Giovinezza

Giovinezza
Português: Juventude
LetraNino Oxilia (1909)
Marcello Manni (1919)
Salvator Gotta (1924)
ComposiçãoGiuseppe Blanc, 1909
Adotado1943
Até1945
Precedido por"Marcia Reale"
(Reino da Itália)
Sucedido por"La Leggenda del Piave"
Amostra de áudio

"Giovinezza" ([dʒoviˈnettsa]; italiano para “Juventude”) foi o hino oficial do Partido Nacional Fascista Italiano, do regime e do exército, e foi um hino nacional não oficial do Reino da Itália entre 1924 e 1943.[1] Embora frequentemente cantado junto com a Marcha Real, o hino oficial, algumas fontes consideram que "Giovinezza" o tenha suplantado como o hino nacional de facto do país[2] (Inno della Patria),[3] para desgosto de Vítor Emanuel III[4] — um poderoso símbolo da diarquia entre o Rei e Mussolini.[5] Posteriormente, tornou-se um hino não oficial da República Social Italiana.[6]

Onipresente na Itália da metade do século XX, o hino enfatizava a juventude como tema do movimento fascista e era um exemplo da centralidade dos Arditi na narrativa fascista.[7]

História

"Giovinezza" foi composta pelo advogado e compositor Giuseppe Blanc em 1909 como "Il Commiato" (em italiano, "Despedida"). Blanc posteriormente escreveu outras músicas fascistas, incluindo As Águias de Roma, uma ode ao Império Italiano.[8] Originalmente uma canção de formatura da universidade de Turim,[9] e popular entre soldados italianos durante a Primeira Guerra Mundial, a canção era chamada de "Inno degli Arditi" (Hino dos Arditi, um corpo do Exército Real Italiano durante a Primeira Guerra Mundial, cujos membros se juntaram ao movimento fascista em grande número).[10] O hino ganhou ainda mais popularidade com os comícios de massa de Gabriele d'Annunzio em Fiume.[11]

A versão cantada durante a Marcha sobre Roma foi composta por G. Castaldo em 1921, usando a partitura original de Giuseppe Blanc e letra de Marcello Manni (começando com "Su compagni in forte schiere"). Após a Marcha sobre Roma, Mussolini encomendou a Salvator Gotta a escrita da nova letra, concluída em 1924.[12]

Letras

Letras de 1922

Letras em italiano[13]
Su, compagni in forti schiere,
Marciam verso l'avvenire,
Siam falangi audaci e fiere,
Pronte a osare, pronte a ardire.
Trionfi alfine l'ideale,
Per cui tanto combattemmo:
Fratellanza nazionale
D'italiana civiltà.
Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza
Della nostra libertà.
Non più ignava nè avvilita
Resti ancor la nostra gente,
Si ridesti a nuova vita
Di splendore più possente.
Su, leviamo alta la face
Che c'illumini il cammino,
Nel lavoro e nella pace
Sia la verà libertà.
Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza
Della nostra libertà.
Nelle veglie di trincea,
Cupo vento di mitraglia
Ci ravvolse alla bandiera,
Che agitammo alla battaglia.
Vittoriosa al nuovo sole:
Stretti a lei dobbiam lottare,
È l'Italia che lo vuole,
Per l'Italia vincerem!
Giovinezza, giovinezza
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza
Della nostra libertà.
Sorgi alfin lavoratore,
Giunto è il dì della riscossa,
Ti frodarono il sudore
Con l'appello alla sommossa.
Giù le bende ai traditori
che ti strinsero a catena;
alla gogna gl'impostori
delle asiatiche virtù.
Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza
Della nostra libertà.
Tradução em português[13]
Avante, camaradas em fortes fileiras,
Marchemos rumo ao futuro,
Somos falanges ousadas e orgulhosas,
Prontos a arriscar, prontos a ousar.
Finalmente triunfa o ideal
pelo qual tanto lutamos:
Irmandade nacional
da civilização italiana.
Juventude, Juventude,
Primavera da beleza,
No fascismo está a salvação
da nossa liberdade.
Não mais preguiçosa nem desanimada
Permanece ainda o nosso povo,
Eles despertam para uma nova vida
De mais poderoso esplendor.
Vamos, erguemos alto a tocha
Que ilumina o caminho,
No trabalho e na paz
Está a verdadeira liberdade.
Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No Fascismo está a salvação
Da nossa liberdade.
Nas vigílias das trincheiras,
O vento sombrio da metralhadora
Nos envolveu na bandeira
Que agitamos para a batalha.
Vitoriosa ao novo sol,
Próximos a ela devemos lutar,
É a Itália que quer isso,
Pela Itália venceremos!
Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No Fascismo está a salvação
Da nossa liberdade.
Levanta-te enfim, trabalhador.
Chegou o dia da revanche.
Roubaram-te o suor
Com o chamado à revolta.
Abaixo as vendas dos traidores
Que te acorrentam;
À fogueira os impostores
Da virtude asiática.
Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No Fascismo está a salvação
Da nossa liberdade.

