1721 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1721 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1721 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela posse do novo governador da Capitania de Minas Gerais, Lourenço de Almeida, que substituiu o impopular Conde de Assumar após a repressão da Revolta de Vila Rica. Lourenço de Almeida encontrou uma capitania ainda perturbada pelos ecos do conflito de 1720 e pela instalação progressiva das Casas de Fundição, que os mineradores continuavam a resistir. No extremo oeste, a corrida aurífera em direção ao Cuiabá se intensificava, atraindo levas de bandeirantes e escravizados em expedições de meses de duração pelas matas do Mato Grosso. Em Portugal, o rei dom João V avançava na construção do Convento de Mafra, obra financiada diretamente com o ouro colonial.
Eventos
Posse de Lourenço de Almeida
- Em 1721, assumiu o governo da recém-criada Capitania de Minas Gerais o Lourenço de Almeida, filho do vice-rei de Portugal e homem experiente na administração colonial. Almeida substituiu o Conde de Assumar — que partia para Portugal, onde receberia o título de Marquês de Alorna — e encontrou uma situação delicada: os líderes da Revolta de Vila Rica que não haviam sido executados encontravam-se exilados ou presos em Lisboa, e o clima de desconfiança entre a população local e a Coroa permanecia tenso. Sua primeira medida foi reunir representantes das câmaras das principais vilas para discutir formas alternativas à instalação das Casas de Fundição, propondo o sistema da "finta" — uma quota anual fixa de arrobas de ouro entregue à Coroa, independentemente da produção individual.[1]
A corrida aurífera do Cuiabá
- Em 1721, as expedições em direção ao Cuiabá — iniciadas em 1718 e aceleradas pela descoberta de 1719 — tornaram-se um fenômeno de massa. Levas de bandeirantes paulistas, comerciantes e escravizados partiam de Sorocaba e percorriam o longo caminho fluvial pelos rios Tietê, Paraná e Cuiabá em canoas, enfrentando doenças, ataques de populações indígenas e as enormes distâncias da floresta. A expedição era tão longa — meses de viagem nos dois sentidos — que criou uma forma de comércio itinerante especializado, com canoeiros, pilotos de rio e comerciantes que intermediavam o abastecimento das minas mato-grossenses.[2]
A Igreja e o Convento de Mafra
- Em 1717, o rei dom João V havia feito um voto: se lhe nascesse um herdeiro, mandaria construir em Portugal um convento de proporções monumentais. Nascidos os filhos, o rei cumpriu a promessa: em 17 de novembro de 1717 foi lançada a primeira pedra do Convento de Mafra, e em 1721 as obras avançavam rapidamente. O convento, projetado pelo arquiteto alemão Johann Friedrich Ludwig, seria uma das maiores construções do século XVIII na Europa ocidental, reunindo convento, palácio e basílica num único complexo. Seu custo foi financiado quase integralmente pelo ouro extraído das minas do Brasil, e a obra empregou nas décadas seguintes dezenas de milhares de trabalhadores portugueses e italianos.[3]
- Em Minas Gerais, o período posterior à revolta foi também um momento de intensa atividade religiosa de caráter construtivo. As principais igrejas das vilas mineiras — que até então existiam como modestas construções de taipa — começaram a ser reedificadas em pedra e cal, com projetos que incorporavam elementos da arquitetura barroca portuguesa. A Igreja do Pilar em Vila Rica, iniciada nesse período, tornaria-se uma das mais ricas igrejas da América colonial em decoração de talha dourada, símbolo da riqueza proporcionada pelo ouro das minas.[4]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Vasco Fernandes César de Meneses (1720–1735) |
| Governador da Capitania de Minas Gerais | Lourenço de Almeida (1721–1732) |
Ver também
Referências
- ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 273.
- ↑ EDUCABRAS. Mineração no Brasil Colonial. Disponível em: https://www.educabras.com/aula/mineracao-no-brasil-colonial. Acesso em: 2026.
- ↑ MATTOSO, José (dir.). História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993, v. VIII, p. 321.
- ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 79.
