Almodôvar
| Almodôvar | |
![]() Rua de Almodôvar
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| Gentílico | almodovarense |
| Área | 777,88 km² |
| População | 6 694 hab. (2021) |
| Densidade populacional | 8,6 hab./km² |
| N.º de freguesias | 6 |
| Presidente da câmara municipal |
José Tadeu Freitas (PPD.PSD, 2025-2029) |
| Fundação do município (ou foral) |
1285 |
| Região (NUTS II) | Alentejo |
| Sub-região (NUTS III) | Baixo Alentejo |
| Distrito | Beja |
| Província | Baixo Alentejo |
| Orago | Santo Ildefonso |
| Feriado municipal | 24 de Junho |
| Código postal | 7700 |
| Sítio oficial | cm-almodovar.pt |
Almodôvar é uma vila portuguesa pertencente ao distrito de Beja, região do Alentejo (NUT II) e sub-região do Baixo Alentejo (NUT III), com cerca de 3 000 habitantes (2021).[1]
É sede do município homónimo que tem 777,88 km² de área[2] e 6.694 habitantes (2023),[3] e encontra-se subdividido em 6 freguesias.[4]
O município é limitado a norte pelo município de Castro Verde, a este por Mértola, a sudeste por Alcoutim, a sul por Loulé, a sudoeste por Silves e a oeste e noroeste por Ourique.
Caracterização
Geografia
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O município de Almodôvar está situado entre a Serra do Caldeirão e a planície alentejana. Dista 64 quilómetros da capital de distrito, 74 quilómetros de Faro, e 214 quilómetros de Lisboa.
Com aproximadamente 778 km² de superfície, um terço do seu território, situado mais a norte e a que correspondem as freguesias de Aldeia dos Fernandes, Rosário e parte da União de Freguesias de Almodôvar e Graça de Padrões, é plano e pouco arborizado.
Os restantes dois terços situam-se mais a sul e são constituídos pela serra revestida de uma vegetação abundante, onde se destaca a esteva, o medronheiro, o sobreiro e a azinheira, e a que correspondem 4 das 6 freguesias: Almodôvar, União de Freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, Santa Cruz e São Barnabé (onde se situa o Pico do Mú, um dos locais mais altos de toda a Serra do Caldeirão). As suas principais riquezas são a cortiça, a aguardente de medronho, o queijo de cabra e o mel. A população aqui é dispersa e vive destas atividades, que desenvolve em paralelo com a pequena agricultura.[5]
No concelho nascem várias linhas de água, destacando-se o Rio Mira e a Ribeira de Odelouca.[6] Outra importante linha de água no concelho é o Rio Vascão.[7]
Economia
As atividades com maior expressão económica são o cultivo de cereais de sequeiro, a criação de gado bovino, ovino e suíno, a produção de leite e queijo de ovelha e a apicultura.
Nos concelhos de Almodôvar e de Castro Verde situa-se um importante jazigo de cobre e estanho, integrado da Faixa Piritosa Ibérica,[8] e que é explorado pelo complexo mineiro de Neves-Corvo, situado no concelho de Castro Verde, embora apenas a cerca de meio quilómetro da aldeia de Nossa Senhora da Graça de Padrões, já em Almodôvar.[9]
Clima
O clima apresenta características mediterrânicas, com verões quentes e secos e invernos frios e pouco chuvosos. As amplitudes térmicas são acentuadas, a denotar um carácter continental que se acentua à medida que caminhamos para leste, afastando‐nos do efeito regulador do Atlântico.[10] A temperatura média é 15.9 °C. O mês mais quente do ano é agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. A temperatura média em janeiro é de 10.0 °C, sendo a temperatura média mais baixa de todo o ano.[11]
A pluviosidade é pouco significativa, aumentando gradualmente de norte para sul. À escassez de pluviosidade, há que acrescentar a forte sazonalidade da precipitação e uma grande variabilidade interanual.[10] A pluviosidade média anual é de 576 mm.[11]
Freguesias
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O município de Almodôvar está dividido em 6 freguesias:
