Classe Bayern

Classe Bayern
O Bayern, a primeira embarcação da classe
Visão geral  Alemanha
Operador(es)Marinha Imperial Alemã
Construtor(es)Howaldtswerke
Schichau-Werke
Germaniawerft
AG Vulcan
PredecessoraClasse König
SucessoraClasse L 20e α
Período de construção1913–1917
Em serviço1916–1919
Planejados4
Construídos2
Cancelados2
Características gerais (Bayern e Baden)
TipoCouraçado
Deslocamento32 200 t (carregado)
Comprimento180 m
Boca30 m
Calado9,3 a 9,4 m
Maquinário3 turbinas a vapor
14 caldeiras
Propulsão3 hélices
-35 000 cv (25 700 kW)
Velocidade21 nós (39 km/h)
Autonomia5 000 milhas náuticas a 12 nós
(9 300 km a 22 km/h)
Armamento8 canhões de 380 mm
16 canhões de 149 mm
2 canhões de 88 mm
5 tubos de torpedo de 600 mm
BlindagemCinturão: 170 a 350 mm
Convés: 60 a 100 mm
Torres de artilharia: 100 a 350 mm
Torre de comando: 400 mm
Tripulação42 oficiais
1 192 marinheiros

A Classe Bayern foi uma classe de couraçados operada pela Marinha Imperial Alemã, composta pelo SMS Bayern, SMS Baden, SMS Sachsen e SMS Württemberg. Suas construções começaram pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial e os trabalhos foram afetados pelo andamento do conflito, consequentemente apenas os primeiros dois navios foram finalizados. Seu projeto foi uma reação a couraçados de outras marinheiras adotando canhões principais maiores, o que forçou os alemães a aumentar os seus também. Diferentes tamanhos de bateria principal foram considerados até a versão final ser escolhida. O Bayern e o Baden foram os últimos navios capitais da Marinha Imperial.

Os couraçados da Classe Bayern eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 380 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Os dois primeiros navios tinham um comprimento de fora a fora de 180 metros, boca de trinta metros, calado de nove metros e deslocamento de mais de 32 mil toneladas, porém o Sachsen e o Württemberg seriam ligeiramente maiores. O sistema de propulsão, exceto no Sachsen, era de catorze caldeiras que alimentavam três turbinas a vapor, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Eram protegidos por um cinturão de blindagem de 350 milímetros de espessura.

O Bayern e o Baden foram comissionados na Frota de Alto-Mar em julho de 1916 e março de 1917, respectivamente, muito tarde para que qualquer um dos dois participasse da Batalha da Jutlândia ou de qualquer outra ação de grande escala. O Bayern foi designado para a força tarefa que expulsou a Marinha Imperial Russa do Golfo de Riga em outubro de 1917 durante a Operação Albion, porém ele foi seriamente danificado ao bater em uma mina e precisou retornar até Kiel a fim de passar por reparos. Já o Baden assumiu a posição de capitânia do almirante Franz von Hipper na Frota de Alto-Mar, entretanto não participou de combate algum antes do final da guerra em novembro de 1918.

As duas embarcações finalizadas foram internadas na base britânica de Scapa Flow na Escócia como parte dos termos do Armistício de Compiègne. O contra-almirante Ludwig von Reuter, comandante da frota alemã internada, ordenou em 21 de junho de 1919 que todos os navios fossem deliberadamente afundados. O Bayern afundou totalmente e foi depois levantado e desmontado na década de 1930, porém marinheiros britânicos conseguiram encalhar o Baden antes que também afundasse por completo. Ele foi recuperado, examinado e depois afundado como navio alvo em testes de artilharia. Os cascos incompletos do Sachsen e do Württemberg foram desmontados como sucata.

