1712 no Brasil

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Décadas:
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  • década de 1720
  • década de 1730
Ver também: Outros eventos de 1712
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1712 foi um ano bissexto do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela escolha de Mariana como primeira capital da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro — o maior território administrativo do Brasil colonial da época —, pela continuidade do ciclo do ouro e pelo aprofundamento da estrutura eclesiástica nas vilas recém-criadas de Minas Gerais. Em Lisboa, o rei dom João V acelerou as negociações diplomáticas que resultariam no Tratado de Utrecht de 1713, pondo fim à Guerra de Sucessão Espanhola e redefinindo fronteiras coloniais de Portugal tanto no norte do Brasil quanto no sul, junto ao Rio da Prata.

Eventos

Mariana escolhida como capital da capitania

  • Em 1712, o arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo — elevado à condição de vila no ano anterior, em 1711 — foi escolhido pelo governador da capitania, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, como a primeira sede administrativa da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. O arraial passaria a ser denominado, a partir desse ponto, Vila do Ribeirão do Carmo e concentraria o poder político sobre um território que abrangia os atuais estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso — a capitania mais populosa e estrategicamente mais valiosa da colônia naquele momento. A escolha sinalizava o reconhecimento da importância econômica das minas e a necessidade de uma sede administrativa próxima ao coração do ciclo do ouro.[1]

A Igreja e a organização das primeiras vilas

  • Com a criação formal das vilas, os párocos das igrejas matrizes passaram a ter um papel institucional explícito: eram os responsáveis pelos registros de nascimento, casamento e óbito da população, funções que não existiam em nenhum outro âmbito da administração colonial. Em Mariana, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção — construída inicialmente como uma simples capela de taipa pelo minerador Antônio Pereira Machado em 1704 — tornou-se o centro espiritual e documental da nova capital da capitania.[3]
  • Os franciscanos da Custódia de Santo Antônio do Brasil, presentes na região das minas desde os primeiros anos do século XVIII, participaram ativamente da fundação das capelas dos arraiais que não tinham ainda sido elevados a vilas. Nesse período, a construção de uma capela era o ato fundador de qualquer novo arraial: os moradores se reuniam em torno da Igreja, que passava a definir o centro geográfico, social e administrativo do lugar. A escolha do orago (o santo padroeiro) da nova capela era geralmente decidida pelos mineradores locais, criando uma rica diversidade de devoções nos arraiais mineiros.[4]

Negociações diplomáticas em Utrecht

  • Em 1712, iniciaram-se formalmente as negociações diplomáticas em Utrecht, na Holanda, destinadas a encerrar a Guerra de Sucessão Espanhola (1702–1713). O representante português, Luís da Cunha, negociou os interesses da Coroa tanto no norte do Brasil — onde a questão da fronteira com a Guiana Francesa estava em aberto desde 1697 — quanto no sul, onde a Colônia de Sacramento havia sido tomada pela Espanha em 1705. As negociações revelariam a importância estratégica da colônia brasileira para a política externa de Portugal naquele momento.

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilPedro de Vasconcelos e Sousa, Conde de Castelo Melhor (1711–1714)
Governador da Capitania de SP e MGAntônio de Albuquerque Coelho de Carvalho (1709–1713)

Ver também

Referências

  1. ↑ MAISMINAS. Mariana: o berço de Minas Gerais — a história da primeira capital mineira. Disponível em: https://maisminas.org/mariana-o-berco-de-minas-gerais/. Acesso em: 2026.
  2. ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 168.
  3. ↑ CATEDRAL DA SÉ DE MARIANA. In: Olhares por Minas. Disponível em: https://www.olharesporminas.com/catedral-da-se-patrimonio-de-mariana. Acesso em: 2026.
  4. ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 33.