Hugo (filme)
| A Invenção de Hugo (prt) A Invenção de Hugo Cabret (bra) | |
![]() Cartaz do filme | |
| Estados Unidos 2011 • cor • 126 min | |
| Gênero | aventura drama |
| Direção | Martin Scorsese |
| Produção | Martin Scorsese Johnny Depp Tim Headington Graham King |
| Produção executiva | Chris Meledandri |
| Roteiro | John Logan |
| Baseado em | The Invention of Hugo Cabret, de Brian Selznick |
| Elenco | Ben Kingsley Sacha Baron Cohen Asa Butterfield Chloë Grace Moretz Jude Law |
| Música | Howard Shore |
| Cinematografia | Robert Richardson |
| Figurino | Sandy Powell |
| Edição | Thelma Schoonmaker |
| Companhias produtoras | GK Films Infinitum Nihil |
| Distribuição | Paramount Pictures |
| Lançamento | |
| Idioma | inglês |
| Orçamento | US$ 150–170 milhões |
| Receita | US$ 185,8 milhões |
Hugo A Invenção de Hugo Cabret[1] (título em Portugal) é um filme estadunidense de 2011, dos géneros aventura e drama, dirigido e produzido por Martin Scorsese, com roteiro de John Logan baseado no livro The Invention of Hugo Cabret de Brian Selznick.[2]
Conta a história de um garoto que vive solitário nas paredes de uma estação ferroviária de Paris, tentando reparar um autômato deixado por seu pai e descobrindo o segredo do taciturno dono de uma banca de brinquedos. Foi o primeiro filme de Martin Scorsese rodado em 3D.[2] Coproduzido por GK Films e Johnny Depp, o filme é estrelado por Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Jude Law e Ben Kingsley.
Estreado no Festival de Cinema de Nova York em 10 de outubro de 2011,[3] o filme foi lançado comercialmente nos Estados Unidos em 23 de novembro de 2011. Apesar da aclamação da crítica, foi um fracasso de bilheteria, arrecadando US$ 185,8 milhões contra um orçamento estimado de US$ 150–170 milhões.[4] Recebeu 11 indicações ao Oscar, mais do que qualquer outro filme naquele ano, vencendo cinco.[5]
Enredo
Em 1931, Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino de 12 anos que vive escondido nas engrenagens da Gare Montparnasse, em Paris, mantendo o funcionamento dos grandes relógios do local. Seu pai (Jude Law), relojoeiro e funcionário de um museu, havia encontrado um autômato danificado — uma figura mecânica capaz de desenhar — e trabalhava com Hugo para restaurá-lo, documentando tudo em um caderno. Após a morte do pai num incêndio, Hugo vai morar com seu tio alcoólatra Claude (Ray Winstone), que cuida dos relógios da estação. Quando Claude desaparece, Hugo continua a manter os relógios sozinho, roubando comida e peças para sobreviver, temendo ser descoberto pelo severo inspetor da estação, Gustave Dasté (Sacha Baron Cohen).
Hugo continua o trabalho no autômato, pois acredita que a mensagem que ele viria a produzir seria algo de seu pai. Para isso, furta peças da banca de brinquedos da estação. Um dia é capturado pelo rabugento dono, Papa Georges (Ben Kingsley), que confisca seu caderno. A afilhada de Georges, Isabelle (Chloë Grace Moretz), promete ajudá-lo. Georges propõe que Hugo trabalhe na banca para reaver o caderno. Com a amizade crescendo, Hugo descobre que Isabelle usa como colar uma chave em forma de coração — exatamente a peça que faltava para acionar o autômato. Ao ser ativado, o mecanismo desenha uma cena do filme Viagem à Lua e assina: Georges Méliès.[6]
Isabelle reconhece a caligrafia de seu padrinho. Os dois investigam e, na biblioteca da academia de cinema, encontram um livro sobre a história da sétima arte que menciona Georges Méliès — pioneiro do cinema que desapareceu após a Primeira Guerra Mundial. Conhecem o autor, René Tabard (Michael Stuhlbarg), que fica surpreso ao saber que Méliès está vivo. Na casa de Georges, a esposa Jeanne d'Alcy (Helen McCrory) os recebe após Tabard reconhecê-la como atriz dos primeiros filmes de Méliès. Ao ver o filme de Méliès ser projetado, Georges finalmente revela seu passado: ilusionista e cineasta prolífico, perdeu quase tudo após a guerra e passou a vender brinquedos na estação.