Desenvolvimento

Trabalhos de projeto em uma nova classe de couraçados para a Marinha Imperial Alemã começaram no início de 1910, com grande consideração sendo dada para o armamento dos navios. Tinha ficado claro nessa época que outras marinhas estavam adotando canhões maiores que os 305 milímetros usados pelos alemães, assim o próximo couraçado também precisaria incorporar armas maiores. O Departamento de Armamentos sugeriu a adoção de um canhão de 320 milímetros, mas o almirante Alfred von Tirpitz, o secretário de estado do Escritório Naval Imperial, decidiu em uma reunião em 11 de maio de 1910 que limitações orçamentárias impediam a adoção de armas maiores. No ano seguinte, Tirpitz se aproveitou da indignação pública sobre o envolvimento britânico na Crise de Agadir para pressionar a Dieta Imperial a conceder mais dinheiro para a Marinha Imperial. Isto permitiu a possibilidade de couraçados mais poderosos, assim Tirpitz pediu dinheiro em meados de 1911 para um navio com canhões de 340 milímetros.[1][2]

A equipe de projeto preparou em agosto estudos para navios armados com canhões de 350, 380 e 400 milímetros; este último foi estabelecido como o máximo porque foi presumido, incorretamente, que seria o tamanho máximo que os britânicos conseguiam produzir. Os projetos preferidos foram decididos em uma reunião um mês depois como um navio com dez canhões de 350 milímetros em cinco torres de artilharia ou oito de 400 milímetros em quatro torres. O Departamento de Armamentos defendeu a versão de 350 milímetros, destacando que teria uma chance 25 por cento maior de acertar o alvo. Tirpitz quis saber sobre a possibilidade de uma mistura de torres de artilharia duplas e triplas,[1][2] mas foi determinado que torres triplas tinham muitos problemas depois dos alemães analisarem o projeto dos couraçados da Classe Tegetthoff da Marinha Austro-Húngara. Dentre as deficiências estava um aumento de peso, redução do suprimento de munição e cadência de tiro, e perda de capacidade de combate caso uma torre fosse incapacitada.[3]

Os estudos de projeto sugeriram que o couraçado com armas de 350 milímetros teria um deslocamento de aproximadamente 29 mil toneladas e um custo de 59,7 milhões de marcos, enquanto a proposta com canhões de 400 milímetros custaria por volta de sessenta milhões de marcos e teria um deslocamento de 28 250 toneladas. Ambas foram consideradas muito caras. O Departamento de Construção propôs um projeto de 28,1 mil toneladas armado com armas de 380 milímetros, o que reduziria o custo para 57,5 milhões de marcos por navio. Este projeto foi escolhido em 26 de setembro como a base para a próxima classe, com a decisão de adotar o canhões de 380 milímetros sendo tomada formalmente em 6 de janeiro de 1912.[1] Os trabalhos de projeto continuaram pelo decorrer desse ano, incluindo desenvolver o esquema de blindagem que tinha sido adotado anteriormente na Classe König. Foi originalmente planejado que os couraçados recebessem oito canhões antiaéreos de 88 milímetros, porém nunca os receberam. Um sistema de propulsão com as tradicionais turbinas a vapor foi escolhido porque o desenvolvimento de motores a diesel estava mostrando-se problemático, porém a equipe de projeto tinha esperanças que motores a diesel confiáveis estivessem disponíveis quando chegasse a hora de começar a construção do terceiro membro da classe.[4]

Financiamento para os navios foi proporcionado pela Quarta Lei Naval, que foi aprovada pela Dieta Imperial em 1912 e financiou três novos dreadnoughts, dois cruzadores rápidos e um aumento de quinze mil oficiais e marinheiros para o ano de 1912.[5] Os navios capitais que tiveram sua construção iniciada em 1912 foram os cruzadores de batalha da Classe Derfflinger, com o financiamento para o Bayern e Baden sendo destinado para o ano seguinte.[6][7] O financiamento do Sachsen foi para o orçamento de 1914, enquanto o Württemberg foi financiado pelas Estimativas de Guerra.[8] O antigo pré-dreadnought SMS Wörth da Classe Brandenburg, bem como os pré-dreadnoughts SMS Kaiser Wilhelm II e SMS Kaiser Friedrich III, ambos da Classe Kaiser Friedrich III, seriam substituídos. O Baden foi encomendado com o nome provisório de Ersatz Wörth, o Württemberg como Ersatz Kaiser Wilhelm II e o Sachsen como Ersatz Kaiser Friedrich III; o Bayern foi considerado uma adição à frota e assim foi encomendado sob o nome "T".[9]

