Isabel Maria da Áustria

Isabel Maria
Arquiduquesa da Áustria
Isabel em 1911
Dados pessoais
Nascimento2 de setembro de 1883
Castelo de Franzensburg, Laxemburgo, Áustria-Hungria
Morte16 de março de 1963 (79 anos)
Vila Windisch-Graetz, Viena, Áustria
Sepultado emCemitério de Hütteldorf, Viena, Áustria
Nome completo
Elisabeth Marie Henriette Stephanie Gisela
MaridosOto de Windisch-Graetz (1902–1948; divórcio)
Leopold Petznek (1948–1956)
Descendência
Francisco José
Ernesto
Rodolfo
Estefânia
CasaHabsburgo-Lorena (nascimento)
Windisch-Graetz (casamento)
PaiRodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria
MãeEstefânia da Bélgica
ReligiãoCatolicismo

Isabel Maria da Áustria (nome completo em alemão: Elisabeth Marie Henriette Stephanie Gisela; Laxemburgo, 2 de setembro de 1883 — Viena, 16 de março de 1963), conhecida como "Arquiduquesa Vermelha"[1] por seu envolvimento no Partido Social-Democrata Austríaco, foi filha do príncipe herdeiro Rodolfo da Áustria e neta do imperador Francisco José I e da imperatriz Isabel da Áustria.

Casada duas vezes, ambas por amor, Isabel Maria sobreviveu a duas Guerras Mundiais, presenciou o fim da monarquia na Áustria-Hungria, seguido da formação de uma república politicamente instável. Ela também atravessou o período de ascensão do socialismo e do nazifascismo na Europa. Faleceu em 1963, aos 79 anos.

Início de vida

Isabel Maria com sua mãe Estefânia, 1885.

Nascida em 2 de setembro de 1883, em Laxemburgo, como Isabel Maria Henriqueta Estefânia Gisela (em alemão: Elisabeth Marie Henriette Stephanie Gisela), a arquiduquesa era a única filha de Rodolfo da Áustria, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e de Estefânia da Bélgica. Pelo nascimento, integrava a Casa de Habsburgo-Lorena e ocupava posição de destaque na hierarquia dinástica europeia do final do século XIX. Apesar da posição privilegiada, o ambiente familiar foi marcado por conflitos conjugais persistentes. O casamento de seus pais, celebrado em 1881, resultou de arranjos dinásticos e enfrentou resistência no interior da corte imperial. A imperatriz Isabel da Baviera (mais conhecida como "Sissi") manifestava reservas quanto à adequação de Estefânia ao papel de consorte do herdeiro. Relatos historiográficos indicam que a relação entre Rodolfo e Estefânia deteriorou-se progressivamente, caracterizando-se por incompatibilidades pessoais, divergências ideológicas e distanciamento afetivo. Após o nascimento de Isabel Maria, as tensões conjugais intensificaram-se. Rodolfo mantinha posições políticas liberais que o colocavam em desacordo com setores conservadores da corte, o que contribuiu para seu isolamento político e pessoal. Paralelamente, Estefânia enfrentava dificuldades de inserção no círculo imperial vienense. Ambos mantiveram relacionamentos extraconjugais[2]

Isabel Maria permaneceu filha única não por decisão deliberada do casal, mas em decorrência de fatores médicos. Pouco após seu nascimento, Rodolfo contraiu uma doença venérea e transmitiu a infecção à esposa. Complicações decorrentes da doença resultaram em esterilidade de Estefânia, inviabilizando novos descendentes legítimos do casal. No âmbito familiar, Isabel Maria era chamada de "Erzsi", diminutivo do nome húngaro Erzsébet.[2]

Incidente de Mayerling

Isabel Maria, quando criança, 1889.

