1708 no Brasil

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Décadas:
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  • década de 1710
  • década de 1720
Ver também: Outros eventos de 1708
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1708 foi um ano bissexto do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi dominado pelos episódios mais violentos da Guerra dos Emboabas (1707–1709): em novembro de 1708, os emboabas lançaram um ataque em grande escala contra os paulistas estabelecidos em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, expulsando-os de duas das três principais regiões mineradoras da capitania. O mesmo ano viu os emboabas consolidar seu controle sobre os arraiais de Sabará e do Rio das Velhas, enquanto o episódio que ficaria conhecido como o "Capão da Traição" — no qual centenas de paulistas rendidos foram massacrados pelos emboabas — deixou uma marca indelével na memória histórica da Guerra.

Eventos

O Capão da Traição

  • O episódio mais brutal da Guerra dos Emboabas ocorreu em fins de 1708, no trecho do Rio das Mortes em que hoje se localiza a cidade mineira de Tiradentes. Um grupo de paulistas, encurralado e sem saída, rendeu-se ao capitão emboaba Bento do Amaral Coutinho, que enviara o líder dos emboabas Manuel Nunes Viana com cerca de 200 homens para capturá-los. Os paulistas aceitaram a rendição mediante a promessa de que teriam salvo-conduto para sair das minas. Entretanto, após entregarem as armas, foram massacrados. Os poucos sobreviventes partiram para São Paulo e, de lá, para os sertões de Goiás e Mato Grosso, onde descobrirram novas jazidas auríferas nas décadas seguintes.[1]

Ataque a Cachoeira do Campo e domínio emboaba

  • Em novembro de 1708, os emboabas lançaram um grande ataque ao arraial de Cachoeira do Campo — hoje distrito de Ouro Preto —, um dos principais redutos paulistas na capitania. A ofensiva foi bem-sucedida: os bandeirantes foram expulsos, e os emboabas passaram a controlar duas das três grandes regiões mineradoras da capitania. Sob a liderança efetiva de Manuel Nunes Viana, o governo dos emboabas funcionou com relativa eficiência, organizando a distribuição das lavras, o policiamento interno e a cobrança de tributos entre os mineradores.[2]

A atuação da Igreja no conflito

  • Durante os episódios mais violentos da guerra, os clérigos presentes nos arraiais desempenharam papel duplo: de um lado, tentavam mediar os conflitos e evitar novas mortes; de outro, prestavam os sacramentos da extrema-unção aos feridos e o enterramento cristão aos mortos. Não havia estrutura hospitalar laica em funcionamento nos arraiais — os feridos de guerra eram tratados por curandeiros improvisados, benzedores e, quando disponíveis, por irmãos de irmandades com algum conhecimento de plantas medicinais. As práticas de cura dos jesuítas, que incluíam o uso de ervas estudadas nas reduções e nos colégios, eram as mais sistemáticas disponíveis na colônia.[3]
  • O cura do arraial de Mariana, uma das localidades mais populosas da região das minas, serviu nesse período como o principal interlocutor entre a população colonial e as autoridades eclesiásticas da Diocese de Olinda, reportando ao bispo a situação caótica dos arraiais e reiterando os pedidos de criação de paróquias regulares com vigários remunerados e canonicamente nomeados.[4]

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilLuís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710)
Governador da Capitania do Rio de Janeiro, SP e MGFernando Martins Mascarenhas de Lencastre (1705–1709)
"Governador" das Minas (não reconhecido)Manuel Nunes Viana

Ver também

Referências

  1. ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 106–117.
  2. ↑ FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Edusp, 2013, p. 99–102.
  3. ↑ CALAINHO, Daniela Buono. "Jesuítas e medicina no Brasil colonial". In: Tempo, Rio de Janeiro, n. 19, p. 61–75, 2005.
  4. ↑ TRINDADE, Cônego Raimundo. Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana. Rio de Janeiro: MES, 1945.

Brasil colonial