Projeto

Características

Desenho da Classe Bayern

O Bayern e o Baden tinham 179,4 metros de comprimento da linha de flutuação e 180 metros de comprimento de fora a fora. O Sachsen e Württemberg seria ligeiramente maiores: 181,8 metros de comprimento da linha de flutuação e 182,4 metros de comprimento de fora a fora. Os quatro tinham boca de trinta metros e um calado de 9,3 a 9,4 metros. Os dois primeiros navios tinham um deslocamento normal de 28 530 toneladas e um deslocamento carregado de 32,2 mil toneladas. Os dois últimos navios seriam um pouco mais pesados, com 28,8 mil toneladas normalmente e 32,5 mil toneladas carregados. Foram construídos com armações de aço transversais e longitudinais sobre as quais as placas externas do casco foram rebitadas. O casco era subdividido em dezessete compartimentos estanques e tinham um fundo duplo que abrangia 88 por cento do comprimento.[9]

A Marinha Imperial considerou que os dois couraçados finalizados tinham uma navegabilidade excelente, sendo muito estáveis e manobráveis. Sofria de uma pequena perda de velocidade em mares agitados e, com o leme totalmente virado, perdiam até 62 por cento de sua velocidade e alteavam em mais de sete graus. Tinham uma altura metacêntrica de 2,53 metros,[10] mais elevada do que seus equivalentes britânicos, mais o que os faziam plataformas de disparo estáveis para as águas confinadas do Mar do Norte.[11] Sua tripulação padrão consistia em 42 oficiais e 1 129 marinheiros, mas quando atuavam como capitânias esses números aumentavam em catorze oficiais e 86 marinheiros. Levavam vários barcos menores, incluindo um barco de piquete, três barcas, duas lanchas, dois yawls e dois botes.[10]

Propulsão

O Bayern e o Baden foram equipados com onze caldeiras Schulz-Thornycroft que queimava carvão e três caldeiras Schulz-Thornycroft que queimavam óleo combustível divididas em nove salas de caldeiras. Elas alimentavam três conjuntos de turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice de três lâminas com 3,87 metros de diâmetro. Foram projetados com uma potência indicada de 35 mil cavalos-vapor (25 740 quilowatts) a 265 rotações por minuto, mas durante seus testes marítimos alcançaram 55 981 cavalos-vapor (41 163 quilowatts) e 56 290 cavalos-vapor (41 390 quilowatts), respectivamente. Ambos foram capazes de alcançar uma velocidade máxima de 22 nós (41 quilômetros por hora). Foram projetados para carregar novecentas toneladas de carvão e duzentas toneladas de óleo, porém com o uso de espaços adicionais de armazenamento o carregamento total crescia para 3,4 mil toneladas de carvão e 610 toneladas de óleo. Isto permitia uma autonomia de cinco mil milhas náuticas (9,3 mil quilômetros) a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). Cada navio tinha oito geradores a diesel, cada um produzindo 2,4 mil quilowatts de energia elétrica a 220 volts.[9]

O Sachsen e Württemberg seria um nó mais rápidos.[12] O Württemberg receberia maquinários mais poderosos com uma potência indicada de 48 mil cavalos-vapor (35,3 mil quilowatts) para uma velocidade de 22 nós. O Sachsen seria equipado com um motor a diesel MAN que produziria 12 mil cavalos-vapor (8 820 quilowatts) e seria o responsável por girar a hélice central, enquanto duas turbinas girariam as hélices externas. Entretanto, o motor a diesel ainda não estava pronto no final da guerra e só foi completado em 1919 para testes pela Comissão de Controle Naval Inter-Aliada. O sistema de propulsão combinado teria uma potência indicada de 54 mil cavalos-vapor (39,7 mil quilowatts).[9][13]

