1717 no Brasil

←
1717
no
Brasil
→
Milênios:
Séculos:
  • Século XVI
  • Século XVII
  • Século XVIII
  • Século XIX
  • Século XX
Décadas:
  • década de 1690
  • década de 1700
  • década de 1710
  • década de 1720
  • década de 1730
Ver também: Outros eventos de 1717
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1717 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela mudança de governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, com a posse de Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, o futuro Conde de Assumar, que encontraria nas minas uma situação de crescente tensão fiscal. Em Portugal, o rei dom João V iniciou negociações para a criação de um Patriarcado de Lisboa com prerrogativas inéditas, utilizando a riqueza do ouro brasileiro como moeda de troca diplomática com a Santa Sé. Nas minas, as denúncias sobre o clero diocesano — que vivia de forma frequentemente irregular e se envolvia no tráfico e na sonegação do ouro — chegaram com mais frequência ao conhecimento do governador e do bispo de Olinda.

Eventos

Posse do Conde de Assumar

  • A medida das Casas de Fundição era profundamente impopular entre os mineradores, que temiam perder a flexibilidade de usar o ouro em pó como moeda corrente nos arraiais. Em 1717, o simples anúncio da intenção de instalar as Casas já gerava agitação política nas vilas de Minas Gerais, com abaixo-assinados enviados ao governador e ao rei pedindo a revogação da medida.[1]

O Patriarcado de Lisboa e o ouro colonial

  • Em 1717, o rei dom João V recebeu do papa Clemente XI a bula que criava o Patriarcado de Lisboa, elevando o arcebispo da capital portuguesa ao status de patriarca — título até então reservado aos bispos das sedes apostólicas do Oriente (Antioquia, Alexandria, Jerusalém e Constantinopla). A distinção era excepcional entre as monarquias europeias e foi conquistada, em grande medida, por meio de generosas doações de dom João V à Cúria Romana, financiadas pelo ouro do Brasil. Em troca, Portugal obtinha do papa o direito de usar determinados rituais litúrgicos típicos das igrejas orientais nas celebrações da Corte, além de outras prerrogativas de prestígio.[2]

O clero nas minas e a questão da moralização

  • Em 1717, o governador Assumar elaborou um relatório extenso sobre o estado da Igreja nas minas, enviado ao rei e ao bispo de Olinda. O documento descrevia um clero diocesano frequentemente sem formação regular, vivendo em concubinato, envolvido em negócios mercantis e no tráfico de ouro em pó. Um dos pontos de conflito era que muitos sacerdotes usavam sua posição para introduzir ouro contrabandeado — escondido em imagens sacras ocas — pelas barreiras fiscais que o governo tentava instalar nas estradas.[3]
  • Para remediar essa situação, o governador reiterou ao rei a necessidade de criar um bispado próprio para Minas Gerais, com sede em Mariana, que supervisiona o clero local com proximidade e regularidade. O pedido, já feito por seus antecessores, só seria atendido em 1745, com a criação da Diocese de Mariana pelo papa Bento XIV, que se tornaria a primeira diocese do interior do Brasil.[4]

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilPedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, Marquês de Angeja (1714–1718)
Governador da Capitania de SP e MGPedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, futuro Conde de Assumar (1717–1721)

Ver também

Referências

  1. ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 113.
  2. ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII.
  3. ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 29.
  4. ↑ ROCHA, Dom Geraldo Lyrio. Breve história da Arquidiocese de Mariana. Faculdade Arquidiocesana de Mariana, 2019. Disponível em: http://inconfidentia.famariana.edu.br. Acesso em: 2026.