Caturus

Caturus
Ocorrência: Jurássico Inferior-Cretáceo Inferior, 200–140 Ma
Fóssil de C. furcatus proveniente da Alemanha, Jurássico Superior
Fóssil de C. furcatus proveniente da Alemanha, Jurássico Superior
Restauração de vida
Restauração de vida
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Cordados
Clado: Halecomorphi [en]
Classe: Actinopterygii
Ordem: Amiiformes
Família: †Caturidae [en]
Género: †Caturus
Agassiz, 1843
Espécie-tipo
†Pachycormus furcatus
Agassiz, 1833
Sinónimos
  • †Uraeus Agassiz, 1832

Caturus (em grego: κατω kato, 'para baixo' e em grego: οὐρά ourá 'cauda')[1][2] representa um gênero extinto de peixes predadores da família Caturidae [en], pertencente à ordem Amiiformes e aparentado de amia moderna. Sugeriu-se que o gênero não é monofilético em relação a outros gêneros de caturídeos.[3]

Fósseis deste gênero variam de 200 a 140 milhões de anos atrás (do Jurássico Inferior ao Cretáceo Inferior).[4][5]

Taxonomia

Caturus possui uma história taxonômica confusa. O gênero foi originalmente descrito por Louis Agassiz para dois peixes fósseis (U. pachyurus e U. gracilis) que haviam sido previamente descritos no gênero Uraeus, o qual se descobriu já estar ocupado por um gênero de naja de mesmo nome. No entanto, nenhuma dessas espécies foi devidamente descrita com uma ilustração associada ou descrição adequada, permanecendo como nomina dubia; o espécime de U. pachyurus está perdido e o espécime de Caturus gracilis está preservado de forma precária demais para a atribuição de um táxon específico. Posteriormente, a espécie C. furcatus, inicialmente descrita por Agassiz dentro de Pachycormus [en], foi designada como a espécie-tipo do gênero por Woodward. Contudo, essa designação estava incorreta, pois a espécie-tipo de um gênero deve ser uma das espécies originalmente descritas para ele. Tais inconsistências tornam tanto Caturus quanto Pachycormus (que foi descrito inicialmente tendo Uraeus gracilis como uma de suas espécies) gêneros taxonomicamente instáveis, necessitando de uma petição à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica para manter C. furcatus como a espécie-tipo de Caturus.[4]

Espécies

A: C. latus, B: C. furcatus, C: C. enkopicaudalis

As seguintes espécies são conhecidas:[4]

  • †C. agassizi (Egerton, 1858) - Jurássico Inferior (Hettangiano/Sinemuriano) da Inglaterra (Blue Lias)
  • †C. chirotes (Agassiz, 1839) - Jurássico Inferior (Hettangiano/Sinemuriano) da Inglaterra (Blue Lias) (=Conodus ferox Agassiz, 1844)
  • †C. dartoni Eastman [en], 1899 - Jurássico Médio (Batoniano) de Dakota do Norte (formação Sundance [en])
  • †C. deani Gregory [en], 1923 - Oxfordiano de Cuba (formação Jagua [en])
  • †C. enkopicaudalis Ebert & López-Arbarello, 2025 - Jurássico Superior (Kimeridgiano & Tithoniano) da Alemanha (Calcário de Nusplingen [en] & formação Solnhofen [en])[6]
  • †C. ferox Winkler [en], 1862- Jurássico Superior (Tithoniano) da Alemanha (formação Solnhofen)
  • †C. furcatus (Agassiz, 1833) - Jurássico Superior (Kimeridgiano) da Alemanha (formação Solnhofen)
  • †C. heterurus (Agassiz, 1839) - Jurássico Inferior (Hettangiano/Sinemuriano) da Inglaterra (Blue Lias) (=C. bucklandi Agassiz, 1844)
  • †C. latipennis (Agassiz, 1844) - Jurássico Inferior (Hettangiano/Sinemuriano) da Inglaterra (Blue Lias)
  • †C. latus Münster [en], 1834 - Jurássico Superior (Tithoniano) da Alemanha (formação Solnhofen) (=C. cyprinoides Wagner, 1863)
  • †C. macrurus Agassiz, 1833 - Jurássico Superior (Kimeridgiano) da Alemanha (formação Solnhofen)
  • †C. porteri Rayner [en], 1948 - Jurássico Médio (Caloviano) da Inglaterra (Oxford Clay [en])
  • †C. purbeckensis (Woodward, 1890) - Cretáceo Inferior (Berriasiano) da Inglaterra (Grupo Purbeck [en])
  • †C. smithwoodwardi White [en], 1925 - Jurássico Inferior (Toarciano) da Alemanha (Posidonia Shale [en])
  • †C. tarraconensis Sauvage [en], 1903 - Cretáceo Inferior (Berriasiano/Valanginiano) da Espanha (formação La Pedrera de Rúbies [en])
  • †C. tenuidens Woodward, 1895 - Cretáceo Inferior (Berriasiano) da Inglaterra (Grupo Purbeck)