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História

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Pré-história e período romano
De acordo com os vestígios arqueológicos, o território correspondente ao concelho de Almodôvar tem ocupação humana desde há cerca de 3 mil anos a.C..[12] Entre os principais vestígios pré-históricos, incluem-se várias antas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, a Estela de Monte Gordo, no Rosário, e diversos tholos em São Barnabé, estes últimos do Calcolítico.[12]
A ocupação humana atingiu uma especial expressividade durante as Idades do Bronze e do Ferro, como se pode constatar pela presença de várias estelas funerárias, algumas delas ostentando a Escrita do sudoeste, que é considerada como a escrita mais antiga na Península Ibérica, datando dos séculos VIII a V a.C.[12] Várias destas peças foram preservadas no Museu da Escrita do Sudoeste, na sede do concelho.[12] Um dos monumentos deste período é a Necrópole do Monte Branco, provavelmente construída há cerca de três mil anos atrás, durante a fase de transição entre as idades do Bronze e Ferro.[13] Terá sido também na Idade do Ferro que nasceu a povoação que viria depois a ser conhecida como Almodôvar.[12]
O território conheceu depois um franco desenvolvimento durante o período romano, devido principalmente às suas condições geográficas estratégicas, sendo percorrido por importantes caminhos tanto de Sul para Norte como de ocidente para oriente.[12]
Uma das estradas provavelmente atravessaria a Ribeira de Cobres numa ponte, situada no mesmo local onde foi posteriormente construída a Ponte da Ribeira de Cobres.[14] Os vestígios romanos incluem uma rede de fortificações ao longo do percurso da Ribeira de Oeiras, uma barragem em terra batida, a Necrópole do Monte Novo do Castelinho, uma mina em Brancanes, e o importante Povoado das Mesas do Castelinho, onde ainda são visíveis vários edifícios e uma estrutura viária ortogonal.[12]
José Garcia de Lima, na sua obra Arquivo Histórico de Portugal, refere que segundo alguns autores, a vila de Almodôvar já existia no período romano, apontando como testemunho desta hipótese a circunstância de terem sido encontradas muitas medalhas romanas e islâmicas na Herdade da Horta das Mouras em 1799, tendo algumas delas sido cedidas à Academia Real das Ciências.[15]
Períodos visigótico e islâmico
A ocupação humana continuou após o final do domínio romano, tendo sido encontrados apenas alguns testemunhos deste período, identificados como paleocristãos ou visigóticos, estando então integrada nas dioceses de Ossónoba e Paca.[12] Segundo a obra Album Alentejano, alguns autores referem que a povoação já existia no século VIII.[16]
O território entrou numa nova fase de impulso durante a época islâmica, com o estabelecimento de vários povoados, conhecidos como alcarias ou cortes, que permaneceram em vários topónimos da região.[12] Por exemplo, na área dos Alcariais dos Guerreiros de Cima, na freguesia de Gomes Aires, foram encontrados materiais correspondentes a uma comunidade que perdurou entre os séculos IX e XIII, principalmente nos séculos X e XI.[12] Foi também nesta cronologia que o povoado de Almodôvar se começou a desenvolver, com a instalação de uma fortaleza, conhecida no idioma islâmico como almudaûár, que significa casa ou castelo redondo.[12] Uma teoria semelhante foi avançada por José Garcia de Lima, que mencionou que a vila «foi fundada pelos mouros no tempo da dominação, os quaes lhe deram nome concordante com a figura que a povoação descrevia, que por ser circular mais ou menos regularmente e cercada de muralhas, foi chamada «Al-mudanar», do verbo «danara» (arrendondar ou cercada em redondo), e d'ahi por aportuguezamento do termo se estabeleceu aquelle pelo qual é conhecida».[15] Refere igualmente que já durante a era islâmica se praticava a apicultura, principalmente para a produção de cera.[6]