Letras de 1924

Letras em italiano[14]
Salve o popolo di eroi,
salve o Patria immortale,
son rinati i figli tuoi
con la fe' nell'ideale.
Il valor dei tuoi guerrieri,
la virtù dei pionieri,
la vision dell'Alighieri,
oggi brilla in tutti i cuor.
𝄆 Giovinezza, Giovinezza,
Primavera di bellezza,
della vita nell'asprezza
il tuo canto squilla e va! 𝄇
Nell'Italia nei confini,
son rifatti gli Italiani,
li ha rifatti Mussolini
per la guerra di domani.
Per la gloria del lavoro,
per la pace e per l'alloro,
per la gogna di coloro
che la Patria rinnegar.
𝄆 Giovinezza, Giovinezza,
Primavera di bellezza,
della vita nell'asprezza
il tuo canto squilla e va! 𝄇
I poeti e gli artigiani,
i signori e i contadini,
con orgoglio d'Italiani
giuran fede a Mussolini.
Non v'è povero quartiere,
che non mandi le sue schiere,
che non spieghi le bandiere
del Fascismo redentor.
𝄆 Giovinezza, Giovinezza,
Primavera di bellezza,
della vita nell'asprezza
il tuo canto squilla e va! 𝄇
Tradução em português[14]
Salve, povo de heróis,
salve, Pátria imortal,
os teus filhos renasceram
com a fé e o ideal.
A valentia dos teus guerreiros,
a virtude dos teus pioneiros,
a visão de Alighieri,
hoje brilha em todos os corações.
𝄆 Juventude, Juventude,
Primavera da beleza,
Na dureza da vida
O teu canto ressoa e vai! 𝄇
Dentro dos limites italianos,
os italianos foram refeitos,
Mussolini os refez
Para a guerra de amanhã.
Pela glória do trabalho,
pela paz e pelo louro,
pela vergonha daqueles
que renegaram nossa Pátria.
𝄆 Juventude, Juventude,
Primavera da beleza,
Na dureza da vida
O teu canto ressoa e vai! 𝄇
Os poetas e os artesãos,
os senhores e os camponeses,
com orgulho de italianos
juram fidelidade a Mussolini.
Não há bairro pobre,
que não envie suas fileiras,
que não exiba as bandeiras
do Fascismo redentor.
𝄆 Juventude, Juventude,
Primavera da beleza,
Na dureza da vida
O teu canto ressoa e vai! 𝄇

Letras de 1943

Letras em italiano[15]
Allorché dalla trincera
suona l'ora di battaglia,
sempre è prima Fiamma Nera
che terribile si scaglia
col pugnale nella mano
con la fede dentro il cuore
essa avanza, va lontano
con la gloria e di valor!
𝄆 Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza della nostra civiltà!
Per Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇
Del pugnale al fiero lampo
della bomba al gran fragore,
tutti avanti, tutti al campo:
qui si vince oppur si muore!
Sono giovane e son forte,
non mi trema in petto il cuore:
sorridendo vo alla morte
pria d'andar al disonor!
𝄆 Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza della nostra civiltà!
Per Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇
Col pugnale e colla bomba
nella vita del terrore
quando l'obice rimbomba
non mi trema in petto il cuore.
La mia splendida bandiera
è d'un unico colore,
è una fiamma tutta nera
che divampa in ogni cuor!
𝄆 Giovinezza, giovinezza,
Primavera di bellezza,
Nel Fascismo è la salvezza della nostra civiltà!
Per Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇
Tradução em português[15]
Quando da trincheira
soa a hora da batalha
Está sempre à frente a Chama Negra
que terrível se lança
com o punhal na mão
com fé no coração
ela avança, vai longe
com glória e valor!
𝄆 Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No fascismo está a salvação da nossa civilização!
Por Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇
Do punhal ao lampejo feroz
da grande bomba trovejante,
todos adiante, todos ao campo:
aqui se vence ou se morre!
Sou jovem e sou forte,
meu coração não treme no peito:
sorrindo diante da morte
antes de ir à desonra!
𝄆 Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No fascismo está a salvação da nossa civilização!
Por Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇
Com o punhal e a bomba
na vida do terror
quando o obuseiro retumba
meu coração não treme.
Minha bela bandeira
é de uma só cor,
é uma chama totalmente negra
que arde em cada coração!
𝄆 Juventude, juventude,
Primavera da beleza,
No fascismo está a salvação da nossa civilização!
Por Benito Mussolini:
Eja, eja, alalà! 𝄇

