Walter Albuquerque Mello
| Walter Albuquerque Mello | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de novembro de 1928 Salvador |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | arquivista |

Walter Albuquerque Mello (Salvador, 5 de novembro de 1928) é um arquivista. Ele é o idealizador do Arquivo Público do Distrito Federal, [1][2] e um dos criadores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro,[3] trabalho pelo qual recebeu o Troféu Candango, em 2013,[4] e a medalha Paulo Emílio Salles Gomes em 2018.[5]
Em 1971, foi membro do júri no 21º Festival de Berlim.[6] Em 1997, tornou-se Cidadão Honorário de Brasília.[7]
1. PRIMEIROS ANOS E FORMAÇÃO[8]
Walter Albuquerque Mello nasceu na cidade de Salvador, Bahia, no dia 5 de novembro de 1928. Filho de João Albuquerque Mello, funcionário público ligado a um órgão de combate à seca, e de Alta Moreira Chagas, ele nasceu em um contexto familiar marcado por relações complexas. [9]
Ainda na primeira infância, por motivos que o próprio biografado desconhece, foi entregue por seus pais biológicos aos cuidados do casal Hilda Chagas e Cândido Guedes Chagas, passando a residir na Rua Coronel Paiva, em Ilhéus, região sul da Bahia. Durante sua infância e juventude, auxiliava seu pai de criação no comércio ambulante. O jovem era responsável pela administração financeira e controle de caixa das barracas montadas pela família para vender fogos de artifício durante as festas de São João e lança-perfume no carnaval local. Foi alfabetizado em casa por uma professora particular e, em seguida, matriculado no Grupo Escolar de Ilhéus, onde cursou o Primário (1935-1940) e o Ginásio (1941-1944). Sua primeira experiência profissional remunerada ocorreu auxiliando seu irmão de criação, Fernando Chagas, em uma tentativa frustrada de abrir um negócio próprio de venda de produtos escolares. Foi também durante o período em que viveu em Ilhéus que estabeleceu seu primeiro contato com as artes cênicas e o cinema.[9]
Entre os 17 e 19 anos, sentindo-se isolado de seus vínculos biológicos e considerando que a cidade de Ilhéus havia esgotado suas possibilidades de crescimento pessoal, decidiu retornar a Salvador a convite de seu meio-irmão, João Albuquerque Mello. Na capital baiana, passou a morar com a família do irmão e a trabalhar na administração de uma pequena fábrica de calçados pertencente a ele. Chegou a ingressar na Faculdade de Ciências Sociais, porém abandonou o curso ao concluir que a academia tradicional não contemplaria suas aspirações intelectuais. A partir de então, passou a frequentar os círculos artísticos soteropolitanos, dando início à sua formação cultural autodidata, sendo especialmente influenciado pelas reflexões do escritor e crítico de cinema marxista Walter da Silveira.[9]
No final da década de 1940, o irmão de Mello vendeu a fábrica de calçados e mudou-se com a família para o bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, após receber uma proposta de trabalho na empresa de seguros Vera Cruz. O baiano acompanhou a mudança, buscando ampliar seu contato com a cena literária e cinematográfica da então capital federal. Contudo, poucos meses após a chegada, João Albuquerque Mello faleceu repentinamente vítima de uma epidemia de febre tifoide. A tragédia levou a cunhada e os sobrinhos a retornarem para Salvador, deixando Mello sozinho e sem rede de apoio no Rio de Janeiro. Desamparado, aceitou o convite para mudar-se para Campinas, no estado de São Paulo, onde viveu por cerca de um ano e meio com seu antigo irmão de criação, Fernando Chagas, que atuava como representante de uma empresa de capitalização.[9]
Sem conseguir firmar-se profissionalmente no interior paulista, Mello retornou sozinho ao Rio de Janeiro no início da década de 1950. Por intermédio de um conhecido que trabalhava no Jardim Zoológico, conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada no escritório administrativo da "Hermany Indústria e Comércio", uma empresa de fabricação e comércio de perfumes e cosméticos localizada na Rua Senador Dantas. Com a estabilidade financeira de um salário fixo, passou a residir de forma independente, morando sucessivamente nos bairros da Lapa, Bom Sucesso, São Cristóvão e Santa Tereza.[9]
Foi durante sua década de residência no Rio de Janeiro que Mello consolidou seu conhecimento em artes por meio do que denominava "jornadas artísticas". Optou conscientemente pelo autodidatismo em detrimento do ensino superior formal. Frequentava com regularidade a Biblioteca Nacional, o Museu de Belas Artes, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna, o Cine Teatro Rex e o Teatro Municipal, onde assistia a apresentações de orquestras internacionais. No ambiente efervescente da capital, formou laços de amizade e conviveu com artistas e intelectuais, incluindo Dorival Caymmi, o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho (Vianninha), o compositor Waldemar Henrique, o artista plástico Ronaldo Miranda e o pesquisador Roberto Nicolsky, sobrinho do líder comunista Luiz Carlos Prestes. Embora nunca tenha se filiado formalmente, desenvolveu um forte alinhamento com os ideais socialistas e chegou a frequentar ambientes de recrutamento do Partido Comunista Brasileiro. [9]
