Bala na Cara

Bala na Cara
Local de fundaçãoPorto Alegre, Rio Grande do Sul
Anos ativo2000–presente
Território (s)Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguai, Argentina
Atividadesassassinatos, roubos e tráfico de drogas
AliadosComando Vermelho,[1] Primeiro Grupo Catarinense, Os Aberto
RivaisPrimeiro Comando da Capital, Os Manos, V7, FMV

Bala na Cara (BNC), conhecidos também por Os Leão, Os Ta No Chão ou 2.13.3, é uma das duas maiores organizações criminosas do Rio Grande do Sul, ao lado de Os Manos. Também, é uma das mais violentas do estado. Assim como outros grupos criminosos, surgiu em Porto Alegre, no bairro Bom Jesus, onde é o QG da facção. Atua principalmente na Zona Sul de Porto Alegre.[2][3][4][5] José Dalvani Nunes Rodrigues, o Minhoca, é apontado como um dos principais líderes da organização.[6][7] Os Bala na Cara também usam a frase "Tudo 2" como marcação de território.

Diferentemente de outras organizações criminosas, os Bala na Cara originaram-se nas ruas de Porto Alegre, e não dentro dos presídios. Ficaram conhecidos por "tomar" pontos de drogas de outros grupos criminosos e por fazer uso de violência extrema.[8]

História

Bala na Cara é uma organização criminosa que surgiu no início dos anos 2000, formada por um grupo de jovens desajustados. O nome da facção ficou conhecido após a quadrilha executar um desafeto com vários disparos no rosto, um ato que ficou marcado como símbolo de sua violência. A partir desse momento, a facção ganhou notoriedade, e foi assim que ela começou a se expandir.[9]

Com o tempo, a quadrilha passou a recrutar novos membros sem exigir regras rígidas. Quem se afiliava à facção não precisava seguir todas as ordens de seus superiores, sendo exigido apenas o pagamento de uma taxa sobre os lucros provenientes do tráfico de drogas. Em troca, os Bala na Cara oferecia proteção, fornecia armas e garantia que o nome da facção causasse medo nas pessoas.[10]

Essa abordagem mais flexível fez com que a facção crescesse rapidamente, conquistando fama em Porto Alegre devido à sua extrema violência e à forma brutal com que executavam rivais e pessoas que não cumpriam com suas dívidas. Em um dos episódios mais marcantes, um ex-integrante da Bala na Cara decidiu denunciar a facção, revelando informações sobre seus lucros e atividades ilícitas. Na época, a facção era muito nova e pouco conhecida, mas logo revelou que com poucos anos de existência, a Bala na Cara já faturava 10 milhões de reais por mês e tinha mais de 120 homicídios vinculados a facção, quase todos com o mesmo padrão de execução: diversos disparos no rosto das vítimas.[11]

Nos últimos anos, a Bala na Cara estreitou laços com o Comando Vermelho (CV), uma das maiores organizações criminosas do Brasil, estabelecendo um vínculo de aliança no tráfico de drogas e em outras atividades ilícitas. Essa associação fortaleceu ainda mais a facção, ampliando sua influência e sua capacidade de operação em várias regiões do estado.[12]

Embora a polícia tenha conseguido prender muitos dos líderes da Bala na Cara ao longo dos anos e a facção tenha perdido parte de sua força devido às intensas disputas entre grupos criminosos, ela continua sendo uma organização criminosa poderosa no estado do Rio Grande do Sul. Atualmente, a facção mantém sua predominância em cidades como Serafina, Santo Ângelo, Cachoeirinha e Bento Gonçalves atuando junto a Os Aberto, além de ter uma presença significativa em Caxias do Sul, Canoas, Flores da Cunha e Porto Alegre, também tem presença em cidades próximas a região litoral do Rio Grande do Sul.

Guerra com a facção V7

Com o crescimento da Bala na Cara, surgiu a facção V7, que passou a tentar atrasar sua expansão. O conflito entre essas duas facções teve início em 2016, após o sequestro de Jeferson Lapuente, um integrante da BNC. Após o sequestro, o corpo de Lapuente foi encontrado decapitado e enrolado em um edredom, com a inscrição "Bala nos Bala". Esse episódio marcou o início oficial da guerra entre as facções[13]. Entre 2016 e 2018, o conflito entre V7/Antibala, Bala na Cara, Os Mano e Os Aberto resultou em mais de 400 homicídios, tornando esse período um dos mais violentos do Rio Grande do Sul.[14]

Referências

  1. ↑ https://estudio.r7.com/as-53-faccoes-criminosas-do-brasil-15042024
  2. ↑ «Facção Bala na Cara atormenta a vida de moradores na Zona Sul de Porto Alegre». Poa24horas. Consultado em 27 de julho de 2020
  3. ↑ «História do Bala na Cara». Capitanbado. 13 de janeiro de 2017. Consultado em 27 de julho de 2020
  4. ↑ «Quem são e como funciona a quadrilha dos Bala na Cara». Diário Gaúcho. 29 de setembro de 2014. Consultado em 27 de julho de 2020
  5. ↑ «Bala na Cara, Antibala e Manos: RS reúne o maior número de facções do país». UOL. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  6. ↑ «Delator que abalou a estrutura de poder dos Bala na Cara e executados em Santa Catarina». Diário de Canoas. 24 de fevereiro de 2020. Consultado em 27 de julho de 2020
  7. ↑ «Delator que abalou a estrutura de poder dos Bala na Cara e executado». Chapeco Online. 24 de fevereiro de 2020. Consultado em 27 de julho de 2020
  8. ↑ «Bala na Cara, Antibala e Manos: RS reúne o maior número de facções do país». UOL. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  9. ↑ https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2016/04/como-nasce-uma-faccao-entenda-o-surgimento-dos-principais-rivais-dos-bala-na-cara-5758161.html
  10. ↑ https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2016/04/como-nasce-uma-faccao-entenda-o-surgimento-dos-principais-rivais-dos-bala-na-cara-5758161.html
  11. ↑ https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2016/04/como-nasce-uma-faccao-entenda-o-surgimento-dos-principais-rivais-dos-bala-na-cara-5758161.html
  12. ↑ https://estudio.r7.com/as-53-faccoes-criminosas-do-brasil-15042024
  13. ↑ https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2016/04/como-nasce-uma-faccao-entenda-o-surgimento-dos-principais-rivais-dos-bala-na-cara-5758161.html
  14. ↑ https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/07/28/bala-na-cara-antibala-e-manos-rs-reune-o-maior-numero-de-faccoes-do-pais.htm