Forças Integralistas

Forças Integralistas
Outros nomesCamisas Verdes
Líder(es)Comandante:
Gustavo Barroso
Chefe do Estado Maior:
Olímpio Mourão Filho
Fundaçãofevereiro de 1934
Dissoluçãojunho de 1936[1]
Área de atividade Brasil
IdeologiaIntegralismo brasileiro
Parte deAção Integralista Brasileira
Inimigos Partido Comunista
Maçonaria
ConflitosBatalha da Praça da Sé
Batalha da Serra do Doutor
SloganDeus, Pátria e Família

As Forças Integralistas (FI) foram uma força paramilitar ligada à Ação Integralista Brasileira (AIB). Era subordinada, em primeiro momento, ao Departamento Nacional de Milícias e, depois da reorganização da AIB, em 1936, à Secretaria de Educação. Ambas sob o comando do escritor e historiador Gustavo Barroso e do então capitão do exército Olímpio Mourão Filho.[1]

História e estrutura da milícia

Hierarquia e organização da milícia retirada do livro "O que o Integralista deve saber" de Gustavo Barroso

Segundo verbete da Fundação Getúlio Vargas: “A milícia se organizava subdividindo-se em “comando” e “tropas”, o primeiro como órgão de direção e o segundo de execução. A direção suprema da milícia pertencia ao chefe nacional, enquanto chefe das “forças integralistas de terra, mar e ar”, contando com a colaboração da secretaria nacional responsável pela milícia integralista e pela tropa de proteção, bem como do chefe do estado-maior, com a responsabilidade pela “preparação e execução das decisões do alto comando”. Esta mesma estrutura se reproduzia em nível regional com suas ramificações locais”. [2]

As Milícias Integralistas estiveram presentes em todo território nacional. Em dezembro de 1933, pouco mais de 01 ano de criação da Ação Integralista Brasileira (AIB), já é possível encontrar referência no jornal Monitor Integralista, que indicava em suas páginas, sobre a Milícia Integralista no Distrito Federal, já contava com “1.800 camisas-verdes, operários, estudantes, funcionários públicos, médicos, engenheiros, advogados, pequenos industriais e empregados no comércio” [3]

Em junho de 1934, com a aprovação pelo Ministério da Guerra do uniforme integralista (camisa verde, gravata preta, calça preta ou branca, casquete verde e sapatos, e o emblema do movimento — o sigma — colocado sobre o braço direito e no casquete) começaram os desfiles regionais e os primeiros conflitos. Já em maio de 1934, desfilavam quatro mil integralistas no Rio de Janeiro, mas em julho também marcharam os milicianos uniformizados de Niterói, Salvador, Recife e Belo Horizonte.[4]

Camisa verde original da antiga Ação Integralista Brasileira

No I congresso integralista de Vitória que ocorrera oficialmente dia 1 de março de 1934 no teatro Carlos Gomes[5] foi estabelecido, através dos estatutos, os orgãos de base da organização política, entre eles, a milícia que estava sendo formada.

Todo integralista com a idade de 16 a 42 anos era obrigado a inscrever-se nas forças integralistas (milícia), optando pela categoria em que desejava engajar-se. A tropa organizava-se em categorias: o militante de primeira e segunda linhas. A hierarquia da milícia distinguia três escalões: os graduados, os oficiais e os oficiais-generais. A estrutura da milícia previa as seguintes unidades: decúria, terço, bandeira e legião, esta constituída por quatro bandeiras. A função da milícia não era apenas preparar os integralistas para os desfiles e a cultura física, mas desenvolver um verdadeiro treinamento militar, desde a instrução “técnica, tática e moral” até a elaboração de planos de combate. As cinco armas militares constituíam a “tropa” integralista: infantaria, cavalaria, engenharia, artilharia e aviação. O integralista que se inscrevesse como “militante de primeira linha” deveria fazer instrução de miliciano durante 60 dias e depois integrar-se numa decúria (unidade com dez militantes). Após ter preenchido uma ficha, onde ficavam registradas todas as aptidões do militante, o candidato prestava o seguinte juramento diante do comandante da milícia: “Assentando praça na milícia integralista, em nome de Deus e pela minha honra eu juro: primeiro, absoluta disciplina aos meus chefes e perfeita solidariedade aos meus camaradas; segundo, dar a minha vida, se necessário, pela causa da revolução integralista; terceiro, amar, respeitar e fazer respeitar o chefe nacional. [6]

A milícia da AIB buscava inspiração no antigo exército de Roma, o que é visível principalmente no nome da unidade "legião" e possuía as seguintes unidades: Elemento, decúria, terço, bandeira e legião.

Elemento: Compreende quatro homens e é comandado por um sub-decurião.

Total: 5 milicianos
Gustavo Barroso com seu uniforme de secretário da milícia.

Decúria: Compreende dois elementos; comandada por um decurião.

