1706 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1706 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1706 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela continuidade do crescimento desordenado dos arraiais auríferos de Minas Gerais e pelo agravamento das tensões entre paulistas e emboabas, às vésperas do conflito que eclodiria em 1707. Em Portugal, morreu o rei dom Pedro II em 9 de dezembro de 1706, e subiu ao trono seu filho dom João V, de 17 anos, que reinaria até 1750 e seria o monarca português que mais extraiu ouro das minas brasileiras, transformando Lisboa em uma das capitais mais suntuosas da Europa. A mudança de reinado não interrompeu as políticas coloniais em curso, mas representou a chegada de um governante mais centralista e determinado a extrair o máximo possível das riquezas americanas.
Eventos
Morte de Pedro II e ascensão de João V
- Em 9 de dezembro de 1706, morreu em Lisboa o rei dom Pedro II, que havia reinado desde 1683. Era o monarca que dera início ao ciclo do ouro no Brasil, ao receber as primeiras notícias das descobertas auríferas de Minas Gerais. Seu filho e sucessor, dom João V, com apenas 17 anos, assumiu um trono com finanças deficitárias — consequência das guerras europeias — mas com a perspectiva de um fluxo crescente de ouro brasileiro que logo transformaria radicalmente a situação econômica da metrópole.[1]
Crescimento dos arraiais de Minas Gerais
- Em 1706, as estimativas demográficas da região das minas já apontavam dezenas de milhares de pessoas distribuídas pelos arraiais de Ouro Preto, Sabará, Mariana, Caeté e São João del-Rei. Essa população era constituída de mineradores paulistas, reinóis recém-chegados, escravizados africanos e libertos, além de comerciantes, tropeiros, prostitutas, clérigos e aventureiros. Os arraiais funcionavam sem tribunais, sem registros civis, sem hospitais e sem uma estrutura eclesiástica regular — terreno fértil para os conflitos que estavam por vir.[2]
A Igreja e a evangelização dos escravizados
- Em 1706, continuava crescendo o número de irmandades religiosas de escravizados e libertos nas regiões mineradoras, sobretudo as devotadas a Santo Elesbão, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário. Essas irmandades, fundadas com autorização das autoridades eclesiásticas e sob a orientação dos párocos locais, eram os principais espaços de sociabilidade, fé e assistência dos escravizados nas minas. Através delas, organizava-se a prática religiosa, o enterramento digno dos membros e, frequentemente, a arrecadação de fundos para a compra da alforria de irmãos escravizados.[3]
- O Bispado de Olinda, canônicamente responsável pelo vasto território de Minas Gerais, enfrentava dificuldades crescentes para exercer sua jurisdição sobre os arraiais mineradores. O bispo de Olinda respondeu nesse período a apelos de clérigos e leigos que pediam a criação de paróquias e a nomeação de vigários regulares para as minas — pleitos que levariam, anos mais tarde, à criação da Diocese de Mariana.[4]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom Pedro II (até dez./1706) → Dom João V (a partir de dez./1706) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Luís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710) |
| Governador da Capitania do Rio de Janeiro, SP e MG | Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre (1705–1709) |
Nascimentos
- 1706 — Basílio da Gama, poeta luso-brasileiro, nascido na Vila Rica do Ouro Preto. Autor do poema épico O Uraguai (1769), sobre a Guerra Guaranítica, obra considerada um dos marcos da literatura colonial brasileira. Morreu em 1795, em Lisboa.[5]
Mortes
- 9 de dezembro — Pedro II de Portugal, rei de Portugal desde 1683, soberano durante o qual foram feitas as primeiras descobertas auríferas no Brasil colonial (n. 1648).[6]
Ver também
Referências
- ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII.
- ↑ FIGUEIREDO, Luciano. Revoltas, Fiscalidade e Identidade Colonial na América Portuguesa: Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, 1640–1761. São Paulo: USP, 1996.
- ↑ SCARANO, Julita. Devoção e Escravidão: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos no Distrito Diamantino no Século XVIII. São Paulo: Nacional, 1975.
- ↑ TRINDADE, Cônego Raimundo. Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1945.
- ↑ LUCAS, Fábio. "Basílio da Gama". In: Enciclopédia da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: MEC, 1990.
- ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII.