A Ponte da Ribeira de Cobres foi provavelmente construída nos séculos XII ou XIII.[14]
Reconquista
Segundo Garcia de Lima, parte dos combates da mítica Batalha de Ourique, em que o rei D. Afonso Henriques terá derrotado cinco comandantes mouros, ter-se-ão dado no território de Almodôvar.[6] Segundo a lenda, após a vitória, o monarca dividiu o controlo da região pelos guerreiros que mais se distinguiram na batalha, como era prática na época, tendo a antiga freguesia de São Sebastião sido entregue a Gomes Aires, que a povou em 1170, passando a ter o seu nome.[6]
A povoação de Almodôvar foi tomada pelas forças cristãs entre 1238, quando foi conquistada Mértola, e 1245, com a a reconquista de Marachique.[12] Garcia de Lima refere que não existiam quaisquer registos da conquista do castelo em si, pelo que avançou a teoria de as tropas islâmicas teriam abandonado o castelo, quando este se viu cercado por outros já controlados pelos cristãos.[6] O primeiro foral de Almodôvar foi concedido em 17 de Abril de 1285 pelo rei D. Dinis, elevando assim a Póvoa de Almodôvar a sede de concelho.[12] Segundo Garcia de Lima, este documento previa certos privilégios pouco comuns, como a total isenção de portagem para os moradores e o seu gado, e de pagamento de montados.[6] Em 1297 o território passou a ser administrado pela Ordem de Santiago,[12] cuja comenda foi concedida por D. Dinis.[16] Aquela ordem religiosa também entregou um foral a Santa Bárbara de Padrões, que então constituía um concelho próprio.[6] Com estas medidas, tentou-se recuperar a região, tanto do ponto de vista da economia como da população residente, que tinham sido duramente atingidos pela instabilidade durante o período da reconquista.[12] Garcia de Lima refere que a povoação, então conhecida como Povoa de Almodovar, continuou a ter alguma importância nos primeiros anos após a reconquista, por contar com uma «praça forte, com bom castello e cercada de muralhas, solidas como os mouros sabiam construir».[15] No entanto, o foral deu pouco resultado, e as fortificações, devido à falta de manutenção, foram-se degradando, restando delas apenas algumas ruínas nos finais do século XIX.[6] Indica igualmente que Almodôvar «mais tarde teve como donatarios os marquezes de Valença».[6]
Séculos XIV a XVIII
O concelho voltou a entrar em declínio no século XIV, devido a pestes, instabilidade política e ao sismo de 1536.[12] Este quadro é bem visível nos relatórios das Inquirições Fernandinas de 1376 às vilas de Almodôvar e de Padrões, onde se afirma que a agricultura era quase totalmente dominada pela produção de subsistência, embora já se denotasse um grande desenvolvimento na pastorícia e noutras funções económicas, como a tecelagem, os curtumes e a apicultura.[12] De forma a combater esta situação, na segunda metade do século foram introduzidas várias medidas para fomentar o desenvolvimento de Almodôvar.[12] Em 1 de Junho de 1512 a vila recebeu um novo foral, por parte do rei D. Manuel, que confirmou alguns dos privilégios já concedidos em 1285.[6] A entrega deste documento inseriu-se num programa de reforma dos forais, que ao mesmo tempo procurou reforçar o controlo da coroa sobre os territórios locais.[12] Conhece então um forte período de crescimento, sendo dessa centúria o pórtico da Igreja Matriz, o edifício dos Paços do Concelho, a janela manuelina na casa na praça da República,[12] a Igreja da Santa Casa da Misericórdia.[17] e provavelmente também a capela-mor da Ermida de Santo Amaro.[18] Em 8 e 9 de Janeiro de 1573, o rei D. Sebastião passou por Almodôvar, durante uma viagem pelo Alentejo e Algarve.[19]