Seu envolvimento precoce com a preservação do patrimônio histórico revelou-se na juventude, em 1956. Naquele ano, enquanto trabalhava no escritório da subsidiária Dorothy Gray, no bairro de Bom Sucesso, conheceu o colega tchecoslovaco Yaroslav Novotny. Novotny partilhou com ele a história de Klementina Kalašová, uma renomada cantora lírica tcheca que morrera esquecida em Salvador durante uma epidemia de febre amarela em 1889. Sensibilizado com o relato e demonstrando uma percepção natural sobre a importância da memória, Mello empreendeu uma viagem a Salvador com o objetivo exclusivo de localizar a sepultura da artista. Ele encontrou o túmulo no cemitério Quinta dos Lázaros (Quadra Monte Pio dos Artífices, nº 17), providenciou sua limpeza e enviou uma correspondência formal para o seu colega e amigo, Yaroslav Novotny, comunicando que a artista não havia sido esquecida no Brasil.[9]
2. A MUDANÇA PARA BRASÍLIA E OS PRIMEIROS ANOS[8]
A transferência definitiva de Mello para a região do Planalto Central originou-se de um acaso. Em 1959, ele dividia os custos do aluguel de um apartamento no Morro de Santa Tereza com Narceu de Almeida, jornalista da Revista Manchete. No início de 1960, Narceu foi convidado por seu cunhado, André Reis, funcionário do Ministério da Educação residente na recém-construída Brasília, para estruturar e gerenciar a primeira loja de discos e livros na nova capital. Sabendo do profundo conhecimento do amigo sobre música, cinema e literatura, Narceu convidou-o para integrar a sociedade. Semanas depois, o jornalista desistiu da empreitada ao aceitar um posto de correspondente em Paris, porém assegurou a André Reis que Mello assumiria o projeto. Sem vínculos formais que o prendessem ao Rio de Janeiro e atraído pelo desafio histórico da fundação de Brasília, o baiano desembarcou na nova capital entre julho e agosto de 1960 para organizar a "Master - discos", inaugurada na W3 Sul (Quadra 508), estabelecendo ali suas raízes profissionais.[9]
Durante seu primeiro ano em Brasília, Mello residiu na casa de André Reis e Zilah Almeida Reis, trabalhando na administração da loja de discos de segunda a domingo. O estabelecimento, localizado no primeiro andar de um prédio da Quadra 508 na via W3 Sul, foi a primeira loja de discos do Plano Piloto e especializou-se na venda de álbuns de jazz e bossa nova. A loja adotou um modelo de atendimento que oferecia uma cabine envidraçada para que os clientes pudessem ouvir os discos antes da compra.[9]
Nesse contexto comercial e cultural, o biografado conheceu o arquiteto Alcides da Rocha Miranda, professor, integrante do círculo de Oscar Niemeyer e cofundador da Universidade de Brasília (UnB). Paralelamente, em conjunto com Zilah Reis e outros amigos (Geraldo Sobral Rocha, Rogério Costa Rodrigues, Cleide Almeida e André Reis), fundou o Cineclube de Cinema Brasília. O grupo promovia exibições e debates de filmes na residência de Zilah e conseguiu reservar três dias da semana no Cine Brasília para sessões cinematográficas.[9]
Em 1961, com a renúncia do presidente Jânio Quadros, Alcides da Rocha Miranda assumiu a Superintendência da Fundação Cultural do Distrito Federal (FCDF) e convidou Mello para atuar como seu assessor na Diretoria Executiva, especificamente nas áreas de cinema e artes plásticas. Ele aceitou a nomeação, desligando-se da sociedade no estabelecimento comercial em 1962. Iniciou suas atividades formais em 1º de fevereiro de 1962 como "discotecário" e programador musical da Rádio Educadora de Brasília. Na rádio, contudo, foi demitido após alguns meses por transmitir um programa especial com músicas de Chopin em homenagem à data nacional da Polônia; a iniciativa foi considerada inadequada pela direção da emissora em virtude do contexto da Guerra Fria.[9]
Na Fundação Cultural do Distrito Federal, foi nomeado Assistente Técnico em julho de 1962 e, posteriormente, em setembro de 1966, Assessor da Fundação (por meio do Decreto 525), cargo que exerceu até 1978. Entre suas propostas iniciais no órgão, sugeriu a criação de uma Discoteca Pública, projeto que se desdobrou na realização de concertos baseados na audição de discos com informações prévias sobre as sinfonias e compositores na Escola Parque. Até 1966, sua atuação esteve fortemente ligada às artes plásticas, participando da montagem de mais de 500 exposições, com destaque para a supervisão do 1º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal (1964) e do 2º e 3º Salões de Artes Plásticas do Distrito Federal (1966-1967).[9]
Foi durante a organização de uma dessas exposições que conheceu as artesãs Cândida Sardinha e Minie Sardinha. Dessa relação com Minie, nasceu em 1975 sua filha Camila, e o assessor assumiu como enteado o filho dela, Daniel Sardinha. Mais tarde, aos 61 anos, Mello teve um filho chamado Joaquim Pedro com Valéria Souza de Lima; o nome da criança foi uma homenagem ao cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade, refletindo a intersecção de sua vida pessoal com sua dedicação ao cinema e à memória histórica.[9]
