Banda Phoenix
| Banda Phoenix do Mestre Propício | |
|---|---|
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| Informações gerais | |
| Origem | Pirenópolis, Goiás |
| País | Brasil |
| Gênero(s) | |
| Período em atividade | 23 de julho de 1893 (132 anos) [1][2][3] |
| Página oficial | bandaphoenix.org.br |
A Banda Phoenix, oficialmente Escola e Banda de Música Phoenix do Mestre Propício,[4] é uma das mais tradicionais bandas civis do Brasil [nota 1], com trajetória iniciada em 23 de julho de 1893,[6][7] na cidade de Pirenópolis, Goiás. Fundada pelo maestro Joaquim Propício de Pina,[8] a Banda atua na preservação e difusão da música no Centro-Oeste e participa das manifestações culturais e religiosas de Pirenópolis, incluindo a Festa do Divino, registrada pelo IPHAN como patrimônio cultural imaterial do Brasil em 2010.[9][10] Em 2026, foi apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás um projeto de lei de autoria do deputado estadual Virmondes Cruvinel, propondo reconhecer a instituição como patrimônio cultural imaterial do Estado de Goiás.[11]
Composta por músicos voluntários,[12] a Banda Phoenix é uma entidade sem fins lucrativos,[13] reconhecida oficialmente como de utilidade pública pela Lei Estadual nº 6.634, de 1967,[14] e pela Lei Municipal nº 12/71, de 1971. A Banda integra a rede de Pontos de Cultura e participa do Conselho Municipal das Cidades (CMC), do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC)[15] e do Comitê do Tricentenário Pirenopolino, responsável pela elaboração do plano de metas “Vem 300”.[16] Com média de 80 apresentações anuais em Pirenópolis e cidades vizinhas, a Banda Phoenix participa de festividades cívicas, políticas, sociais, religiosas e culturais do município,[17] como as celebrações da Semana Santa,[18] as festas de São Sebastião, Carmo, Bonfim, Rosário e Divino, com participação nas Cavalhadas.[19]
Durante a pandemia de COVID-19, em 2020 e 2021, a Banda Phoenix adaptou suas atividades com apresentações reduzidas e transmissões online realizadas em parceria com a Paróquia Nossa Senhora do Rosário,[20] permitindo a continuidade das celebrações com acompanhamento remoto do público. Nesse período, a Banda também ampliou sua presença em redes sociais e em seu site. Em 2022, as atividades retornaram ao formato anterior à pandemia.[21]
Desde fevereiro de 1900, a Banda Phoenix atua em colaboração com o Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, também fundado por Joaquim Propício de Pina.[18][22] O Coro e Orquestra é responsável pelo repertório sacro tradicional da cidade e pelo arquivo musical associado à instituição. Esse acervo inclui música sacra em latim para coro e orquestra, além de repertório secular para banda, abrangendo obras dos séculos XIX, XX e XXI.[23] O arquivo também contém partituras autógrafas de compositores locais e regionais e foi utilizado em pesquisas relacionadas ao reconhecimento do choro como patrimônio cultural imaterial pelo IPHAN em 2024.[24]
A instituição tem como sede o centenário Casarão da Banda Phoenix, edifício de arquitetura luso-brasileira localizado no perímetro do Centro Histórico de Pirenópolis, tombado pelo IPHAN em 1990.[25] No espaço estão preservados parte do acervo musical e um pequeno museu, além de ocorrerem ensaios da Banda Phoenix e do Coro e Orquestra do Rosário. No casarão também funciona a Escola de Música Phoenix,[26] que oferece cursos de sopros, cordas, percussão e canto, voltados à formação musical de novos integrantes da banda e do Coro e Orquestra do Rosário.[27]
Origens e Fundação
Contexto musical em Meia Ponte

O povoamento da Capitania de Goiás, impulsionado pela exploração do ouro e pela abertura de caminhos no cerrado ao longo do século XVIII, esteve associado à formação de práticas culturais e musicais nas primeiras localidades do estado.[28][29] Em Meia Ponte — atual Pirenópolis —, como em outras localidades do período colonial, as manifestações religiosas mantinham estreita relação com as práticas musicais, com destaque para as promovidas pelas irmandades.[30][31] A Irmandade do Santíssimo, predominantemente composta pela elite branca, teve papel relevante na organização da vida religiosa local e na formação de práticas musicais em Goiás.[32][33]
O ensino musical na região de Goiás remonta ao século XVIII, com a atuação de músicos e famílias ligadas à vida religiosa e cultural de Meia Ponte. Entre os nomes associados a esse contexto estão Custódio Pereira da Veiga e seu filho, o padre José Joaquim Pereira da Veiga. A família Rodrigues Nascimento também esteve ligada ao desenvolvimento da música local, especialmente após a construção do coro da Igreja Matriz de Pirenópolis pela Irmandade do Santíssimo, que já recebia melhoramentos em 1757.