A fase de crescimento prosseguiu ao longo dos séculos XVII e XVIII, com a construção de grandes edifícios na vila. O Convento de Nossa Senhora da Conceição foi fundado em 1680[16] pela Ordem Terceira de São Francisco, onde terá existido a primeira escola de teologia na região do Baixo Alentejo,[12] e Torre do Relógio[20] e a Capela de Santo António, situada junto à vila, também terão sido edificadas no século XVII.[21] Em 1747 foram feitas grandes obras na Igreja Matriz, por ordem do rei D. João V,[16] e Igreja Paroquial da aldeia do Rosário foi provavelmente construída no século XVIII.[22]

Séculos XIX e XX
Almodôvar decaiu de forma considerável na primeira metade do século XIX, devido primeiro às invasões francesas e depois à Guerra Civil, entre 1832 e 1834, tendo o concelho sido um foco de resistência das forças absolutistas.[12] Após o final da guerra, o convento de Almodôvar foi encerrado como parte do processo de Extinção das ordens religiosas, tendo sido para ali transferidos os Paços do Concelho, o tribunal e a conservatóra em 1859, enquanto que a antiga sede da Câmara Municipal passou a funcionar uma cadeia.[12] José Garcia de Lima, na sua obra Arquivo Histórico de Portugal, publicada em Dezembro de 1889, descreve Almodôvar como sendo de «pequena importancia».[15] Sobre a economia, refere que a apicultura continuava a ter uma certa importância no concelho, que existia muita caça e gado suíno, e que os terrenos eram muito férteis, sendo regados por duas ribeiras, uma conhecida como da Vila e outra de Oeiras.[6] Menciona igualmente a presença de várias minas, tanto na freguesia de Almodôvar como nas limítrofes, que eram exploradas pela Companhia de Mineração, sendo produzido quase exclusivamente o manganês.[6] Descreve o concelho como sendo composto pelas freguesias de «Almodovar (villa), Gomes Ayres, Rosario, Santa Clara a Nova, Santa Cruz, S. Bernabé e Nossa Senhora da Graça de Padrões», das quais duas, Gomes Aires e Santa Cruz, pertenciam ao concelho de Ourique, enquanto que Padrões chegou a ser concelho próprio.[6] Quanto a equipamentos de saúde, menciona que «ha misericordia e um pequeno hospital, tudo muito pobre, servindo apenas para algum curativo ou operação que seja necessario fazer repentinamente», e que na freguesia de Santa Clara existia uma fonte termal cujas «aguas são efficazmente empregadas no tratamento das enfermidades cutaneas».[6]
Em 20 de Dezembro de 1870 entrou ao serviço o lanço de via férrea entre Beja e o Casével, do qual fazia parte a Estação Ferroviária de Castro Verde-Almodôvar.[23]
Segundo a obra Album Alentejano, em Almodôvar só foi publicado um jornal, intitulado de Azorrague, que foi lançado em 7 de Junho de 1900, mas que teve uma curta duração.[16] Em 1913 existiam carreiras de diligências desde a vila de Almodôvar até Castro Verde, Aljustrel e a estação de Castro Verde-Almodôvar.[24] Em 1928 foi inaugurado o novo edifício dos Paços do Concelho, na Rua Serpa Pinto.[12]
Na obra Album Alentejano, publicada na década de 1930, a povoação de Almodôvar é descrita como «vila da provincia do Alentejo, sede de concelho, julgado municipal e bispado de Beja; freguesia de Santo Ildefonso. Tem estação postal com serviço de emissão e pagamento de vales, cobrança de recibos, letras e obrigações e de encomendas, permutando malas com a R.A.S.», enquanto que o concelho tinha «sete freguesias com 13.888 habitantes, sendo 7.216 do sexo masculino e 6.652 do sexo feminino, numa superficie de 81.760 hectares. As freguesias são as seguintes: Santo Ildefonso com 4:873 habitantes; S. Sebastião de Gomes Aires com 2.044; Nossa Senhora do Rosario com 921; Santa Clara a Nova com 1.466; Nossa Senhora do Pé da Cruz com 2:352; S. Bernabé e Santa Suzana com 1:495; Nossa Senhora da Graça de Padrões com 717».[16] Do ponto de vista da economia, refere que na vila existiam várias «fabricas de cortumes, sola, carneira e cabedal; de distilação de medronhos; de mantas alentejanas; de olaria e loiça ordinaria e de cal. O comercio mais importante do concelho é: mantas de lã, calçado ordinario, ceriais [sic] cortiça, gados, caça, ovos e criação».[16]