Hugo corre para resgatar o autômato, mas é perseguido pelo inspetor. Em uma cena que recria o célebre acidente ferroviário de Montparnasse de 1895, Hugo quase é atropelado por um trem desgovernado que avança pelos trilhos da estação, sendo salvo pelo próprio Dasté. Georges chega e declara que Hugo está sob seus cuidados. Algum tempo depois, numa cerimônia na academia de cinema, os filmes recuperados de Méliès são celebrados publicamente, e Hugo, agora parte da família de Georges, finalmente encontra seu propósito.
Elenco
| Ator | Personagem |
|---|---|
| Asa Butterfield | Hugo Cabret |
| Ben Kingsley | Georges Méliès (Papa Georges) |
| Chloë Grace Moretz | Isabelle |
| Sacha Baron Cohen | Inspetor Gustave Dasté |
| Ray Winstone | Claude Cabret |
| Jude Law | Sr. Cabret (pai de Hugo) |
| Christopher Lee | Monsieur Labisse |
| Helen McCrory | Jeanne d'Alcy (Mama Jeanne) |
| Michael Stuhlbarg | René Tabard |
| Gulliver McGrath | René Tabard (jovem) |
| Emily Mortimer | Lisette |
| Frances de la Tour | Madame Emile |
| Richard Griffiths | Monsieur Frick |
| Kevin Eldon | Policial |
| Angus Barnett | Gerente do cinema |
| Ben Addis | Salvador Dalí |
| Emil Lager | Django Reinhardt |
| Robert Gill | James Joyce |
| Michael Pitt | Espectador (participação especial) |
| Martin Scorsese | Espectador (participação especial) |
| Brian Selznick | Espectador (participação especial) |
Produção
Desenvolvimento
A GK Films adquiriu os direitos cinematográficos do livro logo após sua publicação em 2007. Inicialmente, Chris Wedge foi contratado para dirigir e John Logan para escrever o roteiro. Posteriormente, Martin Scorsese assumiu a direção, atraído pela história como uma homenagem às origens do cinema.[2] O orçamento original era de US$ 100 milhões, mas escalou para entre US$ 156 e 170 milhões durante as filmagens.[7]
As filmagens principais começaram em Londres, nos Shepperton Studios, em 29 de junho de 2010.[8] Em agosto de 2010, a produção deslocou-se a Paris por duas semanas, com cenas rodadas na Biblioteca Sainte-Geneviève e na Sorbonne.[8]
Uso do 3D
Hugo foi o primeiro filme de Martin Scorsese rodado em 3D. Scorsese descreveu a experiência como desafiadora e ao mesmo tempo estimulante: "Estávamos de volta à estaca zero, mas isso era exatamente o que tornava o processo empolgante."[9] O diretor de fotografia Robert Richardson afirmou que a equipe aprendia o processo plano a plano, sem experiência prévia com a tecnologia.[9] O resultado foi amplamente elogiado: o cineasta James Cameron considerou o filme uma obra-prima e afirmou que era o melhor uso do 3D que havia visto, superando inclusive seus próprios filmes.[10]
O autômato e o acidente de Montparnasse
O design do autômato presente no filme é baseado no mecanismo construído pelo relojoeiro suíço Henri Maillardet, conservado no Franklin Institute da Filadélfia, que Brian Selznick estudou durante a pesquisa para o livro.[11]

Uma das sequências mais memoráveis do filme recria o célebre Descarrilamento de Montparnasse, ocorrido em 22 de outubro de 1895, quando o Expresso Granville–Paris ultrapassou os amortecedores da Gare Montparnasse e atravessou a fachada da estação, caindo na rua abaixo.[12] No filme, ambientado em 1931, a cena é incorporada como um pesadelo de Hugo e como referência consciente à história da própria estação.
