1707 no Brasil
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1707 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano é considerado o início oficial da Guerra dos Emboabas (1707–1709), conflito entre os bandeirantes paulistas e os forasteiros (emboabas) pela posse das minas de ouro de Minas Gerais. Os primeiros choques significativos ocorreram ao longo de 1707, com o linchamento de dois chefes paulistas no arraial do Rio das Mortes e a proclamação do português Manuel Nunes Viana como governador informal das minas pelos emboabas. O conflito revelaria a incapacidade da administração colonial de organizar juridicamente a exploração das riquezas minerais e precipitaria reformas administrativas fundamentais, incluindo a criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro em 1709.
Eventos
Início da Guerra dos Emboabas
- Em 1707, as tensões acumuladas entre os bandeirantes paulistas — que reivindicavam prioridade na exploração das minas por direito de conquista — e os emboabas — grupo heterogêneo de reinóis portugueses, baianos e pernambucanos — atingiram o ponto de ruptura. No arraial do Rio das Mortes (atual região de São João del-Rei), dois chefes paulistas foram linchados por emboabas, mas sem que houvesse retaliação imediata dos compatriotas, o que foi interpretado como sinal de fraqueza e acelerou o domínio dos emboabas sobre a região.[1]
- No final de 1707, diante do boato — possivelmente falso — de que os paulistas planejavam uma chacina geral dos forasteiros marcada para 10 de janeiro de 1708, os emboabas de Sabará, Rio das Velhas e Caeté mobilizaram-se e, em dezembro de 1707, marcharam até Morro Vermelho, onde proclamaram formalmente Manuel Nunes Viana governador das minas. Era o primeiro governo civil eleito nas Américas — ainda que precário e sem reconhecimento metropolitano —, e a Coroa reagiu com indignação à usurpação das prerrogativas régias.[2]
O governador Lencastre e a mediação fracassada
- O governador Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre tentou intervir na disputa, enviando emissários para negociar com Nunes Viana e exigindo sua retirada das minas. Nunes Viana recusou a intimação, alegando que era arbitrária e ilegal. Lencastre, sem tropa suficiente para impor a ordem pela força, viu sua autoridade desmoronar perante os dois grupos em conflito. Sua tentativa de mediação fracassou completamente, e o próprio governador foi acusado de favorecimento de contratos de abastecimento, o que comprometeu ainda mais sua credibilidade.[3]
O papel da Igreja nas Minas
- Em meio ao conflito, os poucos clérigos presentes nos arraiais de Minas Gerais tentaram atuar como mediadores entre os grupos rivais. O pároco do arraial de Caeté e os capelães franciscanos de Sabará interviram em diversas ocasiões para evitar derramamento de sangue e garantir o enterramento cristão das vítimas dos conflitos. A historiografia registra que, na porta da Igreja de Caeté, ocorreu uma das primeiras discussões formais entre representantes dos dois grupos — o português Manuel Nunes Viana e o paulista Jerônimo Pedroso —, que, embora não chegasse a um acordo, adiou temporariamente a escalada da violência.[4]
- As Santas Casas de Misericórdia do Rio de Janeiro e de Salvador continuavam sendo a única referência de assistência hospitalar sistemática para os colonos mais pobres, recebendo feridos, doentes e desvalidos provenientes das minas que chegavam até as cidades costeiras em busca de cuidados.[5]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Luís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710) |
| Governador da Capitania do Rio de Janeiro, SP e MG | Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre (1705–1709) |
| "Governador" das Minas (autoproclamado, não reconhecido pela Coroa) | Manuel Nunes Viana (dez./1707–1709) |
Ver também
Referências
- ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 106–117.
- ↑ Morro Vermelho MG. Guerra dos Emboabas. Disponível em: https://morrovermelhomg.com.br/resistencia/guerra-dos-emboabas/. Acesso em: 2026.
- ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 85–90.
- ↑ SÃO PAULO INFOCO. "O conflito pelo ouro no séc. XVIII: a Guerra dos Emboabas". São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.saopauloinfoco.com.br. Acesso em: 2026.
- ↑ GANDELMAN, Luciana Mendes. A Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro nos séculos XVI ao XIX. Niterói: UFF, 2001.