Em 4 de Outubro de 1985 foi oficialmente criada a freguesia de Aldeia dos Fernandes, através da Lei n.º 92.[25]
Século XXI
Em 19 de Outubro de 2007 foi inaugurado o Museu da Escrita do Sudoeste,[26] e em 8 de Agosto de 2015 o Museu arqueológico e etnográfico Manuel Vicente Guerreiro.[27]
Evolução da População do Município
| Número de habitantes [28] | |||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1864 | 1878 | 1890 | 1900 | 1911 | 1920 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 | 2021 |
| 9 607 | 10 215 | 10 827 | 11 089 | 11 848 | 12 173 | 14 180 | 16 283 | 17 702 | 16 028 | 12 264 | 10 637 | 8 999 | 8 145 | 7 449 | 6 712 |
| Número de habitantes por Grupo Etário [29] [30] | |||||||||||||||
| 1900 | 1911 | 1920 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 | 2021 | |||
| 0-14 Anos | 3 685 | 3 963 | 4 254 | 4 583 | 5 290 | 5 452 | 4 599 | 3 070 | 2 375 | 1 604 | 936 | 883 | 731 | ||
| 15-24 Anos | 1 966 | 2 022 | 2 025 | 2 635 | 2 815 | 3 098 | 2 765 | 2 020 | 1 557 | 1 262 | 1 014 | 641 | 576 | ||
| 25-64 Anos | 4 582 | 4 827 | 4 885 | 5 655 | 6 754 | 7 520 | 7 509 | 5 865 | 4 941 | 4 319 | 4 071 | 3 684 | 3 215 | ||
| = ou > 65 Anos | 450 | 539 | 556 | 876 | 852 | 1 035 | 1 155 | 1 435 | 1 764 | 1 814 | 2 124 | 2 241 | 2 190 | ||
De 1900 a 1950, os dados referem-se à população presente no município à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.
Artesanato

O município de Almodôvar é bastante rico no que diz respeito às artes tradicionais pouco conhecidas do público, onde nascem peças únicas das mãos dos artesãos, inspiradas no imaginário popular e nos costumes desta região. Algumas destas artes já desapareceram e outras encontram-se em vias de extinção, facto que deriva do aparecimento de novas tecnologias e da produção industrial em massa, a qual prima pela quantidade em prejuízo da autenticidade.
Tudo se fazia no município de Almodôvar há pouco mais de 25 anos: calçado, cadeiras, queijos, meias de linha, mantas de lã, albardas e malhins, aguardente de medronho, bonecas, miniaturas, mantas de retalhos, mel e seus derivados, trabalhos em tear, ferraria, fabrico de linho, fabrico da cal, latoaria, cestos, colchas de linho, carroças, telhas de canudo, entre outros. Existia uma variedade imensa de artes e ofícios, de entre os quais se destacavam os sapateiros, as tecedeiras, os ferreiros, os latoeiros, os padeiros, os moleiros, os albardeiros, os alfaiates, os apicultores, os cesteiros, os tosquiadores e os abegões. A indústria do calçado artesanal teve grande impacto no município almodovarense e, há cerca de 50 anos, eram mais de 60 os sapateiros na região. De referir que existiu, em Almodôvar, o primeiro Sindicato Nacional de Sapateiros, fundado em 1942, o qual chegou a ter 200 associados, facto bem demonstrativo da importância que este ofício assumiu. Hoje, ainda se encontram alguns sapateiros artesanais no ativo.
Atualmente, das restantes artes e ofícios, há que destacar as mantas de lã e de retalhos, os artigos de cartucheira, os trabalhos em latoaria e a cestaria que saem das mãos dos artesãos, e que se transformam em memórias inesquecíveis da tradição e cultura do povo almodovarense.[31]
Gastronomia

É sabido que no Alentejo se come e bebe muito bem, e Almodôvar não é uma exceção. Contudo, sendo um município dividido entre a serra e a planície, apresenta produtos de particularidades, saberes e sabores distintos. Por aqui, dezenas de produtores apresentam diariamente os melhores sabores, que resultam de uma profunda relação ancestral do homem com a terra, da necessidade de sustento da família, e do árduo trabalho diário na transformação dos produtos de excelência que por aqui brotam.