Entre os séculos XVIII e XX, diversos nomes estiveram ligados à formação e à produção musical de Pirenópolis, entre eles Antônio dos Santos Cunha,[34][35] Pe. José Joaquim Pereira da Veiga, José Inácio de Nascimento, Pe. Francisco Inácio da Luz, Pe. Manuel Amâncio da Luz, Comendador Joaquim Alves de Oliveira, Antônio da Costa Nascimento, conhecido como Tonico do Padre, Silvino Odorico de Siqueira, Antônio de Sá, sob o pseudônimo Gaspar Hauser, Joaquim Propício de Pina e Vasco da Gama de Siqueira.[36]
Enquanto as orquestras se dedicavam principalmente ao repertório litúrgico das celebrações religiosas, as bandas de música passaram a se difundir no Brasil a partir do início do século XIX.[37] Em Pirenópolis, a primeira banda de música foi criada em 1830 sob a liderança do Comendador Joaquim Alves de Oliveira, passando a adotar o nome de Banda de Música da Guarda Nacional a partir de 1831, e permanecendo ativa até 1851, ano da morte do comendador. Posteriormente, surgiram outras corporações musicais, como a Banda Euterpe,[38] fundada em 1868 pelo Pe. Francisco Inácio da Luz e por Antônio da Costa Nascimento; a Banda da Babilônia, também conhecida como Banda do Pe. Simeão, formada em 1873 e regida por José Gomes Gerais; e, posteriormente, a Banda Phoenix, criada em 23 de julho de 1893.[39]
A Phoenix
Joaquim Propício de Pina, nascido em 1867, foi criado pelos tios Braz de Pina, Theodoro e Theodolino Graciano de Pina, integrantes da segunda orquestra da Matriz de Meia Ponte, regida pelo padre Francisco Inácio da Luz, irmão de Antônio da Costa Nascimento, o Tonico do Padre. Nesse ambiente, Propício ingressou na Banda Euterpe, onde estudou clarineta. Posteriormente, passou a ministrar aulas particulares a jovens como Olavo Batista, Américo Borges de Carvalho, José Ribeiro Forzani e Olegário Herculano de Aquino, estudantes do Colégio Ateneu Meiapontense. As aulas, iniciadas em janeiro de 1892, ocorriam à noite, na casa de Antônio Tomás de Aquino Correa.[40]
Com a extinção da Banda do Padre Simeão, os alunos de Propício passaram a utilizar instrumentos como clarineta, cornetim, trombone, bombardino, oficleide, bombo e pratos, e as aulas assumiram caráter mais prático. Em 23 de julho de 1893,[41] data do aniversário de 26 anos de Propício, ocorreu a apresentação que passou a ser considerada o marco de fundação da Banda Phoenix, em referência à Fênix e à continuidade da tradição musical associada à antiga banda da Fazenda Babilônia. Em 1898, após um atentado contra Tonico do Padre, a liderança da Banda Euterpe passou para Odorico de Siqueira. No ano seguinte, Propício já ocupava o cargo de Mestre de Capela do coro da Matriz, ligado às celebrações da Irmandade do Santíssimo Sacramento, além de atuar como maestro da Banda Phoenix e do Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário.[42]




Em 1901, Tonico do Padre reassumiu o cargo de Mestre de Capela da Matriz. No ano seguinte, a música da Semana Santa foi dividida entre as duas corporações: a Banda Euterpe ficou responsável pelas celebrações de quinta e sexta-feira santas, enquanto a Banda Phoenix passou a atuar no sábado e no domingo. Após a morte de Tonico do Padre, em 1903, a direção da Banda Euterpe e seu acervo musical foram transferidos para o major Silvino Odorico de Siqueira. A partir de então, a rivalidade entre as duas bandas permaneceu associada às divisões políticas locais, até a extinção da Euterpe na década de 1930.