Armamento

O Baden com seus canhões principais virados para bombordo

Os couraçados da Classe Bayern eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões calibre 45 de 380 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas do tipo C/1913. As armas originalmente podiam abaixar até oito graus negativos e elevar até dezesseis graus, mas precisavam voltar para um ângulo de 2,5 graus para serem recarregadas. Os britânicos foram capazes de abrir fogo primeiro na Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915 por terem um alcance maior que os alemães, assim as montagens foram modificadas para permitir uma elevação entre cinco graus negativos e vinte graus. Na configuração original, o alcance máximo era de 20,2 quilômetros, mas após as modificações ela passou a ser de 23,2 quilômetros. Cada torre foi equipada com um telêmetro estereoscópico. Disparavam projéteis de 750 quilogramas, leves para canhões desse tamanho, e tinham um carregamento de 720 projéteis, ou noventa por arma. Esse total de projéteis era dividido entre perfurantes e altamente explosivos, com sessenta do primeiro e trinta do segundo. A uma distância de vinte quilômetros, os projéteis perfurantes podiam penetrar até 336 milímetros de blindagem. A cadência de tiro era de um disparo a cada 38 segundos e a velocidade de saída era de 805 metros por segundo.[10][14][15]

Testes pós-guerra realizados pela Marinha Real Britânica no Baden mostraram que os canhões podiam ficar prontos para dispararem de novo em 23 de segundos, significativamente mais rápido do que os contemporâneos couraçados da Classe Queen Elizabeth, que demoravam 36 segundos entre disparos. Apesar das armas alemãs serem mais rápidas de recarregar, os inspetores britânicos determinaram que as precauções alemãs contra incêndios repentinos eram significativamente inferiores do que aquelas adotadas pela Marinha Real após 1917, porém isto era mitigado até certo ponto pelo uso revestimentos de latão para as cargas de propelentes, que eram muito menos suscetíveis à detonação instantânea do que as bolsas de seda com cordite usadas pelos britânicos. Os canhões que tinham sido construídos para o Sachsen e Württemberg foram usados como peças de artilharia na Frente Oriental da Primeira Guerra Mundial, como baterias costeiras na França e Bélgica e como canhões ferroviários, estes últimos chamados de "Langer Max".[16]

A bateria secundária para combater barcos torpedeiros consistia em dezesseis canhões calibre 45 de 149 milímetros montados em casamatas na lateral do convés superior, tendo um carregamento de 2 240 projéteis. Tinham um alcance inicial de 13,5 quilômetros, mas após modificações em 1915 o alcance máximo aumentou para 16,8 quilômetros. Tinham uma cadência de tiro sustentada de cinco a sete disparos por minuto. Os projéteis pesavam 45,3 quilogramas e eram carregados com uma carga de propelente RPC/12 de 13,7 quilogramas em um cartucho de latão. Tinham uma velocidade de saída de 835 metros por segundo e esperava-se que pudessem disparar 1,4 mil vezes antes dos canos precisarem ser substituídos. Também havia dois canhões antiaéreos calibre 45 de 88 milímetros com um carregamento de oitocentos projéteis.[10] As armas ficavam em montagens giratórias C/13 que podiam abaixar até dez graus negativos e elevar até setenta, disparando projéteis de nove quilogramas a uma altura máxima de 9,1 quilômetros.[17][18]

Como era costume na época, os couraçados da Classe Bayern foram armados com cinco tubos de torpedo submersos de seiscentos milímetros, um na proa e dois em cada lateral. Cada navio tinha um carregamento de vinte torpedos. Tanto o Bayern quanto o Baden bateram em minas navais em 1917 e os danos revelaram fraquezas estruturais causadas pelos tubos de torpedo, assim os tubos laterais de ambos foram removidos.[10] Os torpedos eram do tipo H8 e tinham nove metros de comprimento com uma ogiva de 210 quilogramas de hexanita. Tinham um alcance de oito quilômetros a uma velocidade de 35 nós (65 quilômetros por hora) ou quinze quilômetros a 28 nós (52 quilômetros por hora).[19][20]

Blindagem

Esquema de blindagem da Classe Bayern

Os couraçados da Classe Bayern era protegidos por uma blindagem de aço cimentado Krupp, que era o padrão para os navios de guerra alemães do período. Tinham um cinturão de blindagem de 350 milímetros de espessura na cidadela central, onde as partes mais importantes da embarcação ficavam, incluindo os depósitos de munição e as salas de máquinas. A espessura do cinturão diminuía em áreas menos críticas, para duzentos milímetros à vante e 170 milímetros à ré. A proa e popa não eram protegidas por blindagem alguma. Uma antepara antitorpedo de cinquenta milímetros de espessura corria pelo comprimento do casco, vários metros atrás do cinturão. O convés blindado principal tinha sessenta milímetros na maioria dos lugares, porém a espessura aumentava para cem milímetros sobre seções em que protegia áreas mais vitais do navio.[9]