No final de janeiro de 1889, o pai de Isabel Maria, Rodolfo, e a sua jovem amante, a baronesa Maria Vetsera foram para a pavilhão de de caça de Mayerling.[3] Rodolfo havia agendado uma jornada de caça para aquela data. No horário previsto para a partida, um de seus criados dirigiu-se aos aposentos do príncipe com a finalidade de despertá-lo. Ao chegar, constatou que a porta permanecia trancada e que não havia qualquer resposta aos chamados, tampouco sinais de movimentação no interior do quarto. Diante da ausência de resposta e da situação atípica, o criado concluiu que poderia haver alguma ocorrência anormal. Sem obter acesso pelos meios convencionais, foi necessário arrombar a porta para ingressar no aposento. Ao adentrar no quarto, o criado deparou-se o príncipe herdeiro e a baronesa Maria Vetsera mortos no que se acredita ter sido um pacto suicida. Esse episódio é conhecido como Incidente de Mayerling.[2]

A morte de Rodolfo produziu repercussões que ultrapassaram o âmbito familiar e alcançaram a esfera política do Império. O falecimento do herdeiro direto ao trono alterou de maneira significativa a linha sucessória e contribuiu para um contexto de instabilidade institucional em um período já marcado por tensões nacionalistas e disputas internas. Com a ausência de descendentes masculinos de Rodolfo, a sucessão deslocou-se para o irmão do imperador Francisco José, o arquiduque Carlos Luís, que, todavia, renunciou seus direitos sucessórios em favor do filho mais velho, o arquiduque Francisco Ferdinando. O assassinato de Francisco Ferdinando em 1914, ocorrido em Sarajevo, desencadeou a crise diplomática que culminou na eclosão da Primeira Guerra Mundial. Nesse encadeamento sucessório, a morte de Rodolfo configurou um ponto de inflexão que alterou a trajetória política da monarquia e, indiretamente, do sistema europeu de alianças. No plano familiar, Isabel Maria cresceu em um ambiente marcado pela ausência paterna e pela reorganização de sua tutela. Após o falecimento do pai, seu avô, o imperador Francisco José, assumiu formalmente a condição de guardião legal da neta. A relação entre Isabel Maria e sua mãe, Estefânia da Bélgica, foi descrita por parte da historiografia como distante, ao passo que o imperador demonstrava especial afeição pela neta.[4] Com o objetivo de assegurar a permanência de Isabel Maria no território austríaco e sob sua supervisão direta, Francisco José determinou que Estefânia não poderia deixar a Áustria levando a filha consigo. Caso desejasse residir fora do país, deveria fazê-lo desacompanhada da criança.[5] Essa decisão reforçou o controle imperial sobre a educação e o destino da arquiduquesa, inserindo sua formação no contexto político e protocolar da corte imperial.[2]

Relações familiares

Relacionamento com Sissi

A celébre avó de Isabel Maria, a imperatriz homônima de quem a neta recebeu seu nome.

Enquanto Isabel Maria mantinha relação próxima com o avô, o vínculo com a avó, a imperatriz Isabel, mais conhecida como "Sissi", caracterizava-se por distanciamento. A imperatriz, amplamente reconhecida por sua beleza e pela projeção pública que construiu em torno de sua imagem, demonstrava resistência em assumir o papel tradicional de avó no contexto da corte. Registros indicam que não estabeleceu relação estreita com os netos, incluindo Isabel Maria, sua homônima.[2]

Em 10 de setembro de 1898, em Genebra, a imperatriz foi vítima de atentado perpetrado pelo anarquista italiano Luigi Lucheni. Utilizando identidade discreta durante a estadia na cidade, Isabel deslocava-se a pé em direção ao cais, acompanhada por reduzido séquito, quando foi abordada por Lucheni. O agressor desferiu um golpe com uma lima metálica afiada, instrumento de aproximadamente dez centímetros, atingindo-a na região torácica. Inicialmente, a gravidade do ferimento não foi imediatamente percebida; contudo, pouco depois, a imperatriz entrou em colapso. Apesar dos esforços subsequentes, faleceu em decorrência da perfuração cardíaca. Após sua morte, verificou-se que parcela significativa de seus bens foi destinada a Isabel Maria. A decisão testamentária contrastava com a postura reservada que mantivera em vida em relação à neta, conferindo à arquiduquesa posição patrimonialmente privilegiada no interior da família imperial.[2]

Relacionamento com Estefânia

Isabel Maria com sua mãe Estefânia, 1892.