Apresentações

"Giovinezza" era tocada "com o menor pretexto" em eventos desportivos, filmes e outras reuniões públicas, e frequentemente acarretava consequências adversas (até violentas) para aqueles que não se juntavam a ela.[16] Até estrangeiros eram agredidos por camisas negras se falhassem em remover seus chapéus e demonstrar respeito quando "Giovinezza" era tocada.[17]

Na década de 1930, "Giovinezza" foi designada como o hino oficial do exército italiano.[18] O dia escolar era obrigado a ser aberto com "Giovinezza" ou "Balilla", a canção da Opera Nazionale Balilla.[19] Uma versão gravada e fraca do hino tocava ao fundo na Capela dos Mártires Fascistas na Exposição da Revolução Fascista.[20]

Havia uma canção alemã com letras em alemão, adaptada à mesma melodia de Giovinezza; "Hitlerleute" (povo de Hitler) substituindo "Giovinezza". Uma tradução japonesa de Giovinezza, "黒シャツ党の歌" (lit. A canção do partido das camisas negras) e "ファシストの歌" (lit. Canção Fascista), foi criada em comemoração ao Pacto Tripartite e usada na radiodifusão japonesa no exterior.[21]

O tenor italiano Beniamino Gigli gravou "Giovinezza" em 1937, embora o hino seja notavelmente excluído de sua "Edizione Integrale", lançada pela EMI.[22] "Giovinezza" seguiu a inauguração do parlamento fascista em 1924 (após a lei Acerbo)[23] e precedeu a radiodifusão nazi anunciando a criação da República Social Italiana.[24]

"Giovinezza" foi cantada em 12 de março de 1939, o dia da coroação do Papa Pio XII, pela Guarda Palatina do Papa. Após a última cerimônia de sua coroação papal terminar, Pio XII foi descansar no Palácio de Latrão. O canto ocorreu durante um momento de camaradagem pública entre a Guarda Palatina e a Guarda Italiana, "a Guarda Palatina e a Guarda Italiana trocaram cortesias, a primeira tocando o hino fascista, 'Giovinezza', e a segunda o hino papal." Esse incidente, que não fazia parte da cerimônia de coroação e ocorreu sem o conhecimento ou aprovação do Papa Pio XII, é às vezes usado para retratar Pio XII como um criptofascista.[25]

Toscanini

Arturo Toscanini (que anteriormente concorrerá como candidato parlamentar fascista em 1919 e a quem Mussolini chamara de "o maior maestro do mundo") notoriamente recusou-se a reger "Giovinezza" em múltiplas ocasiões. Toscanini recusara-se a tocar "Giovinezza" em Milão em 1922 e mais tarde em Bayreuth, o que lhe rendeu elogios de antifascistas por toda a Europa.[26] Mussolini não compareceu à estreia de Turandot de Puccini em 15 de abril de 1926 – tendo sido convidado pela direção da La Scala – porque Toscanini não tocaria Giovinezza antes da apresentação.[27] Finalmente, Toscanini recusou-se a reger "Giovinezza" em um concerto de maio de 1931 em Bolonha, foi subsequentemente agredido por um grupo de camisas negras e, em seguida, deixou a Itália até após a Segunda Guerra Mundial.[1][28]

Relação com a Marcia Reale

A Marcha Real frequentemente precedia "Giovinezza" em ocasiões oficiais,[29] conforme exigido por regulamentos oficiais após uma tentativa abortiva de fundir as duas canções.[5] Muitos consideravam a Marcha Real "prolixa e chamativa", e esses defeitos eram destacados de forma aguda em apresentações cerimoniais consecutivas.[30] "Giovinezza" era usada como sinal de encerramento pela rádio italiana sob Mussolini; após a destituição de Mussolini em 1943, a rádio italiana encerrou pela primeira vez em 21 anos tocando apenas a Marcha Real, "Marcia Reale".[31]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Giovinezza», especificamente desta versão.

