1710 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1710 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1710 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado por dois grandes conflitos em simultâneo: o início da Guerra dos Mascates em Pernambuco, confronto entre senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses do Recife; e a primeira invasão francesa ao Rio de Janeiro, liderada pelo corsário Jean-François Duclerc, que foi rechaçada pela resistência colonial. O bispo de Pernambuco, Manuel Álvares da Costa, assumiu o governo da capitania após a fuga do governador Sebastião de Castro Caldas. O ano de 1710 representou, portanto, um momento de aguda instabilidade na colônia: conflitos internos, ameaças externas e a urgente necessidade de organização institucional e eclesiástica das novas regiões auríferas.
Eventos
Início da Guerra dos Mascates
- Em fevereiro de 1710, os comerciantes de Recife inauguraram o Pelourinho e o prédio da Câmara Municipal da cidade, concretizando a separação administrativa de Olinda autorizada pelo rei dom João V em 1709. A elevação do Recife à condição de vila foi celebrada pelos mascates (como eram pejorativamente chamados os comerciantes portugueses) mas recebida com indignação pela aristocracia rural olindense, que via ameaçada sua hegemonia política na Capitania de Pernambuco.
- Forças olindenses lideradas pelo capitão-mor Pedro Ribeiro da Silva e pelo proprietário de engenho Bernardo Vieira de Melo, organizadas em Vitória de Santo Antão e reforçadas com contingentes de São Lourenço e Olinda, invadiram o Recife, demoliram o Pelourinho, rasgaram o Foral régio, libertaram os presos e perseguiram pessoas ligadas ao governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa. O governador — aliado dos mascates — foi vítima de um atentado a tiros em outubro de 1710 e fugiu para a Bahia, deixando o governo da capitania a cargo do bispo Manuel Álvares da Costa.[1]
O bispo assume o governo de Pernambuco
- Após a fuga do governador Castro Caldas, o bispo de Pernambuco, Dom Manuel Álvares da Costa, assumiu interinamente o governo da capitania — fato sem precedentes na história colonial e testemunho da centralidade da Igreja Católica como instituição de estabilidade social nos momentos de crise. O bispo empenhou-se em pacificar os ânimos, mediar entre os dois grupos em conflito e aguardar a chegada de um novo governador nomeado pelo rei. Ao final do conflito, seria o bispo a conceder o perdão eclesiástico aos olindenses revoltosos, ato ratificado anos depois pelo próprio dom João V.
A Batalha do Rio de Janeiro — Primeira invasão francesa
- Em meados de agosto de 1710, o corsário francês Jean-François Duclerc, no comando de seis navios e aproximadamente 1.200 homens, surgiu na barra da Baía de Guanabara hasteando pavilhões ingleses como disfarce. As fortalezas de Santa Cruz e São João, alertadas pela Metrópole, abriram fogo e repeliu a esquadra, que se deslocou para o litoral sul. Os franceses desembarcaram em Guaratiba e marcharam por terra em direção ao Rio de Janeiro.[2]
- Em 19 de setembro de 1710, no Largo do Carmo (atual Praça XV de Novembro), as tropas francesas encontraram resistência organizada pelos habitantes em armas. Destacou-se a ação dos estudantes do Colégio dos Jesuítas, instalado no morro do Castelo, que desceram armados para se juntar à defesa da cidade. A resistência, comandada pelo governador Francisco de Castro Morais, pelo frei Francisco de Menezes e por Bento do Amaral Coutinho, obrigou os franceses a renderem-se. Duclerc e mais de 600 homens foram feitos prisioneiros. A população carioca festejou entusiasticamente a vitória, e os estudantes jesuítas que participaram do combate foram celebrados como defensores da cidade.[3]
- Jean-François Duclerc foi colocado em prisão domiciliar na rua da Quitanda, no centro do Rio de Janeiro, onde foi misteriosamente assassinado em março de 1711 por um grupo de encapuzados — episódio que provocou a segunda invasão francesa ao Rio, agora bem-sucedida, em setembro de 1711.
Decreto régio sobre escravizados e Minas
- Em 10 de novembro de 1710, o rei dom João V expediu decreto determinando que não haveria mais restrições à condução de escravizados do Rio de Janeiro para Minas Gerais ou qualquer outro destino — revogando as limitações impostas por seu pai. A medida refletia a percepção de que a mão de obra escravizada era indispensável à expansão da mineração e que a restrição anterior, destinada a proteger as lavouras do litoral, penalizava mais a produção de ouro do que protegia a cana-de-açúcar.[4]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Luís César de Meneses, Conde de Ericeira (1705–1710) → Lourenço de Almada (a partir de 1710) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (1709–1713) |
| Governador interino de Pernambuco | Manuel Álvares da Costa, bispo de Pernambuco |
Ver também
- Guerra dos Mascates
- Batalha do Rio de Janeiro (1710)
- Jean-François Duclerc
- Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro
- Brasil colonial
- 1709 no Brasil
- 1711 no Brasil
Referências
- ↑ Impressões Rebeldes — UFF. Revolta dos Mascates. Rio de Janeiro: UFF, 2015. Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/revolta-dos-mascates/. Acesso em: 2026.
- ↑ Rio Memórias. Invasões francesas na Guanabara. Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://riomemorias.com.br/memoria/invasoes-francesas-na-guanabara/. Acesso em: 2026.
- ↑ MAISRIO. A Invasão do Corsário Jean-François Duclerc (1710). Rio de Janeiro. Disponível em: http://maisrio.com.br. Acesso em: 2026.
- ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 52.