A torre de comando de vante era protegida por laterais de quatrocentos milímetros e teto de 170 milímetros, enquanto a torre de comando de ré tinha laterais de apenas 170 milímetros e teto de oitenta milímetros. As torres de artilharia tinham laterais de 350 milímetros e teto de duzentos milímetros. As casamatas dos canhões de 149 milímetros tinham 170 milímetros, com as armas em si sendo protegidas por escudos de oitenta milímetros que tinham a intenção de proteger os artilheiros de estilhaços.[9]

O esquema de blindagem do Sachsen seria ligeiramente diferente em consequência do planejado uso do motor a diesel, que era significativamente mais alto do que uma turbina. Uma glacis sobre o motor seria adicionada e teria laterais de duzentos milímetros, extremidades de 140 milímetros e teto de oitenta milímetros. O cinturão também seria levemente modificado, com uma blindagem de trinta milímetros passando além da seção de duzentos milímetros à vante e indo até a ponta do navio.[21]

O casco incompleto do Sachsen

Foi planejado que a classe tivesse quatro navios. O Bayern foi construído pela Howaldtswerke em Kiel sob o número de construção 590; seu batimento de quilha ocorreu em 22 de dezembro de 1913 e foi lançado ao mar em 18 de fevereiro de 1915, sendo comissionado em 16 de julho de 1916. O Baden foi construído pela Schichau-Werke em Danzig sob o número de construção 913; seu batimento foi em 20 de dezembro de 1913, lançamento em 30 de outubro de 1915 e comissionamento em 14 de março de 1917. O Sachsen foi construído pela Germaniawerft em Kiel sob o número de construção 210; o batimento ocorreu em 15 de abril de 1914 e o lançamento em 21 de novembro de 1916, porém ele nunca foi finalizado.[22] O Sachsen estava aproximadamente nove meses de ser terminado.[23] O Württemberg foi construído pela AG Vulcan em Hamburgo sob o número de construção 19; foi batido em 4 de janeiro de 1915 e lançado em 20 de junho de 1917, mas também nunca finalizado.[22] O Württemberg estava há doze meses de ser terminado.[23]

Navio Construtor[10] Homônimo Batimento[24] Lançamento[10] Commissionamento[10] Destino[10]
Bayern Howaldtswerke Reino da Baviera 22 de dezembro de 1913 18 de fevereiro de 1915 16 de julho de 1916 Afundado em 21 de junho de 1916
Baden Schichau-Werke Grão-Ducado de Baden 20 de dezembro de 1913 30 de outubro de 1915 14 de março de 1917 Afundado em 16 de agosto de 1921
Sachsen Germaniawerft Reino da Saxônia 15 de abril de 1914 21 de novembro de 1916 Cancelados; desmontados em 1921
Württemberg AG Vulcan Reino de Württemberg 4 de janeiro de 1915 20 de junho de 1917

Carreira

Primeiras ações

O Bayern c. 1916

A Frota de Alto-Mar fez uma surtida entre 18 e 19 de agosto de 1916 em que o I Grupo de Reconhecimento, a força de cruzadores de batalha, deveria bombardear a cidade britânica de Sunderland em uma tentativa de atrair os cruzadores de batalha britânicos. O SMS Moltke e SMS Von der Tann eram os únicos cruzadores de batalha ainda em condições de combate após a Batalha da Jutlândia, assim três couraçados foram designados para unidade pela duração da operação: o Bayern, o SMS Markgraf e o SMS Grosser Kurfürst. O almirante Reinhard Scheer, o comandante da Frota de Alto-Mar, viria com outros quinze couraçados atrás como cobertura. Os britânicos sabiam do plano alemão e a Grande Frota partiu para interceptá-los. Scheer foi avisado às 14h35min da aproximação dos britânicos e, não querendo enfrentar toda a Grande Frota apenas onze semanas depois da Batalha da Jutlândia, deu a volta e voltou para casa.[25]