Ver também

Referências

  1. 1 2 Farrell, Nicholas. 2005. Mussolini: a New Life. Sterling Publishing Company, Inc. ISBN 1-84212-123-5. p. 238.
  2. ↑ Silone, Ignazio. 1977. Fontamara. Manchester University Press. ISBN 0-7190-0662-7. p. 252.
  3. ↑ Bertini, Tullio Bruno. 1998. Trapped in Tuscany Liberated by the Buffalo Soldiers. Branden Books. ISBN 0-937832-35-9. p. 79.
  4. ↑ Mack Smith, Denis. 1959. Italy: A Modern History. University of Michigan Press. p. 391.
  5. 1 2 Mack Smith, Denis. 1989. Italy and Its Monarchy. Yale University Press. ISBN 0-300-05132-8. p. 273.
  6. ↑ Giacomo De Marzi, I canti di Salò, Fratelli Frilli, 2005.
  7. ↑ Olick, Jeffrey K. 2003. States of Memory-CL: continuities, conflicts, and transformations in national retrospection. Duke University Press. ISBN 0-8223-3063-6. p. 69.
  8. ↑ Arnold, Denis. 1983. The New Oxford Companion to Music. Oxford University Press. p. 763.
  9. ↑ Langsam, Walter Consuelo. 1954. The World Since 1919. Macmillan. p. 154.
  10. ↑ Scott, Jonathan French, and Baltzly, Alexander. 1930. Readings in European History Since 1814. F. S. Crofts & co. p. 607.
  11. ↑ Payne, George Stanley. 1995. A History of Fascism, 1914-1945. Routledge. ISBN 1-85728-595-6. p. 92.
  12. ↑ "
  13. 1 2 Versão do Fasci di combattimento. "".
  14. 1 2 Versão do PNF. "".
  15. 1 2 Versão da RSI. "".
  16. ↑ Gallagher, Tag. 1998. The Adventures of Roberto Rossellini. Da Capo Press. ISBN 0-306-80873-0. p. 62.
  17. ↑ Mellow, MR James R. 1994. Hemingway: A Life Without Consequences. Da Capo Press. ISBN 0-201-62620-9. p. 184.
  18. ↑ Germino, Dante L. 1959. The Italian Fascist Party in Power: A Study in Totalitarian Rule. University of Minnesota Press. p. 114.
  19. ↑ Ebenstein, William. 1972. Fascist at Work. Ams Pr Inc. p. 134.
  20. ↑ Etlin, Richard A. 1994. Symbolic Space: French Enlightenment Architecture and Its Legacy. University of Chicago Press. ISBN 0-226-22084-2. p. 196.
  21. ↑ 北山節郎 (KITAYAMA, Setsurou) 1987 ラジオ・トウキョウ 1 真珠湾への道 (Radio Tokyo 1: The road to the Pearl Harbor) ISBN 978-4803802078
  22. ↑ High fidelity. 1957. Records in Review. Wyeth Press. p. 360.
  23. ↑ The New York Times. 25 May 1924. "Italy's Parliament Opened with Pomp." p. 3.
  24. ↑ New York Times. 9 September 1943. "New Fascist Regime Setup, Nazis Report." p. 1.
  25. ↑ Matthews, Herbert L. 19 May 1939. "Pope Takes Over St. John Lateran In Pageant Last Held 93 Years Ago." New York Times. p. 9.
  26. ↑ Ignatieff, Michael. 1999. Isaiah Berlin: A Life. Owl Books. ISBN 0-8050-6300-5. p. 54.
  27. ↑ Osborne, Charles. 1993. The Complete Operas of Puccini: A Critical Guide. Da Capo Press. ISBN 0-306-80200-7. p. 250-251.
  28. ↑ Taubman, Hyman Howard. 1951. The Maestro, the Life of Arturo Toscanini. Simon and Schuster. p. 157.
  29. ↑ Procacci, Giuliano. 1970. History of the Italian People. Weidenfeld & Nicolson. p. 356.
  30. ↑ Katz, Robert. 1971. The Fall of the House of Savoy. Macmillan. p. 259.
  31. ↑ Brigham, Daniel T. 26 July 1943. "Mussolini ousted with fascist cabinet." New York Times.