Alumar

Alumar
Razão socialConsórcio de Alumínio do Maranhão S.A.
Fundação1981 (45 anos)
SedeBrasil São Luís, Maranhão
ProdutosAlumina
CertificaçãoISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, SA 8000[1]
AcionistasAlcoa (54%), South32 (36%), Rio Tinto (10%)
Website«www.alumar.com.br» 

A Alumar (Consórcio de Alumínio do Maranhão S.A.), instalada em São Luís, é uma empresa formada por um consórcio entre as mineradoras transnacionais Alcoa, South 32 e Alcan. É uma das maiores produtoras de alumina do mundo, e uma das maiores empresas instaladas no Maranhão. Era também uma grande produtora de alumínio, mas as atividades com o metal foram encerradas em março de 2015.

Histórico

Em julho de 1980, em meio a uma fase política e econômica conturbada, o projeto para instalação de uma fábrica de alumínio da Alcoa Alumínio S.A. na Ilha de São Luís foi aprovado por cinco ministérios e pelo então presidente do Brasil, o General João Batista Figueiredo. O local foi escolhido devido à localização estratégica, às vantagens portuárias e ao suprimento de energia da Usina de Tucuruí.[2] Com um investimento de 1,475 bilhão de dólares, a mineradora iniciou as obras em agosto desse ano.[3]

Em 29 de setembro de 1981, com a construção em andamento, a BHP Billiton comprou 40% das ações do empreendimento, firmando consórcio com a Alcoa Alumínio. A Alumar enfrentou oposição de políticos e ambientalistas, que temiam que a operação da fábrica pudesse trazer consequências desastrosas à fauna e flora da ilha. Mesmo assim, as obras continuaram, chegando a empregar cerca de 15 mil pessoas. O porto foi a primeira parte do complexo a entrar em operação, em 17 de janeiro de 1983, quando o navio Alamoa fez a primeira descarga de soda cáustica; em 17 de março de 1984, o navio Puffin Arrow trouxe o primeiro carregamento de bauxita, e outros compostos foram trazidos posteriormente. A Refinaria entrou em operação pela primeira vez em 13 de maio de 1984, e a Redução, em 9 de julho do mesmo ano, produzindo as primeiras toneladas do metal. A Alumar foi oficialmente inaugurada em 16 de agosto de 1984, com a presença de várias autoridades e representantes das duas mineradoras.[2]

O complexo foi projetado inicialmente para produzir 100 mil toneladas de alumínio e 500 mil de alumina por ano. Uma vez garantida essa meta, foi iniciada a primeira ampliação, exclusivamente pela construtora Camargo Corrêa, então dona de 35% das ações da Alcoa Alumínio.[4] Essa etapa foi inaugurada em março de 1986, com a presença do então presidente José Sarney, e finalizada em julho desse ano. Uma segunda ampliação, com maior contribuição da Billiton, entrou em operação em 18 de setembro de 1990. Dessa forma, a Alumar se tornou uma das três maiores plantas de alumínio do mundo, produzindo em média 365 mil toneladas de alumínio e 1,25 milhão de toneladas de alumina por ano na década de 90. Em fevereiro de 1992, a Alcan (subsidiária da Rio Tinto) entrou para o consórcio. Em junho de 1994, foi realizada a primeira carga de alumínio no terminal portuário da Alumar.[2]

Em janeiro de 2007, foi iniciada uma expansão da refinaria do consórcio, que teve um investimento de R$ 5,2 bilhões. As novas estruturas foram inauguradas em dezembro de 2009, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da governadora Roseana Sarney e outras autoridades. Com isso, a capacidade anual de produção de alumina, matéria-prima do alumínio, passou de 1,5 milhão de toneladas para 3,5 milhões.[5] Atualmente, o setor de alumina da Alumar tem participação das empresas Alcoa (54%), South32 (36%) e Rio Tinto (10%).[6][7]

Produção

A bauxita chega através do porto e é trazida de minas em Trombetas e Juruti, no oeste do Pará.[8] Na Refinaria, o minério é submetido ao processo Bayer, através do qual se obtém a alumina após uma série de reações em solução aquosa. Ao fim deste processo, é formado um resíduo poluente denominado lama vermelha, que pode trazer sérios prejuízos ao meio ambiente se não for disposto de maneira adequada. Na Redução, a alumina passava pelo processo Hall-Héroult dentro das cubas, sendo obtido alumínio metálico através de eletrólise.[9] Também através do porto, a produção da planta da Alumar é escoada.[2]

Desde 2013, a Alcoa veio reduzindo a produção de alumínio no Brasil como parte de um plano global de cortes de gastos. A empresa havia paralisado a redução em sua unidade em Poços de Caldas em 2014. Em março de 2015, foi cortada a produção restante de 74 mil toneladas de alumínio na planta de São Luís, encerrando a fabricação do metal pela empresa no país. A Redução na unidade foi fechada e 650 funcionários foram demitidos, entretanto, as atividades com alumina não foram afetadas.[10]

Em abril de 2022, foi retomada a produção de alumínio na Redução, após um investimento de R$ 957 milhões. A exportação é realizada pelo Porto do Itaqui.[11][12]