Após as mortes violentas do pai e da avó, seria plausível supor uma reaproximação entre Estefânia da Bélgica e sua filha, Isabel Maria. Contudo, a conduta de Estefânia orientou-se em outra direção. A princesa concentrou-se na consolidação de uma nova união conjugal com o conde húngaro Elemér Lónyay.[6] Em 1900, Estefânia anunciou oficialmente que renunciaria ao seu estatuto e títulos na Casa de Habsburgo-Lorena para contrair matrimônio com Lónyay. A decisão provocou controvérsia na corte e na opinião pública. Além da abdicação de privilégios dinásticos, a união era considerada desigual sob critérios aristocráticos e confessionais, uma vez que Lónyay pertencia à baixa nobreza húngara e professava o protestantismo. A diferença de idade entre os cônjuges também foi objeto de comentários críticos. Isabel Maria manifestou oposição à decisão materna, interpretando o casamento como deslealdade à memória do pai. A divergência aprofundou o distanciamento entre mãe e filha, já existente desde a infância.[2]

Após o matrimônio de Estefânia, Isabel rompeu relações com a mãe e recusou-se a manter contato regular. Em resposta, Estefânia promoveu alterações em disposições patrimoniais que resultaram na exclusão da filha de parte de sua herança.[7]

Isabel Maria, conhecida no âmbito familiar pelo diminutivo húngaro "Erzsi" (derivado de Erzsébet), manteve identificação simbólica com a figura paterna. Rodolfo da Áustria teria afirmado, em referência à filha, que ela seria "a única coisa que restará de mim", declaração que adquiriu significado particular diante da ruptura definitiva entre Isabel e Estefânia e das subsequentes transformações na posição da arquiduquesa no interior da família imperial.[2]

Primeiro casamento e divórcio

Isabel Maria em 1900.

Isabel Maria foi considerada potencial candidata matrimonial para diversos membros da realeza europeia. Entre os nomes cogitados estava o de seu primo Alberto I da Bélgica, então herdeiro presuntivo do trono belga. A possibilidade, contudo, encontrou oposição decisiva por parte de Leopoldo II da Bélgica, avô de Isabel Maria. Leopoldo II desaprovava o casamento morganático recentemente contraído por sua filha Estefânia, mãe de Isabel Maria, com o conde Elemér Lónyay, considerando que tal união comprometia o prestígio dinástico. Em razão disso, recusou-se a autorizar o matrimônio entre Alberto e Isabel Maria. A princesa Henriqueta da Bélgica, irmã de Alberto, também manifestou reservas, alegando que o histórico familiar de Isabel Maria poderia dificultar a estabilidade da união. Posteriormente, Isabel Maria optou por renunciar a sua posição na linha de sucessão para contrair casamento por escolha pessoal. Apaixonou-se pelo príncipe Oto de Windisch-Graetz, membro da nobreza austro-húngara, com quem se casou após intervenção decisiva de seu avô, o imperador Francisco José. Oto encontrava-se anteriormente comprometido, mas o noivado foi desfeito, e o casamento com Isabel Maria formalizado sob forte influência da autoridade imperial.[8]

Isabel Maria com seu primeiro marido, o príncipe Oto de Windisch-Graetz, 1902.

A união revelou-se conflituosa. Oto envolveu-se posteriormente com Louise Ziegler, cantora e atriz de ópera francesa atuante em círculos sociais de Praga. Ao tomar conhecimento do relacionamento extraconjugal, Isabel Maria dirigiu-se aos aposentos do marido com a intenção de confrontá-lo. De acordo com relatos da época, ao ser impedida de avançar por um criado, sacou um revólver e efetuou disparos. Em seguida, adentrou o quarto onde se encontrava Ziegler e atirou contra ela, atingindo-a no tórax.[8] Sobre o episódio, George Greville Moore escreveu:

Todo o caso causou uma sensação dolorosa na Corte em Viena, embora tenha sido abafado, como a maioria dos eventos do tipo são.[8]

Isabel Maria, princesa de Windisch-Graetz.

