Castelo da Lousa

Castelo da Lousa
Vista do cimo do castelo em 2001, antes de submergido.
Informações gerais
Estilo dominanteArquitetura militar romana
ConstruçãoSéculos II e I a.C.
EstadoSubmerso
Aberto ao públicoNão
Património de Portugal
Classificação  Monumento Nacional [♦]
DGPC70526
SIPA1200
Geografia
PaísPortugal
LocalizaçãoLuz
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico
[♦] ^ DL Dec. nº 251/70, DG 129 de 3 de junho de 1970

O chamado Castelo da Lousa, também referido como Castelo Romano da Lousa, é um sítio arqueológico romano e da Idade do Ferro, situada na área da Herdade do Montinho, na freguesia de Luz, município de Mourão, distrito de Évora, em Portugal.[1] Foi submergido pela albufeira da Barragem do Alqueva.[2]

O Castelo da Lousa está classificado como Monumento Nacional desde 1970.[3]

Descrição

O monumento consiste numa antiga povoação fortificada ou uma fortificação militar, situado numa área que originalmente fazia parte da propriedade conhecida como Montinho, a cerca de 8 Km da vila de Mourão, no sentido Sudoeste.[4] Implanta-se num promontório na margem esquerda do traçado original do Rio Guadiana.[4] Estava situado num local entre as ribeiras do Montinho, a Sul, e a da Lousa, a Sul, que desaguavam no Guadiana, permitindo assim a criação de condições naturais de defesa através dos declives acentuados daquelas linhas de água.[4] Assentava numa plataforma superior, com desníveis naturais nos lados Noroeste e Nordeste, formado dois níveis de plataformas no lado do Guadiana, com duas superiores e duas inferiores.[4] Foram avançadas várias teorias sobre qual seria a função do monumento, nomeadamente que serviria para vigiar as vias de comunicação, e ao mesmo tempo controlar uma área de grande importância do ponto de vista económico, devido à presença de vários jazigos mineiros.[4] Uma outra proposta é que seria uma casa agrícola fortificada, que teria sido construída como parte de um plano de colonização do território.[4]

Em termos de estruturas, foram encontradas as ruínas de um edifício de planta quadrangular, com cerca de 23 por 20 m, que seria o edifício principal.[4] O espólio do local inclui fragmentos de cerâmica, como ânforas, peças de tipologia campaniense e doméstica comum romana, além de terra sigillata.[4] Foi igualmente encontrada uma escudela, partes de mós manuais em xisto, e várias peças metálicas, como uma fivela, uma pinça em cobre, um utensílio conhecido como simpulum, e três moedas, uma delas em bronze.[4]

Nas imediações foram encontrados outros sítios arqueológicos, incluindo dois abrigos formados por pedras de xisto, que provavelmente eram utilizados por pastores,[5][6] um dólmen do período Neo-Calcolítico, a cerca de 400 m a Sul do castelo.[7]

História

O castelo foi ocupado entre os séculos I a.C. e I d.C., período que corresponde primeiro à Idade do Ferro e depois à época romana.[4]

Na década de 1970, o sítio arqueológico foi investigado por Afonso do Paço e Joaquim Bação Leal, que escavou os dois níveis de plataformas superiores do lado do rio.[4]

Após a conclusão da Barragem do Alqueva, o sítio arqueológico foi totalmente submerso pela albufeira, tendo sido protegida por sacos de areia cobertos por pasta de cimento, de forma a reduzir o desgaste produzido pela água.[3]

Referências

  1. ↑ Ficha na base de dados SIPA
  2. ↑ «Barrancos: Inaugurada exposição "Castelo da Lousa, memórias de um Monumento Submerso"». Rádio Castrense. 20 de Novembro de 2024. Consultado em 10 de Agosto de 2025
  3. 1 2 MARTINS, A.; LEITE, Sílvia (2009). «Castelo da Lousa». Pesquisa de Património Imóvel. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 10 de Agosto de 2025
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 «Castelo da Lousa». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 10 de Agosto de 2025
  5. ↑ «Lousa 1». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 10 de Agosto de 2025
  6. ↑ «Lousa 8». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 10 de Agosto de 2025
  7. ↑ «Castelo da Lousa 8». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 10 de Agosto de 2025

Ligações externas