Trilha sonora
A trilha sonora de Hugo foi composta por Howard Shore, marcando a sexta e última colaboração entre o compositor e Martin Scorsese, após Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004) e Os Infiltrados (2006).[13] Shore queria que a música refletisse o olhar maravilhado de Hugo sobre o mundo das máquinas e do cinema: "É como a visão de uma criança sobre aquele mundo, especialmente na forma como Hugo se fascina pelo funcionamento das engrenagens."[14]
O tema central é uma valsa parisiense que se desenvolve na canção Coeur Volant, com colaboração da cantora francesa Zaz.[14] A partitura também incorpora a Danse macabre de Camille Saint-Saëns e a Gnossienne n.º 1 de Erik Satie, além de instrumentos do período como o ondas Martenot, o musette e o tack piano.[9] O álbum da trilha foi lançado digitalmente em 15 de novembro de 2011 pelo selo Howe Records do próprio Shore.[14]
Recepção
Crítica
O filme recebeu aclamação generalizada da crítica. No Rotten Tomatoes, alcançou aprovação de 94% com base em mais de 200 avaliações.[15] No Metacritic, obteve pontuação de 83 em 100 com base em 41 avaliações profissionais.[16] Richard Corliss, da revista Time, incluiu o filme entre os dez melhores de 2011, descrevendo-o como um poema de amor ao cinema, capaz de restaurar a reputação de um pioneiro e a glória da história do cinema por meio das técnicas mais modernas.[10]
Bilheteria
Apesar da recepção crítica favorável, Hugo foi considerado um fracasso comercial, arrecadando US$ 185,8 milhões em todo o mundo contra um orçamento estimado entre US$ 150 e 170 milhões.[4]
Prêmios e indicações
Oscar
| Ano | Categoria | Indicado(s) | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2012 | Melhor filme | Graham King e Martin Scorsese | Indicado[5] |
| Melhor diretor | Martin Scorsese | Indicado[5] | |
| Melhor roteiro adaptado | John Logan | Indicado[5] | |
| Melhores efeitos visuais | Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning | Venceu[5] | |
| Melhor edição | Thelma Schoonmaker | Indicado[5] | |
| Melhor figurino | Sandy Powell | Indicado[5] | |
| Melhor fotografia | Robert Richardson | Venceu[5] | |
| Melhor direção de arte | Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo | Venceu[5] | |
| Melhor mixagem de som | Tom Fleischman e John Midgley | Venceu[5] | |
| Melhor edição de som | Philip Stockton e Eugene Gearty | Venceu[5] | |
| Melhor trilha sonora | Howard Shore | Indicado[5] |
Globo de Ouro
| Ano | Categoria | Indicado(s) | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2012 | Melhor filme — drama | Graham King e Martin Scorsese | Indicado[17] |
| Melhor diretor | Martin Scorsese | Venceu[17] | |
| Melhor trilha sonora | Howard Shore | Indicado[17] |
BAFTA
| Ano | Categoria | Indicado(s) | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2012 | Melhor diretor | Martin Scorsese | Indicado[18] |
| Melhor roteiro adaptado | John Logan | Indicado[18] | |
| Melhores efeitos visuais | Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo | Venceu[18] | |
| Melhor montagem | Thelma Schoonmaker | Indicado[18] | |
| Melhor figurino | Sandy Powell | Indicado[18] | |
| Melhor fotografia | Robert Richardson | Indicado[18] | |
| Melhor som | Philip Stockton, Eugene Gearty, Tom Fleischman e John Midgley | Venceu[18] | |
| Melhor maquiagem | Marese Langan,Lov Nandha e Jan Archibald | Indicado[18] |
Referências
- ↑ «A Invenção de Hugo Cabret». Brasil: AdoroCinema. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «Martin Scorsese's 'Hugo Cabret': First Look». Entertainment Weekly. 17 de fevereiro de 2011. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Hugo» (em inglês). Film at Lincoln Center. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 «Hugo» (em inglês). Box Office Mojo. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 «The 84th Academy Awards» (em inglês). Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Hugo Cabret leva Méliès de volta ao cinema». Folha de S.Paulo. 11 de fevereiro de 2012. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Child, Ben (16 de março de 2010). «Baron Cohen on track for Scorsese's Invention» (em inglês). The Guardian. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 «Hugo Cabret Filming Commences». Collider. 29 de junho de 2010. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «Hugo» (em inglês). Film and Digital Times. 11 de novembro de 2011. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 Corliss, Richard (7 de dezembro de 2011). «Top 10 Movies of 2011» (em inglês). Time. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Fountain, Henry (26 de dezembro de 2011). «Graceful Moves, for a Boy Made of Metal» (em inglês). The New York Times. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Expresso Paris-Granville». Wikipédia. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Hugo (soundtrack)» (em inglês). Wikipedia. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «Hugo — Howard Shore» (em inglês). Howe Records. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Hugo (2011)» (em inglês). Rotten Tomatoes. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Hugo» (em inglês). Metacritic. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «Hugo — Golden Globes» (em inglês). Hollywood Foreign Press Association. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «65th BAFTA Film Awards» (em inglês). BAFTA. Consultado em 17 de janeiro de 2026
Ligações externas
- «Site oficial do filme» (em inglês)
- Hugo no IMDb
