Batalha de Almansa

Batalha de Almansa
Guerra da Sucessão Espanhola

Batalha de Almansa
Data25 de abril de 1707 (319 anos)
LocalAlmansa, Albacete, Espanha Espanha
Desfecho
  • Decisiva vitória franco-espanhola
Beligerantes
Reino de Inglaterra

Reino de Portugal

República Unida dos Países Baixos
Reino de Espanha

Reino de França
Comandantes
Henri de Massue

António Luís de Sousa
Jaime Fitz-James
Forças
22 000 25 000
Baixas
5 000 mortos ou feridos

12 000 capturados
3 500 mortos ou feridos

A Batalha de Almansa, travada em 25 de abril de 1707, foi um dos combates mais decisivos[1][2][3][4][5][6] da Guerra da Sucessão Espanhola. Em Almansa, o exército franco-espanhol, sob o comando do duque de Berwick[Nota 1] derrotou as forças aliadas de Portugal, Grã-Bretanha e das Províncias Unidas liderada por Henri de Massue, I Conde de Galway,[Nota 2] recuperando a maior parte do leste da Espanha para os Bourbons.

O conflito é descrito como "provavelmente a única batalha na história em que as forças britânicas foram comandadas por um francês, e as forças francesas por um britânico."[7][8]

A batalha

A batalha começou às 15 horas do dia 25 de abril . Os aliados, partidários do arquiduque Carlos, alinharam 42 batalhões de infantaria, cada um composto de 400 homens e 60 esquadrões de cavalaria de 100 cavaleiros cada, enquanto os borbónicos dispunham de 50 batalhões de infantaria e 81 esquadrões de cavalaria, formando dois exércitos com duas linhas de profundidade. O exército Bourbon de cerca de 25 000 homens era composto por tropas espanholas e francesas em igual proporção, bem como um regimento irlandês.

A batalha começou com fogo de artilharia. Quando Galway enviou suas reservas para um ataque ao centro de Bourbon, Berwick desencadeou uma grande força de cavalaria franco-espanhola contra as enfraquecidas linhas anglo-portuguesas, varrendo a cavalaria portuguesa. Quando o pânico geral se instalou, só as forças portuguesas lutavam, sendo cercadas em três lados, acabaram de se render ao anoitecer. Galway perdeu 5 000 homens e 12 000 foram feitos prisioneiros; do seu exército de 22 000,[8] apenas 5 000 escaparam para Tortosa.[carece de fontes?]

Consequências

A vitória filipista em Almansa significou um grande passo na consolidação do domínio borbónico em Espanha. Com o principal exército pro-Habsburgo na península, o duque de Anjou toma a iniciativa e James Fitz-James Stuart dirige-se para o Ebro[9] enquanto François Bidal de Asfeld se encarrega de capturar as cidades do sul do Reino de Valência.[10][11] A partir de então, apenas a Catalunha e as Ilhas Baleares manteriam a sua fidelidade ao Arquiduque Carlos, porquanto os ingleses e o próprio arquiduque, que havia herdado o império aquando da morte do seu irmão José I, perdem interesse pelo conflito e acabam por assinar o Tratado de Utreque em 1713.[8] A guerra duraria até 1715, ano da rendição das Pitiusas.

Finalizada a guerra, o monarca empreende uma profunda reforma administrativa do Estado, de caráter centralista. Significa isto o enfortecimento do Conselho de Castela e, em 1716, o Decreto do Novo Plano à Coroa de Aragão, pelo qual se dissolvem as suas principais instituições e se reduz ao mínimo a sua autonomia.[12][13] A cidade de Játiva é queimada e tem o seu nome mudado para San Felipe[14], como forma de punição. Em memória desses fatos, ainda hoje o retrato do monarca Felipe V, de cabeça para baixo, está em exposição no museu local de L'Almodí.[15]

