Lapões

Lapão
Sámi
Lisa Thomasson
Helga Pedersen
Ole Henrik Magga
Nils Gaup
Janne Seurujärvi
Maxida Märak
Börje Salming
População total
Estimativa: ~ 80–100 mil[1]
Regiões com população significativa
 Noruega~ 38–60 mil[2][3]
 Suécia~ 15–36 mil[3]
 Finlândia~ 10 mil[4]
 Rússia~ 2 mil[5]
Línguas
Sâmis (Acala, Inari, Quildim, Quemi, Lule, Setentrional, Pite, Escolta, Ter, Meridional, Ume), Russo, Norueguês, Sueco, Finlandês
Religiões
Luteranismo
Igreja Ortodoxa
xamanismo sâmi
Grupos étnicos relacionados
Povos fino-úgricos
Distribuição geográfica dos sâmis
Trajes sâmis tradicionais (Samediggi de Noruega)

O povo lapão, conhecido atualmente[6][7][8][9] como povo Sámi[10][11][12][13][14][15] (em sámi do Norte: sápmelaš, PRONÚNCIA; em finlandês: saamelainen; em sueco e norueguês: same; em russo: саамы) - constitui o grupo étnico nativo da Lapónia, ou Lapônia, (Sápmi; literalmente: "Terra dos Sámi"), um território abrangendo partes das regiões setentrionais da Noruega, Suécia, Finlândia e da península de Kola, na Rússia. Habitam zonas montanhosas (fjäll), zonas florestais, zonas costeiras, zonas geladas de tundra, e fiordes noruegueses.[16][17][18]

Os sâmis são um dos maiores povos indígenas da Europa, totalizando cerca de 70,000 pessoas, das quais 17,000 vivem na Suécia, 35,000 na Noruega, 5,700 na Finlândia e 2,000 na Rússia.[19][20][21]

Falam um grupo de dez variedades linguísticas distintas denominadas genericamente como apenas sámi ou lapão, pertencente à família das línguas fino-úgricas (do grupo linguístico raro no qual se encontram o finlandês e o húngaro).[18]

Destas, seis possuem sua própria norma escrita.[22] As línguas sámi têm um alto grau de parentesco, mas não são mutuamente inteligíveis. Por exemplo, falantes do sámi do sul não compreendem o sámi do norte. Inicialmente, referiam-se estas distintas línguas como "dialetos", mas, hoje em dia, considera-se esta terminologia incorreta, devido às grandes diferenças entre as variedades. A maior parte destas línguas é falada em mais dum país, devido ao facto das fronteiras linguísticas não corresponderem às fronteiras nacionais.

As atividades tradicionais dos sámis são a caça, pesca, agricultura e criação de renas. Esta última implica por vezes uma vida nómada, conduzida por uma minoria. Todavia, hoje em dia a maior parte deste povo tem uma vida sedentária.[18]

A primeira descrição relativamente objetiva da vida dos sámis aparece no livro Lapponia de Johannes Schefferus publicado em 1673 na Alemanha, e traduzido 300 anos depois para sueco em 1956.[23][24]

História

Os vestígios mais antigos da presença humana na "Terra dos Lapões" (Sápmi) datam de 9 000 a.C. Os achados feitos no Norte da Suécia testemunham a presença de uma população que subsistia graças à caça de renas selvagens e à pesca do salmão. As suas habitações eram tendas móveis feitas de peles de animais.[25][26]

Referências históricas

  • 98 - O historiador romano Tácito refere na sua obra Germania um povo pelo nome de fenos (fenni), uma latinização de um termo ainda usado na Noruega. Segundo ele, este povo não cultivava a terra, mas comia o que a Natureza dava. Usavam roupas feitas de peles e dormiam no chão.[25][26]
  • 150 - O geógrafo grego Ptolomeu menciona um povo pelo nome finos (finnoi), como um dos 7 povos da ilha de Escândia.[25][26]
  • 550 - O historiador bizantino Procópio informa que os escritifinos (skrithifinnoi) eram o único povo selvagem de Thule.
  • 551 - O historiador godo Jordanes escreve na sua obra Gética que os finos (finni) habitam o extremo norte da ilha de Escandza. E aponta ainda que eles e os sueãs (suíones) negociavam peles, que depois eram vendidas no Império Romano.