Sendo assim, estes são alguns dos produtos típicos do município de Almodôvar:[32]
- Fabrico e comércio de queijo
- Mel
- Pão
- Aguardente de medronho
- Enchidos
- Plantas aromáticas
Política
Eleições autárquicas [33]
| Data | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | % | V | Participação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PS | PPD/PSD | FEPU/APU/CDU | MDP/CDE | PRD | CDS-PP | BE | IND | CH | |||||||||||
| 1976 | 64,61 | 4 | 15,24 | 1 | 12,64 | - | FEPU/ | 55,42 / 100,00 | |||||||||||
| 1979 | 41,30 | 2 | 31,79 | 2 | 23,24 | 1 | 69,77 / 100,00 | ||||||||||||
| 1982 | 41,09 | 2 | 21,29 | 1 | 33,72 | 2 | 68,06 / 100,00 | ||||||||||||
| 1985 | 55,36 | 4 | 11,95 | - | 20,66 | 1 | 8,54 | - | 68,05 / 100,00 | ||||||||||
| 1989 | 48,09 | 3 | 20,75 | 1 | 22,79 | 1 | 67,59 / 100,00 | ||||||||||||
| 1993 | 41,07 | 3 | 16,15 | 1 | 12,19 | - | 24,55 | 1 | 66,23 / 100,00 | ||||||||||
| 1997 | 42,95 | 3 | 42,76 | 2 | 8,45 | - | PXXI | 67,94 / 100,00 | |||||||||||
| 2001 | 43,19 | 2 | 48,37 | 3 | 2,83 | - | BE | 0,63 | - | 73,79 / 100,00 | |||||||||
| 2005 | 35,30 | 2 | 56,91 | 3 | 4,07 | - | 71,43 / 100,00 | ||||||||||||
| 2009 | 33,24 | 2 | 56,28 | 3 | 4,75 | - | 2,10 | - | 69,19 / 100,00 | ||||||||||
| 2013 | 35,12 | 2 | 27,06 | 1 | 2,19 | - | 1,02 | - | 30,79 | 2 | 72,71 / 100,00 | ||||||||
| 2017 | 64,02 | 4 | 27,21 | 1 | 2,05 | - | 1,65 | - | 72,52 / 100,00 | ||||||||||
| 2021 | 70,84 | 4 | 21,20 | 1 | 1,69 | - | 2,86 | - | 71,96 / 100,00 | ||||||||||
| 2025 | 43,67 | 2 | 47,44 | 3 | 2,70 | - | 3,66 | - | 74,51 / 100,00 | ||||||||||
Eleições legislativas
| Data | % | |||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| PS | PCP | PSD | CDS | UDP | APU/ | AD | FRS | PRD | PSN | BE | PAN | PSD CDS |
L | CH | IL | |
| 1976 | 43,47 | 20,05 | 16,37 | 4,95 | 2,06 | |||||||||||
| 1979 | 37,18 | APU | AD | AD | 1,03 | 30,71 | 23,68 | |||||||||
| 1980 | FRS | 0,81 | 25,79 | 26,62 | 37,50 | |||||||||||
| 1983 | 43,81 | 16,65 | 3,07 | 0,52 | 29,43 | |||||||||||
| 1985 | 41,65 | 18,59 | 1,77 | 0,54 | 22,05 | 8,42 | ||||||||||
| 1987 | 39,01 | CDU | 28,41 | 1,39 | 0,49 | 18,63 | 3,65 | |||||||||
| 1991 | 40,53 | 33,52 | 2,01 | 14,64 | 1,04 | 0,98 | ||||||||||
| 1995 | 57,59 | 19,63 | 4,37 | 0,93 | 12,35 | |||||||||||
| 1999 | 54,31 | 23,17 | 4,08 | 11,01 | 0,33 | 1,56 | ||||||||||
| 2002 | 45,69 | 35,69 | 3,37 | 8,06 | 2,29 | |||||||||||
| 2005 | 56,79 | 18,76 | 2,46 | 10,55 | 6,08 | |||||||||||
| 2009 | 36,43 | 24,85 | 5,16 | 12,92 | 13,98 | |||||||||||
| 2011 | 32,64 | 37,61 | 6,22 | 9,76 | 5,08 | 0,60 | ||||||||||
| 2015 | 40,89 | CDS | PSD | 11,66 | 10,05 | 0,78 | 28,13 | 0,16 | ||||||||
| 2019 | 48,49 | 18,30 | 2,62 | 9,12 | 11,83 | 1,65 | 0,49 | 0,88 | 0,43 | |||||||