No campo musical, envolveu-se na fundação do Coral de Brasília, atuando nas relações públicas e na captação de recursos. Como assessor da FCDF, suas atribuições envolviam o planejamento das atividades culturais, a fiscalização do orçamento, o controle de ingressos e a coordenação de projetos com representações diplomáticas.[9]
A sua dedicação ao cinema teve seu ápice institucional em 1967, quando integrou o grupo de trabalho — coordenado por Paulo Emílio Salles Gomes e idealizado por Carlos Augusto de Oliveira Albuquerque e José Vieira Madeira — que criou o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Mello foi coordenador da Comissão de Seleção e Premiação da 1ª, 2ª e 3ª edições, período em que atuou para conseguir a liberação temporária de obras como "Meteorango Kid" (1969) e "O Bandido da Luz Vermelha" (1968) junto aos censores. Além disso, foi o coordenador técnico das edições seguintes, da 4ª à 10ª. Sua promoção do setor audiovisual distrital incluiu a organização de mostras como o "Festival de Filmes Franceses" (1967) e a "Semana do Jovem Cinema Alemão" (1968).[9]
Visando o aperfeiçoamento na área, frequentou o curso do Instituto Nacional do Cinema Educativo no Rio de Janeiro, eventos de pesquisa cinematográfica em São Paulo e o curso de extensão sobre o Expressionismo Alemão no Cinema na UnB. O reconhecimento técnico na área o levou a compor o júri internacional do XXI Festival Internacional de Cinema de Berlim (1971), representar o Conselho Superior de Cinema do Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ) e atuar no Conselho Nacional de Cine Clubes.[9]
Em Brasília, presidiu o Clube de Cinema de Brasília, que alugava filmes e organizava sessões mensais no Cine Cultura da Fundação (Quadra 507 Sul) como uma alternativa de alta qualidade fora do circuito comercial padrão. Por sua ampla atuação no fomento audiovisual, recebeu o Troféu Candango no 46º Festival de Brasília (2013) e foi o primeiro homenageado com a medalha "Paulo Emílio Salles Gomes" na 51ª edição do evento (2018).[9]
Além das atuações no cinema e nas artes plásticas, o biografado também promoveu eventos diversificados, como apresentações de quartetos de cordas, as comemorações do 10º aniversário de Brasília com a Orquestra Sinfônica Nacional, a coordenação do X Colóquio do Museu de Arte do Brasil em 1976 e a presidência da comissão responsável pelo primeiro tombamento das obras de arte do acervo da Fundação Cultural do Distrito Federal em 1973.[9]
3. O GOLPE MILITAR DE 1964[8]
No período que antecedeu a eclosão do golpe militar de 1964, em decorrência de suas funções na Fundação Cultural do Distrito Federal, Mello realizava diversas atividades em parceria com embaixadas e representações diplomáticas sediadas em Brasília. Nesse contexto, Jacinto Vaz de La Garça, então secretário do escritório de representação de Cuba na capital, convidou-o para hospedar-se nas instalações diplomáticas cubanas com o objetivo de prestar consultoria e estabelecer contatos para o desenvolvimento de atividades culturais. O assessor aceitou o convite e encontrava-se hospedado na representação de Cuba no momento em que o golpe militar foi deflagrado.[9]
Nos dias imediatamente posteriores ao golpe, funcionários da Fundação Cultural descontentes com a ruptura institucional iniciaram um recrutamento para formar um grupo de resistência armada. Ele dirigiu-se às obras ainda inacabadas do Teatro Nacional e assinou um documento de inscrição para integrar o movimento. O grupo, composto por cerca de vinte pessoas sem qualquer qualificação militar, foi comandado por um servente da própria Fundação Cultural, designado para a liderança unicamente por possuir certificado de reservista. Após uma reunião na via W3 Sul, o grupo deslocou-se para as instalações do Clube dos Previdenciários (Quadra 912 Sul) para iniciar os treinamentos. A instrução tática, contudo, limitou-se a explicações teóricas realizadas com o uso de uma espingarda de madeira.[9]
A incipiente tentativa de resistência foi rapidamente desarticulada. Enquanto o grupo acompanhava o desdobramento político, um alerta de que agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) se aproximavam do local provocou a fuga dos envolvidos pelos fundos do clube. Mello retornou à representação diplomática de Cuba. Avaliando o risco iminente de represálias, o secretário Jacinto Vaz de La Garça ofereceu recursos financeiros para que ele fugisse para Cuba, com escala no México. O biografado recusou a oferta, argumentando que a tentativa de emissão de um passaporte naquele cenário de intensa repressão atrairia suspeitas e, também, por desejar permanecer no Brasil para acompanhar os desdobramentos políticos. Permaneceu abrigado na representação cubana por cerca de quinze dias até que, em 2 de abril de 1964, foi transportado de forma furtiva por um veículo da Embaixada da Tchecoslováquia até a residência de uma sobrinha, na Quadra 208 Sul.[9]