Os alemães conquistaram o porto russo Riga no início de setembro de 1917 e assim a Marinha Imperial decidiu expulsar as forças navais restantes no Golfo de Riga. O Alto Comando da Marinha planejou uma operação para capturar a ilha de Ösel, especialmente as baterias costeiras na Península de Sworbe. Uma ordem foi emitida em 18 de setembro para uma operação conjunta com o exército para a captura de Ösel e Moon. O principal componente naval consistiria na capitânia Moltke, bem como a III Esquadra de Batalha da Frota de Alto-Mar. A V Divisão incluía os quatro couraçados da Classe König e foi reforçada pela inclusão do Bayern, enquanto a VI Divisão tinha os cinco couraçados da Classe Kaiser. A força total tinha aproximadamente trezentas embarcações, incluindo nove cruzadores rápidos e três flotilhas de barcos torpedeiros, com o apoio de mais de cem aeronaves e seis zepelins. A força de invasão tinha 24,6 mil oficiais e marinheiros. Os russos tinham os antigos pré-dreadnoughts Slava e Grazhdanin, os cruzadores blindados Bayan, Admiral Makarov e Diana, 26 contratorpedeiros, mais vários barcos torpedeiros e canhoneiras. A guarnição em Ösel tinha aproximadamente catorze mil homens.[26]

A operação começou em 12 de outubro, quando o Moltke, Bayern e os outros couraçados iniciaram seu bombardeio de baterias russas na Baía de Tagga e na Península de Sworbe. O objetivo era conquistar o canal entre as ilhas de Moon e Dagö, o que bloquearia a única rota de escape para os navios russos no golfo. O Bayern e o Grosser Kurfürst bateram em minas enquanto manobravam para suas posições de bombardeio; danos ao segundo foram mínimos e ele continuou em ação, porém o Bayern foi seriamente danificado e reparos temporários não foram suficientes. O navio precisou recuar para Kiel a fim de passar por reparos, com a viagem de volta demorando dezenove dias.[27]

Fim da guerra

O Baden c. 1917

A Frota de Alto-Mar começou no final de 1917 a usar navios ligeiros para realizar ataques contra comboios no Mar do Norte que costumavam navegar entre o Reino Unido e a Noruega. Os cruzadores rápidos SMS Brummer e SMS Bremse interceptaram e destruíram em 17 de outubro um comboio de doze navios escoltados por dois contratorpedeiros, com apenas três embarcações escapando. Quatro barcos torpedeiros interceptaram e destruíram outro comboio de cinco navios e dois contratorpedeiros em 12 de dezembro. Isto fez o almirante sir David Beatty, o comandante da Grande Frota, a destacar vários couraçados e cruzadores de batalha para proteger os comboios. Isto apresentou aos alemães a oportunidade que estavam esperando a guerra inteira: a chance de isolar e eliminar uma parte da Grande Frota.[28]

O Bayern, Baden e todo o resto da Frota de Alto-Mar zarparam às 5h00min de 23 de abril de 1918 com a intenção de interceptar um desses comboios bem protegidos. Transmissões de rádio foram mantidas no mínimo com o objetivo de impedir que os britânicos descobrissem sobre a operação. O Moltke sofreu sérios problemas mecânicos às 5h10min do dia seguinte e precisou ser rebocado de volta para Wilhelmshaven. O comboio ainda não tinha sido localizado às 14h10min e assim Scheer resolveu voltar para casa. Na realidade, a inteligência naval alemã tinha calculado errado a data de partida do comboio em um dia e assim não havia navios no mar em 24 de abril.[29]

