Libs of TikTok
![]() Foto de perfil do Libs of TikTok no X/Twitter | |
| Fundação | abril de 2021 |
|---|---|
| Sede | Estados Unidos |
| Filiação | |
| Fundador(a) | Chaya Raichik |
| Website | Twitter TikTok (suspenso) Bluesky (suspenso) Instagram (suspenso) |
Libs of TikTok é o nome de usuário de várias contas americanas anti-LGBTQ e de extrema-direita nas redes sociais, operadas por Chaya Raichik ([ˈxɑːjə ˈraɪtʃɪk] Raichik [ˈxɑːjə ˈraɪtʃɪk] KHAH-yə-_-RY-chik),[1] uma ex-corretora de imóveis.
Raichik usa as contas para compartilhar conteúdo de pessoas de esquerda e LGBTQ no TikTok e em outras plataformas, frequentemente com comentários insultantes ou depreciativos.[2] Com milhões de seguidores no Twitter, Raichik é influente entre os conservadores estadunidenses e a direita política.[3][4]
As contas promovem transfobia e outras retóricas anti-LGBTQ, como a ideia de que pessoas trans têm doenças mentais portanto fingem ser do gênero com o qual se identificam. Libs of TikTok também espalha informações falsas, especialmente relacionadas ao atendimento médico de crianças transgênero.[2][5][6] Frequentemente, postagens de Raichik rotulam pessoas LGBTQ e profissionais de saúde mental como " groomers". Suas contas receberam várias suspensões temporárias, além de uma suspensão permanente do TikTok.[7][8][9][10]
As postagens de Raichik resultaram em ameaças, assédio e divulgação de informações pessoais (doxing) por parte de seus seguidores contra professores, profissionais de saúde, hospitais infantis, bibliotecas, espaços LGBTQ+ e instituições de ensino.[11][12][13] Pelo menos 60 ameaças de bomba foram associadas a postagens do Libs of TikTok.[13][14][15]
História
Início e conteúdo original (novembro de 2020 – junho de 2021)
Em novembro de 2020, Raichik criou uma conta no X/previamente Twitter com o nome de usuário @shaya69830552, posteriormente alterado para @shaya_ray. De acordo com o The Daily Dot, a conta começou como uma "conta de resposta que aparecia frequentemente nos comentários de conservadores proeminentes no Twitter".[16] Sob esses nomes de usuário, Raichik minimizou a severidade da COVID-19, promoveu a teoria da conspiração refutada de que a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020 foi roubada de Donald Trump por meio de fraude eleitoral e fez postou que estava presente no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos dia 6 de janeiro de 2021. Raichik criticou a Polícia do Capitólio. Ela tuitou que não entrou no prédio do Capitólio como "algumas pessoas malucas" haviam feito, chamando a invasão de "majoritariamente pacífica". Mais tarde, ela comparou favoravelmente o ataque a um protesto do movimento Black Lives Matter.[17][8] No início de 2021, a conta tinha menos de 1.000 seguidores.[18]
Mais tarde, ela mudou o nome de usuário para @cuomomustgo, concentrando-se em exigir a renúncia do então governador de Nova York, Andrew Cuomo, após as alegações de assédio sexual feitas contra ele. Raichik também usou a conta para defender o recall do governador da Califórnia, Gavin Newsom Em março de 2021, seu nome de usuário mudou para @houseplantpotus, uma conta de paródia que tuitava como uma planta doméstica na Casa Branca durante a presidência de Joe Biden. Em 19 de abril de 2021, Raichik adotou o nome @libsoftiktok, prometendo "te ajudar a com uma dose diária de vergonha alheia".[8][17] Em maio e junho de 2021, antes e durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+, Libs of TikTok começou a postar comentários anti-LGBTQIA+, incluindo seu primeiro tuíte promovendo a teoria da conspiração de aliciamento LGBTQIA+. As primeiras republicações da conta incluíam republicações de vídeos de progressistas sobre Anthony Fauci e vacinas que ela considerava "dignas de cringe." A revista Slate relacionou o sucesso inicial de Libs of TikTok ao fato de Chaya "marcar descaradamente figuras importantes da extrema-direita e da direita alternativa no Twitter, estratégia que ela usa até hoje".[2]
Atenção da mídia (agosto de 2021 – abril de 2022)