O documento contendo as assinaturas dos voluntários recrutados no Teatro Nacional foi posteriormente transferido para a sede do Sindicato dos Bancários. A lista, que poderia incriminar todos os envolvidos por oposição às forças militares, foi interceptada e destruída pelo Coronel Cairoli, um militar aliado ao grupo, evitando assim que caísse sob o poder do aparato repressivo. Embora Mello não tenha sofrido perseguição direta por sua estada na representação cubana, soube posteriormente que fora alvo de acusações por "manter amizade com músicos da Tchecoslováquia", um reflexo direto de seu trabalho profissional ao articular apresentações de orquestras estrangeiras no Brasil.[9]
Com a consolidação do regime militar, as atividades da Fundação Cultural foram retomadas. No exercício de seu cargo, o gestor cultural passou a utilizar estratégias burocráticas para contornar a censura e promover eventos com viés crítico ao governo. Em um episódio marcante, conseguiu autorização para trazer a Brasília o Teatro Arena de São Paulo — grupo notório por sua oposição à ditadura — para apresentar a peça "Pequenos Burgueses", do autor socialista Máximo Gorki. Para obter a aprovação oficial em plena ditadura, Mello inseriu em seu parecer técnico a justificativa de que o então presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, um apreciador das artes cênicas, já havia assistido ao espetáculo anteriormente. Em outra ocasião, organizou um concerto na Escola Parque com o pianista Arthur Moreira Lima, evento que contou com a presença do próprio presidente Castelo Branco.[9]
4. DIRETOR EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE BRASÍLIA[8]
O empenho de Mello na Fundação Cultural do Distrito Federal (FCDF) o levou a assumir sucessivas responsabilidades de liderança na instituição. Entre os anos de 1966 e 1970, atuou diversas vezes como substituto do Diretor Executivo e, em 1971, foi designado oficialmente para responder pela direção em caso de impedimentos eventuais do titular. Em meados de 1971, ao retornar de sua participação como jurado no Festival de Cinema de Berlim, foi recebido no Aeroporto de Brasília pelo funcionário Mário Branco, que o informou sobre a renúncia do então diretor da fundação, o comandante da Marinha Artur Azevedo Henning. Apoiado pelo próprio Henning para a sucessão, Mello foi comunicado de que deveria assumir o cargo. Inicialmente relutante devido ao contexto político da ditadura militar, sugeriu a nomeação do professor Rosalvo Cruz, membro do Conselho da Fundação Cultural; no entanto, a sugestão foi recusada pelo Secretário de Cultura da época, um general, que exigiu que o biografado assumisse a Direção Executiva.[9]
Durante seu breve período como Diretor Executivo da FCDF, o gestor promoveu um bem-sucedido festival de cinema, ocasião em que instituiu o troféu "Buriti de Prata" para premiar categorias secundárias, e organizou um encontro nacional de escritores. Contudo, sua gestão foi abruptamente interrompida, durando cerca de um mês, em razão de um episódio trágico que marcou profundamente sua trajetória, descrito por ele próprio como "uma chaga no meu coração".[9]
O incidente teve origem quando o diretor recebeu denúncias formais de que um funcionário — um fuzileiro naval contratado na gestão do comandante Henning — estaria desviando recursos da Fundação. Em resposta, ele redigiu um documento solicitando a abertura de uma comissão de inquérito para averiguar as acusações. A Fundação Cultural funcionava, à época, em instalações abertas e provisórias na região do Setor Hoteleiro Sul. Durante uma reunião, o funcionário investigado invadiu o local armado e abriu fogo contra a equipe.[9]
O atirador assassinou dois servidores, além de ferir gravemente outros presentes, como o funcionário Renato. O gestor cultural conseguiu fugir da sala, mas foi perseguido pelo atirador. Durante a perseguição, foi atingido no pescoço por um disparo de raspão, que não alcançou a artéria carótida. A sua vida foi salva pela intervenção da própria filha do atirador, uma jovem que ele havia contratado recentemente como recepcionista para o Festival de Cinema; a moça agarrou o pai, impedindo-o de continuar os disparos. O profundo trauma da chacina encerrou sua atuação na direção da FCDF, sendo sucedido pelo professor Rosalvo Cruz, seu indicado original.[9]
Para preservar a memória institucional e honrar as vítimas desse episódio, Mello fez questão de registrar o legado histórico dos dois colegas assassinados:[9]
- Gilda Saraiva de Castro Chaves: Nascida em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 2 de fevereiro de 1941, filha de Silvestre Cupertino Rodrigues e Maria Diva Saraiva Rodrigues. Casada com Luiz Otávio Caldas de Castro Chaves, era mãe de três filhos: Marcelo e os gêmeos Bruno e Luciana. Estudante universitária no período noturno, foi admitida na FCDF em 20 de fevereiro de 1968, onde atuava como assessora de imprensa. Reconhecida por sua extrema eficiência, dinamismo e genuíno interesse na ativação de movimentos culturais, Gilda dedicava-se, dias antes de sua morte, ao planejamento técnico de uma sala de exibições cinematográficas e palestras na Sala de Conferências do Setor Cultural, em colaboração com o diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Faleceu no Hospital de Base do Distrito Federal em 2 de setembro de 1971.
