Vernichtungsgedanke
Vernichtungsgedanke, que significa literalmente "conceito de aniquilação" em alemão e geralmente é entendido como "o conceito de aniquilação rápida das forças inimigas", é uma doutrina tática que remonta a Frederico, o Grande. Ela enfatiza movimentos rápidos e fluidos para desequilibrar o inimigo, permitindo que o atacante imponha sua vontade sobre o defensor e evite um impasse. Baseia-se em treinamento e disciplina excepcionalmente rigorosos e em uma liderança totalmente profissional. Grande parte da doutrina Vernichtungsgedanke pode ser encontrada no clássico tratado de Carl von Clausewitz, Vom Kriege ("Da Guerra").
A doutrina foi utilizada na Guerra de Sucessão Austríaca, Guerra dos Sete Anos, Guerras Napoleônicas, Guerra Austro-Prussiana e na Guerra Franco-Prussiana. O sucesso militar do Reino da Prússia e, posteriormente, do Império Alemão, foi o catalisador dos sistemas de alianças da Europa do século XIX.
A corrida armamentista do período produziu o equipamento militar que erodiu a vantagem do atacante durante a "Longa Paz" na Europa. Isso deu vantagem ao defensor e preparou o terreno para o impasse da Primeira Guerra Mundial. A estratégia de Vernichtungsgedanke ainda era viável na Frente Oriental, como se viu na Batalha de Tannenberg e outras, mas a guerra de trincheiras dominava a Frente Ocidental, deixando pouco ou nenhum espaço para manobrar no flanco ou na retaguarda do inimigo e tornando a ideia difícil de concretizar. Os alemães desenvolveram táticas de infiltração como forma de retomar a estratégia, notadamente na Batalha de Caporetto e durante a Operação Michael.[1]
Durante a década de 1930, oficiais do Exército Britânico, como Vivian Loyd, propuseram o uso generalizado de veículos leves sobre lagartas para proporcionar velocidade e agilidade em apoio às unidades de tanques. A teoria de Loyd, conhecida como "ideia blindada" ou "ideia de tanques", não foi amplamente aceita por seus superiores.
Quando a Segunda Guerra Mundial começou, muitos oficiais alemães, incluindo o general Heinz Guderian, combinaram elementos de táticas de infiltração com tanques, o que evoluiu para a metodologia chamada "Bewegungskrieg" (literalmente: "Guerra de movimento") e mais tarde apelidada de Blitzkrieg pelos propagandistas de ambos os lados.[2][3]
Ver também
- Táticas do tipo-missão (Auftragstaktik)
- Táticas de infiltração
Referências
- ↑ Hermann Cron: Geschichte des Deutschen Heeres im Weltkriege 1914–1918. Berlin 1937, p. 23.
- ↑ Corum, James S. (1992). The Roots of Blitzkrieg: Hans von Seeckt and German Military Reform. Lawrence, Kansas: University Press of Kansas. p. 30. ISBN 978-0-7006-0541-5
- ↑ Citino, Robert M. (26 dezembro 2007). The Path to Blitzkrieg: Doctrine and Training in the German Army, 1920-39. [S.l.]: Stackpole Books. p. 16. ISBN 978-0-8117-3457-8
- Cooper, M. (1978). The German Army 1933–1945, its Political and Military Failure. Briarcliff Manor, NY: Stein and Day. ISBN 0-8128-2468-7