Durante esse período, houve circulação de partituras e transferência de músicos entre as corporações, em contexto de disputa artística e política local.[43]
Pós Propício
Com a morte de Joaquim Propício de Pina, em 11 de agosto de 1943, a Banda Phoenix passou por um processo de reorganização interna. Entre as questões enfrentadas naquele momento estavam a definição da nova regência e do local de ensaios, até então realizados na residência de Propício. Luiz de Aquino Alves, que já atuava como colaborador próximo do maestro e exercia funções de apoio musical na corporação, assumiu a direção da Banda e do Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, transferindo em seguida a regência do coro para Sebastião Pompeu de Pina, conhecido como Tãozico Pompeo.
A crise e a reorganização
As transformações econômicas e urbanas ocorridas em Goiás ao longo do século XX afetaram Pirenópolis e tiveram reflexos sobre a Banda Phoenix. A migração de moradores para centros como Anápolis, Goianésia e Goiânia, somada à redução de aulas regulares e ao afastamento de parte da juventude local, dificultou a continuidade das atividades da corporação. A filiação de Luiz de Aquino ao PSD também o inseriu em disputas políticas locais, contexto que contribuiu para seu afastamento da direção da banda, assumida interinamente por Sebastião Pompeu de Pina.
Em 1964, Pompeu Cristóvão de Pina assumiu a presidência da banda e conduziu sua reorganização com apoio de integrantes da comunidade musical local. Vasco da Gama de Siqueira assumiu a direção musical, enquanto Sebastião Pompeu de Pina permaneceu ligado ao repertório sacro. Nesse período foi criada a Escola de Música Mestre Propício. A banda também incorporou parte do arquivo da extinta Banda Euterpe, adquirido da família Siqueira. O acervo, composto por partituras e manuscritos, passou por trabalho de recuperação e organização, incluindo obras associadas a Antônio da Costa Nascimento, o Tonico do Padre, e outras peças que puderam ser recompostas com a reunião dos arquivos da Banda Phoenix e da Euterpe.[44]
A nova geração

Em 1968, José Joaquim do Nascimento,[45] filho de Vasco da Gama, assumiu a regência da Banda Phoenix. Posteriormente, com o apoio de Braz de Pina Filho, também passou a atuar na regência do Coro e Orquestra do Rosário após a morte de Tãozico. Conhecido como Zé Guiomar, ministrava aulas de música no período noturno e participou, ao lado de Braz de Pina Filho, de trabalhos de levantamento e organização do acervo musical e documental da instituição. Durante esse período, a banda participou, em parceria com a Universidade Federal de Goiás, do Primeiro Recital de Compositores Goianos, realizado em 1970[46] na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, do qual resultaram posteriormente um LP e um CD. Também nesse período houve atividades de restauração de partituras e adaptação de arranjos cujos originais estavam incompletos ou perdidos.[47][44]
Em 24 de outubro de 1972, a Banda Phoenix venceu um concurso musical realizado no aniversário de Goiânia. Na década de 1980, José Joaquim do Nascimento deixou Pirenópolis e passou a atuar na Corporação Musical Santa Cecília, em Jaraguá.[47]
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Década de 1980
Nos anos 1980, Mamede Silvério de Melo assumiu a direção da Banda Phoenix. Durante sua gestão, a corporação manteve participação em festividades religiosas e culturais de Pirenópolis, como a Semana Santa e a Festa do Divino. Em 1992, Mamede fundou a Banda São José do Tocantins, em Niquelândia. Três anos depois, passou a atuar na Banda 13 de Maio, em Corumbá de Goiás, e, em 2002, fundou a Banda Municipal 03 de Julho, em Cocalzinho de Goiás.[32]
Alexandre Luiz Pompêo de Pina
Após a saída de Mamede Silvério de Melo, Alexandre Luiz Pompêo de Pina assumiu a regência da Banda Phoenix. Sua atuação ocorreu em um período de ampliação da visibilidade de Pirenópolis em razão do turismo e do reconhecimento patrimonial da cidade. Nesse contexto, a banda participou de eventos públicos, celebrações religiosas e atividades do calendário festivo local, incluindo a Semana Santa, a Festa do Divino e o aniversário do município.[47][48]
A regência de Aurélio Afonso
Desde 2010, a Banda Phoenix é regida por Aurélio Afonso da Silva. Integrante da corporação desde a adolescência, Aurélio também teve passagem pela Banda da Base Aérea de Anápolis. Durante sua regência, a instituição manteve atividades de formação musical e continuidade da Escola de Música da Banda Phoenix. Após a morte de Pompeu Cristóvão de Pina, em 2014, Eudes Pina Forzani assumiu a presidência da instituição.[47][49][50][51]
A Banda atualmente
A Banda Phoenix mantém atuação contínua nas atividades culturais e religiosas de Pirenópolis.[52][53] Desde 2019, ampliou sua participação em eventos locais, regionais e estaduais, com registro de 68 apresentações em 2023 aumentando para 80 apresentações em 2025.