Em agosto de 2021, o perfil @LibsofTikTok já havia acumulado cerca de 65.000 seguidores. Nesse mesmo mês, o podcaster Joe Rogan começou a promover o @LibsofTikTok no podcast The Joe Rogan Experience, o que causou grande aumento no número de seguidores. Ainda em agosto de 2021, o advogado e operador do Partido Republicano, Grant Lally, registrou a marca Libs of TikTok como um "serviço de reportagem jornalística".[3][8]
A conta foi promovida por Donald Trump Jr., pelo jornalista Glenn Greenwald e pelos comentaristas políticos Tucker Carlson, Jesse Watters e Laura Ingraham. Ela foi destaque no New York Post, The Federalist, The Post Millennial, Fox News e em outros veículos de notícias de direita. Suas publicações foram retuitadas por Meghan McCain.[8][17][19]
Antes de Raichik ser revelada como a criadora da conta, ela foi entrevistada anonimamente em diversas ocasiões, durante as quais se gabou do fato de que postagens da conta causaram a demissão de vários professores. Raichik encorajou seus seguidores a se juntarem aos conselhos escolares locais para remover professores que ensinam sobre gênero e sexualidade.[8] Raichik disse ao New York Post que "Não faço isso por dinheiro ou fama" e "Não sou nenhuma política ou jornalista verificada."[16]
Revelação da identidade (abril de 2022)
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Em abril de 2022, detalhes sobre a operadora da conta vieram à tona. Raichik registrou o domínio libsoftiktok.us em outubro de 2021. O domínio de nível superior .us não permite registro anônimo, portanto, seu nome completo e outras informações foram listados publicamente no registro WHOIS do domínio. Em abril de 2022, um desenvolvedor de software identificou Raichik como a criadora da conta.[8][20]
Em 19 de abril de 2022, o The Washington Post publicou um artigo da jornalista Taylor Lorenz que revelava mais sobre a identidade de Raichik, observando que ela trabalhava no ramo imobiliário no Brooklyn e que era "orgulhosamente" judia ortodoxa.[8] A versão online do artigo inicialmente incluía um link para a licença imobiliária de Raichik, mas ele foi removido posteriormente.[21]
Conservadores criticaram Lorenz por seus métodos de reportagem,[19][22] por revelar a identidade de Raichik, por acusações de antissemitismo (por ter repetido a declaração de Raichik sobre sua fé) e por hipocrisia (por ter se manifestado anteriormente contra o assédio online).[23][24][25] Alguns a acusaram de expor informações pessoais de Raichik. Lorenz argumentou que a informação já era pública.[23][26] O Washington Post defendeu a reportagem.[23] Cameron Barr, editor-chefe, afirmou que o Post "não publicou nem incluiu links para quaisquer detalhes sobre a vida pessoal [de Raichik]",[19] embora Raichik tenha apontado o fato de que um endereço residencial constava na licença imobiliária para a qual o artigo originalmente direcionava o link.[21] Lorenz disse que os críticos estavam tentando "semear dúvidas e desacreditar o jornalismo".[27]
Raichik acusou Lorenz de divulgar informações pessoais[28] e de violar seu direito à liberdade de expressão,[26] embora ela tenha jurado "nunca ser silenciada".[28][29] No mês seguinte, ela tuitou que havia "recebido cerca de uma dúzia de ameaças de morte", incluindo ameaças de jogar uma bomba caseira em sua casa.[30][31] Lorenz também relatou que recebeu retaliações pessoais. Ela afirma que, em resposta ao artigo, toda sua família teve as informações pessoais divulgadas e que "os trolls passaram a perseguir quaisquer amigos aleatórios que eu tenha marcado no Instagram".[32]
A conta Libs of TikTok ganhou 200.000 seguidores no dia seguinte à publicação da reportagem do The Washington Post.[33][5]
Dois anos após o artigo do The Washington Post, Lorenz organizou uma entrevista durante a qual Raichik argumentou contra o cuidado de afirmação de gênero.[34] Lorenz perguntou a Raichik se ela se considerava uma figura pública após ter a identidade revelada.[35]
Conteúdo