- Antônio Augusto Guimarães Fernandes de Abreu: Nascido no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1939, filho de Carlos Augusto Fernandes de Abreu e Lorena de Carvalho Guimarães de Abreu. Ingressou na Prefeitura do Distrito Federal por meio de concurso público em 17 de julho de 1966, sendo requisitado para a Fundação Cultural no ano seguinte. Solteiro, exercia as funções de assessor de teatro e coordenador do Festival de Cinema de Brasília. Destacava-se por seu entusiasmo e dedicação integral às artes cênicas na capital, prestando apoio a montagens teatrais locais e projetos de dramaturgia, como a peça Cristo versus Bomba. Faleceu no Hospital de Base do Distrito Federal em 2 de setembro de 1971.
5. DIRETOR DA DIVISÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DO DISTRITO FEDERAL[8]
No início de 1978, no último ano da gestão do embaixador Wladimir do Amaral Murtinho à frente da Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal (SEC), Mello foi convidado a assumir a direção da Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico do Distrito Federal. A nomeação marcou o fim de um ciclo de dezesseis anos de atuação direta na Fundação Cultural. Buscando qualificação técnica para a nova atribuição, ele participou, ainda no ano de sua posse, do III Curso Interamericano de Administração Cultural: Política e Gerência, promovido conjuntamente pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pela Universidade de Brasília (UnB) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[9]
À frente da Divisão, suas principais frentes de trabalho concentraram-se na gestação do projeto de criação do Arquivo Público do Distrito Federal e na elaboração de políticas de proteção da memória por meio do reconhecimento de bens de valor histórico. O gestor deu continuidade a projetos preexistentes no órgão, aproveitando os estudos do subprojeto "Recuperação e Revitalização do Núcleo Histórico de Planaltina" — parte do programa "Raízes Históricas do Distrito Federal" —, conduzido pela servidora Celina Lamounier D’Alessandro.[9]
Inspirado por um simpósio sobre patrimônio cultural ocorrido em Paraty, no Rio de Janeiro, idealizou e coordenou o I Encontro do Patrimônio Cultural de Planaltina, sediado no Museu Histórico e Artístico da cidade. O evento, que contou com a colaboração de especialistas como o arquiteto e professor da UnB José Carlos Córdova Coutinho, resultou na elaboração de um documento com diretrizes pioneiras para o Distrito Federal. As recomendações abrangiam não apenas a proteção do patrimônio cultural construído, mas também do patrimônio natural, propondo medidas de defesa para o parcelamento do solo, a cobertura vegetal, a flora e a fauna da região.[9]
Tombamentos e Preservação do Patrimônio
A gestão do biografado na Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico destacou-se pela instrução e condução de diversos processos de tombamento distritais. Cabia ao seu departamento atuar em todas as etapas técnicas e burocráticas que antecediam a assinatura e oficialização da proteção pelo Governo do Distrito Federal.[9]
Nos arquivos da Subsecretaria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (SUPHAC), estão registrados os seguintes tombamentos realizados sob sua coordenação:[9]
- Igreja São Sebastião de Planaltina (Decreto nº 6.940, de 19/02/1982);
- Igreja Nossa Senhora de Fátima e seu entorno (Decreto nº 6.717, de 28/04/1982): Conhecida como "Igrejinha" da 307/308 Sul, o bem teve seu processo de proteção iniciado pelo reconhecimento de sua importância monumental para a cidade e por ser uma das obras de maior estima do arquiteto Oscar Niemeyer;
- Museu da Cidade (Decreto nº 6.718, de 28/04/1982);
- Museu Histórico e Artístico de Planaltina (Decreto nº 6.939, de 19/08/1982);
- Pedra Fundamental de Brasília (Decreto nº 7.010, de 07/09/1982): Embora a proteção do marco coubesse originalmente à alçada do IPHAN em âmbito nacional, a Divisão distrital assumiu a iniciativa de realizar o tombamento local. A cerimônia de oficialização ocorreu ao meio-dia do feriado de 7 de setembro, acompanhada por apresentações de corais. Posteriormente, o diretor chegou a propor a construção de um belvedere no local para potencializar a visitação do espaço, projeto que não foi executado;
- Árvore do Buriti (Decreto nº 8.623, de 30/05/1985): Plantada na Praça do Buriti, em frente à sede do Executivo local, o tombamento da árvore foi proposto diretamente ao então governador José Aparecido de Oliveira. A justificativa técnica elaborada pelo servidor fundamentou-se no poema profético "Buriti Perdido", escrito em 1894 pelo autor mineiro Afonso Arinos, estabelecendo um marco de preservação ambiental integrado à cultura literária;
- Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (Decreto nº 9.036, de 13/11/1985).