Os músicos da corporação, em sua maioria voluntários, participam de celebrações tradicionais do município, como as Cavalhadas, a Semana Santa,[54] a Festa do Divino e a Festa do Rosário.[55] A banda também atua em eventos cívicos, como as comemorações de 7 de setembro e do aniversário da cidade, além de festivais culturais, entre eles o Encontro de Coroas do Divino Espírito Santo e festivais de bandas realizados no município.[56][57][58]
Durante a pandemia de COVID-19, as atividades presenciais foram parcialmente suspensas, sendo realizadas apresentações reduzidas e transmissões digitais de celebrações religiosas, como as da Semana Santa e da Festa do Divino.
A Banda Phoenix tem sede no Casarão da Banda Phoenix, localizado na Avenida Neco Mendonça, no Centro Histórico de Pirenópolis. O espaço abriga parte do acervo musical da instituição, composto por partituras que remontam ao século XIX, além da escola de música mantida pela corporação. Desde 2010, a banda é regida pelo maestro Aurélio Afonso da Silva.
A tabela a seguir apresenta algumas das principais participações tradicionais da Banda Phoenix ao longo do calendário anual da cidade:
| Nº | Mês | Evento | Participações fixas | Repertório | Destaques |
|---|---|---|---|---|---|
| 01 | Março/Abril | Semana Santa | Procissão de Ramos | Marchas festivas e dobrados | Dobrado Mauro Borges, de Vasco da Gama de Siqueira; Lageado e Dr. Laudelino Gomes, anônimos. |
| 02 | Março/Abril | Semana Santa | Procissão do Enterro | Marcha fúnebre | Marcha nº 05 e nº 06 (anônimas); Benedito Nominato e Modéstia, de João Tocantins. |
| 03 | Março/Abril | Páscoa | Saída da Coroa | Variado | Hino do Divino da Folia, anônimo. |
| 04 | Março/Abril | Páscoa | Queima do Judas | Variado | Obras de compositores locais. |
| 05 | Março/Abril | Páscoa | Chegada da Coroa | Variado | Hino do Divino da Folia, de Antônio da Costa Nascimento. |
| 06 | Maio/Junho | Festa do Divino | 1ª alvorada | Variado | Baião Tocantins, de Luiz de Aquino Alves, e obras anônimas. |
| 07 | Maio/Junho | Festa do Divino | 1ª retreta | Variado | Obras de compositores locais. |
| 08 | Maio/Junho | Festa do Divino | 2ª alvorada | Variado | Obras de compositores locais. |
| 09 | Maio/Junho | Festa do Divino | 2ª retreta | Variado | Obras de compositores locais. |
| 10 | Maio/Junho | Festa do Divino | Procissão da Bandeira | Marchas festivas e dobrados | Capitão Portela, de Luiz de Tullis; Mama Mia e Gratidão, anônimos. |
| 11 | Maio/Junho | Festa do Divino | Levantamento do mastro | Dobrado | Espírito Santo, de Antônio Augusto Silva. |
| 12 | Maio/Junho | Festa do Divino | 3ª alvorada | Variado | Obras de compositores locais. |
| 13 | Maio/Junho | Festa do Divino | Cortejo imperial | Marchas festivas e dobrados | Obras de compositores locais. |
| 14 | Maio/Junho | Festa do Divino | Cavalhadas[59] | Quadrilhas[60] e galopes | Flor da Noite, Noiva Encantada e Os Três Sossegados. |
| 15 | Maio/Junho | Festa do Divino | Entrega da Coroa | Marchas festivas e dobrados | Obras de compositores locais. |
| 16 | 07 de setembro | Independência do Brasil | Ato cívico | Marchas festivas e dobrados | Os Voluntários em Marcha, anônimo. |
| 17 | 07 de outubro | Aniversário de Pirenópolis | Ato cívico | Marchas festivas e dobrados | Obras de compositores locais. |
| 18 | 07 de outubro | Festa do Rosário | Procissão da padroeira | Marchas festivas e dobrados | Obras de compositores locais. |