De fato, os jornais que noticiaram a tragédia eram, em grande parte, simpáticos à jovem arquiduquesa. Enquanto isso, nos bastidores dessa pantomima habsburga, a jovem Ziegler, de 27 anos, morreu em decorrência dos ferimentos. Sem a desaprovação do imperador e sem a dignidade do império a preservar, já não havia motivo para manter as aparências, e Isabel Maria e Oto acabaram se separando. A morte de Ziegler fez ruir a fachada de seu casamento fracassado, e ambos passaram a manter relacionamentos de forma aberta. Isabel Maria envolveu-se notoriamente com Egon Lerch, capitão de submarino. O desfecho foi uma amarga batalha judicial pela guarda de seus quatro filhos: Francisco José, Ernesto, Rodolfo e Estefânia. Ela podia ser infeliz, mas Isabel Maria era, ao menos, extraordinariamente rica. Suportara um relacionamento frio com a avó emocionalmente distante e homônima. Considerada uma beleza arrebatadora em seu tempo, e vaidosa demais para se ver no papel de avó, a imperatriz deixou, ainda assim, suas valiosas joias para Isabel Maria ao morrer prematuramente, em 1898, assassinada por um anarquista em via pública. Do mesmo modo, quando o imperador Francisco José faleceu em 1916, dois anos antes do fim da Grande Guerra que ajudara a desencadear, suas consideráveis propriedades privadas foram divididas entre as duas filhas e a neta favorita. Se Oto acreditou que finalmente teria vantagem, agora que sua amarga esposa não contava mais com o peso do imperador para sustentar seus caprichos, enganou-se profundamente. À medida que a longa disputa pela guarda se arrastava nos tribunais, que tradicionalmente favoreciam o pai na Áustria conservadora da época, ele dirigiu-se à vila onde viviam os filhos, apenas para encontrar um grupo de socialistas armados bloqueando sua entrada. Retirou-se de mãos vazias, e as crianças permaneceram com a mãe. Alguns anos depois, o diplomata e historiador britânico John Wheeler-Bennett declarou-se fascinado por essa surpreendente justaposição:

Onde as relíquias de seu passado se acotovelavam com as evidências de sua vida presente. A literatura revolucionária e uma caixa de rapé imperial dividiam prateleiras lado a lado.[8]


Relacionamento com os filhos

Isabel Maria com seu filho Ernesto, 1910.

Isabel Maria conduziu a educação de seus filhos em um espírito socialista. Ela teve quatro filhos e tentou, durante os últimos quatorze anos, educá-los de uma forma que correspondesse à posição de seu partido. O pai das crianças, o príncipe Oto de Windisch-Graetz, viu com reservas essa tentativa da mãe.[8]

A obstinada adesão de Isabel Maria ao marxismo tornou-se um ponto de discórdia com a família, que gradualmente se afastou de sua antiga órbita aristocrática e consumista. Ela procurou criar os filhos nesse espírito, mas aparentemente sem pleno êxito. Dois deles deixaram a casa materna. O príncipe Ernesto passou a trabalhar como agente de um comerciante de vinhos, enquanto o príncipe Francisco José tornou-se assistente em um posto de gasolina nos Estados Unidos. A princesa Estefânia também deixou o lar materno no final do ano anterior e mudou-se para a Bélgica, onde foi acolhida pela família real belga. Estefânia casou-se com um membro da aristocracia do país, e seu pedido de dote à mãe foi categoricamente recusado, o que desencadeou uma troca de acusações na imprensa internacional. Isabel Maria declarou não ter sido convidada para o casamento, realizado em Bruxelas, ao passo que Estefânia alegou que a mãe é que se recusara a comparecer.[8]

A família divulgou à imprensa uma declaração segundo a qual a princesa de Windisch-Graetz estaria negligenciando os filhos em razão de seu relacionamento com o funcionário socialista Leopold Petznek. Afirmava-se que ela possuía um grande prédio de apartamentos próximo à Ópera de Viena, cuja renda lhe proporcionava substanciais lucros. Acrescentava-se ainda que herdara do imperador Francisco José a propriedade em Schoenau, posteriormente vendida, mas cujos rendimentos teriam sido cuidadosamente investidos. Também se alegava que, apesar de suas convicções socialistas, ela vivia em grande luxo em uma vila situada na Auhofstrasse, em Viena, cercada por raras obras de arte de enorme valor.[8]