6. A CRIAÇÃO DO ARQUIVO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL[8]
Ao assumir a direção da Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico (DPHA) da Secretaria de Educação e Cultura (SEC) em 1978, constatou que Brasília era uma das poucas capitais brasileiras que não possuía uma instituição arquivística voltada para a preservação de sua memória documental. Embora a necessidade de criação de um Arquivo Público no Distrito Federal fosse objeto de recomendações de governadores e iniciativas ministeriais ao longo da década de 1970 — impulsionadas por figuras como os ex-ministros da Justiça Alfredo Buzaid e Armando Falcão —, o processo encontrava-se sem desfecho. A tramitação havia sido retomada em 1977, quando o então secretário de Educação e Cultura, Wladimir do Amaral Murtinho, encaminhou a proposição para estudos técnicos, dossiê que o biografado assumiu ao ingressar na Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico (DPHA).[9]
Em 13 de junho de 1978, Mello apresentou um estudo detalhado propondo a fundação da instituição. O projeto estipulava diretrizes sobre estrutura, competências, vinculação operacional e sugeria a formação de um Grupo de Trabalho para operacionalizar a ideia. Nesse momento embrionário, a proposta recebeu o respaldo fundamental da então secretária de Educação e Cultura, Eurides Brito da Silva, cujo apoio foi considerado decisivo pelo diretor para o avanço dos trâmites legais. [9]
Como não possuía formação acadêmica formal em Arquivologia, o servidor adotou uma rigorosa postura autodidata. Participou de diversos cursos oferecidos pelo Núcleo Regional de Brasília da Associação dos Arquivistas Brasileiros e buscou aconselhamento técnico com especialistas da área. Nesse processo de estruturação do conhecimento, destacou-se a contribuição de Nilza Teixeira Soares, profissional vinculada ao arquivo da Câmara dos Deputados, que lhe forneceu valiosas orientações teóricas e práticas. O então diretor também angariou sustentação política e técnica junto ao "Grupo de Trabalho Brasília" (GT Brasília) — do qual era membro representante do governo distrital —, um colegiado que realizava pesquisas aprofundadas sobre o patrimônio cultural e urbanístico para fundamentar a candidatura de Brasília a Patrimônio Cultural da Humanidade. [9]
Diante da morosidade para a oficialização do órgão, ele adotou uma estratégia de contingência focada na proteção do acervo da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), correspondente aos registros da época da construção da cidade (1956-1960). O esforço técnico resultou no Decreto nº 7.492, de 27 de abril de 1983, que colocou toda essa massa documental sob a proteção especial do Governo do Distrito Federal. Na mesma data, por intermédio do Decreto nº 7.493, foi instituído oficialmente o Grupo de Trabalho para estudar e adotar medidas para a implantação do Arquivo Público, sob a sua coordenação. [9]
Para garantir que a instituição nascesse alinhada aos preceitos da Arquivologia contemporânea, o gestor estabeleceu uma forte parceria com o Arquivo Nacional. Em julho de 1983, o documento final do Grupo de Trabalho foi enviado para revisão da então diretora-geral do Arquivo Nacional, Celina Vargas do Amaral Peixoto. Celina prestou um suporte crucial ao disponibilizar técnicos e orientação institucional ao projeto. Dentre os profissionais do Arquivo Nacional, o arquivista José Maria Jardim teve um papel proeminente, fornecendo toda a base conceitual e metodológica para que o arquivo distrital superasse os modelos arcaicos do século XIX e nascesse como uma instituição moderna. O nível de comprometimento de Mello com essa parceria foi tamanho que ele chegou a hospedar especialistas em sua própria residência e a custear despesas de forma pessoal, devido à falta de rubricas orçamentárias específicas do governo local. Uma das inovações exigidas por ele nesse planejamento foi a inclusão de uma biblioteca de referência no projeto, destinada não ao empréstimo geral, mas ao subsídio técnico em Arquivologia para servidores e pesquisadores. [9]
Após oito anos de trabalho técnico e articulação burocrática liderados pelo biografado, o Arquivo Público do Distrito Federal foi oficialmente criado em 14 de março de 1985. O governador do Distrito Federal à época, José Ornellas de Souza Filho, foi a autoridade responsável por assinar o Decreto nº 8.530, que instituía o órgão, bem como o Decreto nº 8.531, que aprovava o seu Regimento Interno. Mello consolidou seu legado ao atuar não apenas como o idealizador da instituição, mas como o principal articulador na implementação física e estrutural do órgão. [9]
7. A PROTEÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA DE BRASÍLIA[8]
Oficializada a criação do Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) em 14 de março de 1985, pelo então governador José Ornellas de Souza Filho, a nova instituição existia apenas no papel, desprovida de sede física, acervo e quadro de servidores nomeados. Movido pela convicção da urgência em salvaguardar a memória documental de Brasília, Mello, que já atuava como Diretor da Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico, foi designado estrategicamente pela secretária de Educação e Cultura, Eurides Brito da Silva, para responder também pela Superintendência do recém-criado órgão. Sem remuneração adicional pela nova função, o gestor acumulou os cargos com o objetivo de coordenar pessoalmente a transição da teoria para a implantação física da instituição.[9]
Sua primeira providência foi constituir um núcleo de trabalho pioneiro, integrado por servidores como Vânia Maria Moreira Caldas e Antônio Emílio Costa, instalando-se inicialmente de forma improvisada na sala de ensaios da Orquestra do Teatro Nacional. Imbuído de sua responsabilidade como servidor público focado na preservação histórica, o superintendente buscou incessantemente um espaço físico para o Arquivo. Após enfrentar resistências iniciais da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), conseguiu garantir a cessão de um prédio nas instalações da empresa graças à intervenção decisiva do então secretário de Viação e Obras, o arquiteto Carlos Magalhães da Silveira. Nos primórdios da ocupação desse espaço, diante da absoluta falta de mobiliário adequado, a equipe chegou a utilizar caixas de papelão como mesas de trabalho.[9]