| 19 | 07 de outubro | Festa do Rosário | Levantamento do mastro | Dobrado | Espírito Santo, de Antônio Augusto Silva. |
| 20 | Dezembro | Fim de ano | Recital de fim de ano | Variado | Obras de compositores locais. |
Sede
Ao longo de sua história, a Banda Phoenix utilizou diferentes edificações em Pirenópolis como locais de ensaio e organização de suas atividades. Esses espaços estão associados à trajetória da corporação musical e à história urbana e cultural da cidade.
Após a morte de Joaquim Propício de Pina, em 1943, os ensaios continuaram por alguns anos em sua antiga residência. Posteriormente, as atividades passaram para a casa de Luiz de Aquino Alves. Entre 1963 e 1970, a banda utilizou o prédio do antigo Mercado Municipal, atual Casarão da Banda Phoenix, transferindo-se depois para o edifício que hoje abriga o Museu da Família Pompeu, onde permaneceu até 2014.
Casa de Antônio Tomás de Aquino Correa
A primeira sede da banda foi a casa de Antônio Tomás de Aquino Correa, construída em 1852. O imóvel foi utilizado em 1892 para os primeiros ensaios conduzidos por Joaquim Propício de Pina, reunindo os jovens músicos que posteriormente formariam a Banda Phoenix.
Entre 1892 e 1894, o edifício também serviu de base para a Missão Cruls, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, liderada pelo astrônomo belga Luiz Cruls. A missão realizou estudos que contribuíram para a posterior definição da área destinada à construção de Brasília.
Casa de Joaquim Propício de Pina

A casa de Joaquim Propício de Pina, localizada na Rua Nova, foi adquirida pelo maestro em 1900. Construída antes de 1857, a residência passou por reformas realizadas por Propício.
Durante as décadas em que viveu no local, o maestro utilizou a casa também como espaço de ensino e prática musical. Após sua morte, em 1943, o imóvel continuou a ser utilizado por alguns anos como local de ensaios da Banda Phoenix. Posteriormente, as atividades foram transferidas para a residência de Luiz de Aquino Alves.
Casa de Luiz de Aquino Alves
Após deixar a residência de Propício, a Banda Phoenix passou a utilizar a casa do maestro Luiz de Aquino Alves como sede. A residência, situada na Rua Direita e datada de 1844, foi adaptada para ensaios e atividades musicais da corporação.
Durante esse período, a casa funcionou como espaço de organização da banda e preparação de apresentações públicas. Posteriormente, as atividades foram transferidas para o prédio do antigo mercado municipal, atual Casarão da Banda Phoenix.
Museu da Família Pompeu

A partir da década de 1970, a Banda Phoenix passou a utilizar como sede o edifício que atualmente abriga o Museu da Família Pompeu, localizado no Largo da Cruz, na Rua Nova. O casarão foi construído no final do século XVIII como residência do comendador Joaquim Alves de Oliveira.
Entre a década de 1970 e 2014, o edifício foi utilizado pela banda para ensaios e atividades culturais. Atualmente, o local abriga o museu da família Pompeu, que preserva mobiliário, documentos e objetos relacionados à história local.
Casarão da Banda Phoenix


O prédio atualmente ocupado pela banda corresponde ao antigo Mercado Municipal de Pirenópolis, localizado na Avenida Neco Mendonça, no Centro Histórico da cidade. O edifício foi construído em 1914 durante a administração do intendente José Ribeiro Forzani.