A conta Libs of TikTok foi descrita como de direita,[4][10][36] conservadora[37][38] de extrema-direita,[a][39] e extremista.[40] O jornal The Times de Londres descreveu a conta como uma "provocadora do Twitter".[3] Na maior parte do tempo, a conta se dedica ao compartilhamento de conteúdo feito por pessoas de esquerda que provoca indignação entre seus seguidores de direita.[41][42] Os vídeos republicados são, na maioria das vezes, relacionados à comunidade LGBTQ.[42]
Conteúdo relacionado a shows de drag
Raichik afirma que, ao ensinae crianças sobre identidades LGBTQ, adultos estão sendo abusivos e isso constitui aliciamento infantil.[8][17] Ela frequentemente usa o TikTok para divulgar eventos LGBTQ voltados para jovens e, em mais de uma ocasião, esses eventos receberam ataques de extremistas de direita. Raichik afirmou que ser não-conformista de gênero ou ser um aliado da comunidade LGBTQ é uma "doença mental". Ela se referiu propositalmente a pessoas transgênero com pronomes de gênero incorretos.[8]
Em junho de 2022, alguns tweets do Libs of TikTok foram removidos após a publicação de locais de eventos voltados para drag queens nos Estados Unidos. Pelo menos desses eventos era uma Drag Queen Story Hour, onde drag queens vão a bibliotecas públicas e leem livros infantis para crianças em idade pré-escolar. A intenção desses eventos é promover a leitura e a diversidade. Um evento como esse em San Lorenzo, Califórnia, foi invadido pelos Proud Boys, um grupo extremista de extrema-direita.[43]
Eventos do Orgulho LGBTQIA+ em Dallas e Coeur d'Alene também foram alvo de extremistas de direita após publicações do Libs of TikTok. No evento de Coeur d'Alene, 31 membros da Patriot Front foram presos antes de chegarem ao seu destino.[44][45] Em junho, um porta-voz do Gabinete do Xerife do Condado de Alameda afirmou que os investigadores acreditam que o confronto com os Proud Boys foi causado pelo Libs of TikTok.[5][46] Em agosto, a NPR noticiou que "nenhuma ligação conclusiva entre as publicações e as atividades dos grupos extremistas" havia sido estabelecida.[47]
Os Proud Boys também atacaram ou ameaçaram atacar outros eventos divulgado pela conta Libs of TikTok, incluindo um happy hour com drag queens em um bar de Woodland, Califórnia (que Raichik alegou ter sido organizado por um "grupo de jovens" para "todas as idades"),[48] um brunch com drag queens planejado para beneficiar um centro de recursos LGBTQ em Sanford, Carolina do Norte,[49] e uma Drag Queen Story Hour planejada (e depois cancelada) por uma escola de primário em Columbus, Ohio.[50]
Em novembro, um grupo de estudantes LGBTQ da South Dakota State University foi alvo de uma ameaça de bomba. Ela foi investigada pelo Departamento de Polícia da Universidade. Essas ameaças começaram após Libs do TikTok publicar supostas imagens do evento drag anual daquele ano, que foi anunciado como apropriado para todas as idades. O grupo de estudantes e a artista principal do evento disseram que o vídeo de Libs do TikTok misturou cenas do evento daquele ano com cenas do evento do ano anterior, que tinha restrição de idade.[51]
Em maio de 2023, foi relatado que o atirador por trás tiroteio no shopping em Allen, Texas, dedicou um longo texto nas redes sociais ao Libs of Tiktok, denunciando o Drag Queen Story Hour.[52]
Conteúdo relacionado a cuidados de afirmação de gênero

Raichik se opõe à cirurgia de afirmação de gênero em crianças, argumentando que se trata de abuso infantil em larga escala e que "qualquer médico que realize essas cirurgias deveria ter sua licença revogada. O lugar deles é na prisão".[53][54]
Em agosto de 2022, em contas do Libs of TikTok, Raichik afirmou que o Hospital Pediátrico de Boston (BCH)[55] e o Children's National Hospital(CNH) estavam realizando cirurgias de redesignação sexual em menores de idade.[47] Junto com o conteúdo relacionado ao BCH, Raichik incluiu um vídeo do hospital onde um de seus ginecologistas explica o procedimento.[55]