Estatísticas de produção da Alumar (em milhares de toneladas)[13] [14][15]
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
Alumina 3.371,5 3.398,2 3.442,2 3.639,3 3.671,8 3.715,92 3.695,5 3.512,0 3.671,7 3.850,0
Alumínio primário 438,3 402,4 339,5 167,0 34,8 — — — — —

Porto da Alumar

Porto da Alumar
Localização
País  Brasil
Localização São Luís
 Maranhão
Detalhes
Proprietário Alumar

O Porto da Alumar está localizado na baía de São Marcos, na confluência do Estreito dos Coqueiros com o Rio dos Cachorros, a oeste da ilha de Upaon-açu, tendo na margem oposta a ilha de Tauá-Mirim. Tem um canal de acesso de 5,5 km, a partir do porto do Itaqui, com uma largura mínima de 120 metros, sinalizado e balizado pela própria empresa, onde atracam navios graneleiros em um cais de 252 m de comprimento.[16]

O porto pode receber navios de até 50 mil toneladas, com calado de 8 a 12 metros quando carregados.[16]

Projetado inicialmente para descarregamento de matérias-primas, como bauxita, carvão, coque, piche, soda cáustica e carvão mineral, também foi concebido para operar com exportação.[16]

Em 2020, o Porto da Alumar movimentou 15,3 milhões de toneladas.[15]

Termelétrica Alumar

Em 2009, entrou em operação a Usina Termelétrica Alumar, formada por duas unidades geradoras, onde cada turbina tem 37,6 MW, num total de 75,2 MW de capacidade instalada, sendo movida a carvão mineral.[17]

Parque Ambiental

O Parque Ambiental da Alumar possui 1.800 hectares, tendo sido inaugurado em 1996, sendo composto de manguezais, capoeiras, várzeas e brejos, abrigando diversas espécies de animais. Também é composto por um prédio administrativo, um prédio para oficinas de educação ambiental, alojamento para pesquisadores, anfiteatro, trilha, mirante, viveiro de mudas, área de compostagem e estacionamento para visitantes.

Referências

  1. ↑ «Certificações». Alcoa. Consultado em 18 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 29 de agosto de 2013
  2. 1 2 3 4 «A evolução de uma empresa além mar...». Jornal da Soamar - Sociedade dos Amigos da Marinha. Julho de 2000. Consultado em 13 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 10 de julho de 2004
  3. ↑ PECK, 2015, p. 133
  4. ↑ KING, 2001, p. 40
  5. ↑ «Presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura em São Luis do Maranhão a expansão da refinaria de alumina do Consórcio Alumar». Alcoa. 14 de dezembro de 2009. Consultado em 18 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 19 de novembro de 2015
  6. ↑ Departamento Nacional de Produção Mineral (junho de 2010). «Sumário Mineral 2009». Consultado em 13 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 19 de novembro de 2015
  7. ↑ «Alumar» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 12 de abril de 2020
  8. ↑ «Produção de bauxita do oeste do Pará alavanca produção nacional». G1. 6 de dezembro de 2013. Consultado em 14 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
  9. ↑ MOURA et al, 2008, p. 13-25
  10. ↑ Diego Emir (31 de março de 2015). «Alcoa suspende produção de alumínio no Brasil e demite 650 no Maranhão». Estadão. Consultado em 13 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 3 de abril de 2015
  11. ↑ Alumar, Publipost / (27 de abril de 2022). «Alumar retoma produção de alumínio no Maranhão e viabiliza abertura de mais de 2,5 mil postos de trabalho - Imirante.com». Imirante. Consultado em 31 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 28 de abril de 2022
  12. ↑ admin (5 de dezembro de 2023). «Dez anos depois, o porto do Itaqui volta a exportar alumínio». Portosma. Consultado em 31 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2024
  13. ↑ Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). «Estatísticas nacionais». Consultado em 17 de novembro de 2015
  14. ↑ Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). «Estatísticas nacionais - Alumina». Consultado em 25 de maio de 2019. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2013
  15. 1 2 Emir, Aquiles. «Produção de alumina no Consórcio Alumar em 2020 aumenta 4,6% na comparação com 2019 - Maranhão Hoje». Consultado em 27 de janeiro de 2021. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2021
  16. 1 2 3 «..:: PortosMa.com.br ::..- capitania». www.portosma.com.br. Consultado em 26 de junho de 2018. Cópia arquivada em 10 de julho de 2004
  17. ↑ «Térmica Alumar inicia operação comercial de 75,2 MW - Blog do GESEL- Grupo de Estudos do Setor Elétrico - UFRJ». www.nuca.ie.ufrj.br. Consultado em 11 de junho de 2020. Cópia arquivada em 11 de junho de 2020

Ver também

Bibliografia

  • King, James R. (2001). The Aluminium Industry (em inglês). [S.l.]: Elsevier. 340 páginas. ISBN 1855738767. Consultado em 13 de novembro de 2015 
  • MOURA, Alan Rabelo de Souza; FERREIRA E FERREIRA, Emilio Henrique; FUKUSHIMA, Felipe Kiyoshi; NETO, Teodoro Macedo Araújo; MOUTINHO, Thalita Maria Pontes; COSTA, Thiago Valente da (2008). Processo de Obtenção do Alumínio (PDF). Belém: UFPA. Consultado em 14 de novembro de 2015 

Ligações externas

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