1729 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1729 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1729 no Brasil corresponde aos eventos ocorridos no território da América Portuguesa durante o ano de 1729, marcado pela oficialização da descoberta de diamantes no Arraial do Tijuco, pela intervenção régia sobre a exploração das pedras preciosas e pela continuação da colonização do interior do Brasil.
Contexto político e administrativo
Dom Lourenço de Almeida governava a Capitania de Minas Gerais. Em julho de 1729, ele deu um passo decisivo ao enviar a Portugal seu próprio representante — Bernardo da Fonseca Lobo, acompanhado de uma caixa com diamantes — para oficializar perante o rei dom João V a existência das jazidas diamantíferas na comarca do Serro Frio. Dom João V recebeu Bernardo Fonseca Lobo em sua corte, e a notícia foi confirmada oficialmente.[1]
A confirmação oficial desencadeou uma série de medidas da Coroa Portuguesa. Dom João V cancelou todas as concessões particulares de exploração e instituiu o monopólio régio sobre os diamantes brasileiros, proibindo a livre exploração e determinando formas de controle a serem regulamentadas.[2]
Oficialização dos diamantes do Tijuco
A descoberta das jazidas diamantíferas no Arraial do Tijuco representou uma das mais significativas transformações econômicas do Brasil colonial. Embora os diamantes fossem encontrados e explorados clandestinamente desde aproximadamente 1720, foi em 1729 que a Coroa Portuguesa reconheceu oficialmente sua existência e passou a intervir diretamente no setor.
A riqueza das jazidas era extraordinária: a região do rio Jequitinhonha e seus afluentes produziria, nas décadas seguintes, mais de três milhões de quilates, transformando o Brasil no maior produtor mundial de diamantes do século XVIII e causando uma queda significativa no preço internacional das pedras.[3]
Bernardo da Fonseca Lobo, reconhecido como o principal responsável por comunicar a descoberta, esperava ser recompensado com um posto de vice-rei. Dom João V, no entanto, concedeu-lhe apenas o cargo de tabelião e capitão-mor da Vila do Príncipe, cargo que Bernardo logo abandonou por não lhe garantir sustento adequado.[4]
Mineração do ouro
O ouro continuava a ser o principal motor econômico do Brasil colonial. O vice-rei conde de Sabugosa relatou em 1729 que localidades como Rio das Contas e Jacobina, na Bahia, estavam quase desertas, pois sua população havia migrado para as regiões mineradoras mais promissoras de Minas Gerais e Goiás.[5]
Igreja Católica
A descoberta oficial dos diamantes foi recebida em Lisboa com celebrações religiosas. Segundo o historiador J. M. Pereira da Silva, o achado das riquezas brasileiras motivou festas, Te Deums e procissões em todo o reino português, sinalizando como a religião católica era mobilizada para legitimar e celebrar os sucessos imperiais da Coroa.[6]
No Brasil, as missões jesuítas, carmelitas e franciscanas continuavam sua atividade de catequese, especialmente na Amazônia e no Nordeste, onde os aldeamentos indígenas permaneciam sob a tutela das ordens religiosas. Na Capitania do Maranhão, o governo de Alexandre de Sousa Freire (1728–1732) conviveu com a presença missionária como eixo da política indigenista.
Ver também
Referências
- ↑ Arquivo Nacional. «Diamante». História Luso-Brasileira. Disponível em: http://historialuso.arquivonacional.gov.br. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Uggi. «Diamantina». Disponível em: https://www.uggi.com.br/diamantina-mg. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Pesquisa reconstitui a história dos dois maiores diamantes encontrados no Brasil Colonial. CNPq. Disponível em: https://www.gov.br/cnpq/pt-br/assuntos/noticias/atualidades. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Contos de Diamantina. «O Descobridor dos Diamantes». Disponível em: https://contosdediamantina.webnode.pt/o-descobridor-dos-diamantes/. Acesso em mar. 2026.
- ↑ A. J. R. Russell-Wood. «O Brasil Colonial: o Ciclo do Ouro, c. 1690–1750». In: A D E S C O B E R T A. Disponível em: https://docs.ufpr.br/~lgeraldo/historiadobrasil/russelwood.pdf. Acesso em mar. 2026.
- ↑ Tribunal de Justiça de Minas Gerais. «Contexto Histórico». Portal TJMG. Disponível em: https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/noticias/chica-da-silva/contexto-historico.htm. Acesso em mar. 2026.
