Batalha de Nauloco

Batalha de Nauloco
Revolta siciliana
Data3 de setembro de 36 a.C.
LocalNauloco, Sicília
Coordenadas38° 15' N 15° 39' E
DesfechoVitória de Otaviano
Beligerantes
República Romana
República Romana
Comandantes
República Romana Otaviano
República Romana Marco Vipsânio Agripa
República Romana Sexto Pompeu
Forças
300 navios 300 navios
Baixas
Desconhecidos 28 afundados; 17 fugiram; outros capturados e/ou incendiados
Nauloco está localizado em: Sicília
Nauloco
Localização aproximada de Nauloco no que é hoje a Sicília
Denário de Sexto Pompeu cunhado por sua vitória contra a frota de Otaviano. No anverso, o Farol de Messina que derrotou Otaviano, no reverso, o mostra Cila
Denário com efígie de Otaviano e Marco Vipsânio Agripa

A batalha naval de Nauloco foi travada em 3 de setembro de 36 a.C. entre as frotas de Sexto Pompeu e Marco Vipsânio Agripa, fora da cidade de Nauloco, na Sicília. A vitória das forças de Agripa, o almirante do triúnviro Otaviano, marcou o fim da resistência pompeana ao Segundo Triunvirato.

Antecedentes

Após o fortalecimento do vínculo entre Otaviano e Marco Antônio com o Pacto de Brundísio de 40 a.C.,[1] os triúnviros tiveram que lidar com Sexto Pompeu, filho de Pompeu Magno. Sexto havia ocupado a província da Sicília, que fornecia muito do suprimentos de grãos de Roma. Quando Sexto conseguiu provocar a fome na capital, em 39 a.C., Otaviano e Antônio buscaram aliança-se com ele, nomeando-o governo da Sicília, Sardenha e Peloponeso por cinco anos (Tratado de Miseno).[2][3][4][5] A aliança foi de curta duração, e Sexto novamente cortou o suprimento de grãos de Roma. Otaviano tentou invadir a Sicília em 38 a.C., mas seus navios foram forçados a voltar devido ao mau tempo.

Agripa cortou um canal que ligou os lagos Averno e Lucrino ao mar para transformá-lo num porto, que chamou-se Porto Júlio. O novo porto foi usado para treinar navios para batalhas navais.[6] Uma nova frota foi construída, com 20 000 remadores recolhidos de escravos libertos.[7] Além disso, Antônio enviou para Otaviano 120 navios sob o comando de Tito Estacílio Tauro.[8][9]

Em julho de 36 a.C., as duas frotas partiram da Itália, e outra frota, fornecida pelo triúnviro Lépido, partiu da África Proconsular, para atacar a Sicília.[10] Em 13 de agosto, Agripa travou uma batalha naval próximo de Milas (moderna Milazzo) contra Sexto, com resultado inconclusivo.[11] Dois dias depois, Otaviano foi pesadamente derrotado em uma batalha próxima de Tauromênio (atual Taormina).[12]

Batalha e rescaldo

Em frente ao promontório de Nauloco, Agripa encontrou a frota inimiga. As frotas eram alegadamente compostas de 300 navios, embora é provável que Sexto tivesse contingente menor devido a combates anteriores.[13] Todos os navios possuíam artilharia, mas Agripa comandou unidades mais pesadas, armadas com o harpax, uma versão mais nova do corvo. Em posse de sua invenção, Agripa conseguiu bloquear os navios mais vulneráveis de Sexto, conseguindo, após uma longa e sangrenta batalha, derrotá-lo. Sexto perdeu 28 navios, 17 foram escaparam e os demais capturados ou queimados. Suas legiões, que aguardavam o resultado na costa próxima, desmoralizaram e foram cortadas em pedaços pelas tropas de Otaviano.[14]

Após sete anos, a Sicília finalmente voltou ao controle da República Romana. Com essa derrota, Sexto partiu para Messina donde fugiu para o Oriente.[14] Lá, após alguns sucessos militares iniciais, acabou capturado pelos generais de Marco Antônio e foi executado, sob ordens do último em Mileto, em 35 a.C..[15][16][17][18][19][20]

Referências

  1. ↑ Eck 2003, p. 21.
  2. ↑ Bunson 2009, p. 441.
  3. ↑ Eder 2005, p. 19.
  4. ↑ Eck 2003, p. 22.
  5. ↑ Southern 1998, p. 134.
  6. ↑ Zoch 2000, p. 222.
  7. ↑ Southern 1998, p. 141.
  8. ↑ Apiano século II, p. V.97-118.
  9. ↑ Dião Cássio século III, p. XLIX.14.
  10. ↑ Eck 2003, p. 25–26.
  11. ↑ Jacques 2007, p. 700.
  12. ↑ Jacques 2007, p. 1001.
  13. ↑ Sandys 1910, p. 496.
  14. 1 2 Bunson 2009, p. 382.
  15. ↑ Apiano século II, 5.140-144.
  16. ↑ Dião Cássio século III, 49.18.4-5.
  17. ↑ Marco Veleio Patérculo século I, 2.79.5.
  18. ↑ Estrabão 23, 3.2.
  19. ↑ Tito Lívio 27-25 a.C., 131.
  20. ↑ Eutrópio século IV, 7.6.1.

Bibliografia

  • Apiano (século II). As Guerras Civis 🔗. Roma 
  • Bunson, Matthew (2009). Encyclopedia of the Roman Empire. Nova Iorque: Facts on File Inc. ISBN 978-0-8160-3182-5 
  • Eck, Werner (2003). Deborah Lucas Schneider (tradutora); Sarolta A. Takács (mais conteúdo), ed. The Age of Augustus. Oxford: Blackwell Publishing. ISBN 978-0-631-22957-5 
  • Eder, Walter (2005). «Augustus and the Power of Tradition». In: Karl Galinsky. Cambridge Companion to the Age of Augustus (Cambridge Companions to the Ancient World). Cambridge, MA; Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-80796-8 
  • Eutrópio (século IV). Breviário. Constantinopla 
  • Jacques, Tony (2007). Dictionary of Battles And Sieges: A Guide to 8,500 Battles from Antiquity Through the Twenty-first Century. Santa Barbara, Califórnia: Greenwood Publishing Group. ISBN 0-313-33536-2 
  • Sandys, Sir John Edwin (1910). A Companion to Latin Studies. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Southern, Pat (1998). Augustus. Londres: Routledge. ISBN 978-0-415-16631-7 
  • Tito Lívio (27–25 a.C.). Ab Urbe condita libri. Roma 
  • Zoch, Paul A. (2000). Ancient Rome: An Introductory History. Oclaoma: University of Oklahoma Press. ISBN 0806132876