| 2022[34] | 52,83 | 20,79 | 0,29 | 5,29 | 4,50 | 0,76 | 0,55 | 9,26 | 1,55 | |||||||
| 2024[35] | 34,42 | AD | AD | 5,48 | 22,66 | 3,60 | 1,11 | 1,36 | 22,97 | 1,96 | ||||||
| 2025[36] | 27,40 | CDS | PSD | 4,77 | 1,69 | 0,91 | 26,33 | 1,47 | 30,50 | 1,90 | ||||||
Património edificado

Museus e património arqueológico
- Alcariais dos Guerreiros de Cima
- Castelo de Almodôvar
- Castelo da Caiada Velha
- Castelo dos Gorazes
- Castelo de Senhora da Graça dos Padrões
- Forte romano do Cerro dos Bicudos
- Menir de Aldeia dos Fernandes
- Museu da Escrita do Sudoeste
- Museu Municipal de Almodôvar
- Necrópole do Monte Branco
- Povoado das Mesas do Castelinho
- Museu arqueológico e etnográfico Manuel Vicente Guerreiro
Património civil
- Biblioteca Municipal de Almodôvar
- Casa da Janela Manuelina
- Casa Pessanha
- Casa na Rua Fria n.º 8
- Casa na Rua Serpa Pinto
- Fonte de Santa-Clara-a-Nova
- Mercado Municipal de Almodôvar
- Moinho de Água da Corte Freixo
- Palheiros de Veio
- Ponte antiga sobre a Ribeira de Cobres ou Ponte da Ribeira de Cobres
- Quinta do Monte Rei
- Torre do Relógio de Almodôvar
Património religioso
- Capela de Santo António
- Capela de São Bento
- Convento e Igreja de São Francisco
- Ermida de Santo Amaro
- Igreja Paroquial de Aldeia dos Fernandes
- Igreja Paroquial de Gomes Aires
- Igreja do Rosário ou Igreja Paroquial do Rosário
- Igreja Matriz de Almodôvar
- Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Almodôvar
- Igreja de Nossa Senhora da Graça de Padrões
- Igreja Paroquial de Corte Figueira Mendonça
- Igreja Paroquial de Santa Clara-a-Nova
- Igreja de Santa Cruz da Ribeira ou Igreja Paroquial de Santa Cruz
- Igreja Paroquial de Santa Susana
- Igreja de Santo António
- Igreja Paroquial de São Barnabé
Património natural
- Pêgo da Cascalheira, no Rio Vascão
- Albufeira de Monte Clérigo
- Barragem da Boavista
Heráldica
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Brasão: Escudo negro com um castelo de ouro aberto e iluminado a vermelho. Orla de prata carregada por quatro abelhas a negro realçadas de ouro, alternadas com quatro bolotas a verde, troncadas e folhadas do mesmo. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com legenda a negro: "VILA DE ALMODÔVAR".[37] |
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Bandeira: Esquartelada de amarelo e vermelho, cordões e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.[37] |
Geminações
Personalidades destacadas
- António Saleiro (1952 - 2020) - Professor, advogado e empresário, presidente da Câmara Municipal de Almodôvar e Governador Civil de Beja
- António Duarte Chagas (1935 - 2019) - Advogado e deputado na Assembleia da República
- Manuel Virgílio Murta (? - 2023) - Dermatologista
Ver também
Referências
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