Batalha de Ist

Batalha de Ist
Parte da Campanha do Adriático na Segunda Guerra Mundial e da Batalha do Mediterrâneo

Contratorpedeiro da França Livre Le Terrible.
Data29 de fevereiro de 1944
LocalAo largo de Ist [en], Mar Adriático
Coordenadas44° 14' N 14° 46' E
DesfechoVitória da França Livre
Beligerantes
 França Livre  Alemanha
Comandantes
Pierre Lancelot Jürgen Von Kleist
Forças
2 contratorpedeiros 2 barcos torpedeiros
2 corvetas
3 dragaminas
1 cargueiro
Baixas
Nenhuma 150 mortos e feridos
1 corveta afundada
1 cargueiro afundado
2 barcos torpedeiros danificados[1]
Batalha de Ist está localizado em: Mediterrâneo
Batalha de Ist
A Ilha de Ist no Mar Adriático.
Localização em mapa dinâmico

A Batalha ao largo de Ist foi um combate naval no Mar Adriático, entre as ilhas de Škarda [en] e Molat [en], ao largo da ilha de Ist [en], em 29 de fevereiro de 1944. O combate foi travado entre dois contratorpedeiros das Forças Navais Francesas Livres e uma força da Kriegsmarine composta por duas corvetas, dois barcos torpedeiros e três dragaminas. A flotilha alemã havia sido destacada para escoltar um cargueiro. No combate, os franceses conseguiram destruir o cargueiro alemão e uma corveta sem sofrer perdas, antes de se retirar.[2]

Antecedentes

Em 1944, para operações no Mar Adriático, a Marinha Real Britânica formou a 24.ª Flotilha de Contratorpedeiros em Bari, que consistia em dez navios, incluindo três contratorpedeiros franceses, Le Fantasque, Le Terrible e Le Malin. Os franceses sob o comando do Capitão Pierre Lancelot operariam na parte norte do Adriático, enquanto os britânicos fariam o mesmo, mas mais ao sul. A velocidade dos contratorpedeiros franceses, sendo os mais rápidos do mundo, permitiu-lhes reagir rapidamente tanto à inteligência quanto para atacar alvos.[1]

Ação

Em 29 de fevereiro, os franceses partiram de Manfredônia, 50 nmi (93 km; 58 mi) ao norte de Bari, e seguiram para o norte do Adriático. Ao mesmo tempo, um comboio alemão havia partido de Pula com uma forte escolta: os barcos torpedeiros TA36 e TA37 (antigos italianos barcos torpedeiros da classe-Ariete Stella Pulare e Gladio); os caça-submarinos UJ201 e UJ205 (antigas corvetas italianas da classe-Gabbiano Egeria e Colubrina); e três pequenos dragaminas. Eles escoltavam o cargueiro Kapitan Diederichsen de 6.311 TAB.[3] As escoltas alemãs haviam sido comissionadas recentemente e estavam apenas em sua segunda operação. Os dois grupos seguiam um em direção ao outro na escuridão da noite, com muito pouca luz da lua.[4]

Às 21h35, o radar do Le Terrible captou alvos mais ao norte e navegou em direção a eles. Quando se soube que os alvos foram confirmados como não-aliados, os franceses abriram fogo a cerca de 9.000 jardas, a oeste da Ilha de Ist, pegando os alemães de surpresa. O Le Malin abriu fogo contra o maior dos alvos, que era o cargueiro, e logo obteve um impacto. Os alemães tentaram lançar uma cortina de fumaça, mas os contratorpedeiros, com sua velocidade, logo se aproximaram usando seu radar. O Le Terrible obteve mais impactos no cargueiro, enquanto o Le Malin alvejou a mais próxima das escoltas.[1] A 4,500 jardas (4,115 m), o Le Terrible disparou uma salva de torpedos; a primeira salva errou, mas o primeiro dispositivo da segunda salva atingiu o cargueiro a meio do navio, o que o fez arder violentamente e logo ficou à deriva indefeso.[3]

Enquanto isso, o UJ201 logo foi atingido pelos projéteis bem direcionados de 90-libra (41 kg) do Le Malin; tendo encontrado o alcance, a corveta alemã foi atingida mais seis vezes e logo se tornou um destroço em chamas. O Le Malin estava suficientemente perto para lançar uma salva de torpedos; um acertou e foi suficiente para detonar o depósito de munição do navio, causando uma enorme explosão que iluminou o céu. Ela afundou imediatamente e toda a tripulação foi com ela.[4] Tanto o Le Terrible quanto o Le Malin enfrentaram então o resto das escoltas alemãs; o TA36 sofreu quase-acerros e logo foi atingido na extremidade da proa, sofrendo danos leves. O TA37, no entanto, foi atingido na casa de máquinas e irrompeu em chamas, o que fez sua velocidade cair rapidamente.[1]

Lancelot estava prestes a acabar com o navio alemão, mas ao ver as silhuetas baixas e rápidas de potenciais E-boats [en], decidiu retirar-se.[1] Na verdade, eram os dragaminas motorizados que se aproximavam para ajudar a tripulação do cargueiro danificado e procurar sobreviventes do UJ201 destruído. Lancelot seguiu para sul, de volta ao porto.[4]

Consequências

O Kapitan Diederichsen permaneceu flutuando, mas apenas por algum tempo; uma tentativa de rebocá-lo falhou e os sobreviventes foram retirados pelas escoltas alemãs. O gravemente danificado TA37 foi rebotado com sucesso e chegou a Pula.[3] A força francesa permaneceu no Adriático durante metade do ano, bombardeando Zante e, em 19 de março, afundou duas balsas Siebel [en] SF273 e SF274 a caminho de Pilos e danificou gravemente outras duas. Em agosto, participaram da Operação Dragoon, a invasão do sul da França.[1]

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 (O'Hara 2009, pp. 242–243)
  2. ↑ Greene, Jack; O'Hara, Vincent P. (2012). Tucker, Spencer C., ed. World War II at Sea: An Encyclopedia [Segunda Guerra Mundial no Mar: Uma Enciclopédia]. Santa Bárbara, CA: ABC-CLIO. pp. 7, 282. ISBN 978-1-59884-457-3
  3. 1 2 3 Auphan, Paul; Mordal, Jacques (1959). The French Navy in World War II [A Marinha Francesa na Segunda Guerra Mundial]. [S.l.]: United States Naval Institute. p. 297
  4. 1 2 3 (McNab 2009, p. 168)

Bibliografia

  • McNab, Chris (2009). Order of Battle: German Kriegsmarine in WWII [Ordem de Batalha: Kriegsmarine Alemã na Segunda Guerra Mundial]. [S.l.]: Amber Books. ISBN 978-1-906626-19-8. Consultado em 4 de maio de 2026 
  • Jordan, John; Moulin, Jean (2015). French Destroyers: Torpilleurs d'Escadre & Contre-Torpilleurs 1922–1956 [Contratorpedeiros Franceses: Torpilleurs d'Escadre & Contre-Torpilleurs 1922–1956]. Barnsley, Reino Unido: Seaforth Publishing. ISBN 978-1-84832-198-4 
  • O'Hara, Vincent P. (2009). Struggle for the Middle Sea [Luta pelo Mar Mediterrâneo]. [S.l.]: Anova Books. ISBN 978-1-84486-102-6