Cenira
| Cenira | |
|---|---|
| Nascimento | 12 de fevereiro de 1965 (61 anos) Rio de Janeiro |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | futebolista |
Cenira Sampaio Pereira do Prado (nascida em Niterói, em 12 de fevereiro de 1965), mais conhecida como Cenira ou Coelho, é uma ex-futebolista brasileira que atuava como meia-atacante da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.
Carreira de jogadora
Times
Aos 15 anos de idade, Coelha foi jogar no time recém formado do Flamengo. Um ano depois, teve uma passagem rápida pelo Madureira.[1]
Mas foi nas praias do Rio de Janeiro que chamou a atenção pela primeira vez. Em 1982, foi destaque de um torneio de futebol de areia com o Leminho Praia Clube. Sua atuação chamou a atenção do adversário, o Radar, e foi chamada para jogar pela equipe de futebol feminino. No entanto, Cenira colocou a condição de contratarem também todas as jogadoras do Leminho, o que foi acatado.[1][2]
Cenira foi uma das principais jogadoras no vitorioso Radar durante sua passagem até precisar se afastar por conta do nascimento do primeiro filho, Guilherme, em 1987. Sua saída do clube, que aconteceu por conta da gravidez, foi conturbada e gerou conflitos com o dirigente Eurico Lira, o que prejudicou sua passagem pela seleção, já que ele era também um dos principais gestores do futebol feminino na CBF. Antes desse desentendimento, a atleta já brigava com Eurico por melhores condições para as jogadoras, além de um salário condizente com o que clube recebia dos vários patrocinadores.[1][3]
Alguns meses após dar a luz, Cenira regressou para assinar contrato profissional com a nova equipa feminina do Vasco da Gama.[1][4]
Ela ainda atuou brevemente pela Associação Atlética Tupy, em 1984, e, durante os anos de 1990, teve passagens por Portuguesa, Corinthians e Palmeiras.[1]
Em seus tempos no Rio de Janeiro, Coelha dividiu seu tempo entre o futebol de campo e o de areia. Já quando atuava em São Paulo, trocou as praias pelas quadras de futsal, defendendo o time da Sabesp.[1]
Seleção brasileira
Entre 1990 e 1991, Cenira precisou deixar os campos mais vez por conta de uma gravidez, dessa vez da filha Natália. Mas quatro meses depois de dar a luz voltou aos campos para poder participar da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 1991[1]. Ela atuou nos três jogos da fase de grupos; como substituta na vitória por 1-0 sobre o Japão e jogando os 80 minutos completos em derrotas para os Estados Unidos (0-5) e Suécia (0-2).[5]
A Seleção Brasileira Feminina não jogou mais uma partida por mais de três anos, até que um patrocínio da Maizena amido de milho permitiu que eles jogassem no Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino de 1995. Cenira era capitã do time e, como única jogadora casada, era vista como a figura materna do time. Ela manteve a capitania na Copa do Mundo Feminina da FIFA de 1995 na Suécia.[6][1]
Depois que Cenira foi deixada de fora da seleção brasileira para os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, ela deu uma entrevista explosiva à revista Placar que levantou a tampa da política interna da equipe. Ela alegou, de várias formas, que jogadoras ainda próximas ao chefe do Radar, Eurico Lira, foram congeladas, jogadoras estavam sendo intimidadas a se mudar para certos clubes e que algumas jogadoras foram apenas escolhidas para manter as outras jogadoras felizes.[7]
Vida pessoal
Natural do Rio de Janeiro, Cenira nasceu em 1965 e começou a jogar futebol na rua aos sete anos de idade. Enquanto recebia apoio da mãe para jogar futebol, o pai desejava que ela jogasse basquete, assim como a irmã.[1]
Aos 21 anos, Cenira casou-se com Sérgio Luís, massoterapeuta da seleção brasileira feminina (que começou a atuar em comissões de clubes esportivos a partir dos contatos da esposa). Ela teve dois filhos durante sua carreira de jogadora e era proprietária de um trailer de sanduíche no Rio.[7][1]
Diferentemente de várias jogadoras de sua época, Cenira conseguia se sustentar com o dinheiro que recebia para jogar futebol, então não precisou ter outras profissões durante a carreira de atleta.[1]
Cenira tem graduação em Educação Física e deu aulas em escolas, projetos sociais e associações esportivas. Após se aposentar como jogadora, também atuou como árbitra no futsal.[1]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Goellner, Silvana Vilodre (6 de outubro de 2022). As pioneiras do futebol pedem passagem: conhecer para reconhecer. Juliana Ribeiro Cabral. Porto Alegre, RS: Editora Ludopédio. ISBN 978-65-84540-06-4
- ↑ Araújo, Maria Helena (1 de fevereiro de 1985). «As Invenciveis». Placar (767): 27. Consultado em 29 de abril de 2013
- ↑ «O Charme da Conquista». Placar (718): 44. 24 de fevereiro de 1984. Consultado em 29 de abril de 2013
- ↑ «Dura Missão». Placar (895): 6. 27 de julho de 1987. Consultado em 28 de abril de 2013
- ↑ «FIFA Women's World Cup China '91 – Technical Report & Statistics» (PDF). FIFA. p. 79. Consultado em 26 de abril de 2013. Arquivado do original (PDF) em 27 de dezembro de 2011
- ↑ Bertolotto, Rodrigo (10 de janeiro de 1995). «Capitã brasileira é a 'mãe' do time». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de abril de 2013
- 1 2 «O Caso Cenira». Placar (1119): 48. 1996. Consultado em 29 de abril de 2013