1722 no Brasil

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Milênios:
Séculos:
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Décadas:
  • década de 1700
  • década de 1710
  • década de 1720
  • década de 1730
  • década de 1740
Ver também: Outros eventos de 1722
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1722 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela publicação, em Lisboa, da obra Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, do jesuíta André João Antonil, que havia sido impressa originalmente em 1711 mas imediatamente confiscada pela Coroa portuguesa — que temeu que suas descrições detalhadas das riquezas coloniais atraíssem o interesse de potências estrangeiras. Em Minas Gerais, o governador Lourenço de Almeida negociava com as câmaras das vilas a substituição das Casas de Fundição pelo sistema da capitação — um imposto fixo por escravizado empregado nas minas —, buscando uma alternativa menos impopular à tributação do ouro. No Mato Grosso, as expedições ao Cuiabá se multiplicavam e a produção de ouro da nova região começava a ser registrada pelas autoridades coloniais.

Eventos

Cultura e Opulência do Brasil: segunda impressão

  • Em 1711, o jesuíta André João Antonil — pseudônimo do padre italiano Giovanni Antonio Andreoni — publicou em Lisboa, nas oficinas de Deslandres, sua obra Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. O livro, dividido em quatro partes (sobre o açúcar, o tabaco, o couro e o ouro), era o mais completo inventário econômico do Brasil colonial já redigido até então. Descrevia com riqueza de detalhes as técnicas de produção, os caminhos do ouro, os preços nas minas e as condições de vida dos escravizados. A Coroa portuguesa, alarmada com a possibilidade de que a obra revelasse a estrangeiros a extensão da riqueza colonial, ordenou imediatamente o confisco e a destruição de todos os exemplares disponíveis.[1]
  • Apesar do confisco de 1711, alguns exemplares sobreviveram e a obra foi reimpressa — segundo alguns bibliógrafos, uma segunda edição circulou por volta de 1722, enriquecendo o debate colonial sobre a tributação e a administração das minas. Em todo caso, as edições subsequentes, publicadas no século XIX e XX, tornaram a obra de Antonil um dos pilares da historiografia colonial brasileira.[2]

Negociações sobre a tributação do ouro

  • Em 1722, o governador Lourenço de Almeida avançou nas negociações com as câmaras de Vila Rica, Mariana e Sabará para substituir o sistema das Casas de Fundição — cuja instalação havia provocado a Revolta de Vila Rica em 1720 — pelo sistema da capitação, um imposto cobrado por cabeça (caput) de escravizado empregado nas minas. O governador propunha que cada escravizado nas minas pagasse anualmente uma contribuição fixa, prescindindo do sistema de fundição e selagem. As câmaras, por sua vez, propunham a manutenção do sistema de finta — uma quota coletiva de arrobas de ouro —, que era menos invasivo para os mineradores individuais. A questão não seria resolvida definitivamente até a implantação da capitação em 1735.[3]

A expansão do ciclo do ouro para o Mato Grosso

  • Em 1722, o ouro do Cuiabá já atraía expedições organizadas de São Paulo e Minas Gerais. A distância e as dificuldades de abastecimento tornavam a mineração cuiabana extremamente custosa, mas o volume de ouro encontrado era suficiente para compensar os riscos. Os jesuítas da Companhia de Jesus enviaram os primeiros missionários à região do Cuiabá nesse período, abrindo capelas nos novos acampamentos mineradores e ministrando sacramentos à população de mineradores, comerciantes e escravizados que se acumulava às margens do rio.[4]

Irmandades e construção religiosa em Minas Gerais

  • Em 1722, o processo de construção das principais igrejas barrocas de Minas Gerais estava em plena expansão. As irmandades leigas — que financiavam a construção e o ornamento das igrejas por meio de contribuições mensais de seus irmãos e de legados testamentários — competiam entre si pelo esplendor de suas capelas. Em Vila Rica, as irmandades do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Pilar e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos mobilizavam centenas de membros e recursos consideráveis na edificação e ornamentação de suas respectivas igrejas. Esse mecenato religioso coletivo produziria, nas décadas seguintes, o extraordinário conjunto da arte barroca mineira — incluindo as obras do escultor Aleijadinho (n. 1730) — que seria declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1980 com o tombamento de Ouro Preto.[5]

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilVasco Fernandes César de Meneses (1720–1735)
Governador da Capitania de Minas GeraisLourenço de Almeida (1721–1732)

Ver também

Referências

  1. ↑ ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa: Oficina Real Deslandesiana, 1711. Reedição moderna: São Paulo: Edusp, 2007.
  2. ↑ ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. São Paulo: Edusp, 2007. Introdução de Andrée Mansuy Diniz Silva.
  3. ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 285.
  4. ↑ KERN, Arno Alvarez. Missões: uma utopia política. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982, p. 210.
  5. ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 86–92.