1717 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1717 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1717 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela mudança de governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, com a posse de Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, o futuro Conde de Assumar, que encontraria nas minas uma situação de crescente tensão fiscal. Em Portugal, o rei dom João V iniciou negociações para a criação de um Patriarcado de Lisboa com prerrogativas inéditas, utilizando a riqueza do ouro brasileiro como moeda de troca diplomática com a Santa Sé. Nas minas, as denúncias sobre o clero diocesano — que vivia de forma frequentemente irregular e se envolvia no tráfico e na sonegação do ouro — chegaram com mais frequência ao conhecimento do governador e do bispo de Olinda.
Eventos
Posse do Conde de Assumar
- Em 1717, assumiu o governo da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro o brigadeiro Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, que receberia mais tarde o título de Conde de Assumar — o mesmo personagem que, três anos depois, reprimiria com violência a Revolta de Vila Rica. Assumar era um militar experiente, com passagem pela Guerra de Sucessão Espanhola e pela governação em territórios ultramarinos. Tinha ordens expressas do rei para introduzir as Casas de Fundição nas minas — medida que obrigaria todos os mineradores a fundir o ouro extraído em barras na presença de funcionários régios, pagando o quinto de forma compulsória antes de qualquer circulação do metal.
- A medida das Casas de Fundição era profundamente impopular entre os mineradores, que temiam perder a flexibilidade de usar o ouro em pó como moeda corrente nos arraiais. Em 1717, o simples anúncio da intenção de instalar as Casas já gerava agitação política nas vilas de Minas Gerais, com abaixo-assinados enviados ao governador e ao rei pedindo a revogação da medida.[1]
O Patriarcado de Lisboa e o ouro colonial
- Em 1717, o rei dom João V recebeu do papa Clemente XI a bula que criava o Patriarcado de Lisboa, elevando o arcebispo da capital portuguesa ao status de patriarca — título até então reservado aos bispos das sedes apostólicas do Oriente (Antioquia, Alexandria, Jerusalém e Constantinopla). A distinção era excepcional entre as monarquias europeias e foi conquistada, em grande medida, por meio de generosas doações de dom João V à Cúria Romana, financiadas pelo ouro do Brasil. Em troca, Portugal obtinha do papa o direito de usar determinados rituais litúrgicos típicos das igrejas orientais nas celebrações da Corte, além de outras prerrogativas de prestígio.[2]
O clero nas minas e a questão da moralização
- Em 1717, o governador Assumar elaborou um relatório extenso sobre o estado da Igreja nas minas, enviado ao rei e ao bispo de Olinda. O documento descrevia um clero diocesano frequentemente sem formação regular, vivendo em concubinato, envolvido em negócios mercantis e no tráfico de ouro em pó. Um dos pontos de conflito era que muitos sacerdotes usavam sua posição para introduzir ouro contrabandeado — escondido em imagens sacras ocas — pelas barreiras fiscais que o governo tentava instalar nas estradas.[3]
- Para remediar essa situação, o governador reiterou ao rei a necessidade de criar um bispado próprio para Minas Gerais, com sede em Mariana, que supervisiona o clero local com proximidade e regularidade. O pedido, já feito por seus antecessores, só seria atendido em 1745, com a criação da Diocese de Mariana pelo papa Bento XIV, que se tornaria a primeira diocese do interior do Brasil.[4]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, Marquês de Angeja (1714–1718) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, futuro Conde de Assumar (1717–1721) |
Ver também
Referências
- ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 113.
- ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII.
- ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 29.
- ↑ ROCHA, Dom Geraldo Lyrio. Breve história da Arquidiocese de Mariana. Faculdade Arquidiocesana de Mariana, 2019. Disponível em: http://inconfidentia.famariana.edu.br. Acesso em: 2026.