Total: 11 milicianos

Terço: Compreende três decúrias; é comandada por um monitor e assistido por um sub-monitor.

Total: 35 milicianos

Bandeira: Compreende três terços; é comandada por um bandeirante, o qual é assistido por dois monitores e a guarda de uma decúria. Conduz uma bandeira Integralista, com uma guarda de 8 milicianos.

Total: 128 milicianos 

Legião: Compreende quatro bandeiras. É comandada por um mestre de campo, assistido por 2 bandeirantes, 3 monitores e a guarda de um terço. Conduz a bandeira nacional, com uma guarda de 8 milicianos.

Total: 562 milicianos

A ação integralista brasileira comportava pessoas de todas as idades, os chamados "plinianos" formavam a juventude da AIB. Dentro da juventude integralista, a qual fazia parte da administração da milícia, os jovens passavam por quatro grupos:

  • dos 4 aos 6 anos inscreviam-se nos "infantes"
  • dos 6 aos 9 anos inscreviam-se nos "curupiras"
  • dos 10 aos 12 anos inscreviam-se nos "vanguardeiros"
  • dos 13 aos 15 anos inscreviam-se nos "pioneiros"

Os plinianos deviam usar uniforme: camisa verde, calça branca ou azul, sapatos pretos, casquete negro ou chapéu de escoteiro.

Plinianos de uma família integralista fazendo a saudação Anauê.

Intentona Comunista de 1935

No dia 23 de novembro de 1935, a mando do Komintern, começa a chamada Intentona Comunista que desejava tomar o poder político a força. Nessa ocasião a milícia da AIB participou ativamente no contra-golpe: se apresentaram nos quartéis, deram informações que anteciparam a organização de várias guarnições militares, participaram de bloqueios e ajudaram em patrulhas; frustrando, como foi posteriormente admitido por Luiz Carlos Prestes, a intentona no Brasil. [7] [8]

Integralistas saúdam os militares mortos em 35

Juramentos da milícia

Os infantes recebidos como escoteiros e os curupiras iniciavam prestando o seguinte juramento:

Juramento do curupira:

“Prometo ser soldadinho de Deus, da pátria e da família; prometo ser obediente a meus pais, ser amigo de meus irmãos, colegas e companheiros; prometo ser aplicado para tornar-me útil a Deus, à pátria e à família.”[9]

Quando o jovem vanguardeiro completava seus dez anos de idade deveria prestar juramento à bandeira nacional:

Juramento do vanguardeiro à bandeira:

“Bandeira de minha pátria! Prometo servir ao Brasil — na hora da alegria e na hora do sofrimento no dia da glória e no dia do sacrifício.”[9]

Juramento do praça miliciano da AIB:

“Assentando praça na Milícia Integralista, em nome de Deus e pela minha honra eu juro: primeiro, absoluta disciplina aos meus chefes e perfeita solidariedade aos meus camaradas; segundo, dar a minha vida, se necessário, pela causa da Revolução Integralista; terceiro, amar, respeitar e fazer respeitar o Chefe Nacional.”[10]

Referências

  1. 1 2 TRINDADE, Hélgio (1979). Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30. São Paulo/Rio de Janeiro: Difel. pp. 178 – 188
  2. ↑ TRINDADE, Hélgio. «Milícia Integralista». Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 25 de fevereiro de 2026. Arquivado do original em 14 de junho de 2021
  3. ↑ Monitor Integralista (1): 1. Dezembro de 1933
  4. ↑ «Fundo Plínio Salgado». Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro. 12 de abril de 2020. Consultado em 25 de fevereiro de 2026
  5. ↑ FAGUNDES, Pedro Ernesto (2011). OS INTEGRALISTAS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (1933-1938) (PDF). [S.l.]: Revista Ágora. p. 2. 1 páginas
  6. ↑ TRINDADE, Hélgio. «Integralismo». Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 25 de fevereiro de 2026. Arquivado do original em 21 de junho de 2025
  7. ↑ Revista Anauê!. Rio de Janeiro: Anauê. 1937. p. 52
  8. ↑ SALGADO 1954, p. 38.
  9. 1 2 MELO, Gildete Pereira Tavares de (17 de agosto de 2018). «Papel das Mulheres na Ação Integralista (1932 – 1937)»: p. 46. Consultado em 19 de dezembro de 2022
  10. ↑ SIMÕES, Renata. «Hollanda Loyola e a Milícia Integralista: Escola de Civismo e "Disciplina Inteligente"». XXVII Simpósio Nacional de História - Anais Simpósios ANPUH. p. 8. ISBN 978-85-98711-11-9. Consultado em 19 de dezembro de 2022

Bibliografia

  • SALGADO, Plínio (1954). O Integralismo na Vida Brasileira. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira 
  • TRINDADE, Hélgio (1979). Integralismo: O Fascismo Brasileiro na Década de 30. Rio de Janeiro: Difusão Editorial 

Ver também