1705 no Brasil

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Séculos:
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Décadas:
  • década de 1680
  • década de 1690
  • década de 1700
  • década de 1710
  • década de 1720
Ver também: Outros eventos de 1705
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1705 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela posse de um novo governador da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre —, que encontraria pela frente uma situação de crescente tensão nas regiões auríferas. A capitania do Estado do Brasil também conheceu mudança de governador-geral, com a posse de Luís César de Meneses em Salvador. No plano eclesiástico, os franciscanos e os jesuítas disputavam com crescente intensidade a evangelização das populações indígenas do interior, em particular nas regiões de contato entre as minas e os sertões nordestinos.

Eventos

Nova administração colonial

  • Em 1705, tomou posse em Salvador como novo governador-geral do Estado do Brasil Luís César de Meneses, o conde de Ericeira, substituindo Rodrigo da Costa. A Ericeira coube administrar a colônia durante um dos períodos de maior efervescência de toda a história colonial: a aceleração da corrida aurífera, a escalada das tensões entre paulistas e emboabas e as crescentes pressões por mais igrejas, escolas e estrutura eclesiástica nas regiões mineradoras.[1]
  • No mesmo ano, Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre assumiu o governo da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, em substituição a Álvaro da Silveira e Albuquerque. Lencastre tinha vasta experiência colonial — havia governado anteriormente o Estado da Índia e a capitania de Pernambuco — e encontrou nas minas uma situação que exigia habilidade diplomática: dois grupos hostis (paulistas e emboabas) disputavam o controle das lavras e das rotas de abastecimento, e a ausência de tribunais e de uma estrutura judiciária regular tornava os conflitos frequentemente fatais.[2]

Os franciscanos e a evangelização do interior

  • Em 1705, a Custódia de Santo Antônio do Brasil, ramo da Ordem dos Frades Menores presente no Brasil desde o século XVI, mantinha uma rede de conventos e hospícios nas principais cidades costeiras do Brasil, além de missões nos sertões da Bahia, Pernambuco e Paraíba. Os franciscanos foram os primeiros religiosos a estabelecer presença regular na região das minas, antes mesmo da criação de paróquias oficiais, ministrando sacramentos nos arraiais auríferos de Minas Gerais.[3]
  • Nesse período, as irmandades do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos continuavam a se multiplicar nos arraiais mineradores, cumprindo funções de assistência mútua que o Estado colonial era incapaz de prover. Constituíam, na prática, os primeiros sistemas de previdência social da história mineira: contribuições mensais dos irmãos garantiam auxílio em casos de doença, prisão, viuvez ou morte, e custeavam o enterramento digno dos membros e de seus familiares.[4]

Conflito por contratos de abastecimento

  • Em 1705, o governador Lencastre envolveu-se em acusações de favorecimento na cessação de contratos para o fornecimento de víveres às minas — episódio que prenunciava disputas mais graves que culminariam na Guerra dos Emboabas. A questão dos contratos de abastecimento — que incluíam carne bovina, farinha, rapadura e ferramentas — era fonte permanente de corrupção e de conflito entre os grupos que competiam pelas minas.[5]

Quadro político

Cargo Titular
Rei de Portugal Dom Pedro II (reinado: 1683–1706)
Governador-Geral do Estado do Brasil Luís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710)
Governador da Capitania do Rio de Janeiro, SP e MG Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre (1705–1709)

Ver também

Referências

  1. ↑ VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1927, t. IV.
  2. ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 106–117.
  3. ↑ WILLEKE, Frei Venâncio. Missões Franciscanas no Brasil (1500–1975). Petrópolis: Vozes, 1974, p. 73–82.
  4. ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 130–145.
  5. ↑ ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Guerra dos Emboabas. In: Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, 2019.