O USA Today,[56] a NPR[47] e o PolitiFact[57] concluíram que a alegação sobre o BCH era falsa. O conteúdo do CNH era uma gravação de áudio com dois operadores que afirmavam que meninos trans de 16 anos seriam elegíveis para histerectomias no hospital.[58][5][38] O CNH negou as declarações dos operadores e observou que "nenhuma das pessoas que foram gravadas secretamente por este grupo ativista presta atendimento aos nossos pacientes".[58] Vários veículos de comunicação conservadores — incluindo The Daily Caller e The Post Millennial — compartilharam uma ou ambas as histórias.[4][59][56][36]
Os sites de ambos os hospitais apresentavam informações incorretas sobre a elegibilidade para cirurgias de redesignação sexual: um arquivo público no site do BCH afirmava que as pacientes de vaginoplastia deveriam ter "entre 17 e 35 anos de idade no momento da cirurgia".[60] Quando questionado sobre o documento, o hospital explicou que ele havia sido atualizado para refletir o protocolo que, segundo ele, "sempre seguiu" — que, embora as consultas estivessem disponíveis para pacientes de 17 anos, apenas aqueles com mais de 18 anos eram elegíveis para a cirurgia.[61][36] O site do CNH afirmava que as histerectomias eram realizadas em pacientes "entre 0 e 21 anos".[58] Uma porta-voz do hospital declarou: "Não realizamos e nunca realizamos histerectomias de redesignação sexual em menores de 18 anos."[58][38]
Após as postagens do Libs of TikTok, funcionários de ambos hospitais foram alvo de assédio.[5] Tanto o BCH quanto o CNH receberam ameaças de bomba,[65] embora não estivesse claro se a ameaça ao BCH estava relacionada ao assédio.[63] A NBC News descreveu o grupo Libs of TikTok como "um dos principais impulsionadores da campanha de assédio" contra o BCH.[66] As ameaças de violência foram amplamente denunciadas,[67][47][62] e autoridades estaduais[36] e federais[68][69] iniciaram investigações sobre as ameaças.
Quando contatada pelo The Washington Post, Raichik não respondeu se se sentia responsável pelas ameaças contra os hospitais, mas disse que "condenamos 100% quaisquer atos/ameaças de violência".[5][70] Em um tweet posterior, Raichik disse que continuaria a denunciar hospitais.[71] Após os tweets sobre o CNH, depois dos quais o Twitter suspendeu a conta Libs of TikTok temporariamente, Raichik disse: "Ser suspensa pelo Twitter só me fez perceber meu maior erro. Liguei apenas para um hospital, deveria ter ligado para dezenas, porque garanto que o Children's National não é o único. Prometo aprender com meu erro e revelar mais sobre o que nossos chefões da Big Tech não querem que saibamos. Farei melhor no futuro."[5][54]
Raichik posteriormente publicou alegações de que o Hospital Pediátrico Akron[72] e o Hospital Pediátrico Barbara Bush[73][74] ofereciam cuidados não cirúrgicos de afirmação de gênero, como bloqueadores da puberdade, para menores de idade.[72]
Raichik também publicou sobre uma clínica para adolescentes no Johns Hopkins All Children's Hospital, destacando sua prática de pedir aos pais que saíssem da sala por alguns minutos, fornecendo um "espaço seguro" aos jovens pacientes.[75] Em resposta à atenção nas redes sociais, que incluiu ameaças, o Hospital Pediátrico Akron removeu temporariamente a seção de cuidados de afirmação de gênero de seu site, bem como informações sobre seus funcionários e serviços prestados. [71]
A conta atacou outros hospitais que oferecem atendimento de afirmação de gênero, em alguns casos com alegações falsas, incluindo um hospital infantil em Omaha, Nebraska, o Hospital Pediátrico UPMC de Pittsburgh e o Hospital Pediátrico de Phoenix, resultando em ameaças por telefone e assédio. Após o ataque da Libs of TikTok a hospitais específicos, outras instalações pediátricas, incluindo o de Chicago, enfrentaram assédio e alegações falsas sobre o atendimento que prestam.[5][76][77] Em setembro de 2022, em resposta às postagens da Libs of TikTok, o Hospital Pediátrico Lurie aumentou sua segurança e transferiu um grupo de apoio a jovens transgêneros de encontros presenciais para encontros online. [78]
Conteúdo relacionado à educação
