  • Francis Wrigley Hirst, 1907–1916
  • Hartley Withers, 1916–1921
  • Sir Walter Layton, 1922–1938
  • Geoffrey Crowther, 1938–1956
  • Donald Tyerman, 1956–1965
  • Sir Alastair Burnet, 1965–1974
  • Andrew Knight, 1974–1986
  • Rupert Pennant-Rea, 1986–1993
  • Bill Emmott, 1993–2006
  • John Micklethwait, 2006–2014
  • Zanny Minton Beddoes, 2015–presente (primeira mulher a ocupar o cargo)

Opiniões

A The Economist apoia o livre-comércio, a globalização, e a imigração livre.[20] O jornalista a ativista George Monbiot descreveu-a como neoliberal, apesar de ocasionalmente aceitar as proposições da economia keynesiana.[21] A revista de notícias é a favor de um imposto de carbono para combater o aquecimento global.[22] De acordo com Bill Emmott, um ex-editor, a filosofia da The Economist sempre foi liberal, nunca conservadora.[23]

A revista de notícias também apoiou pautas liberais em questões sociais como o reconhecimento dos casamentos homoafetivos[24] e a legalização das drogas,[25] critica o atual modelo de taxação dos EUA,[26] e apoia alguma regulação estatal em questões de saúde, como o tabagismo em público.[27] Também é a favor da proibição de castigos físicos em crianças.[28] A The Economist sistematicamente apoia programas de trabalhadores temporários, a escolha parental de escolas, e anistias,[29] e uma vez publicou um "obituário" de Deus.[30] A revista também tem uma longa história de campanha contra a liberalização de armas de fogo.[31]

A The Economist já declarou apoio ao Partido Trabalhista (2005), ao Partido Conservador (2010 e 2015),[32][33] e aos Liberais Democratas (2017) em eleições gerais no Reino Unido, e tanto candidatos Democratas quanto Republicanos nos Estados Unidos. O site oficial da revista explica suas posições dessa forma:

Em que, além do livre-comércio e livre-mercado, a The Economist acredita? "A The Economist gosta de se imaginar como parte dos radicais. A posição histórica da publicação é o extremo-centro." Isso é tão verdade hoje, quanto quando Crowther [Geoffrey, editor da revista 1938-1956] escreveu em 1955. A The Economist se considera uma inimiga do privilégio, da pomposidade e da previsibilidade. Ela já endossou conservadores como Ronald Reagan e Margaret Tatcher. Apoiou os americanos no Vietnã. Mas endossou também Harold Wilson e Bill Clinton, e defendeu uma variedade de causas liberais: se opôs a pena-de-morte desde de seu início, enquanto apoiava reforma penal e descolonização, assim como- mais recentemente- o controle de armas e o casamento gay.[34]

A The Economist frequentemente acusa figuras e países de desonestidade e corrupção. Em anos recentes, por exemplo, ela criticou Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial; Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano (que a apelidou de "The Ecommunist", "A ecomunista");[35] Laurent-Désiré Kabila, o presidente da República Democrática do Congo; Robert Mugabe, chefe de estado do Zimbábue; e Cristina Kirchner, a presidente da Argentina.[36] A revista também pediu pelo impeachment de Bill Clinton, e após a descoberta de casos de tortura em uma prisão americana no Iraque, pela demissão do secretário-de-defesa Donald Rumsfeld.[37] Apesar do apoio inicial da The Economist, à invasão americana do Iraque, ela posteriormente chamou a operação de "desajeitada desde o início" e criticou a "negligência quase criminosa" da administração Bush em relação à guerra, em quanto sustentou em 2007, que retirar as tropas do país naquele momento seria irresponsabilidade.[38] Na eleição americana de 2004, os editores endossaram John Kerry.[39] Na eleição de 2008 a revista endossou Barack Obama, usando a capa da edição publicada na véspera da eleição, para promover sua candidatura.[40] Em 2012, Barack Obama foi novamente endossado: o editorial colocou que preferia Obama em relação a economia, política externa e saúde pública, mas criticou-o por fazer uma campanha negativa contra Romney e por seu "pouco apreço pelo comércio."[41]