Arquiduquesa Vermelha

Isabel Maria
Philip de László, 1906

Na historiografia, Isabel Maria da Áustria é identificada como "Arquiduquesa Vermelha", designação associada à sua vinculação ao movimento Partido Social-Democrata da Áustria.[1] Nascida em 1883, no contexto do Império Austro-Húngaro, faleceu em 1963, quando o território já integrava a República da Áustria. Sua trajetória individual desenvolveu-se paralelamente ao colapso da Monarquia dos Habsburgo e à reorganização política do Estado austríaco após 1918.[1]

A partir da década de 1920, aproximou-se do Partido Social-Democrata Austríaco, formalizando sua filiação em 1921. Participou de atividades públicas do partido, incluindo vender cravos de papel vermelho no desfile do Primeiro de Maio, gesto considerado politicamente significativo devido à sua origem dinástica.[1][2] Fundado em 1898, o partido defendia reformas estruturais e a ampliação de direitos sociais. No contexto da Primeira República Austríaca, integrou governos de coalizão responsáveis por políticas de habitação popular, expansão de serviços públicos, legislação trabalhista e investimentos em educação e saúde. O partido também organizou a Guarda de Defesa Republicana para enfrentar a crescente radicalização política do período entreguerras, tanto da extrema-esquerda quanto da extrema-direita. No cenário europeu, era frequentemente apresentado como exemplo de socialismo parlamentar, em contraste com a Rússia soviética.[8]

Isabel Maria manteve relacionamento com Leopold Petznek dirigente partidário, presidente do órgão de auditoria do partido e membro do parlamento regional da Baixa Áustria. O casal participou de manifestações políticas e, em 1929, mudou-se para uma vila em Hütteldorf, nos arredores de Viena. A arquiduquesa atuou em iniciativas de arrecadação de recursos, no movimento feminino socialista, em organizações voltadas à infância e como conselheira municipal. Sua presença nos círculos social-democratas foi registrada como caso singular de deslocamento político e social de uma integrante da antiga família imperial.[8]

Movimento Patriótico Austríaco de orientação nacionalista, autoritária e autocrática, ao qual Isabel se opôs de forma ativa.

A estabilidade da Primeira República mostrou-se limitada. A polarização ideológica intensificou-se no início da década de 1930, em paralelo ao que ocorria na Alemanha de Weimar. Em 1933, Engelbert Dollfuss e a Frente Patriótica consolidaram um regime autoritário de orientação corporativista, com inspiração no modelo italiano. O governo reprimiu comunistas, social-democratas e, posteriormente, nacional-socialistas austríacos. Em 1934, Dollfuss foi assassinado durante uma tentativa de golpe conduzida por nazistas austríacos, o que agravou a crise institucional. Seu sucessor, Kurt Schuschnigg, manteve o regime até a anexação da Áustria pelo Terceiro Reich em 1938.[8] Nesse contexto de repressão, Petznek foi alvo de perseguições políticas, e sua saúde deteriorou-se, possivelmente em decorrência das pressões sofridas. Isabel Maria manifestou-se publicamente contra o tratamento dispensado aos opositores do regime, inclusive em artigo publicado no Philadelphia Inquirer, no qual criticou as condições políticas da Europa Central e a situação enfrentada por seu companheiro:

Receio que a monarquia possa ser restaurada na Alemanha e na Áustria. Considero que a república democrática é a melhor forma de governo e rejeito qualquer forma de ditadura abominável, como a representada, por exemplo, pelo chanceler Hitler. Não pretendo mais atuar ativamente na política neste momento; minha principal preocupação é meu marido, que se encontra doente.[8]


Ela ainda acrescentou que:

Nada conta, mas o amor e as pessoas vão perceber novamente, embora o ódio reine no mundo no presente.[8]