A batalha perdura no imaginário valenciano, através de celebrações anuais a 25 de abril[14][16] reivindicativas do nacionalismo e valencianismo e particularmente através de um dito popular na atual Comunidade Valenciana que relembra a derrota, Quan el mal ve d'Almansa, a tots alcança ("Quando o mal vem de Almansa, a todos alcança").[17]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. ↑ Berwick era o filho ilegítimo do Rei exilado Jaime II de Inglaterra, que havia retomado serviço no exército francês após o seu exílio e de seu pai.
  2. ↑ Galway era um huguenote francês que tinha ingressado no serviço militar inglês no reinado de Guilherme III de Inglaterra

Referências

  1. ↑ «Batalla Almansa. Guerra Sucesión Española». www.1707.es (em espanhol). Consultado em 16 de fevereiro de 2017
  2. ↑ «La Batalla de Almansa». www.almansa.es. Consultado em 16 de fevereiro de 2017
  3. ↑ «The Battle of Almanza | History Today». www.historytoday.com. Consultado em 16 de fevereiro de 2017
  4. ↑ Griffin, Julia Ortiz; Griffin, William D. Spain and Portugal: A Reference Guide from the Renaissance to the Present. [S.l.: s.n.]
  5. ↑ Hargreaves-Mawdsley, W.N. (1979). Eighteenth-Century Spain 1700–1788: A Political, Diplomatic and Institutional History (em inglês). [S.l.]: Springer. 28 páginas
  6. ↑ Holmes, Richard; Marix Evans, Martin (14 de setembro de 2006). A Guide to Battles: Decisive Conflicts in History (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford
  7. ↑ Norwich, John Jules (2007). The Middle Sea. A History of the Mediterranean. Londres: Chatto & Windus. ISBN 0701176083
  8. 1 2 3 Tucker, Spencer C. (2009). A Global Chronology of Conflict: From the Ancient World to the Modern Middle East: From the Ancient World to the Modern Middle East. [S.l.]: ABC-CLIO. 703 páginas
  9. ↑ (em castelhano) Enrique Giménez López, Los corregidores de Alicante. Perfil sociológico y político de una élite militar
  10. ↑ (em inglês) William Young, International Politics and Warfare in the Age of Louis XIV and Peter the Great, p.405
  11. ↑ Murray, Williamson; Hart Sinnreich, Richard, eds. (2014). Successful Strategies: Triumphing in War and Peace from Antiquity to the Present. [S.l.]: Ohio State University. 115 páginas. ISBN 9781107062733
  12. ↑ «batalla d'Almansa | enciclopèdia.cat». www.enciclopedia.cat (em catalão). Consultado em 16 de fevereiro de 2017
  13. ↑ «La guerra de Sucesión 1705-1714». ELMUNDO (em espanhol)
  14. 1 2 Segarra Estarelles, Josep Ramon. «El discurs històric en la construcció de la identitat valenciana contemporània: Xàtiva com a mite». Universitat Pompeu Fabra. Recerques (em catalão): 208-209. ISSN 0210-380X
  15. ↑ «El cuadro del monarca pende boca abajo en l'Almodí por decretar el asedio de la villa». www.lasprovincias.es. Consultado em 28 de março de 2011
  16. ↑ Martínez Sanchis, Francesc Tomàs; Gómez Mompart, Josep Lluís; Martínez Gallego, Francesc Andreu. «La revista Saó (1976-1987) : la construcció de la premsa democràtica valencianista i de la identitat valenciana progressista». Universitat de València. 920 páginas
  17. ↑ «Quan el mal ve d'Almansa». www.lasprovincias.es. Consultado em 28 de março de 2011

Bibliografia

  • Frey, Linda (1995). The Treaties of the War of the Spanish Succession (em inglês). Westport: Greenwood Press. ISBN 0313278849 
  • Hattendorf, John (1987). England in the War of the Spanish Succession (em inglês). Nova Iorque: Garland Pub. ISBN 0824078136 
  • Lynn, John (1999). The Wars of Louis XIV, 1667–1714 (em inglês). Lynn: Longman. ISBN 0-582-05629-2 

Ligações externas