Fergrupo

Fergrupo
Logotipo da empresa, numa das atacadeiras de via
Razão socialFergrupo, Construções e Técnicas Ferroviárias, S.A.
Sociedade Anónima
AtividadeConstrução e manutenção ferroviária
Fundação1989
SedeLisboa, em Portugal
Área(s) servida(s)Portugal
CertificaçãoSegurança e Higiene no Trabalho (OHSAS 18001:1999 / NP 4397:2001)
Empresa-mãeCOMSA EMTE
Websitehttp://www.fergrupo.pt/

A Fergrupo, Construções e Técnicas Ferroviárias, S.A., mais conhecida pela designação FERGRUPO ou Fergrupo, é uma empresa portuguesa de engenharia e construção ferroviária.

Descrição

A empresa constitui a filial portuguesa do grupo espanhol Comsa.[1] Opera na indústria da instalação e manutenção de infraestruturas ferroviárias, com capacidade para abranger todos as vertentes naquele tipo de obras, incluindo as obras civis, a construção e manutenção da via férrea, a engenharia e a electrificação.[1]

Foi responsável por intervenções em grandes infraestruturas nacionais, como o Metropolitano de Lisboa, o Metro do Porto, os portos de Lisboa e de Sines.[2] Destacam-se principalmente os seus trabalhos na rede ferroviária, incluindo a electrificação da Linha da Beira Alta, a construção de infraestruturas no Eixo Norte-Sul, que teve como finalidade permitir a circulação de comboios na Ponte 25 de Abril, a duplicação e electrificação do lanço entre Ermesinde e Lousado na Linha do Minho, a reabilitação e conservação da superestrutura de via em vários lanços na Linha do Douro, a modernização dos tramos entre Entroncamento e Alfarelos da Linha do Norte, de Funcheira a Santa Clara na Linha do Sul, e de Tunes a Faro na Linha do Algarve.[2] Fez igualmente outras empreitadas nas linhas férreas do Algarve, Leixões, Leste, Minho, Tua, Corgo e Tâmega e na rede ferroviária do Vouga.[2] No Metropolitano de Lisboa, construiu a via férrea nos lanços entre Telheiras, Campo Grande e Ameixoeira, e de Alameda II a S. Sebastião II, entre outras obras.[2] Quanto ao Metro do Porto, concluiu a instalação das vias de acesso aos estádios, e foi responsável pelo prolongamento da Linha Amarela até Estação Santo Ovídio.[2]

Também tem marcado presença no estrangeiro, nomeadamente nos carros eléctricos e no metropolitano de Dublin, e nas redes ferroviárias de Santa Cruz de Tenerife, Palma de Maiorca e Espanha continental, tendo igualmente prestado serviços de maquinaria em Espanha e na Itália.[1]

Antiga locomotiva da Série 1500 da CP ao serviço da Fergrupo, na estação da Régua, em 2009.

História

Os primeiros passos para a criação da Fergrupo foram dados em 5 de Dezembro de 1988, numa reunião em Paris, na qual participaram as empresas COMSA, de Espanha, A.DEHÉ, de França, VALDITERRA spa, da Itália, e R.DELERUE, de Portugal.[2] Nesta reunião decidiu-se formar uma nova sociedade de construção e manutenção ferroviária, cuja coordenação ficaria a cargo da R. DELERUE.[2] A escritura de constituição foi assinada em 15 de Março do ano seguinte, tendo o engenheiro D. Delerue sido nomeado para os postos de presidente do conselho de administração e administrador delegado da sociedade.[2] Este foi um importante marco na evolução da empresa Comsa, uma vez que foi a primeira expansão internacional daquele grupo.[1]

Em 3 de Fevereiro de 1990 foi assinado o primeiro contrato entre a Fergrupo e o Gabinete do Nó Ferroviário de Lisboa, correspondente à empreitada para a construção de um terminal de inversão de comboios em Sintra, iniciando desta forma a fase de produção da empresa, durante a qual foram usados pela primeira vez ferramentas e equipamentos.[2] A Fergrupo conheceu depois um forte desenvolvimento, com a adjudicação de várias empreitadas por parte de grandes empresas e grupos nacionais, como a Cimpor, a Rodofer, a Siderurgia Nacional e a operadora Caminhos de Ferro Portugueses.[2] Em 5 de Dezembro de 1990 alcançou um importante marco, quando obteve da Comissão de Alvarás de Empresas de Obras Públicas e Particulares a autorização para concorrer até alvarás de quinta classe, de valor muito superior às anteriores.[2] Em 1991 ganhou o concurso para a remodelação da via férrea no lanço entre Faro e estação de Olhão da Linha do Algarve, e em Abril desse ano candidatou-se, em conjunto com a Siemens, ao concurso da CP para fornecimento e montagem de catenárias.[2] Em Setembro de 2008, foi adjudicada ao consórcio Fergrupo/COMSA a construção de uma travessia superior para peões sobre a Linha do Norte, junto à gare de Vila Franca de Xira.[3] Em 2015 ganhou o concurso para a renovação parcial da rede ferroviária do Vouga.[4]

Em 12 de Abril de 2019, o jornal Público noticiou que a Autoridade da Concorrência tinha acusado formalmente várias empresas, incluindo a Fergrupo, de terem criado um cartel na indústria da manutenção ferroviária.[5] Em 4 de Março de 2020, aquele periódico referiu que que a Autoridade da Concorrência tinha multado a Fergrupo e a Somafel, alegadamente por estarem envolvidas no cartel da manutenção ferroviária, entre 2014 e 2015.[6]

A empresa foi responsável, como parte de um consórcio com as companhias espanholas Comsa e Constructora San José, pela instalação do lanço entre Évora-Norte e o Freixo da Nova Linha de Évora, entre Évora e Elvas, tendo o auto de adjudicação sido assinado em 11 de Fevereiro de 2019.[7] Esteve igualmente envolvida nas obras de modernização do lanço entre Tunes e Lagos da Linha do Algarve, iniciadas em 2022, como parte de um consórcio com a companhia espanhola COMSA.[8]

Atacadeira da Fergrupo, na estação de Mogofores, em 2010.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 ORDÓNEZ, José Luis (Junho de 2007). «Grupo Comsa». Via Libre. Ano XLIV (509). Madrid: Fundacion de los Ferrocarriles Españoles. p. 62, 67. ISSN 1134-1416
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 «História». Fergrupo. Consultado em 20 de Março de 2026
  3. ↑ «Nova travessia superior para peões junto à estação». Público. 1 de Outubro de 2008. Consultado em 20 de Março de 2026
  4. ↑ CIPRIANO, Carlos (15 de Julho de 2015). «Quatro meses para renovar 14 kms da linha do Vouga nas horas de expediente». Público. Consultado em 20 de Março de 2026
  5. ↑ BRITO, Ana (12 de Abril de 2019). «Mota-Engil condenada a multa de 906 mil euros por cartel na manutenção ferroviária». Público. Consultado em 20 de Março de 2026
  6. ↑ BRITO, Ana (4 de Março de 2020). «Concorrência aplicou coima de 3,4 milhões ao cartel da ferrovia». Público. Consultado em 20 de Março de 2026
  7. ↑ CIPRIANO, Carlos (11 de Fevereiro de 2019). «Alentejo vai ter 3000 trabalhadores na construção da linha Évora – Elvas». Público. Consultado em 20 de Março de 2026
  8. ↑ CIPRIANO, Carlos (23 de Junho de 2022). «Falhas de projecto e falta de experiência do consórcio explicam paragem das obras na Linha do Oeste». Público. Consultado em 20 de Março de 2026

Ligações externas