Isabel também conheceu Bruno Kreisky, que mais tarde se tornaria chanceler da Áustria. Décadas depois, ao recordar sua primeira conferência do Partido Social-Democrata da Áustria, Kreisky mencionou a presença da chamada "Arquiduquesa Vermelha", descrevendo-a como "um fenômeno interessante" e como "uma das netas mais bonitas de Francisco José".[9]

Vida posterior

Com o Anschluss em 1938, os últimos vestígios do regime de Engelbert Dollfuss foram absorvidos pelo projeto de uma "Grande Alemanha", e a perseguição aos sociais-democratas austríacos não apenas foi retomada, como atingiu um novo e terrível patamar com o Holocausto. Os sociais-democratas estavam entre os poucos partidos que aceitavam judeus em suas fileiras e contavam, inclusive, com destacados judeus austríacos em sua liderança. A herança Habsburgo de Isabel Maria proporcionou-lhe certo grau de proteção. Ela e Leopold Petznek foram poupados da prisão, enquanto seus filhos escaparam do serviço militar. Vivendo discretamente em sua vila em Hütteldorf, nos arredores de Viena, a guerra acabou por alcançá-la de forma mais direta após a tentativa de assassinato de Adolf Hitler, em 1944.[8]

Segundo casamento

Isabel Maria com seu segundo marido, Leopold Petznek, 1930.

Com apenas sete meses de conflito, Petznek foi preso pelos nazistas e enviado ao campo de concentração de Dachau, como parte de uma ampla operação contra políticos. Ali permaneceu até a libertação do campo pelas tropas norte-americanas, em março de 1945.[8]

O fim da guerra tampouco trouxe alívio imediato para a arquiduquesa e o político. A villa onde residiam situava-se na zona de ocupação francesa na Áustria e foi confiscada pelo general Marie Émile Béthouart para uso pessoal.[8]

Apesar das dificuldades impostas pela vida na Áustria devastada do pós-guerra, Isabel Maria finalmente se divorciou do primeiro marido, e o casal pôde oficializar sua união em 1948, em um cartório de Viena. Leopold Petznek tornou-se presidente do Tribunal de Contas do Estado, e, a agora, Isabel Maria Petznek permaneceu ao seu lado até a morte dele, em 1956[8]

Morte

Com a saúde cada vez mais debilitada e progressivamente dependente de uma cadeira de rodas, a "Arquiduquesa Vermelha" tornou-se ainda mais reclusa após a morte de Leopold Petznek. Sua mãe falecera em 1945, afastada dela, e Isabel Maria morreu aos 79 anos, em 16 de março de 1963, em sua vila nos arredores de Viena, distante dos filhos sobreviventes, Estefânia e Francisco José.[8]

Por expressa vontade, foi sepultada ao lado do segundo marido em uma sepultura simples e anônima em Viena, pois não desejava transformar seu túmulo em santuário, fosse para monarquistas ou revolucionários. Seus bens, incluindo joias, símbolos e objetos associados ao antigo Imperio Austro-Hungaro, bem como suas riquezas pessoais, foram legados ao Estado.[8]

Honras

Descendência

A princesa de Windisch-Graetz com seus filhos, em 1913. Da esquerda para a direita: Rodolfo, Isabel Maria com Estefânia, Ernesto e Francisco José.
NomeNascimentoMorteNotas[11]
Francisco José22 de março de 19041 de janeiro de 1981Casou-se em 1934 com a condessa Ghislaine d'Arschot Schoonhoven, com descendência.
Ernesto 21 de abril de 1905 21 de dezembro de 1952 Casou-se pela primeira vez, em 1927, com Helena Skinner, com descendência (divorciados em 1938). Casou-se pela segunda vez, em 1947, com a baronesa Eva von Isbary, com descendência.
Rodolfo 4 de fevereiro de 1907 14 de junho de 1930 Não se casou. Morreu aos 23 anos.
Estefânia 9 de julho de 1909 7 de setembro de 2005 Casou-se pela primeira vez, em 1933, com o conde Pierre d'Alcantara de Querrieu, com descendência. Casou-se pela segunda vez, em 1945, com Karl-Axel Björklund, com descendência.

