1715 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1715 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1715 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela assinatura do segundo Tratado de Utrecht, em 6 de fevereiro, entre Portugal e a Espanha, que restituiu a Colônia do Sacramento à Coroa portuguesa, reafirmando a presença lusa na região do Rio da Prata. O território da Colônia do Sacramento — posição estratégica no estuário platino, fundamental para o comércio com o Vice-Reino do Peru — havia sido tomado pelas forças espanholas em 1705, durante a Guerra de Sucessão Espanhola. Sua devolução representou um triunfo diplomático de Portugal e recolocou em pauta a disputa com a Espanha pelo controle do sul do Brasil e do Prata, que duraria até o Tratado de Madri de 1750 e o Tratado de Santo Ildefonso de 1777.
Eventos
Segundo Tratado de Utrecht: devolução da Colônia do Sacramento
- Em 6 de fevereiro de 1715, foi assinado em Utrecht o tratado entre Portugal e a Espanha que encerrou formalmente as hostilidades entre os dois reinos no contexto da Guerra de Sucessão Espanhola. O principal resultado para o Brasil foi a devolução da Colônia do Sacramento — estabelecimento português fundado em 1680 na margem esquerda do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires — que havia sido ocupado pelos espanhóis em 1705. Portugal, por sua vez, devolveu à Espanha os municípios europeus de Albuquerque e Puebla de Sanabria.[1]
- A Colônia do Sacramento era um ponto de comércio fundamental: através dela, mercadores portugueses e brasileiros trocavam manufaturas europeias por prata proveniente das minas de Potosí, no atual Bolívia, burlando o sistema de monopólio espanhol. Sua recuperação era, portanto, de interesse econômico tanto para a metrópole quanto para os comerciantes do Rio de Janeiro, que controlavam as rotas do comércio platino. A Espanha nunca aceitou de bom grado a presença portuguesa na região e a disputaria novamente nas décadas seguintes.[2]
Consolidação das vilas de Minas Gerais
- Em 1715, as quatro vilas criadas em 1711 nas regiões auríferas de Minas Gerais — Mariana, Vila Rica, Sabará e São João del-Rei — já apresentavam perfis urbanos distintos. Vila Rica era o maior aglomerado urbano da capitania, com ruas calçadas em fragmentos irregulares de quartzito, igrejas em construção e um comércio ativo de instrumentos de mineração, víveres e artigos importados trazidos por tropeiros. A estrutura fiscal do quinto já funcionava com relativa regularidade, e a produção de ouro estava no início da fase de máxima expansão que se estenderia até a década de 1750.[3]
As irmandades leigas e o papel social da Igreja
- Em 1715, as irmandades religiosas das minas desempenhavam um papel social que ía muito além da vida espiritual. As irmandades do Santíssimo Sacramento, presentes em todas as vilas e arraiais com paróquia regular, eram responsáveis pelos ornamentos da Igreja Matriz, pelas procissões do Corpus Christi e pela exposição solene do Santíssimo. Além disso, as irmandades de Nossa Senhora do Rosário, exclusivamente compostas por escravizados e libertos, arrecadavam fundos para comprar a alforria de seus membros — prática que foi documentada em dezenas de registros notariais das vilas mineiras do início do século XVIII.[4]
- Os párocos das igrejas matrizes de Minas Gerais eram, nesse período, os únicos servidores públicos com presença permanente e regular em todos os arraiais. Na ausência de médicos, farmacêuticos e notários, o padre acumulava funções: registrava nascimentos e mortes, orientava em disputas de herança, administrava sacramentos e, frequentemente, mediava conflitos entre vizinhos. Essa centralidade da figura do pároco na vida colonial das minas foi documentada em múltiplas cartas e relatórios enviados pelos governadores da capitania ao rei dom João V.[5]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, Marquês de Angeja (1714–1718) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Brás Baltazar da Silveira (1713–1717) |
Ver também
Referências
- ↑ HISTORIAESOCIEDADE. O que foi o Tratado de Utrecht e a sua relação com as colônias europeias na América. Disponível em: https://www.historiaesociedade.com.br/post/o_que_foi_o_tratado_de_utrecht. Acesso em: 2026.
- ↑ FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 52.
- ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 200.
- ↑ SCARANO, Julita. Devoção e Escravidão: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos no Distrito Diamantino no Século XVIII. São Paulo: Nacional, 1975.
- ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 55.