Sempre projetando a consolidação definitiva do órgão, o biografado articulou um encontro oficial entre o governador José Aparecido de Oliveira, o embaixador Wladimir Murtinho e o arquiteto Oscar Niemeyer para solicitar a elaboração do projeto arquitetônico de uma sede definitiva para o ArPDF. Concomitantemente, para adequar tecnicamente o prédio cedido pela NOVACAP, Mello solicitou novamente o suporte de Celina Vargas, diretora do Arquivo Nacional, que enviou engenheiros e arquitetos para projetar a adaptação do espaço. Em 28 de abril de 1987, por ocasião do 27º aniversário de Brasília, a primeira sede provisória do Arquivo Público foi oficialmente inaugurada.[9]
Com a estrutura física mínima estabelecida, a principal missão passou a ser o recolhimento e tratamento do monumental acervo da NOVACAP — documentação central da construção de Brasília que já estava sob proteção legal do governo distrital por iniciativa anterior do próprio gestor. Para organizar milhares de fotografias não identificadas, Mello apoiou soluções criativas de sua equipe, como o "Chá da Memória", projeto concebido por Lúcia Margarida Alheiro da Silva (então Gerente de Arquivo Permanente), que convidava pioneiros para identificar pessoas e locais nas imagens fotográficas históricas. O superintendente também instituiu um "Comitê de Gestão Participativa", modelo administrativo inovador para a época, descentralizando as decisões entre os diretores, e adotou critérios rigorosos na contratação de profissionais, chegando a pagar do próprio bolso a publicação de anúncios em jornais para atrair técnicos qualificados em detrimento de meras indicações políticas.[9]
No campo tecnológico e de difusão institucional, sua gestão garantiu que o Arquivo Público do Distrito Federal fosse pioneiro na informatização, antecedendo até mesmo o Arquivo Nacional, graças a equipamentos doados por intermédio de seu amigo Kléber Farias Pinto. Com o intuito de dar transparência e visibilidade às pesquisas e atividades do órgão, lançou o boletim informativo "O Quadrilátero", cujo título foi escolhido por meio de concurso interno vencido pela servidora Vera Lúcia Pereira Duarte. Diante do crescimento do acervo e da equipe, negociou e efetivou, em 5 de junho de 1997, a transferência do ArPDF para um segundo e mais amplo edifício, ainda no terreno da NOVACAP.[9]
A visão de preservação documental do servidor extrapolou as fronteiras do Distrito Federal. Consternado com a precariedade dos arquivos em outras unidades da federação, propôs e fundou o Fórum Nacional dos Diretores de Arquivos Estaduais. Na presidência desse colegiado, liderou a formulação de "Cartas de Princípios" que exigiam formalmente aos governos estaduais maiores investimentos em seus acervos, alinhando-se aos esforços de implementação do Sistema Nacional de Arquivos.[9]
Internamente, fomentou pesquisas históricas inéditas. Foi sob sua liderança que o ArPDF resgatou a documentação da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil (1892), coordenando amplamente as comemorações do centenário da "Comissão Cruls" com exposições, concertos e cunhagem de medalhas na Casa da Moeda. Também em sua gestão foi implementado o "Programa de História Oral", coordenado pelo arquivista Luis Carlos Lopes, que registrou os testemunhos dos construtores da capital, complementando os registros textuais oficiais. Em 1998, iniciou um audacioso projeto tecnológico visando a inscrição do Fundo NOVACAP no Registro da "Memória do Mundo" da UNESCO, elaborando um CD-ROM interativo com o acervo.[9]
Como primeiro Superintendente, permaneceu no cargo de março de 1985 a novembro de 1993, quando foi exonerado devido a divergências com o então Secretário de Cultura Fernando Lemos, sendo substituído por Bernardo Carvalho de Araújo. Retornou à liderança da instituição em janeiro de 1995, impulsionado por um movimento da classe cultural de Brasília organizado por Lúcia Margarida Alheiro da Silva, permanecendo à frente do Arquivo Público até a sua exoneração a pedido em 1º de janeiro de 1999, para dedicar-se à aposentadoria e à vida familiar.[9]
Inesperado Retorno ao Arquivo Público do Distrito Federal
Quando já não vislumbrava um retorno à instituição que ajudara a fundar, o gestor aposentado recebeu, em 2007, um convite do então Superintendente do ArPDF, o jornalista Luiz Ribeiro de Mendonça, para assumir o cargo de Assessor Especial. Retornando ao serviço público já octogenário, desempenhou papel fundamental como consultor histórico até o final de 2010.[9]
Durante esse período, o material e os estudos do projeto "Memória do Mundo" que ele havia iniciado em 1998 foram resgatados e atualizados pelo arquivista Euler Frank Lacerda Barros. Os esclarecimentos do fundador foram cruciais para que o Arquivo Público submetesse um novo dossiê à UNESCO. Coroando os esforços de décadas na proteção da documentação oficial de Brasília, em novembro de 2007 o Fundo NOVACAP foi oficialmente inscrito nos registros nacional e regional da Memória do Mundo da UNESCO. [9]
Sua volta ao ArPDF permitiu-lhe também acompanhar e opinar ativamente nas atividades do cinquentenário de Brasília. Em reconhecimento ao seu histórico de dedicação à preservação documental, já havia recebido o título de Cidadão Honorário de Brasília em 1997 e, de forma simbólica, a alcunha de "Operário da Cultura". [9]
8. LEGADO E RECONHECIMENTO[8]
Ao longo de sua trajetória e em reconhecimento ao seu pioneirismo na preservação da memória e fomento cultural de Brasília, Walter Albuquerque Mello acumulou títulos, condecorações e deixou um sólido legado institucional. Destacam-se:[9]
- Idealização e fundação do Arquivo Público do Distrito Federal: Foi o principal idealizador e articulador do projeto de criação da instituição responsável por preservar e divulgar a memória documental da capital brasileira, atuando também como seu primeiro Superintendente.