Ancestrais

Referências

  1. 1 2 3 4 Die rote Enkelin von Kaiser Franz Joseph. Unsere Generation, Regional Wien (2009), 2, pp. 3–4, wien.pvoe.at (Memento des Originals vom 13. Arquivado em 13 de dezembro de 2015 no Internet Archive).
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Burke, Mathew (14 de maio de 2022). «Rebellious Facts About Elisabeth Marie, The Red Archduchess». https://www.factinate.com/. Consultado em 14 de novembro de 2020.
  3. ↑ Friedrich Scheu: Des Kaisers Enkelin war Sozialistin (em alemão), Nachruf in der Tageszeitung Arbeiter Zeitung, Viena, Nº 68, 21 de março de 1963, p. 3.
  4. ↑ Weissensteiner, Friedrich (2011). Die rote Erzherzogin 5 ed. (em alemão). Munique: Piper. ISBN 3-492-24538-2.
  5. ↑ Moore, George Greville (1908). Society recollections in Paris and Vienna, 1879–1904 (em inglês). D. Appleton and Co., p. 236.
  6. ↑ At the Austrian Court: Recollections of a Royal Governess (em inglês). D. Appleton & Co., 1915, p.299.
  7. ↑ Weissensteiner, Friedrich (1982). Elisabeth, Die rote Erzherzogin (em alemão). Viena, p.142.
  8. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 All About History Team (14 de novembro de 2020). «The Red Archduchess: The Hapsburg heir who murdered an actress & defied the Nazis». https://www.historyanswers.co.uk/. Consultado em 14 de novembro de 2020.
  9. ↑ Kreisky, Bruno (1986). Zwischen den Zeiten – Erinnerungen aus fünf Jahrzehnten. Berlim: Siedler Verlag/Kremayr & Scheriau. p. 194. ISBN 3-88680-148-9.
  10. ↑ Hof- und Staatshandbuch der Österreichisch-Ungarischen Monarchie (1915), Genealogy p. 1.
  11. ↑ Weissensteiner, Friedrich (1993). Die rote Erzherzogin. Das ungewöhnliche Leben der Elisabeth Marie, Tochter des Kronprinzen Rudolf (em alemão). Munique/Berlim: Piper. pp. 77, 123 ff., 223–227. ISBN 978-3-492-24538-8.
  12. ↑ «Ancestors of Archduchess Elisabeth Marie of Austria». MyOrigins. Consultado em 25 de fevereiro de 2026.

Bibliografia

  • Michaela Lindinger: Elisabeth Petznek. Rote Erzherzogin, Spiritistin, Skandalprinzessin. Die Biografie. Molden, Wien/Graz 2021, ISBN 9783222150708.
  • Friedrich Weissensteiner: Die rote Erzherzogin. Das ungewöhnliche Leben der Tochter des Kronprinzen Rudolf. Österreichischer Bundesverlag, Wien 1984.
    • Die rote Erzherzogin. Das ungewöhnliche Leben der Tochter des Kronprinzen Rudolf. Piper, München 2005, ISBN 978-3-492-24538-8 (Neuauflage).
  • Ghislaine Windisch-Graetz: Kaiseradler und rote Nelken. Das Leben der Tochter des Kronprinzen Rudolf. Amalthea, Wien/München 1992, ISBN 3-85002-264-1.
  • Hannes Stekl, Marija Wakounig: Windisch-Graetz. Ein Fürstenhaus im 19. und 20. Jahrhundert. Böhlau, Wien/Köln/Weimar 1992, ISBN 978-3-205-05468-9, Kapitel „Heirat: Vernunft und Leidenschaft“, S. 59 ff. (Elisabeth und Otto Windisch Graetz, S. ??–101 in der Google-Buchsuche).
  • Elisabeth von Österreich, in: Internationales Biographisches Archiv 23/1966 vom 30. Mai 1966, im Munzinger-Archiv (Artikelanfang frei abrufbar)
  • Gestorben: Elisabeth Maria Petznek. In: Der Spiegel. Nr. 13, 1963, S. 96 (online).