Diversas espécies não são mais reconhecidas. As espécies C. angustus Agassiz, 1844, C. branchiostegus Agassiz, 1834, C. brevicostatus Münster, 1842, C. contractus Wagner, 1863, C. driani Thiollière, 1851, C. elongatus Agassiz, 1834, C. gracilis Wagner, 1863, C. maximus Agassiz, 1834, C. microchirus Agassiz, 1834 e C. pleiodus Agassiz, 1844 são consideradas nomina dubia, enquanto C. fusiformis Wagner, 1863 é considerada um nomen nudum. As espécies C. stenospondylus Sauvage, 1875, C. stenoura Sauvage, 1875 e C. chaperi Sauvage, 1883 são todas consideradas sinônimos de Pachycormus macropterus [en], enquanto C. cotteaui Sauvage, 1875 é considerada um sinônimo de Euthynotus intermedius [en]. A espécie C. retrodorsalis Sauvage, 1891 foi reclassificada em Pholidophorus [en]. Outras espécies como C. giganteus (Wagner, 1851) foram reclassificadas em outros gêneros dentro da família Caturidae, como Strobilodus. As espécies C. brevis Winkler, 1862, C. latidens Woodward, 1918 e C. velifer Thiollière, 1851 não são mais classificadas em Caturus ou mesmo em Caturidae, e ainda aguardam reclassificação.[4]

Restauração em vida de C. smithwoodwardi

A espécie C. insignis do Triássico da Áustria, anteriormente colocada em Caturus, está agora posicionada no gênero Furo [en]. Outro registro potencial da Argentina é agora classificado como um caturoide indeterminado, possivelmente no gênero Catutoichthys [en].[4][5][7]

Distribuição

Quando restrito apenas a espécies definitivas, Caturus está presente no Jurássico do Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos e Cuba, estendendo-se até o início do Cretáceo do Reino Unido e da Espanha. Restos indeterminados também são conhecidos dentro desta faixa no Jurássico da França e de Portugal.[2][4]

Referências

  1. ↑ Roberts, George (1839). An etymological and explanatory dictionary of the terms and language of geology (em inglês). London: Longman, Orme, Brown, Green, & Longmans. p. 27. Consultado em 29 de dezembro de 2021
  2. 1 2 «PBDB Taxon». Paleobiology Database. Consultado em 2 de maio de 2024
  3. ↑ Gouiric-Cavalli, Soledad (9 de junho de 2016). «A new Late Jurassic halecomorph fish from the marine Vaca Muerta Formation, Argentina, southwestern Gondwana». Fossil Record (em inglês). 19 (2): 119–129. Bibcode:2016FossR..19..119G. ISSN 2193-0074. doi:10.5194/fr-19-119-2016Acessível livremente. hdl:11336/54624Acessível livremente
  4. 1 2 3 4 5 6 López-Arbarello, Adriana; Ebert, Martin (2023). «Taxonomic status of the caturid genera (Halecomorphi, Caturidae) and their Late Jurassic species». Royal Society Open Science (em inglês). 10 (1). Bibcode:2023RSOS...1021318L. ISSN 2054-5703. PMC 9832298Acessível livremente. PMID 36686548. doi:10.1098/rsos.221318Acessível livremente
  5. 1 2 Bogan, Sergio; Taverne, Louis; Federico, Agnolini (2013). «First Triassic and oldest record of a South American amiiform fish: Caturus sp. from the Los Menucos Group (lower Upper Triassic), Río Negro province, Argentina». Geologica Belgica. 16 (3): 191–195
  6. ↑ Ebert, Martin; López-Arbarello, Adriana (12 de agosto de 2025). «A new species of the genus Caturus (Caturidae, Amiiformes) from the Upper Jurassic of the Solnhofen Archipelago (Germany)». Swiss Journal of Palaeontology (em inglês). 144 (1). 50 páginas. Bibcode:2025SwJP..144...50E. ISSN 1664-2384. doi:10.1186/s13358-025-00383-4Acessível livremente
  7. ↑ López-Arbarello, Adriana; Concheyro, Andrea; Palma, Ricardo M.; Aguirre-Urreta, Beatriz (5 de dezembro de 2023). «The early fossil record of Caturoidea (Halecomorphi: Amiiformes): biogeographic implications». Swiss Journal of Palaeontology. 142 (1). 33 páginas. Bibcode:2023SwJP..142...33L. ISSN 1664-2384. doi:10.1186/s13358-023-00297-zAcessível livremente