Ursula Vidal

Ursula Vidal
Secretária de Estado de Cultura do Pará
Período2 de agosto de 2024
a atualidade

1 de fevereiro de 2023
a 4 de junho de 2024

1 de janeiro de 2019
a 1 de abril de 2022
GovernadorHelder Barbalho
Dados pessoais
Nome completoUrsula Vidal Santiago de Mendonça
Nascimento26 de janeiro de 1972 (54 anos)
Recife, Pernambuco
Alma materFaculdades Integradas Hélio Alonso
PartidoPPS (2013-2015)
REDE (2015-2018)
PSOL (2018)
MDB (2022-2024)
PSB (2025-Atualmente)
Ocupaçãojornalista
cineasta

Ursula Vidal Santiago de Mendonça (Recife, 26 de janeiro de 1972) é Jornalista, cineasta e ativista socioambiental, Úrsula Vidal construiu uma trajetória que entrelaça comunicação, cultura e engajamento político na Amazônia. Atualmente à frente da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (SECULT) — posição que ocupa desde 2019 —, ela se consolidou como uma das vozes mais atuantes na defesa do setor cultural brasileiro, especialmente durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Nomeada pelo governador Helder Barbalho ainda no início de sua primeira gestão, Úrsula assumiu a pasta da Cultura em 1º de janeiro de 2019. Dois anos depois, foi eleita presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura para o biênio 2019–2020, cargo que lhe conferiu protagonismo na articulação nacional por políticas emergenciais. Foi nessa condição que liderou a luta pela aprovação da Lei 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, que destinou cerca de R$ 3 bilhões a estados e municípios para auxiliar artistas, coletivos e trabalhadores da cultura duramente atingidos pelas consequências econômicas da pandemia .

Além da gestão na SECULT, Úrsula coordena a Câmara Temática de Cultura do Consórcio da Amazônia Legal, atuando na integração de políticas culturais entre os estados amazônicos e na valorização das manifestações populares da região .

História e Trajetória

Origens e formação pessoal

Nascida em Recife, Pernambuco, em 26 de janeiro de 1972, Úrsula Vidal é filha de João e Elizabeth, ativistas políticos que enfrentaram com bravura os anos de chumbo da ditadura militar brasileira, tendo militado na Aliança Libertadora Nacional . A família viveu na clandestinidade e só retornou a Belém quando ela completou dois anos, com o pai preso e a mãe grávida de seu irmão Yuri — uma infância marcada, segundo ela própria, "pelo olhar de quem sofre com a exclusão, a injustiça e a necessidade de lutar"

Aos 15 anos, deu os primeiros passos na comunicação como radialista, atuando na Rádio Liberal FM e em outras duas emissoras locais. Apenas dois anos depois, já estreava na televisão como apresentadora do Jornal Cultura, na TV Cultura do Pará .


Carreira no jornalismo e no audiovisual

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará, concluiu o curso de Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro, cidade onde viveu por quase uma década. No período carioca, trabalhou como repórter, apresentadora e editora na TV Globo, integrando as equipes do programa Fantástico e da Globo News, além de atuar nos canais Telecine (Globosat) e na TV Educativa .

Durante esses anos, aprofundou-se no documentário, realizando cursos com grandes mestres do gênero, como Eduardo Coutinho, João Moreira Salles e Walter Lima Jr. Em 1999, dirigiu seu primeiro documentário, Marias e Josés de Nazaré, sobre a maior manifestação religiosa do país — o Círio de Nazaré. O filme foi exibido em festivais e emissoras do Brasil e de Portugal. No mesmo ano, recebeu um prêmio da Fundação Itaú Cultural pelo projeto A Caravana do Brega . Em 2004, dirigiu o curta-metragem Aparência Nada +.

De volta a Belém a partir do ano 2000, assumiu em 2001 a edição regional e a apresentação do telejornal do SBT Pará. Por mais de uma década, esteve à frente da emissora, onde também dirigiu e apresentou o programa Etc&Tal, que conduziu até 2014. Em 2015, foi eleita entre os jornalistas mais admirados do Brasil, figurando em quinto lugar na lista dos dez mais admirados da Região Norte . Atualmente, dirige e apresenta o programa Conexão Úrsula Vidal na Rádio Clube, aos sábados, das 11h às 13h.

Em 2014, codirigiu o documentário Catadores de Sonhos (com Homero Flávio), que retrata a realidade dos cerca de dois mil catadores que trabalhavam no antigo Lixão do Aurá, então o segundo maior aterro sanitário do país .


Formação complementar e liderança climática

Paralelamente à carreira no jornalismo, Úrsula cursou pós-graduação em Sustentabilidade na Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais, em 2012 . É líder climática do The Climate Reality Project, rede internacional de ativismo ambiental fundada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, tendo participado do treinamento Brasil em 2014 . Foi ainda bolsista da Fundação Lemann, integrou a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e participou do Renova BR, escolas voltadas à formação de novas lideranças políticas no Brasil.


