1716 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1716 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1716 foi um ano bissexto do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela consolidação das estruturas administrativas das regiões mineradoras de Minas Gerais e pelo crescimento contínuo da produção aurífera, que atingiria seu ápice nas décadas seguintes. As comunicações entre as vilas das minas e o litoral intensificaram-se com a abertura de novas veredas e caminhos tropeiros, e o Rio de Janeiro consolidou-se como o principal porto de escoamento do ouro e de importação de escravizados africanos para as regiões mineradoras. Em Portugal, o rei dom João V, fortalecido pela riqueza do ouro brasileiro, iniciava a fase mais ambiciosa de suas obras em Lisboa, financiadas diretamente com o ouro colonial.
Eventos
O ouro e a transferência de riqueza para Lisboa
- Em 1716, o fluxo de ouro do Brasil para Portugal já era suficientemente volumoso para alterar profundamente a economia da metrópole. O rei dom João V utilizava as receitas auríferas para construir o Convento de Mafra, patrocinar as artes e financiar a diplomacia portuguesa em Roma, onde ambicionava obter do papa Clemente XI o título de Patriarca para o arcebispo de Lisboa e outros privilégios eclesiásticos. Em 1716, obteve do papa a elevação da Diocese de Lisboa ao status de Patriarcado, distinção sem precedentes entre as monarquias europeias da época.[1]
- Estimativas históricas sugerem que, entre 1700 e 1750, saíram do Brasil para Portugal mais de 400 toneladas de ouro, correspondendo a aproximadamente metade da produção mundial do metal no período. Grande parte desse ouro acabou financiando o déficit comercial português com a Grã-Bretanha, decorrente do Tratado de Methuen de 1703, enriquecendo os banqueiros e industriais ingleses que forneciam tecidos, armas e manufaturas a Portugal.[2]
Caminhos e tropas: a logística do ouro
- O grande desafio logístico da capitania em 1716 era garantir o abastecimento das vilas mineradoras, que dependiam de longas cadeias de abastecimento para receber alimentos, ferramentas, sal e escravizados. Os tropeiros — condutores de tropas de muares que carregavam mercadorias pelas serras e brejos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro — tornaram-se uma das categorias profissionais mais importantes da colônia. A partir das vilas tropeiras de Sorocaba (SP) e das fazendas de criação do sertão, saíam anualmente milhares de animais em direção às minas.[3]
A Igreja e o ensino nas vilas coloniais
- Em 1716, os jesuítas mantinham no Rio de Janeiro o principal estabelecimento de ensino da colônia: o Colégio de São Sebastião do Rio de Janeiro, no morro do Castelo, que funcionava como escola primária, escola de humanidades e seminário menor. O colégio ensinava latim, retórica, filosofia e matemática a estudantes de diferentes origens, incluindo filhos de colonos pobres que eram admitidos gratuitamente. Nenhuma outra instituição de ensino sistemático existia nas regiões mineradoras — os filhos dos mineradores mais ricos precisavam viajar ao Rio de Janeiro ou a Salvador para estudar, ou ser educados por tutores particulares, frequentemente sacerdotes.[4]
- As irmandades dos pretos de Minas Gerais nesse período acumularam um papel inédito de resistência cultural: preservavam rituais, línguas e músicas de origem africana dentro do quadro permitido pelo catolicismo. As festas de coroação de "Reis e Rainhas do Congo", organizadas pelas irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, constituíam um espaço de afirmação da identidade africana que a Igreja, ao contrário do que se poderia supor, tolerava e muitas vezes patrocinava, reconhecendo nessas celebrações um instrumento de evangelização e estabilidade social.[5]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, Marquês de Angeja (1714–1718) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Brás Baltazar da Silveira (1713–1717) |
Ver também
Referências
- ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII, p. 312.
- ↑ FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, cap. IX.
- ↑ LUNA, Francisco Vidal; KLEIN, Herbert S. Escravismo no Brasil. São Paulo: Edusp, 2010, p. 73.
- ↑ CALAINHO, Daniela Buono. "Jesuítas e medicina no Brasil colonial". In: Tempo, Rio de Janeiro, n. 19, p. 61–75, 2005.
- ↑ SCARANO, Julita. Devoção e Escravidão. São Paulo: Nacional, 1975, p. 43.
