Kirchnerismo
Kirchnerismo Kirchnerismo | |
|---|---|
![]() Néstor Kirchner com a sua sucessora e esposa, Cristina Fernández de Kirchner. | |
| Líder | Cristina Kirchner |
| Fundador | Néstor Kirchner |
| Fundação | 1 de março de 2003 |
| Sede | Buenos Aires, |
| Ideologia | Peronismo[1] Progressismo[2] Social-democracia[3][4] Populismo de esquerda[5] Keynesianismo[6] Socialismo do século XXI[7][8] |
| Espectro político | Centro-esquerda[9][10] à esquerda[11][12][13] |
| Afiliação nacional | Frente de Todos |
| Câmara de Deputados | 119 / 257
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| Senado | 41 / 72
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Kirchnerismo é um termo usado para se referir à filosofia política e aos simpatizantes do falecido Néstor Kirchner, presidente da Argentina de 2003 a 2007, e de sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, presidente do país de 2007 a 2015. Embora os Kirchners sejam membros do Partido Justicialista (o original, maior e oficial partido peronista, fundado por Juan Perón em 1947), o movimento peronista em si é amplo e muitos de seus membros se opõem aos kirchneristas.
Por outro lado, o kirchnerismo, apesar de originalmente ser uma divisão do Partido Justicialista, posteriormente recebeu o apoio de outros partidos políticos argentinos menores (como o Partido Comunista ou o Partido Humanista) e de parte de alguns dos partidos tradicionais (como a União Cívica Radical e o Partido Socialista). Em resposta à ascensão do kirchnerismo, o termo "anti-kirchnerismo" surgiu para descrever os setores e pessoas, mesmo que de dentro do peronismo, que se opõem aos governos de Néstor e Cristina Kirchner.
Características
Tanto Néstor Kirchner quanto Cristina Fernández de Kirchner vêm da ala esquerdista do peronismo e ambos começaram suas carreiras políticas como membros da Juventude Peronista (Juventud Peronista). Muitos dos aliados mais próximos do casal Kirchner pertencem à esquerda peronista. Os anti-kirchneristas muitas vezes criticam este pano de fundo ideológico com o termo setentista, sugerindo que o movimento político é excessivamente influenciado pela luta populista da década de 1970.
- O kirchnerismo tem se mostrado preocupado com a defesa dos direitos humanos, particularmente ao processar aqueles que cometeram violações de direitos humanos durante a Guerra Suja e tornaram-se imunes à penalidades no governo de Carlos Menem (1989-1999). A disposição do governo Kirchner de revogar estas imunidades levou muitos organizações de direitos humanos argentinas, como as Mães da Praça de Maio e as Avós da Praça de Maio a tomar uma posição ativa entre os kirchneristas.[14] Isso levou a muitas controvérsias, alegando que os Kirchner nunca foram totalmente comprometidos com os direitos humanos, especialmente durante a última ditadura militar, e só quando Néstor Kirchner se tornou presidente e começou a fazer alianças com os partidos de esquerda do congresso e as Mães da Praça de Maio, que iniciou-se uma completa campanha sobre direitos humanos, para promover sua plataforma e ganhar a opinião pública.
- O kirchnerismo tem se mostrado expressamente oposto às políticas neoliberais.
- Economicamente, o kirchnerismo tem prosseguido com uma política econômica de desenvolvimentismo industrial.
- O kirchnerismo tem forte oposição aos acordos de livre comércio multilaterais e bilaterais prosseguidos pelos Estados Unidos. O clímax dessa política ocorreu com o confronto entre Kirchner e George W. Bush, durante a Cúpula das Américas de 2005, em Mar del Plata, que resultou na recusa da Argentina para assinar o acordo da ALCA.[15]
- Internacionalmente, o kirchnerismo tem apoiado fortemente o Mercosul e vice-versa, a ponto de o presidente do Mercosul, Carlos Álvarez, ser um kirchnerista.
- Uma das posições mais proeminentes do kirchnerismo é fortalecer as relações da Argentina com os países da América Latina e do Sul, para estabelecer um eixo econômico sul-americano com o Brasil.
- O kirchnerismo, em particular o ministro da saúde Ginés García, tem mostrado uma atitude marcadamente progressiva no controle de natalidade e sexualidade, o que provocou a oposição da Igreja Católica e de outros setores conservadores da sociedade argentina.[16]
- O kirchnerismo tem se mostrado preocupado com a educação. Em percentagem do PIB, o gasto em educação subiu de 3,64% em 2003 para 6,02% em 2010. Em termos absolutos, aumentou de 14,501 milhões de pesos em 2003 para 89,924 milhões pesos em 2010, um aumento de 520%.[17]
Críticas
O movimento político kirchnerista, no entanto, tem encontrado oposição de vários setores da sociedade argentina, que criticam o personalismo e a falta de boa vontade em se construir um consenso com a oposição.[18]
Referências
- ↑ «Argentina's Economic Misery Could Bring Populism Back to the Country» (em inglês). Consultado em 27 de setembro de 2021
- ↑ «Argentina's Kirchner Era Ends» (em inglês). Consultado em 27 de setembro de 2021
- ↑ Veltri, Gustavo (28 de fevereiro de 2008). «La idea de Kirchner de afiliar al PJ a la socialdemocracia generó revuelo interno». El Cronista (em espanhol). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ en, Por Claudio ChavesSeguir (15 de novembro de 2019). «El peronismo, entre la socialdemocracia y la izquierda». infobae (em espanhol). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ Dube, Ryan; Lewis, Jeffrey T. (12 de agosto de 2019). «Argentine Peso Dives After Populist Peronists Gain Edge in Vote». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660
- ↑ Velasco, Andrés (31 de agosto de 2014). «Argentina's Use and Abuse of Keynes». Project Syndicate (em inglês). Consultado em 16 de março de 2022
- ↑ Montañez, Julio Ramírez (2017). «The XXI century socialism in the context of the new Latin American left1». Civilizar Ciencias Sociales y Humanas (em inglês). 17 (33): 97–112
- ↑ Díaz, Jorge Fernández (29 de maio de 2010). «Kirchnerismo bolivariano del siglo XXI». LA NACION (em espanhol). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ Clarín, Redacción (16 de junho de 2017). «Para Pichetto, Unidad Ciudadana es un frente de centro izquierda y Randazzo, la "posición histórica del peronismo"». Clarín (em espanhol). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ Board, Editorial (28 de outubro de 2019). «Opinion | Argentina's Peronist Repeat». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660
- ↑ Parks, Ken (29 de junho de 2013). «Argentine President Stumps for Peronist Congressional Candidates». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660
- ↑ Watts, Jonathan; Goñi, Uki (23 de novembro de 2015). «Argentina shifts to the right after Mauricio Macri wins presidential runoff». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
- ↑ «Analysis: Latin America's new left axis» (em inglês). 18 de abril de 2006
- ↑ Reencuentro de Carlotto y Bonafini. Las titulares de las Abuelas y Madres de Plaza de Mayo fueron reunidas por Kirchner, Clarín 26 de mayo de 2006
- ↑ Bush y el ALCA sufrieron duro traspié en Mar del Plata, Voltaire net, 2005
- ↑ «Ginés García legalizaría el aborto, La Nación, 15 de febrero de 2005». Consultado em 5 de dezembro de 2012. Arquivado do original em 2 de novembro de 2007
- ↑
- ↑ Néstor Kirchner y Cristina Fernández con la Legrand: “Yo completaré mi mandato”, Página/12, 16 de mayo de 2003


