1709 no Brasil

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Décadas:
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  • década de 1710
  • década de 1720
Ver também: Outros eventos de 1709
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1709 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado por dois eventos históricos de grande relevância: o fim da Guerra dos Emboabas com a intervenção do governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho e a destituição de Manuel Nunes Viana; e a criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro pelo rei dom João V, pelo Decreto de 3 de novembro de 1709 — medida que reorganizou a administração colonial do interior e inaugurou a institucionalização das regiões auríferas como capitania autônoma, diretamente subordinada à Coroa. Em Pernambuco, os comerciantes de Recife obtiveram a elevação do porto à condição de vila independente, semeando as tensões que desembocariam na Guerra dos Mascates (1710–1711).

Eventos

Fim da Guerra dos Emboabas

  • Em setembro/outubro de 1709, chegou às regiões mineradoras o novo governador da capitania do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, enviado especialmente pela Coroa para restabelecer a ordem. Encontrou uma situação de crise emboaba: Manuel Nunes Viana, após proclamar-se governador e partilhar cargos entre seus aliados, perdera parte do apoio popular ao privilegiar seus próprios negócios pecuários nos contratos de abastecimento. Aproveitando-se desta circunstância, Albuquerque destituiu Viana sem resistência armada e o enviou ao exílio no sertão do Rio São Francisco. Sem apoio político e diante da presença das forças régias, os paulistas — já diezmados — abandonaram definitivamente a região das minas.[1]

Criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro

Elevação de Recife à condição de vila

  • Em 1709, atendendo a uma petição dos comerciantes portugueses do Recife, o rei dom João V expediu a carta régia elevando o Recife à condição de vila, com direito a Câmara Municipal própria e independência administrativa em relação à cidade de Olinda. A medida desagradou profundamente os senhores de engenho olindenses, que viam ameaçada sua supremacia política na Capitania de Pernambuco. A tensão gerada por esse ato precipitaria, no ano seguinte, a Guerra dos Mascates.

O papel da Igreja na reorganização administrativa

  • Com a criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, tornou-se ainda mais urgente a organização da estrutura eclesiástica nas minas. As autoridades coloniais e os clérigos locais enviaram representações ao rei e ao bispo de Olinda pedindo a criação de paróquias oficiais, a nomeação de vigários com rendimento garantido pelo Estado e, a longo prazo, a criação de uma nova diocese para as minas. O bispo de Olinda, Dom Francisco de Lima, reconhecia publicamente a impossibilidade de exercer jurisdição efetiva sobre um território tão vasto e populoso a partir de Pernambuco.[3]
  • O Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro continuou nesse período como a principal instituição de ensino e de assistência médica da capitania fluminense. Os jesuítas mantinham no morro do Castelo uma botica com medicamentos distribuídos gratuitamente à população pobre, uma escola elementar aberta a meninos de diferentes origens e um internato para estudantes de humanidades.[4]

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilLuís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710)
Governador da nova Capitania de SP e MGAntônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (1709–1713)

Ver também

Referências

  1. ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 106–117.
  2. ↑ FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Edusp, 2013, p. 102.
  3. ↑ TRINDADE, Cônego Raimundo. Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana. Rio de Janeiro: MES, 1945.
  4. ↑ CALAINHO, Daniela Buono. "Jesuítas e medicina no Brasil colonial". In: Tempo, Rio de Janeiro, n. 19, p. 61–75, 2005.