Trajetória Política e Gestão Pública

Primeiras candidaturas

Em 2014, Úrsula recebeu o convite para disputar uma vaga de deputada estadual do Pará. Apesar de obter 5.653 votos, não conseguiu se eleger . Dois anos depois, em 2016, concorreu à prefeitura de Belém, alcançando expressivos 79.968 votos e ficando na quarta posição .

Em 2018, candidatou-se ao Senado pelo estado do Pará e somou 585.344 votos. Embora novamente não eleita, o desempenho chamou a atenção do governador eleito Helder Barbalho, que a convidou para assumir a Secretaria de Cultura. O aceite, no entanto, impôs um difícil dilema pessoal e político: para ocupar o cargo, precisou desfiliar-se do partido ao qual então pertencia — legenda que fazia oposição ao governo do MDB .

Em 1º de abril de 2022, pediu exoneração da secretaria para se lançar novamente a uma disputa eleitoral, anunciando sua pré-candidatura a deputada federal.


Realizações à frente da Secretaria de Cultura do Pará

Desde que assumiu a SECULT, Úrsula Vidal empreendeu uma gestão participativa, voltada à valorização da cultura popular e à interiorização das políticas culturais. Entre suas principais realizações, destacam-se:

· A realização da maior e mais inclusiva Feira do Livro da história do Pará, com ênfase na diversidade, escutas setoriais e valorização do papel da mulher na cultura.

· A criação do projeto Diálogos com o Patrimônio e o lançamento de dezenas de editais de premiação para fazedores de cultura de diferentes segmentos.

· O início e a conclusão do restauro da Casa das 11 Janelas, importante equipamento cultural de Belém.

· A instituição da gratuidade aos domingos no Sistema de Museus do Pará.

· A retomada da reforma do histórico Teatro da Paz.

· A realização de feiras criativas e a revitalização do Monumento à Cabanagem, com o retorno da Cabanagem ao calendário de comemorações estaduais.

· A criação do Festival Te Aquieta em Casa, voltado a artistas durante o isolamento social da pandemia.

· A expansão do Festival de Ópera para fora do teatro, alcançando bairros atendidos pelo programa TerPaz, gerando trabalho e renda para 1.978 artistas e técnicos, quase todos paraenses.

· O restauro e a inauguração da Estação Cultural de Icoaraci, além do início da construção do Museu do Marajó.

· A administração do Porto Futuro e o projeto Parque da Cidade, que criará o maior espaço de lazer do estado na área do antigo Aeroclube de Belém, bem como o Porto Futuro II, que transformará parte dos galpões das Docas em áreas de convivência na orla da cidade.


Atuação na Presidência do Fórum Nacional e a Lei Aldir Blanc

Um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória como gestora ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Na qualidade de presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Cultura (2019–2020), Úrsula Vidal liderou a articulação política que resultou na aprovação da Lei Federal 14.017/2020 — a Lei Aldir Blanc.

Batizada em homenagem ao compositor e escritor falecido vítima da Covid-19, a lei teve como objetivo central estabelecer uma ajuda emergencial para artistas, coletivos e trabalhadores da cultura que viram suas atividades suspensas e suas fontes de renda desaparecerem com as medidas de isolamento. O esforço coordenado por Úrsula e seus pares mobilizou recursos da ordem de R$ 3 bilhões, distribuídos por estados e municípios em todo o país, garantindo sobrevivência a um dos setores mais duramente atingidos pela crise sanitária.

Essa atuação consolidou sua reputação como uma gestora capaz de dialogar com diferentes esferas de governo e de transformar demandas do setor cultural em políticas públicas efetivas.

Desempenho eleitoral

Ano Eleição Partido Candidata a Votos % Resultado Ref
2014 Estaduais no P[1]ará PPS Deputada estadual 5.653 0,15% Suplente [2]
2016 Municipal de Belém REDE Prefeita 79.968 10,29% Não eleita [3]
2018 Estaduais no Pará PSOL Senadora 585.344 8,35% Não eleita [4]
2022 Estaduais no Pará MDB Deputada federal 29.655 0,65% Suplente [5]

Referências

  1. ↑ «Diário Oficial do Estado do Pará, p. 4». Imprensa Oficial do Pará. 2 de fevereiro de 2023. O GOVERNADOR DO ESTADO RESOLVE: nomear, de acordo com o art. 135, incisos II e V, da Constituição do Estado do Para, ÚRSULA VIDAL SANTIAGO DE MENDONÇA para exercer o cargo de Secretário de Estado de Cultura, a contar de 1º de fevereiro de 2023.
  2. ↑ «Resultado das Apurações dos votos do 2º turno das Eleições 2014 no Pará para Governador, Senador, Deputados Federais e Deputados Estaduais». Eleições 2014 no PA. Consultado em 2 de junho de 2024
  3. ↑ «Resultado da apuração das Eleições 2016 em Belém para prefeito e vereador». g1. Consultado em 2 de junho de 2024
  4. ↑ «Senadores e deputados federais/estaduais eleitos: Apuração e resultado das Eleições 2018 PA». UOL Eleições 2018. Consultado em 2 de junho de 2024
  5. ↑ «Apuração das Eleições 2022 para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais». noticias.uol.com.br. Consultado em 2 de junho de 2024

Bibliografia