- Idealização do Fórum Nacional dos Diretores de Arquivos Estaduais: Foi fundador e presidente deste fórum, que propiciou a integração e a proposição de "Cartas de Princípios" para a melhoria das condições físicas e técnicas dos acervos estaduais no Brasil.
- Preservação do Patrimônio Histórico: Durante sua gestão na Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico do Distrito Federal, coordenou processos de tombamento de bens essenciais para a memória de Brasília, incluindo a Igreja Nossa Senhora de Fátima ("Igrejinha"), a Pedra Fundamental, a Árvore do Buriti, o Museu da Cidade e a Igreja São Sebastião de Planaltina.
- "Elogio" da Fundação Cultural do Distrito Federal (1974): Recebeu reconhecimento formal do então Presidente da Fundação por sua "dedicação funcional e pelo perfeito espírito de equipe", o que resultou no aumento do interesse do público pelas promoções do órgão.
- Homenagem da Associação dos Arquivistas Brasileiros (1979): Foi agraciado com uma placa do Núcleo Regional de Brasília, em virtude dos relevantes serviços prestados à causa da preservação arquivística.
- Título de "Operário da Cultura": Reconhecimento público informal concedido pela Embaixada da então Tchecoslováquia.
- Medalha do Centenário da Comissão Cruls: Condecorado com a medalha comemorativa pelos cem anos da Comissão Exploradora do Planalto Central, da qual ele próprio foi um dos idealizadores e organizadores em parceria com o Governo e a Casa da Moeda.
- Título de Cidadão Honorário de Brasília (1997): Outorgado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, por meio do Decreto Legislativo nº 156, de 18 de novembro de 1997.
- Título de Sócio Benemérito da ABARQ (2004): Concedido pela Associação Brasiliense de Arquivologia (ABARQ) durante o Iº Congresso Nacional de Arquivologia, em virtude de sua valiosa contribuição ao campo no Distrito Federal.
- Troféu Candango (2013): Homenageado na 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em reconhecimento ao seu longo trabalho (inicialmente anônimo) em prol da estruturação e fomento da arte cinematográfica na cidade.
- Medalha Paulo Emílio Salles Gomes (2018): Foi o primeiro homenageado com esta honraria recém-criada na 51ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, celebrando sua atuação na difusão do cinema nacional.
- Reconhecimento Literário Internacional: Teve seu gesto na juventude (quando resgatou e cuidou da memória do túmulo da cantora tcheca Klementina Kalašová em Salvador) formalmente registrado e elogiado no livro Klementina Kalašová a estrela tcheca que ficou na Bahia, da escritora Bohumila Araújo.
- Biografia Institucional (2018): O Arquivo Público do Distrito Federal publicou e lançou a obra "WALTER MELLO - Entre a Oralidade e a Escrita: apontamentos biográficos", de autoria do historiador da instituição arquivística, Elias Manoel da Silva, em comemoração aos seus 90 anos, para perenizar sua história pessoal e profissional.
- Homenagem dos Servidores (Caricatura): Ao se aposentar, recebeu um quadro do ilustrador Jô Oliveira acompanhado das assinaturas dos funcionários do Arquivo Público do DF, item que guardava como a homenagem de que mais se orgulhava.
Referências
- ↑ «Arquivo Público celebra 31 anos.». g1.com. Consultado em 28 de junho de 2016
- ↑ «Fundador do ArPDF visita novas instalações.». arpdf.df.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2016
- ↑ «Premiados no 46º Festival de Brasília.». festbrasilia.com.br. Consultado em 28 de junho de 2016
- ↑ «Confira a lista de premiados do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro». 25 de setembro de 2013
- ↑ «Abertura do Festival de Brasília é marcada por homenagens e protestos». 15 de setembro de 2018
- ↑ «Berlinale 1971: Juries». berlinale.de. Consultado em 20 de julho de 2010
- ↑ «Decreto Legislativo nº 156, de 1997» (PDF). sinj.df.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2016
- 1 2 3 4 5 6 7 8 SILVA,, Elias Manoel (10 de dezembro de 2025.). «Walter Mello – Entre a Oralidade e a Escrita – Apontamentos biográficos. Brasília: Arquivo Público do Distrito Federal, 2018.». Consultado em 08 de maio de 2026. Verifique data em:
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