No editorial marcando o seu aniversário de 175 anos, a The Economist criticou certos adeptos do liberalismo por se tornarem propensos em defender o status quo político ao invés de manter uma posição reformista. A publicação convocou os liberais para defender novamente grandes reformas políticas, econômicas e sociais: defender o livre-mercado, reforma agrária e fiscal na tradição do georgismo, imigração livre, uma reformulação do contrato social com uma maior ênfase na educação, e um renascimento do internacionalismo liberal.[42]

Críticas

Em 1991, o jornalista estadunidense James Fallows argumentou no The Washington Post que a The Economist sofre de "esnobismo" britânico, é pretensiosa e tem uma argumentação simplista. Ele também acusou a publicação de ter uma linha editorial que muitas vezes entra em contradição com as notícias.[43]

Em 1999, Andrew Sullivan reclamou na The New Republic que a revista usa o "gênio do marketing" para compensar as deficiências de suas análises e reportagens originais, o que torna a revista "uma espécie de Reader's Digest"[44] da elite corporativa dos Estados Unidos.[45] Embora Sullivan tenha reconhecido que a alegação da revista sobre o estouro da Bolha da Internet tenha sido precisa a longo prazo,[44] ele salienta que a bolha financeira não estourou no mercado estadunidense até 2001.[46] Sullivan também apontou que a revista exagerava em muito sobre o perigo em que a economia dos Estados Unidos estava após o índice Dow Jones cair para 7.400 pontos durante o fim de semana do Dia do Trabalho de 1998 e observou que a afirmação da publicação de que a economia estadunidense estava em um alto risco de entrar em recessão estava longe de ser clara.[44] Ele também disse que a The Economist é editorialmente constrangida porque muitos dos seus redatores se formaram na mesma faculdade da Universidade de Oxford — o Magdalen College —[44] o que ele descreveu como "um sistema um tanto ineficaz para corrigir falhas internas em uma revista global".[44]

O The Guardian também afirmou que "seus redatores raramente veem um problema político ou econômico que não possa ser resolvido pela confiança no truque de três cartas: privatização, desregulamentação e liberalização."[47]

Em 2012, a The Economist foi acusada de ter invadido o computador do juiz do Supremo Tribunal de Justiça de Bangladesh, Mohammed Nizamul Huq, levando à sua renúncia ao cargo de presidente do Tribunal Internacional de Crimes do país asiático. A revista negou as acusações.[48][49][50][51][52][53]

