Brejo dos Crioulos

Brejo dos Crioulos
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Localização
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Coordenadas

Brejo dos Crioulos é uma comunidade quilombola localizada às margens do rio Arapuins (afluente da margem esquerda do rio Verde Grande), na divisa dos municípios de São João da Ponte e Varzelândia, no Norte de Minas Gerais.[1][2]

História

A história desta comunidade não consta oficialmente na historiografia dos moradores brancos que ocuparam o Norte de Minas desde a colonização portuguesa no século XVI.[3] Conforme relatam os moradores mais velhos, desde meados do Século XVII, negros que fugiram da escravidão fixaram-se às margens da lagoa Peroba (na vazante do ribeirão Araquém), onde existe um brejo na vazante do referido ribeirão, que propiciou os negros ocuparem a área e propiciou à proliferação da maleita, que afligia muito aos brancos e aos indígenas.[3] Então muitos outros negros fugiam e se dirigiram para esta área, assim no final do século XIX ja existiam 38 troncos familiares. Nesse contexto, desenvolveram um sistema peculiar de sociedade (sócio-cultural e produtiva) baseada em várias culturas (africanas, indígenas e, portuguesas).[3]

A partir da década de 1960, quando ocorreu a expansão agrícola no norte do estado de Minas Gerais, fazendeiros através da violência, com uso de jagunços armados, iniciaram a grilagem e a venda forçada tomando as terras de famílias que herdaram de ancestrais.[3]

Com a grilagem no Brejo dos Crioulos, algumas famílias mudaram e algumas residiram na gleba Terra de Santo existente na localidade (terra doada a Bom Jesus por um dos moradores como pagamento de promessa), pois não queriam afastar-se do território ancestral, originando o povoado de Araruba.[3]

Os moradores de Brejo dos Crioulos, estereotipados pejorativamente, foram excluidos nos municípios onde residem, os poderes públicos estadual e federal que a eles se reportam apenas com políticas sociais compensatórias, mas sem envolvimento na questão estrutural que permitiriam apresentar-se como cidadão: o resgate do seu territórios expropriado sob a omissão do poder público.

As trezentas famílias remanescentes do quilombo Brejo dos Crioulos, encaminharam ao Incra o pedido de regularização de suas terras. Segundo o órgão, a prioridade é da comunidade de Brejo dos Crioulos, a qual, da mesma forma que a dos Gurutubanos, fez ocupações em fazendas que estão sobrepostas a seus territórios tradicionais no intuito de pressionar o Incra para uma maior agilidade nos processos de titulação das terras e para poderem produzir e manter sua segurança alimentar. A falta de fontes de geração de renda nas regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais causa uma migração sazonal entre moradores quilombolas, que se deslocam para São Paulo e para o Paraná para trabalhar com a colheita de café e com o corte de cana. Os migrantes passam seis, sete e até oito meses nesses trabalhos, perdendo o laço com o local e a cultura quilombola

Desde 17 de setembro de 2002 a prefeitura vem recebendo verbas do INCRA destinadas a melhorar a infra-estrutura nos assentamentos Betânia e Conquista da Unidade. Essas verbas são utilizadas na construção de habitações rurais, abertura e manutenção de estradas, eletrificação rural, sistemas de abastecimento d'água e outros créditos de apoio O município também participa do Programa de Assentamento pelo Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa.[4] O município ainda participa do Projeto de Fundos Solidário no Semi-Árido recebendo apoio do Banco do Nordeste.

"O objetivo do programa de apoio a Fundos Solidários, mais do que aportar recursos aos Fundos existentes, é dar visibilidade a experiências que confrontam a lógica do sistema financeiro dominante, pois estão fundadas na solidariedade, e não na exploração e na exclusão", relatou Ademar Bertucci, assessor da Cáritas. São apoiadas as mais diversificadas formas de fundos solidários produtivos: locais-comunitários rotativos, estaduais, regionais, nacionais; fundos de apoio específicos (cisternas, mulheres, sementes, arroz, pastos solidários para criação de gado etc.); com diferentes formas de algum retorno, inclusive as não monetárias.

Em 2012, quatro membros da comunidade foram presos acusados do homicídio de um jagunço de uma fazenda que fazia divisa com o território, que foi acusado de grilagem. Os quatro quilombolas foram liberados em agosto de 2014.[5]

Galeria

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Brejo dos Crioulos
Brejo dos Crioulos 
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Roça da comunidade quilombóla
Roça da comunidade quilombóla 
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Escola do quilombo Brejo dos Crioulos
Escola do quilombo Brejo dos Crioulos 

Referências

  1. ↑ www.cpisp.org.br. «Brejo dos Crioulos». Consultado em 1 de julho de 2015
  2. ↑ Jhone Phillip Ferreira MOTA, Manoel Rodrigues Rocha NETO, Lidiane Silva SANTOS. «BREJO DOS CRIOULOS:Costumes e tradições de uma comunidade remanescente de quilombolas através da fotografia em quadrinhos» (PDF). Consultado em 1 de julho de 2015
  3. 1 2 3 4 5 «A Cidade». Câmara Municipal de Varzelândia. Consultado em 30 de março de 2026
  4. ↑ «Programa Assentamentos». Consultado em 1 de julho de 2015. Cópia arquivada em 10 de outubro de 2014
  5. ↑ «Quilombolas presos há quase dois anos são soltos na região Norte do Estado de Minas Gerais». Global org. Consultado em 1 de julho de 2015