Entre 1963 e 1970, a Banda Phoenix já havia utilizado o prédio como sede. Posteriormente, transferiu-se para o casarão que hoje abriga o Museu da Família Pompeu, onde permaneceu por várias décadas.
Após deixar esse local em 2014, a banda passou temporariamente a utilizar um espaço cedido pela prefeitura. Em seguida, por meio da Lei Ordinária nº 785, de 17 de dezembro de 2015, o antigo mercado municipal foi destinado oficialmente à Banda Phoenix. Após reforma realizada pelo município, o prédio passou a ser ocupado pela corporação a partir de 2018.

O imóvel apresenta características da arquitetura tradicional goiana, com uso de materiais como madeira, barro e pedra. Ao longo do século XX, o edifício teve diferentes funções, incluindo a de mercado municipal e a instalação de repartições públicas.
Após período de desuso, o prédio foi destinado à Banda Phoenix, tornando-se sede administrativa, local de ensaios e espaço para as atividades da escola de música mantida pela instituição.
Em 2025, o casarão passou por um processo de revitalização, que incluiu a reforma do telhado, nova pintura externa e melhorias na iluminação arquitetônica do edifício. Foram instaladas arandelas de estilo colonial na fachada, valorizando as características históricas da construção e a ambientação do conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Pirenópolis.
Arquivo
O arquivo musical da Banda Phoenix, preservado em conjunto com o do Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, reúne um acervo de partituras e documentos musicais que abrangem repertórios produzidos entre o século XIX e a atualidade.[61][62]
O acervo inclui obras de música sacra, música erudita, música popular, música tradicional e repertório religioso, reunindo composições de autores locais e de outras regiões. O conjunto preserva ainda diversas partituras manuscritas e autógrafas, associadas à tradição musical de Pirenópolis e às atividades da banda e do coro ao longo de sua história.
Maestros e Presidentes
| Nº | Imagem | Maestro | Período | Presidente | Observações |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Cel. Joaquim Propício de Pina[63] Mestre Propício |
1893–1943 | Fundador da Banda Phoenix. | ||
| 2 | Luiz de Aquino Alves | 1944–1960 | A partir de 1946 foi impedido pela paróquia de reger o Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, sendo substituído por Sebastião Pompeu de Pina. Em 1960 a banda entrou em período de dissolução. | ||
| 3 | Sebastião Pompeu de Pina Tãozico Pompeo |
1960–1962 |
Pompeu Christovam de Pina 1960–2014 |
Durante o período de dissolução, os músicos reuniam-se para ensaios esporádicos, especialmente para celebrações religiosas como a Semana Santa. | |
| 4 | Luiz de Aquino Alves | 1963 | |||
| 5 | Vasco da Gama de Siqueira | 1963–1968 | Reconhecimento da banda como entidade de utilidade pública pela Lei estadual nº 6.634, de 28 de junho de 1967. | ||
| 6 | José Joaquim do Nascimento Zé Guiomar |
1968–1986 | Reconhecimento como entidade de utilidade pública pela Lei Municipal nº 12/71, de 3 de setembro de 1971. | ||
| 7 | Mamede Silvério de Melo | 1986–1990 | |||
| 8 | Alexandre Luiz Pompêo de Pina | 1990–2010 | Em 2010 a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis foi registrada como patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN, celebração da qual a Banda participa tradicionalmente. | ||
| 9 | Aurélio Afonso da Silva | 2010–presente |
Eudes Pina Forzani (desde 2014) |
Durante a regência de Aurélio e na presidência de Eudes ocorreram a instalação da sede no Casarão da Banda Phoenix e obras de revitalização do edifício em 2021 e 2025. |
Ver também
Notas e referências
Notas
- ↑ Cualquier conjunto instrumental mayor que una orquesta de cámara, incluído, especialmente en la terminologia anglosajona, la orquesta. [...] cualquier conjunto diferente de las combinaciones tradicionales de la música culta occidental, a veces identificado por el tipo de el instrumento(s) incluído(s) o por el repertório interpretado.[5]
Referências
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- ↑ Lacerda, Regina (1977). Goiás. [S.l.]: Ministério da Educação e Cultura, Departamento de Assuntos Culturais, Fundação Nacional de Arte, Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro. p. 35