História genética

Os povos sámi contemporâneos possuem uma herança genética composta por duas principais linhagens: uma materna, mais antiga, e uma paterna, mais recente. Embora a linhagem paterna tenha sido amplamente estudada, ainda há muito a ser explorado sobre a linhagem materna e as interações genéticas entre essas duas linhagens. Fenotipicamente, os sámi apresentam características distintas, moldadas por sua adaptação ao ambiente ártico e sua história genética única

Sabemos hoje, que homens portadores do cromossoma Y do grupo N1c, com a mutação N1c-L026, parecem ter chegado à Finlândia, vindos do Sul dos Montes Urais, na Rússia, há cerca de 4 000 anos. Aproximadamente mil anos mais tarde, começaram a migrar para o norte da Escandinávia. Então encontraram e misturaram-se com homens noruegueses, suecos e finlandeses portadores do cromossoma Y dos grupos I1, R1a e R1b.

Isto é, os pais ancestrais dos atuais lapões chegaram à Lapónia, vindos de várias regiões – do Sul da Finlândia, do centro da Suécia e do Leste da Noruega. Num estudo de 2004, sobre o cromossoma Y de 127 homens lapões, 47% pertenciam ao grupo N1c, 26% ao grupo I1, 11% ao grupo R1a e 4% ao grupo R1b. Por outras palavras, os lapões não são, do ponto de vista genético, fundamentalmente diferentes dos outros escandinavos.

Nos tempos pré-históricos, não existiam os atuais estados nacionais. As populações da Escandinávia interagiam umas com as outras sem atritos de maior. Com o advento da Idade Média, surgiram os estados nacionais – cristãos e nacionalistas. Os lapões – pagãos e nómadas – ficaram de fora da corrente dos tempos. Os reinos nórdicos começaram ofensivas contra os lapões baseadas na intolerância religiosa e na cobiça pelos recursos geográficos e naturais dos vastos territórios em que habitavam os Lapões.

Hoje em dia, os Lapões são considerados juridicamente um povo indígena da Suécia, Noruega e Finlândia. A Convenção sobre os Povos Indígenas e Tribais de 1989 foi assinada pela Noruega, mas não pela Finlândia nem pela Suécia.[27][28][29][30]

Lapões notáveis

  • Mari Boine - cantora da Noruega
  • Börje Salming - jogador de hóquei no gelo da Suécia
  • Enok Sarri - clarividente da Suécia
  • Lars Levi Læstadius - pastor da Suécia
  • Helga Pedersen - política da Noruega
  • Renée Zellweger - atriz dos Estados Unidos
  • Ole Henrik Magga - linguista da Noruega

