Diana Andringa

Diana Andringa
Nome completoDiana Marina Dias Andringa
Nascimento
21 de agosto de 1947 (78 anos)

Nacionalidadeportuguesa
OcupaçãoJornalista
Diana Andringa no IMDb

Diana Marina Dias Andringa ComIH • GOL (Dundo-Chitato, Lunda Norte, 21 de Agosto de 1947) é uma jornalista, cronista e documentarista portuguesa.[1]

Biografia

Diana nasceu em Dundo-Chitato, filha de Amarina Correia Ferreira Dias e de Gisberto Paz Andringa, funcionário da Diamang. Seu avô paterno, Theodor Andringa, era de origem neerlandesa, mas nascido na Indonésia durante o período colonial[2].

Em Angola assistiu ao racismo e segregação racial entre os funcionários "brancos" da companhia e a população local. Diana Andringa designou-o por "apartheid não declarado".[3][4]

Após a partida de Angola, fez o liceu em Portugal, após o que iniciou o curso de Medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1964.[4][5]

Aí se iniciou no jornalismo, ao colaborar nos boletins universitários, em 1965. Em 1967 torna-se colaboradora do Diário Popular e do Diário de Lisboa. Em 1968, frequentou o primeiro Curso de Jornalismo criado pelo Sindicato dos Jornalistas e entrou para a redação da revista Vida Mundial.[6] Abandona esta revista no âmbito de uma demissão colectiva, dedicando-se em seguida à actividade de copywriter de publicidade até ser presa pela PIDE, por apoiar a independência de Angola. Condenada a 20 meses de prisão, volta ao jornalismo ao reingressar no Diário de Lisboa, em 1971.[4][7]

Um ano depois, porém, parte para Paris, onde chega a frequentar o curso de Sociologia, na Universidade de Paris 8. Regressa a Portugal em 1973.[4]

Antes de iniciar carreira na RTP passa, novamente, pela Vida Mundial (1976-1977), fixando-se definitivamente no jornalismo televisivo em 1978.[7][8] Tem uma passagem pela Informação do canal público, trabalhando nas redações do Telejornal e o Jornal 2,[9] e em programas diversos, como Zoom (actualidade internacional), Triangular (reportagem nacional), Informação 2 - Internacional,[10] Grande Reportagem[11][12][13][14][15][16][17] e Projectos Especiais.[18] Nesse âmbito conduz entrevistas a escritores como Ignacio Ramonet, Jorge Luís Borges e Marguerite Yourcenar ou políticos como Enrico Berlinguer, Delfim Neto, Georges Marchais e Kurt Waldheim.[19][18][20]

Na RTP, assinou a realização de diversos documentários,[21] como "Aristides de Sousa Mendes: O Cônsul Injustiçado" (1993),[22][23][24] "Humberto Delgado: Obviamente Assassinaram-no" (1995),[25][26][27] e "David Mourão-Ferreira: Retrato com Palavras" (1996),[28][29] e as séries "Geração de 60" (1992)[30][31] e "Crónica do Século" (1999-2002)[32][33][34]. Em 2001, foi responsável pelo programa "Artigo 37", na RTP2.[35][36] Viria a abandonar a estação nesse mesmo ano, continuando no entanto a sua atividade como documentarista independente,[4][37] destacando-se, por exemplo, o documentário "12 de Outubro de 1972: O Dia em que Perdemos o Medo", sobre as repercussões do assassinato de José Ribeiro Santos, em 2022.[38][39]

Exerceu ainda os cargos de diretora-adjunta do Diário de Lisboa (1989-1990), subdiretora de Actualidades na RTP1 (1998-2001) e subdiretora da RTP2 (2000-2001).[40] Integrou a Comissão de Trabalhadores da RTP (1993-1998) e foi presidente da Direção (1996-1998) e da Assembleia-Geral (1998-2001) do Sindicato dos Jornalistas.[18][41]

Lecionou na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (1998-1999) e na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa (1998-2001).[42] Em 2013, doutorou-se em Sociologia da Comunicação no ISCTE.[43]

Prémios e outras distinções


Foi agraciada com duas Ordens Portuguesas:[44]