Professores que apoiam estudantes LGBTQ se tornaram um dos alvos mais frequentes da conta Libs of TikTok.[17] Vários dos professores expostos relataram assédio e ameaças de morte.[b] De acordo com um relatório do grupo de vigilância de mídia de esquerda Media Matters for America,[83][84][85] entre janeiro e abril de 2022, a conta nomeou ou marcou cerca de 222 instituições de ensino e professores.[17][80] Segundo a Euronews, "algumas das pessoas expostas por [Libs of TikTok] receberam centenas ou até milhares de comentários de ódio."[80]
Em 16 de novembro de 2021, um professor assistente da Old Dominion University foi colocado em licença administrativa. Uma entrevista na qual o professor argumentava que a pedofilia deveria ser desestigmatizada foi publicada na conta Libs of TikTok e viralizou.[86] Em 24 de novembro, o professor renunciou ao cargo.[87]
Uma professora da Califórnia foi afastada de suas funções após um vídeo que ela postou, no qual brincava sobre pedir aos seus alunos que jurassem lealdade à bandeira do Orgulho LGBTQIA+, ter sido republicado pelo perfil Libs of TikTok em 27 de agosto de 2021. [88] Depois de ser atacada por contas conservadoras e de extrema-direita nas redes sociais, ela deletou todas as suas contas. [88]
Em abril de 2022, Raichik republicou um vídeo de um professor de inglês do 8º ano em Owasso, Oklahoma, em apoio a estudantes LGBTQ. No vídeo, o professor afirmava: "Se seus pais não te aceitam como você é, que se danem. Eu sou seu pai agora. Tenho orgulho de você. Beba água. Eu te amo".[17] Após reclamações de pais sobre o vídeo, o professor se demitiu, dizendo posteriormente ao Washington Post que havia recebido ameaças de morte de seguidores do Libs of TikTok.[89][90] O candidato republicano ao Senado de Oklahoma, Jackson Lahmeyer, acusou o professor de ser um "predador".[17][90] O Libs of TikTok posteriormente publicou uma mensagem alegando, sem provas, que o professor foi demitido "após denúncias de grooming".[17] Alguns pais defenderam o professor, dizendo que ele proporcionava um "refúgio seguro" para estudantes LGBTQ.[17]
Em outubro de 2022, um abrigo de animais em Huntsville, Alabama, enfrentou críticas em massa, incluindo ameaças de morte e avaliações negativas no Google, depois que o perfil Libs of TikTok republicou um vídeo do abrigo. No vídeo, um professor do ensino fundamental lia vestido como drag queen. O perfil Libs of TikTok alegou que o professor fez insinuações e piadas sexuais obscenas para uma sala cheia de crianças. Como resultado, o professor foi colocado em licença administrativa remunerada por tempo indeterminado pelas Escolas Municipais de Huntsville para investigação. O professor defendeu seus comentários, comparando-os a piadas de duplo sentido em filmes infantis. O abrigo de animais apoiou o professor e o evento, enfatizando seu compromisso com a inclusão e a gentileza. O professor também recebeu ameaças de morte.[91][92]
Instalações educacionais e ameaças de bomba
Diversas instituições e centros educacionais relataram ter recebido ameaças de bomba após serem mencionados em publicações do Libs of TikTok. Ao ser contatada pela Vice, Raichik afirmou que "as ameaças não tinham nada a ver com ela ou seus seguidores". De acordo com uma reportagem da Vice de outubro de 2023, a publicação entrou em contato com 42 estabelecimentos nas publicações do Libs of TikTok; entre elas, 11 escolas e distritos escolares relataram ter recebido ameaças de bomba. Embora não tenha sido estabelecida uma ligação direta entre as publicações do Libs of TikTok e as ameaças, alguns consideraram a natureza dessas ameaças incomum.[14]
Em agosto de 2023, um vídeo de uma bibliotecária da Escola Primária Ellen Ochoa (Tulsa, Oklahoma) foi editado e compartilhado pelo grupo Libs of TikTok, depois republicado pelo Superintendente Estadual de Oklahoma, Ryan Walters.[93] Após o compartilhamento do vídeo, tanto a Escola Primária Ellen Ochoa quanto a casa da bibliotecária receberam múltiplas ameaças de bomba.[94][95] Além disso, foram enviadas cartas à imprensa ameaçando bombardear "todas as escolas do distrito", a menos que as escolas parassem de "promover essa ideologia woke".[96]