Galeria

Ver também

Referências

  1. ↑ «Sámi in Sweden». sweden.se. 14 de dezembro de 2015. Consultado em 23 de junho de 2019
  2. ↑ «Focus on Sámi in Norway». Estatísticas da Noruega. Consultado em 23 de junho de 2019. Arquivado do original em 9 de março de 2012
  3. 1 2 Lars Thomasson, Peter Sköld. «Samer» (em sueco). Nationalencyklopedin. Consultado em 23 de junho de 2019
  4. ↑ «Eduskunta — Kirjallinen kysymys 20/2009». Parlamento da Finlândia. Consultado em 23 de junho de 2019. Arquivado do original em 2 de junho de 2014
  5. ↑ «Russian census of 2002». Serviço Estatístico Federal da Rússia. Consultado em 23 de junho de 2019
  6. ↑ Paine, Robert (1957). «Coast Lapp society». Tromsø University Museum. 4: 3. Consultado em 25 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 20 de abril de 2023
  7. ↑ Grimes, Barbara F.; Grimes, Joseph Evans (2000). Ethnologue. Summer Institute of Linguistics. [S.l.]: SIL International. pp. 54, 688, 695. ISBN 978-1-55671-103-9. Consultado em 25 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 20 de abril de 2023
  8. ↑ International Union of Anthropological and Ethnological Sciences Commission on Nomadic Peoples (1983). Nomadic Peoples. [S.l.]: Commission on Nomadic Peoples. Consultado em 28 de novembro de 2015. Cópia arquivada em 20 de abril de 2023
  9. ↑ Rapp, Ole Magnus; Stein, Catherine (8 de fevereiro de 2008). «Sámis don't want to be 'Lapps'». Aftenposten. Consultado em 3 de outubro de 2008. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2008
  10. ↑ «Sami». Infopédia. Consultado em 30 de dezembro de 2023. O povo Sámi estende-se por regiões que integram as atuais Noruega, Suécoa, Finlândia e Peninsula de Kola, Rússia.
  11. ↑ «Sami os indígenas europeus que tomam conta de renas». Embaixada da Finlândia, Brasília. Consultado em 31 de maio de 2018
  12. ↑ DAVID DREW ZINGG. «Loiras, Elvis em latim e Papai Noel». Folha de S.Paulo. Consultado em 31 de maio de 2018
  13. ↑ Oliveira, Ricardo Wagner Menezes de (2016). «1.1 Vikings - Quem são e de onde vieram». Feras petrificadas: o simbolismo religioso dos animais na era viking (Dissertação de Pós-graduação). Universidade Federal da Paraíba. p. 9. ... Os sámi, também conhecidos como lapões, são um grupo étnico que habita a região da Lapônia...
  14. ↑ «Os Saami: povo de pastores de renas do extremo Norte». Portal Legionário. Consultado em 31 de maio de 2018
  15. ↑ Paulo Correia; Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia (Outono de 2012). «Etnónimos, uma categoria gramatical à parte?» (PDF). Sítio Web da Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (N.º 40): 28. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2013
  16. ↑ «Samer» (em sueco). Uppslagsverket Finland - Enciclopédia Finlândia. Consultado em 26 de maio de 2015
  17. ↑ «Samer» (em norueguês). Store norske leksikon - Grande Enciclopédia Norueguesa. Consultado em 26 de maio de 2015
  18. 1 2 3 Miranda, Ulrika Junker; Anne Hallberg (2007). «Samer». Bonniers uppslagsbok (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag. p. 852. 1143 páginas. ISBN 91-0-011462-6
  19. ↑ Enciclopédia Nacional Sueca - Lapões
  20. ↑ http://finland.fi/Public/default.aspx?contentid=260949&nodeid=41800&culture=pt-PT
  21. ↑ «sámi - Significado no Dicionário Rápido». dicionariorapido.com.br. Consultado em 10 de fevereiro de 2016
  22. ↑ Karlsson, Fred (2008). An Essential Finnish Grammar. Abingdon-on-Thames, Oxfordshire: Routledge, 1. ISBN 978-0-415-43914-5.
  23. ↑ Magnusson, Thomas; et al. (2004). «Samer». Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher Produktion AB. p. 76. 654 páginas. ISBN 91-0-010680-1
  24. ↑ «Johannes Schefferus» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 21 de fevereiro de 2016
  25. 1 2 3 «Med solens folk (Com o povo do Sol)». Samer. Ett ursprungsfolk i Sverige (em sueco). Kiruna: Parlamento Lapónio da Suécia e Ministério da Agricultura da Suécia. 2004. p. 10-11. 64 páginas. ISBN 91-974667-9-4
  26. 1 2 3 Inger Zachrisson (2010). «Vittnesbörd om pälshandel?» (PDF). Fornvännen - Journal of Swedish Antiquarian Research (em sueco)
  27. ↑ Max Ingman e Ulf Gyllensten. «A recent genetic link between Sami and the Volga-Ural region of Russia» (em inglês). European Journal of Human Genetics. Consultado em 9 de janeiro de 2017
  28. ↑ Per Möller, Olof Östlund, Lena Barnekow, Per Sandgren, Frida Palmbo, Eske Willerslev. «Living at the margin of the retreating Fennoscandian ice sheet: The early Mesolithic sites at Aareavaara, northernmost Sweden» (em inglês). The Holocene. Consultado em 9 de janeiro de 2017
  29. ↑ Bojs, Karin; Peter Sjölund (2016). «Samer». Svenskarna och deras fäder. De senaste 11 000 åren (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers. p. 81-87. 232 páginas. ISBN 9789100167547
  30. ↑ «Indigenous and Tribal Peoples Convention, 1989 (No. 169)» (em inglês, francês, espanhol, árabe, alemão, e russo). ILO – International Labour Organization. Consultado em 9 de janeiro de 2017

Bibliografia

Ligações externas