Recebeu os prémios: [18][46]

  • 1994 - Prémio de Reportagem Televisiva pelo documentário "O Caso Big Dan's, Violação numa comunidade portuguesa", atribuído pelo Clube de Jornalistas
  • 1996 - Menção honrosa (com Maria João Rocha) por "Flora Gomes, identificação de um país", atribuído por Festival de Documentário da Malaposta
  • 1996 - Prémio "Repórter X" e Nacional de Reportagem, por "Humberto Delgado, obviamente assassinaram-no", atribuído por Clube de Jornalistas do Porto[47]
  • 1998 - Menção Honrosa para "José Rodrigues Miguéis, um homem do povo na história da República", no Festival de Curtas de Vila do Conde
  • 2003 - Prémio Universidades no Teleciência - Festival do Filme Científico, por "Engenho e Obra", atribuído pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
  • 2009 - Prémio Melhor Documentário por "Dundo, Memória Colonial", na III Mostra Internacional de Cinema Internacional em Língua Portuguesa (Mostra a Língua)

Obras

É autora de vários livros, nomeadamente: [49] [50]

  • 1996 - Demasiado! uma viagem ao mundo dos refugiados
  • 2014 - Funcionários da Verdade: Profissionalismo e Responsabilidade Social dos Jornalistas do Serviço Público de Televisão [52]
  • 2017 - Joaquim Pinto de Andrade, Uma Quase Autobiografia (co-autora: Victória de Almeida e Sousa) [53]

Filmografia

Assinou a realização, o argumento e a produção de diversos documentários, entre eles:[4][7][5]

  • 1981 - Goa, 20 anos depois
  • 1985 - Iraque, o país dos dois rios
  • 1994 - O Caso Big Dan's
  • 1996 - Corte de Cabelo: história de amor, Lisboa, anos 90

Em 1984 fez parte do elenco do filme O Lugar do Morto, realizado por António-Pedro Vasconcelos. [71]