O almirante Franz von Hipper, o sucessor de Scheer, planejou em outubro de 1918 uma última batalha contra a Frota de Alto-Mar. Scheer, agora o Chefe do Estado-Maior Naval, aprovou o plano em 27 de outubro e a operação foi marcada para três dias depois. Tripulações cansadas da guerra começaram a desertar e desobedecer suas ordens enquanto a frota se reunia em Wilhelmshaven em 29 de outubro. Tripulantes a bordo dos couraçados Markgraf, SMS König e SMS Kronprinz Wilhelm fizeram um protesto em favor de paz. Tripulantes do couraçado SMS Thüringen foram os primeiros a se amotinarem abertamente, seguidos pelo SMS Helgoland e SMS Kaiserin.[30] Bandeiras vermelhas revolucionárias começaram a ser hasteadas nos mastros de alguns navios na noite no dia 29. Hipper mesmo assim decidiu realizar uma reunião a bordo do Baden, sua capitânia, para discutir a operação com os oficiais mais graduados da frota. Ficou claro na manhã seguinte que o motim estava muito avançado para que a ação fosse adiante. Hipper ordenou que as esquadras fossem para Kiel em uma tentativa de suprimir a revolta.[31] Bandeiras vermelhas já tinham sido hasteadas até 5 de novembro em todos os couraçados, com exceção do König, mas este passou a ser comandado por um comitê de marinheiros no dia seguinte.[32]

Destino

O Bayern afundando pela popa em Scapa Flow, 21 de junho de 1919

A Alemanha assinou um armistício em novembro de 1918 e foi decidido que a maior parte da Frota de Alto-Mar seria internada na base britânica de Scapa Flow.[33] O Bayern foi listado para ser internado, porém o Baden inicialmente ficou de fora, pois os britânicos acreditavam que o cruzador de batalha Mackensen tinha sido completado. O Baden o substituiu quando ficou claro que o Mackensen ainda estava em construção.[34] Eles deixaram a Alemanha pela última vez em 21 de novembro sob o comando do contra-almirante Ludwig von Reuter. A frota se encontrou com o cruzador rápido britânico HMS Cardiff, se encontrando em seguida com uma frota de aproximadamente 370 navios britânicos, estadunidenses e franceses para a viagem até Scapa Flow.[35] O Baden chegou separadamente em 14 de dezembro.[36]

Os canhões dos navios internados tiveram seus bloqueios de culatra removidos a fim de incapacitar seus armamentos. A frota permaneceu em cativeiro pelos meses seguintes enquanto as negociações do Tratado de Versalhes prosseguiam. Ficou aparente para Reuter que os britânicos tinham a intenção de tomar os navios em 21 de junho de 1919, que era a data limite original para a Alemanha assinar o tratado. Ele supostamente não sabia que o prazo tinha sido estendido em alguns dias e assim decidiu deliberadamente afundar as embarcações para impedir que isso ocorresse. A frota britânica deixou Scapa Flow na manhã de 21 de junho para realizar exercícios, com Reuter transmitindo a ordem de afundar às 11h20min.[37] O Bayern afundou às 14h30min, mas guardas britânicos conseguiram encalhar o Baden, que foi o único navio capital que não afundou. Foi reflutuado e minuciosamente examinado, sendo depois afundado como alvo de tiro em 16 de agosto de 1921 ao sudoeste de Portsmouth. Os destroços do Bayern foram reflutuados em 1º de setembro de 1934 e desmontados no ano seguinte em Rosyth.[10]

Os cascos incompletos do Sachsen e Württemberg foram tirados da marinha alemã de acordo com o Artigo 186 do Tratado de Versalhes. O Sachsen foi vendido para desmontagem em 1920 para desmanteladores em Kiel. O Württemberg teve o mesmo destino no ano seguinte, sendo desmontado em Hamburgo.[10]

Referências

  1. 1 2 3 Friedman 2011, p. 131.
  2. 1 2 Dodson 2016, p. 97.
  3. ↑ Hore 2006, p. 70.
  4. ↑ Dodson 2016, pp. 97–98.
  5. ↑ Herwig 1998, p. 77.
  6. ↑ Herwig 1998, p. 81.
  7. ↑ Sturton 1987, p. 38.
  8. ↑ Sturton 1987, p. 41.
  9. 1 2 3 4 5 6 Gröner 1990, p. 28.
  10. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Gröner 1990, p. 30.
  11. ↑ Lyon & Moore 1978, p. 104.
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  21. ↑ Dodson 2016, p. 99.
  22. 1 2 Gröner 1990, pp. 28–30.
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Ligações externas