Em agosto de 2023, o grupo Libs of TikTok acusou uma escola primária da Califórnia de ser "racista contra pessoas brancas". No dia seguinte, uma ameaça de bomba foi enviada por e-mail para a escola, que foi evacuada; a polícia local descreveu o e-mail como tendo "conotações raciais".[97]
Em setembro de 2023, uma escola em Illinois recebeu três ameaças de bomba em quatro dias depois que Libs do TikTok postou uma foto de uma de suas salas de aula onde uma bandeira do Orgulho estava pendurada.[98] A escola precisou evacuar os alunos em dois dias consecutivos após o recebimento das ameaças.[99]
Em novembro de 2023, Raichik postou uma imagem sua sorrindo com uma cópia do USA Today com a manchete de primeira página "Quando a conta Libs of TikTok posta, há um aumento constante de ameaças". Will Carless, repórter responsável pela matéria, relatou ter sofrido "assédio, ameaças de bomba e ameaças de morte dezenas de vezes".[100]
Em fevereiro de 2024, a NBC News relatou 33 casos de ameaças violentas contra indivíduos ou organizações sobre os quais o Libs of TikTok havia postado desde novembro de 2020, vinte das quais eram ameaças de bomba. O relatório comentou ainda que "o momento sugere que as postagens do Libs of TikTok foram usadas para escolher alvos".[13] Em pelo menos três casos, essas ameaças de bomba levaram a acusações criminais contra pelo menos nove indivíduos.[13]
Em abril de 2024, pelo menos 54 casos adicionais de ameaças de bomba foram relatados como tendo ligação ao Libs do TikTok.[15]
Outros conteúdos e farsas
Em referência a uma pré-escola que realizou uma marcha do orgulho gay, a conta afirmou: "parem de mandar seus filhos para campos de doutrinação".[8][3] Ela encorajou seguidores a contatarem escolas que permitiam que alunos transgêneros usassem banheiros correspondentes à sua identidade de gênero.[8][3] O Libs of TikTok também visa "espalhar os horrores do que os médicos estão fazendo com jovens confusos".[101]
Em tweets já apagados, a conta acusou especificamente Chasten Buttigieg e a organização The Trevor Project de grooming.[102][28][103] A conta disse, em outro tweet já apagado, que qualquer professor que se assumisse gay para seus alunos deveria ser demitido.[17]
A conta Libs of TikTok foi criticada por espalhar boatos, incluindo o boato das caixas de areia nas escolas sobre adaptações nos banheiros para alunos que se identificavam como gatos,[104] e por disseminar alegações falsas, como a de que alunos de uma turma do segundo ano em Austin, Texas, estavam aprendendo sobre furries.[8][105][103] A conta também alegou que a representante americana Katie Porter teria dito que pedofilia não é crime, após Porter lamentar que pessoas LGBTQ+ estivessem sendo difamadas como pedófilas e aliciadoras nas redes sociais.[106][107] A conta também publicou, ou foi acusada de publicar, vídeos editados de eventos drag, resultando, em um caso, em ameaças de bomba contra o público e a artista em Dakota do Norte[51] e, em um incidente separado, em ameaças de morte contra uma drag queen que acabou renunciando a um cargo de professora no Alabama.[108]
A conta Libs of TikTok negou a existência de racismo sistêmico, mas argumentou que o racismo contra pessoas brancas estava "florescendo" nos Estados Unidos. Uma reportagem da Slate afirmou que "o feed de Raichik é marcado por uma intensa hostilidade aos liberais em geral, mas ela nutre uma animosidade especialmente pronunciada contra pessoas LGBTQ, moradores de cidades grandes e pessoas negras que foram mortas pelas mãos da polícia". A conta se referiu a George Floyd como um criminoso e zombou do assassinato de Ma'Khia Bryant.[2]
Seu vídeo mais popular no TikTok, com 5,7 milhões de visualizações, foi gravado por uma estudante da Universidade Estadual do Arizona (ASU). O vídeo mostra ela e uma amiga pedindo que um estudante branco se retirasse de um centro multicultural por causa de um adesivo com a frase "Vidas Policiais Importam" em seu laptop.[109] Depois que o vídeo viralizou, a ASU investigou o caso e repreendeu as duas universitárias.[2][109]
Ver também
Referências
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