Alto da Lapa

Alto da Lapa
Bairro de São Paulo
Roda Rico e ao fundo o bairro.
Área 1,34 km²[1]
Fundação 1921
Imigração predominante  Hungria

 Polónia

Distrito Lapa
Subprefeitura Lapa
Região Administrativa Oeste
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O Alto da Lapa é um bairro nobre do distrito da Lapa, na cidade de São Paulo, capital do estado do mesmo nome no Brasil. Foi construído na década de 1920 pela Companhia City. Se situa a sudoeste do bairro da Lapa. É caracterizado pelo verde, devido a grande concentração de árvores e praças.

História

Traçado do bairro, Mapa Oficial da cidade em 1929.
Alto de Pinheiros, outro bairro-jardim projetado pela Cia. City em continuidade com o Alto da Lapa.
Arborização do bairro na rotatória Avenida Mercedes.
Centro de Convivência e Memória Cecilia Meirelles

Antes da chegada dos colonizadores europeus, a região era habitada por povos indígenas. Com a colonização, a área começou a ser explorada por bandeirantes e introduzida à economia colonial, embora permanecesse predominantemente rural por muitos anos.[2] No século XIX, a construção de chácaras e fazendas, juntamente com a expansão das ferrovias, como a Estrada de Ferro São Paulo Railway, conectou a região ao crescente centro urbano de São Paulo.[3]

Concebido como "bairro-jardim" o projeto dos anos 1920 apresentava diversas características: áreas verdes com grande valorização nas ruas largas e arborizadas, seguindo a tendência de urbanismo que buscava integrar a natureza ao ambiente urbano.[2] A valorização dos bairros da City aumentou ainda mais com a cessão de terreno para a construção da Associação Cristã de Moços, que oferecia ampla infraestrutura para a prática de esportes e lazer.[4]

O bairro teve sua concepção urbanística criada pelo arquiteto e urbanista inglês Barry Parker, com jardins internos, traçado sinuoso de ruas, muitas praças e intensa arborização. O desenvolvimento urbano significativo começou em 1921, quando a Cia City decidiu expandir sua atuação até a região da Lapa. No ano de 1921, iniciou-se a construção dos bairros de Bela Aliança e Alto da Lapa, que possuía cerca de 1 342 930 metros quadrados de terreno.[5] O bairro foi finalizado em 1929. Foi desenvolvido para a população operária,[6] porém acabou por atrair imigrantes bem-sucedidos financeiramente, devido às características diferenciadas dos bairros planejados pela Cia City.[4][7]A reunião dos bairros de Alto da Lapa e Bela Aliança é conhecida como "City Lapa".[8] A venda dos terrenos prolongou-se até 1945.[2]

Devido às diversas restrições de uso do solo criadas pela empresa loteadora, o bairro apresenta características de "bairro-jardim", modelo que, na época, era tido como inovador.[5] As regras do zoneamento da cidade fazem com que o mesmo mantenha suas características originais. Criada em 1992, a Associação de Amigos e Moradores do Alto da Lapa e Bela Aliança luta pela preservação do traçado original da região e pela sua manutenção como bairro residencial. No final de 2001, conseguiu que o Supremo Tribunal Federal brasileiro vetasse a construção de um prédio no bairro.[5][3]

No ano de 2010, as residências do bairro foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico devido a seus valores arquitetônicos, históricos ou culturais. Por causa disso, haverá a conservação da horizontalidade do bairro, da preservação de seu traçado viário e das áreas verdes presentes, trazendo, também, uma possível valorização imobiliária.[8][9][3]

O "Pelezão", como foi apelidado, é um clube gratuito mantido pela Prefeitura Municipal de São Paulo, inaugurado em 2015, onde são promovidas aulas de diversas modalidades esportivas e atividades recreativas.[10][11]Importante centro educacional que é também reconhecido como parque, por aderir à aspectos como zona de lazer e caminhada, e piscinas.[12][13]

Atualidade

Panorama da região.
Edifícios da Av. Diogenes Ribeiro de Lima que utilizam o nome do bairro.

Hoje, o Alto da Lapa se modernizou e abre espaço para uma arquitetura mais moderna e autoral, além de promover comércios criativos. Sem desconsiderar o passado do trem e das casinhas, a região se reinventa respeitando suas raízes.[4] A modernização do bairro é um exemplo de experiência urbana bem-sucedida, conseguindo manter um certo clima de cidade pequena do interior, com vias sinuosas e cheias de árvores. A proximidade com áreas verdes, como o Parque Villa-Lobos, oferece aos moradores um refúgio natural em meio à urbanidade.[2]

O Alto da Lapa é um exemplo da transformação urbana de São Paulo, que preserva suas raízes históricas enquanto abraça o desenvolvimento e a modernidade.[4] Através de um planejamento cuidadoso e da rica contribuição de imigrantes, o bairro se destaca como uma área de grande valor histórico, cultural e urbanístico, oferecendo um ambiente único para seus habitantes.[2]

É considerado um bairro nobre e bairro-jardim, classificado pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis como uma "Zona de valor B", assim como outras áreas nobres da capital como Aclimação, Cerqueira César, Alto de Santana e Paraíso.[14]

Bibliografia

  • Ponciano, Levino (2001). Bairros paulistanos de A a Z. São Paulo: SENAC. pp. 107–108. ISBN 8573592230 
  • LEME, Maria Cristina da Silva (2015). Os primeiros anos da Cia. City em São Paulo (1911-1915): a revisão de uma lacuna Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 17, n. 2 ed. São Paulo: ANPUR. pp. 45–67 

Referências

  1. ↑
  2. 1 2 3 4 5 O novo retrato do Alto da Lapa
  3. 1 2 3 Alto da Lapa: um bairro para fincar raízes
  4. 1 2 3 4 Projetos
  5. 1 2 3 O Preço da História – Imóvel Tombado
  6. ↑ «Alto da Lapa». Consultado em 14 de agosto de 2010. Arquivado do original em 1 de maio de 2010
  7. ↑ «Alto da Lapa». Consultado em 4 de fevereiro de 2010. Arquivado do original em 24 de janeiro de 2009
  8. 1 2 Tombamento deve valorizar imóveis do bairro City Lapa
  9. ↑ Bairros tombados: quanto vale o metro quadrado
  10. ↑ Centro Educacional e Esportivo: Pelezão
  11. ↑ «Pouco conhecido, clube na Lapa começa 2015 com reformas para aumentar opções de lazer - São Paulo - Estadão». Estadão
  12. ↑ «Pelezão-Um oásis no oeste paulistano». Os caminhantes (em inglês). 17 de novembro de 2015
  13. ↑ Coelho, Maria Isabel. «Clube Pelezão reabre piscina depois de quase dois anos | Jornal da Gente». Consultado em 30 de abril de 2017
  14. ↑ «Pesquisa CRECI» (PDF). 11 de julho de 2009. Consultado em 13 de julho de 2009. Arquivado do original (PDF) em 6 de julho de 2011