Ver também

Referências

  1. ↑ "Locations". Economist Group. Acessado em 12 de setembro de 2009.
  2. ↑ "Maps Arquivado em 5 de setembro de 2011, no Wayback Machine.". City of Westminster. Acessado em 28 de agosto de 2009.
  3. ↑ Brook, Stephen (25 de fevereiro de 2008). «Let the bad times roll». Londres: The Guardian. Consultado em 26 de março de 2010
  4. ↑ «So what's the secret of 'The Economist'?». London: The Independent. 26 de fevereiro de 2006. Consultado em 27 de abril de 2008
  5. ↑ «How our readers view The Economist». The Economist. Consultado em 27 de dezembro de 2006
  6. ↑ «About us». The Economist (em inglês). Consultado em 27 de fevereiro de 2019
  7. ↑ «Don't leave us this way». The Economist. 10 de julho de 2014. ISSN 0013-0613
  8. ↑ «How our readers view The Economist». The Economist. Consultado em 27 de dezembro de 2006. Arquivado do original em 7 de setembro de 2006
  9. ↑ Oberholzer-Gee, Felix; Bharat, N. Anand; Lizzie, Gomez. «The Economist». Harvard Business School Case 710-441, July 2010. Hbs.edu
  10. ↑ Oberholzer-Gee, Felix; Bharat, N. Anand; Lizzie, Gomez. «The Economist. Harvard Business School Case 710-441, July 2010» (PDF). American.edu
  11. ↑ «From the Corn Laws to Your Mailbox». MITPressLog. Consultado em 27 de fevereiro de 2019
  12. ↑ «Prospectus». The Economist. ISSN 0013-0613
  13. ↑ «Latest Updates». The Economist (em inglês)
  14. ↑ Leites, Nathan (janeiro de 1952). «The Politburo Through Western Eyes». World Politics (em inglês). 4 (2): 159–185. ISSN 1086-3338. doi:10.2307/2009044
  15. ↑ McLellan, David (1 de dezembro de 1973). Karl Marx: His Life and Thought (em inglês). [S.l.]: Springer. ISBN 9781349155149
  16. ↑ Marx, Karl (1852). O dezoito de brumário de Luís Bonaparte VI. [S.l.: s.n.]
  17. ↑ «Pearson Unloads $731 Million Stake In The Economist». HuffPost Brasil. 12 de agosto de 2015. Consultado em 28 de fevereiro de 2019
  18. ↑ West, Karl (15 de agosto de 2015). «The Economist becomes a family affair». The Observer (em inglês). ISSN 0029-7712
  19. ↑ «An inventory of editors». The Economist. 23 de janeiro de 2015. ISSN 0013-0613
  20. ↑ «The redistribution of hope». The Economist. 16 de dezembro de 2010. ISSN 0013-0613
  21. ↑ Monbiot, George (11 de janeiro de 2005). «George Monbiot: Punitive - and it works». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
  22. ↑ «Let them heat coke». The Economist. 12 de junho de 2008. ISSN 0013-0613
  23. ↑ Emmot, Bill (8 de dezembro de 2000). «Comment:Time for a referendum on the monarchy». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
  24. ↑ «Let them wed». The Economist. 4 de janeiro de 1996. ISSN 0013-0613
  25. ↑ «Wayback Machine» (PDF). web.archive.org. 2 de junho de 2010. Consultado em 28 de fevereiro de 2019
  26. ↑ «A simple bare necessity». The Economist. 4 de fevereiro de 2012. ISSN 0013-0613
  27. ↑ «Breathe easy». The Economist. 10 de junho de 2010. ISSN 0013-0613
  28. ↑ «Spare the rod, say some». The Economist. 29 de maio de 2008. ISSN 0013-0613
  29. ↑ «Sense, not Sensenbrenner». The Economist. 30 de março de 2006. ISSN 0013-0613
  30. ↑ "Obituary: God". The Economist. 23 December 1999.
  31. ↑ «Reflections on Virginia Tech». The Economist. 8 de abril de 2009. ISSN 0013-0613
  32. ↑ Association, Press (29 de abril de 2010). «The Economist backs the Conservatives». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
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  34. ↑ «About us». The Economist (em inglês). Consultado em 28 de fevereiro de 2019
  35. ↑ «Report of Rome anti-war demo on Saturday 24th with photos. - UK Indymedia». www.indymedia.org.uk. Consultado em 28 de fevereiro de 2019
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  40. ↑ «It's time». The Economist. 30 de outubro de 2008. ISSN 0013-0613
  41. ↑ «Which one?». The Economist. 3 de novembro de 2012. ISSN 0013-0613
  42. ↑ «The Economist at 175». The Economist. 13 de setembro de 2018. ISSN 0013-0613
  43. ↑ «The Economics of the Colonial Cringe: Pseudonomics and the Sneer on the Face of The Economist.». Washington Post. Consultado em 27 de abril de 2008
  44. 1 2 3 4 5 «Not so groovy.». The New Republic. Londres. 14 de junho de 1999. Consultado em 27 de abril de 2008
  45. ↑ «Nasty barbs fly between New Republic and Economist.». Media Life. Consultado em 27 de abril de 2008. Arquivado do original em 7 de novembro de 2015
  46. ↑ «Effects of Recession and Dot Com Bubble». Data and Investment Consult. Consultado em 8 de maio de 2011
  47. ↑ «Economist thrives on female intuition». The Guardian. London. 21 de agosto de 2005. Consultado em 2 de janeiro de 2013
  48. ↑ Discrepancy in Dhaka, The Economist, December 8, 2012.
  49. ↑ Economist accused of hacking ICT judge's computer, Washington Post, December 9, 2012.
  50. ↑ Economist magazine faces contempt in Bangladesh, Huffington Post, December 9, 2012.
  51. ↑ Bangladeshi war crimes tribunal issues notice to The Economist, The Indian Express, December 6, 2012.
  52. ↑ Tribunal chief's net talks, mail hacked, Daily Star, December 7, 2012.
  53. ↑ The trial of the birth of a nation, The Economist, December 15, 2012.

Ligações externas