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- ↑ Gago; Rondel, Luis Carlos; Don Michael, ed. (2001). Dicionário Havard de Música - versão espanhola. [S.l.]: Alianza Editorial
- ↑ PINA, Maria Lúcia Mascarenhas Roriz e (2010). Concerto dos sapos: um patrimônio musical goiano (PDF). [S.l.]: UCG, Dissertação de Mestrado Profissionalizante em Gestão do Patrimônio Cultural, 2005). Consultado em 28 de julho de 2020
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- ↑ Brandão, Carlos Rodrigues (2004). De tão longe eu venho vindo: símbolos, gestos e rituais do catolicismo popular em Goiás. [S.l.]: Editora UFG. p. 409. ISBN 9788572742344
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- ↑ «Resultado do Chamamento Público nº 01/2021» (PDF). Diário Oficial de Pirenópolis. 20 de dezembro de 2021. Consultado em 25 de fevereiro de 2026
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- 1 2 LÔBO, Aline Santana; CURADO, João Guilherme; SANTOS, Marcos Vinícius Ribeiro dos; LÔBO, Tereza Caroline (2018). Paisagens sonoras e visuais na Procissão das Dores em Pirenópolis, Goiás. (PDF). [S.l.]: UFG, Anais do VIII Simpósio Internacional de Musicologia - UFG, 2018). Consultado em 19 de dezembro de 2020
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- ↑ IPHAN (2010). Dossiê de Registro do choro como patrimônio cultural do Brasil (PDF). [S.l.]: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 25 de fevereiro de 2026
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Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre.
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Dissertação apresentada à Universidade Federal de Minas Gerais, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Música, para obtenção do título de Mestre em Música
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Trabalho de conclusão de curso, no formato de monografia apresentado ao curso de Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiás, Campus Aparecida de Goiânia, como requisito parcial para obtenção do título de licenciado em Dança
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- CURADO, João Guilherme da Trindade (2019). «Difusão da fé: procissão do Senhor dos Passos em Pirenópolis/GO». REVER - Revista de Estudos da Religião. 19 (3)
- CURADO, João Guilherme da Trindade; LÔBO, Tereza Caroline (2010). «Festas do Catolicismo popular: expressões identitárias presentes em Pirenópolis-Goiás». Ciberteologia – Revista de Teologia & Cultura (35)
- D’ABADIA, Maria Idelma Vieira; VALVA, Milena D’ayala; CURADO, João Guilherme da Trindade (2021). «Pirenópolis/GO: de antigas Minas de Nossa Senhora do Rosário a circuito de turismo nacional». Dimensões - Revista de História da UFES. 46: 196-216. ISSN 2179-8869
- DUARTE, Fernando Lacerda Simões (2018). «O feminino e a música católica: entre práticas e representações» (PDF). Revista História e Cultura. 07 (1)
- LÔBO, Aline Santana; MIRANDA, Ronypeterson Morais Miranda Morais (2013). «A arte festiva em pirenópolis: os símbolos e sons presentes na festa do divino Espírito Santo». Building the way-Revista do Curso de Letras da UEG. 3 (1). ISSN 2237-2075
- MARTINS FILHO, José Reinaldo Felipe (2018). «Música e identidade na Romaria ao Divino Pai Eterno de Trindade, Goiás» (PDF). Revista Música Hodie. 18 (2): 229-244
- PINTO, Marshal Gaioso (2012). «A música nas irmandades de Goiás». Revista Brasileira de Música. 25 (2)
Dissertações
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- BATISTA, Adriana Pereira (2010). Agepel: Public policies of culture in the state of Goias - An intellectual in power (1999-2006) (Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas)). Goiânia: Universidade Federal de Goiás. pp. 184 f.
- FREITAS, Juliana Pereira (2005). Pirenópolis: na rota do turismo cultural (Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas)). Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
- GERALDES, Amanda Alexandre Ferreira (2015). A memória dos objetos: verônicas, máscaras e flores da Festa do Divino de Pirenópolis/Goiás (Dissertação (Mestrado em História)). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. pp. 216 f.