Referências

  1. ↑ Biografias Portuguesas (PDF). [S.l.]: Porto Editora
  2. ↑ Márcio Aurélio Recchia. «O uso de fotografias na (re)construção da memória coletiva: o caso de Dundo, memória colonial, documentário de Diana Andringa». Uma Editoral - Universidad de Málaga. Consultado em 1 de novembro de 2025
  3. ↑ Oliveira, Maria José. «Diamang. 100 anos da maior empresa do império português: racismo, abusos e trabalhos forçados». Observador. Consultado em 14 de setembro de 2020
  4. 1 2 3 4 5 6 Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «Cinema Português - Diana Andringa». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 14 de setembro de 2020
  5. 1 2 «Diana Andringa». APR - Associação Portuguesa de Realizadores. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  6. ↑ Sociais, CES-Centro de Estudos. «Diana Andringa». CES - Centro de Estudos Sociais. Consultado em 16 de maio de 2024
  7. 1 2 3 Passos, Joana; Oliveira, Márcia. «Entrevista a Diana Andringa» (em inglês). Universidade do Minho. Consultado em 14 de setembro de 2020
  8. ↑ Teves, Vasco Hogan. «RTP-2: Um Novo Canal». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  9. ↑ «O que há de humano no exercício do jornalismo?». Gerador. 2 de junho de 2021. Consultado em 16 de maio de 2024
  10. ↑ Teves, Vasco Hogan. «RTP-2: Um Novo Canal». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  11. ↑ «América Central: À Sombra do Vulcão – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  12. ↑ «América Central: À Sombra do Vulcão – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  13. ↑ «Refugiados no Mundo – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  14. ↑ «Refugiados no Mundo – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  15. ↑ «Macau: A Cabeça da Víbora? – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  16. ↑ «Macau: A Cabeça da Víbora? – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  17. ↑ «Índios Micosuques nos EEA». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  18. 1 2 3 4 «CURRÍCULO DE DIANA ANDRINGA • Sindicato dos Jornalistas». Sindicato dos Jornalistas. 8 de janeiro de 2002. Consultado em 14 de setembro de 2020
  19. ↑ «RTP Entrevista Kurt Waldheim». Consultado em 16 de maio de 2024
  20. ↑ «Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira». www.biblioteca.cm-feira.pt. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  21. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Uma televisão de serviço público». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  22. ↑ «Aristides de Sousa Mendes: O Cônsul Injustiçado – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  23. ↑ «Aristides de Sousa Mendes: O Cônsul Injustiçado – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  24. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Uma Televisão de Serviço Público». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  25. ↑ «Humberto Delgado: obviamente, assassinaram-no – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  26. ↑ «Humberto Delgado: obviamente, assassinaram-no – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  27. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Entre a mudança e a reestruturação». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  28. ↑ «David Mourão-Ferreira: Retrato com Palavras – Parte I». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  29. ↑ «David Mourão-Ferreira: Retrato com Palavras – Parte II». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  30. ↑ «Geração de 60». RTP Arquivos. Consultado em 16 de maio de 2024
  31. ↑ Teves, Vasco Hogan. «RTP: uma antena para o mundo». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  32. ↑ Portugal, Margarida (13 de julho de 1999). «Século XX em 26 episódios». PÚBLICO. Consultado em 16 de maio de 2024
  33. ↑ «CRÓNICA DO SÉCULO - Informação - Actualidades - RTP». Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 16 de maio de 2024
  34. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Mais Pais e Mais Mundo nos anos difíceis da RTP». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  35. ↑ «Artigo 37 - Debates - RTP». Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 16 de maio de 2024
  36. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Mais País e Mais Mundo nos anos difíceis da RTP». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  37. ↑ Portugal, Rádio e Televisão de. «Artigo 37 - Debates - RTP». www.rtp.pt. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  38. ↑ «12 de Outubro de 1972: O Dia em que Perdemos o Medo - Documentários - RTP». Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 16 de maio de 2024
  39. ↑ «Exibido esta quarta-feira documentário de Diana Andringa sobre Ribeiro Santos». Esquerda. 12 de outubro de 2022. Consultado em 16 de maio de 2024
  40. ↑ «Diana Andringa | BUALA». www.buala.org. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  41. 1 2 «Clube de Jornalistas». Consultado em 2 de dezembro de 2021
  42. ↑ Sociais, CES-Centro de Estudos. «Diana Andringa». CES - Centro de Estudos Sociais. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  43. ↑ «Diana Andringa». Museu do Aljube. Consultado em 2 de dezembro de 2021
  44. 1 2 3 «ENTIDADES NACIONAIS AGRACIADAS COM ORDENS PORTUGUESAS - Página Oficial das Ordens Honoríficas Portuguesas». www.ordens.presidencia.pt. Consultado em 14 de setembro de 2020
  45. ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Diana Marina Dias Andringa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 21 de junho de 2014
  46. ↑ «Diana Andringa | Universidade de Coimbra - Academia.edu». coimbra.academia.edu. Consultado em 14 de setembro de 2020
  47. ↑ Teves, Vasco Hogan. «Entre a mudança e a reestruturação». museu.rtp.pt. Consultado em 16 de maio de 2024
  48. ↑ «Diana Andringa recebe Prémio Maria Isabel Barreno • Sindicato dos Jornalistas». Sindicato dos Jornalistas. 9 de outubro de 2017. Consultado em 14 de setembro de 2020
  49. ↑ «Bibliografia de Diana Andringa». Biblioteca Nacional de Portugal. Consultado em 14 de setembro de 2020
  50. ↑ «Diana Andringa» (em inglês). Consultado em 14 de setembro de 2020
  51. ↑ «Em Defesa de Aquilino Ribeiro - Livro - WOOK». www.wook.pt. Consultado em 14 de setembro de 2020
  52. ↑ «Diana Andringa | Funcionários da Verdade». www.wook.pt. Consultado em 14 de setembro de 2020
  53. ↑ «Joaquim Pinto de Andrade, Uma Quase Autobiografia - Livro - WOOK». www.wook.pt. Consultado em 14 de setembro de 2020
  54. ↑ Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «De Sol a Sol». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 14 de setembro de 2020
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  58. 1 2 3 4 Diana Andringa no IMDb. Página visitada em 2014-06-21.
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Ligações externas