- KILBERT, Erika Cristiane (2015). Pirenópolis: limites e possibilidades de desenvolvimento pelo turismo (Dissertação (Mestrado Profissional em Turismo)). Brasília: Universidade de Brasília
- MATTEUCCI, L. W. (2020). Os cantos de presépios como identidade da comunidade de Pirenópolis (Dissertação (Mestrado em Performances Culturais)). Goiânia: Universidade Federal de Goiás. pp. 143 f.
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- RIBEIRO, Maria Cristina Campos (2018). Mutirões camponeses: trabalho, devoção e festas em Pirenópolis-GO (Dissertação (Mestrado em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado)). Anápolis, GO: Universidade Estadual de Goiás
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- VIEIRA, Joelson Pontes (2013). Bandas de música militares: performance e cultura na cidade de Goiás (Dissertação (Mestrado em Música)). Goiânia: Universidade Federal de Goiás. pp. 392 f.
Teses
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- CHARTIER, Getúlio Corrêa (2017). Caminhos da memória: narrativas de experiências do brincar com professoras da cidade de Pirenópolis/GO (1950 e 1960) (Tese (Doutorado em Educação)). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas
- HORTA, Ana Paula Santos (2022). Nas trilhas do velho professor: transformações dos rituais e das festas religiosas a partir da obra de Carlos Rodrigues Brandão (Tese (Doutorado em Ciências Sociais)). Araraquara: Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP)
- LÔBO, Tereza Caroline (2011). Capela do Rio do Peixe em Pirenópolis/Goiás: lugar de festa (Tese (Doutorado em Geografia)). Goiânia: Universidade Federal de Goiás
- LOPES NETO, Antonio (2018). Uma análise comparativa: do texto à representação – do Presépio das Alagoas às Pastorinhas de Pirenópolis (Tese (Concurso para Professor Titular Classe E)). Maceió: Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes, Universidade Federal de Alagoas
- SANTOS, Fernando Martins. Veiga Valle (2023). Recepção em estudos de identidade e tradição (1940-2001) (Tese (Doutorado em História)). Goiânia: Universidade Federal de Goiás
- SANTOS, Leila Borges Dias (2006). Ultramontanismo e catolicismo popular em Goiás de 1865 a 1907 à luz da sociologia da religião (Tese (Doutorado em Sociologia)). Brasília: Universidade de Brasília
Leitura adicional
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- CARPEAUX, Otto Maria (1977). Uma nova história da música. Rio de Janeiro: Alhambra. ISBN 850060011X
- DUPRAT, Régis (1985). Garimpo musical. São Paulo: Novas Metas
- DUPRAT, Régis (1995). Música na sé de São Paulo colonial. São Paulo: Paulus
- PINA FILHO, Braz Pompeu de (2002). Memória musical de Goiânia. Goiânia: Kelps
- PINTO, Marshal Gaioso (2006). Danças para banda – acervo do maestro Balthazar de Freitas. Col: Coleção de Música Instrumental. Goiânia: ICBC. pp. 276p
- POHL, Johann Emanuel (1976). Viagem no interior do Brasil. Col: Reconquista do Brasil, vol. 14. Belo Horizonte, São Paulo: Livraria Itatiaia Editora, Universidade de São Paulo
- REIS, Dalmo da Trindade (1962). Bandas de Música, Fanfarras e Bandas Marciais. Rio de Janeiro: Eulenstein Música
- SALLES, Vicente (1985). Sociedades de Euterpe: As Bandas de Música no Grão-Pará. Brasília: Ed. do autor
- SANTIAGO, José Jorge Pinto (1992). Liras e Bandas de Música: entre práticas e representações (Dissertação de mestrado). Rio de Janeiro: Departamento de História, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
- SIQUEIRA, Josafá Carlos de (2004). Pirenópolis: identidade territorial e biodiversidade. Rio de Janeiro: Loiola
- TINHORÃO, José Ramos (1975). Música popular de índios, negros e mestiços 2 ed. Petrópolis: Editora Vozes
- VIEIRA, Ernesto (1899). Dicionário Musical. Lisboa: Typ. Lallemant
- WEHRS, Carlos (2000). Rio Antigo: as pequenas bandas de música e o "perigo alemão". Rio de Janeiro: Brasiliana



